Underneath It All
2 Uma mentira por amor
Notas iniciais
Acordei. A primeira coisa que fiz foi levar as mãos a cabeça e conferir meu cabelo. As vezes eu não tinha certeza se estava de peruca ou não. Ela já era tão natural para mim que eu esquecia que a estava usando.
Eu estava morta. O show da noite anterior havia sido incrível, mas eu tinha ido dormir tão tarde que eu nem conseguia me lembrar a hora. Só sabia que tinha sido tarde, muito tarde. Muita dança, muita música, muitos gritos, fãs enlouquecidas e vários beijos de León — minha recompensa no fim da noite pelo trabalho bem feito — haviam me deixado exausta. Mas lá estava eu, as 08:00 da manhã, acordada para ir ao Studio. Afinal, a vida de Roxy podia se resumir a glamour, shows, seções de fotos, festas, viagens e horas românticas passadas ao lado do namorado perfeito, mas Violetta Castillo estudava e precisava estar acordada durante a aula.
"Adormecida", levantei, tomei banho e coloquei uma roupa qualquer, que eu não tinha a mínima ideia se combinava ou não. Prendi meu cabelo e fiz uma maquiagem básica, só para parecer que eu estava acordada. Tomei café super rápido e fui andando para o Studio, na tentativa de me espertar.
Chegando lá, a mesma coisa de sempre: Todo mundo comentando o show da Roxy. Eles sabiam que eu era super fã dela — a desculpa que eu dava como me perguntavam como eu sabia tanto sobre a vida pessoal da cantora — então iam sempre comentar comigo.
Eu dava umas respostas rápidas enquanto andava, procurando Francesca. Ela, assim que me viu, veio correndo até mim:
—Hey, Vilu! O que acha de irmos conversar num lugar mais reservado? — Ela perguntou, entre dentes. Entendi na hora que o assunto tinha a ver com Roxy.
Concordei e fomos andando, as duas, para o pátio. Procuramos algum lugar mais afastado e vazio e começamos a conversar em voz baixa, sempre tentando ser o mais discretas possível:
—E então, amiga, como foi o pós-show?
—Como sempre, Fran, como sempre. Um monte de gente me dando parabéns, bebida, música, esperar o carro vir nos buscar...
—Muita pegação... — ela riu, maliciosa.
—Para, vai
—Não é culpa minha se você e seu namorado não se desgrudam nunca. Você sabe que é assim.
—Ok, mas não prescisa salientar esse fato para meio mundo.
—Gosta mesmo dele, né? — Ela me perguntou
—Claro que gosto, como não gostaria? Ele é tão... perfeito. — respondi, com um sorriso bobo.
—A quanto tempo estão juntos mesmo?
—Já faz quase um ano — Sorri — dez meses e alguns dias. Quase onze.
Eu falava orgulhosamente daquele relacionamento. León era tão perfeito que eu não entendia como tinha se apaixonado por mim. Ou melhor, por ela. Por Violetta, ele jamais se apaixonaria. Ao contrário de Roxy, que tinha seu charme.
—Estamos até conversando sobre, num futuro um pouco mais distante, já que eu só tenho 20 anos, em nos casarmos! — Vibrei. — Estamos até usando anel de compromisso, olha
Puxei meu celular da bolsa e mostrei para ela uma foto que Roxy (eu) tinha postado no instagram naquela semana. Mostrava nossas mãos entrelaçadas, Roxy usando um lindo anel que León havia lhe dado (a foto do anel vai ser postada no @imaginesroxos no instagram). Francesca sorriu:
—Que lindo! — Ela exclamou. Então, de repente, seu semblante mudou. Suspirei.
—O que é?
—Você já pensou no que vai fazer quando for esposa dele, Vilu? Eu digo, como vai manter uma vida dupla? E os amigos da Violetta? E seus compromissos como Violetta? E se ele te vir sem peruca, ou pegar seus óculos e perceber que não tem grau? Vilu, tem tanta chance de isso dar errado...
Suspirei. Era verdade, as chances eram enormes. León podia, a qualquer momento, me ver sem minha peruca. Digamos que ele me visse lavando o cabelo — e não se lava uma peruca — ou prendendo a peruca na cabeça? E se minha peruca escorregasse e ele percebesse? E se ele visse meus óculos sem grau? E se ele percebesse a diferença de voz, já que eu afinava um pouco a voz para fazer o tom de Roxy? E se, por engano, eu chamasse Fausta de Francesca? E se ele visse meus documentos — e, se casássemos, ele veria — e percebesse que, no lugar de Rosa Maria de La Guardia estava Violetta Saramego Carrara Castillo?
Mesmo assim, eu já tinha pensado em tudo. Afinal, eu podia mudar a cor do cabelo e meu nome, não era verdade? Além disso, eu nunca disse que era miope, e pessoas usam armações sem grau, não usam? Tudo estava resolvido. Eu podia me tornar Roxy. E sim, eu amava León o suficiente para fazer isso. Faria qualquer coisa para tê-lo ao meu lado. Qualquer coisa.
—Eu já pensei em tudo, não se preocupe, Fran. Posso mudar meu nome e pintar o cabelo, tudo tem jeito. — Respondi, por fim
—Abriria mão da sua identidade por esse relacionamento, Vilu?
Suspirei.
—Já esteve apaixonada, Fran? Eu digo, apaixonada de verdade?
Francesca negou com a cabeça. Seu último namorado tinha sido Marco, e já faziam meses que eles tinham terminado. Suspirei e continuei:
—Pois é. Eu estou, Fran, eu estou. E quando estamos apaixonados, fazemos tudo pelo que amamos, amiga. Tudo. Eu faria isso e muito mais para não ter que abrir mão de León. Eu não vou desistir desse relacionamento, amiga. Simplesmente não vou.
—Tudo bem, então... — ela suspirou. Então, resolveu mudar de assunto — e a seção de autógrafos amanhã?
—Normal, vai ser ótima.
Era verdade: Amanhã, eu e León faríamos uma seção de autógrafos no Studio do mais novo CD de Roxy, em que León fazia várias participações. Além disso, se levar uma estrela famosa para um lugar já rendia assunto por um mês para a mídia, imagine levar duas estrelas super famosas para o mesmo lugar, no mesmo dia, levando em consideração o fato de estas duas pessoas serem um dos casais mais shippados da atualidade?
Óbvio, Violetta teria uma doença misteriosa e faltaria ao Studio amanhã. No dia seguinte, lamentaria por séculos ter perdido a chance de conhecer sua estrela favorita. Tudo em nome do show.
Eu e Fran conversamos um pouco mais sobre o assunto, para depois irmos para a aula. O dia foi absolutamente normal, até umas três e meia da tarde. A essa hora, fui para casa e fiz meu ritual de transformação: Prendi os cabelos e coloquei a peruca, pûs minhas unhas postiças cor-de-rosa pink e fiz aquela maquiagem carregada na pele. Pintei os lábios com batom vermelho e colei meus cílios postiços, como sempre. Troquei de roupa, colocando um dos "figurinos" da Roxy, uma roupa chamativa e colorida, e calcei meus sapatos enormes. Depois, fui direto para a casa de León. Ele tinha me convidado, cerca de uma hora atrás, para ir visitá-lo, e era óbvio que eu não perderia aquela chance.
Cheguei a casa de meu namorado e abri a porta, já que já possuia a chave. Aquele lugar era como uma segunda casa para mim. León morava sozinho numa linda e grande casa, na qual passávamos horas nos divertindo. Eu simplesmente amava aquele lugar. (A foto da casa vai ser postada no instagram @imaginesroxos).
—Baby, cheguei!
Logo, León veio descendo as escadas, lindo, até mim. Estava de jeans. Usava uma camisa xadrez branca e vinho, com três botões abertos, deixando parte de seu peito a mostra, e um casaco fino vinho por cima, as mangas enroladas até os cotovelos. (A roupa dele será postada no @siempre_leonetta no instagram, com o Jorge usando mesmo).
—Que lindo — sorri
—Só para você. Você sabe, né? — Disse ele, colocando as mãos ao redor da minha cintura.
—Pra mim e pras outras milhões de garotas que acompanham sua carreira, seu instagram e sua vida. — Eu disse, passando meus braços ao redor de seu pescoço. León me deu um selinho.
—Não. Só para você. Elas são consequência.
León me beijou. Juntamos nossos lábios num beijo selvagem, como sempre. Ele não parava um segundo sequer. Era como se o ar nunca fosse acabar para ele.
—León, paraaaaaa — Ri, separando nossos lábios com um selinho — Presciso respirar.
—Já respirou — ele disse, com um sorrisinho bobo naquela carinha de bom rapaz — Agora vem cá.
León me puxou para ele e juntou nossos lábios outra vez. Eu não resisti. Como poderia resistir, quero dizer? Ele era tudo o que eu sempre tinha sonhado. Eu acariciava sua nuca e seus cabelos, fazendo-o gemer um pouco em meus lábios. Aquele carinho era exclusivamente meu. Eu era a única que sabia o quanto León sentia prazer com aquilo.
Eu amava seu beijo. Aqueles eram os melhores beijos que eu já tinha recebido na vida. Ele era carinhoso, ao mesmo tempo que era apaixonado. Seu beijo era rápido e gostoso, tinha um gosto doce. Agressivo não era a palavra certa para descrever nossos beijos, mas digamos que eram bem... sensuais. Logo, já estávamos nos agarrando no sofá, sem eu nem me dar conta do que estava acontecendo. Quando finalmente paramos para respirar, ele sorriu para mim.
León deixou-se jogar, relaxado, no sofá. Eu me aconcheguei ao seu lado, colada a seu corpo. Ele passou seu braço forte ao meu redor, me aproximando mais, e beijou minha testa. Sorri.
—Temos que nos controlar mais, não temos? — Ele perguntou
—Como poderia? Amo você. Amo seu beijo.
—Também amo você, minha doidinha. — Ele riu. Sempre tinha me chamado de doidinha, porque, convenhamos, a Roxy não era exatamente a pessoa mais normal do mundo. Sorri.
—E a seção de autógrafos amanhã? — Perguntei — Está pronto?
—Como sempre. Só presciso de uma coisa: Você. Meu amuleto da sorte. O resto é fácil do seu lado.
Sorri e o beijei, carinhosamente. León sorriu e tomou minha mão na sua. Parecia pequena e frágil perto dele. Sorri quando ele a beijou. Então, seu olhar fixou-se no meu anel:
—Ainda está usando — disse ele, olhando-o.
—Claro que estou usando. É um símbolo. Do meu amor por você. E do seu amor por mim. — Sorri.
—É uma promessa, baby. Uma promessa minha para você. Para nós dois. — Disse ele, com um sorriso, beijando e mordiscando de leve a ponta de cada um dos meus dedos, me fazendo rir.
—E posso saber que promessa é essa, darling?
—Um futuro, pequena. Uma promessa para o futuro. O nosso futuro.
Sorri e voltei a beijá-lo. Enchi sua boca de selinhos, um após o outro. Ele sorriu:
—E isso é porque queria que eu parasse, né? — disse ele, pondo as mãos ao redor de minha cintura outra vez.
—Opiniões mudam — sorri, sentando-me em seu colo. Ele sorriu quando fiz carinho em seu rosto com uma mão e pousei a outra sobre sua coxa — E eu não resisto ao seu jeitinho, você sabe, honey.
Sem me responder, León beijou meu pescoço, uma, duas, três vezes. Os beijos subiram para meus cabelos e orelhas, e depois foram parar em minha boca. Sorri e retribui. Eu simplesmente o amava.
Por isso mesmo, me sentia culpada em estar mentindo para ele. Ele merecia saber a verdade. Mas, se ele soubesse, tudo estaria arruinado. Portanto, alguns beijos depois, inventei uma desculpa qualquer, me despedi carinhosamente de meu namorado e fui para casa. Precisava conversar.
E só tinha uma pessoa no mundo que me entenderia.
Fale com o autor