Underneath It All
6 Dia dos Namorados atrasado
Notas iniciais
—Você está bem? — Ele perguntou, me ajudando a levantar
—Es-estou — Respondi, sem ideia do que dizer.
—Não se machucou?
—Não, eu estou bem, obrigada — Sorri, sem graça.
—Ei, qual seu nome? — Ele perguntou
—Vi-Violetta — Respondi. Meu Deus, isso não podia estar acontecendo. Ele não podia me reconhecer. Eu tinha que bancar a fã — E você... Eu não preciso nem perguntar. Meu Deus, mal acredito que estou conhecendo você, sou sua fã!!!!!!
—É? — Disse ele, com um sorriso — Que bom, adoro minhas fãs. Eu... vi você cantando no Studio. É muito talentosa.
—Q-que é -i-isso.... Nunca vou ser como vocês.
—Nunca diga nunca — ele sorriu — Bom, agora eu... tenho que ir. Minha namorada está me esperando, desculpe.
—Sua namorada? A Roxy?
—Como sabe?
—Eu já disse que sou fã de vocês. Shippo muito os dois! São um casal lindo.
—É, ela é ótima...
—Gosta dela?
—Muito, muito... digo, ela é minha namorada, não é?
—Sim, sim, eu sei... Bom, então eu vou indo. Até logo, León.
—Ei, espera — Disse ele
—Sim?
—Quero ver você de novo. Você viria aqui amanhã nesse mesmo horário?
Gelei. Como assim, León Vargas?!?!?!?!?!?! Convidando outra garota para sair? Convidando a Violetta para sair?! E a Roxy?! Você tem namorada, não se lembra?! E eu?!?!?!?!?!
Aceito ou não aceito? Se eu não aceitar, vou impedir que as coisas cheguem longe demais. Mas se eu aceitar, posso saber o que ele realmente pensa da Roxy. Posso saber porque ele se interessa por mim. Posso descobrir o quão longe ele seria capaz de chegar, e se ele seria capaz de me trair. Se eu não aceitar, ele pode acabar me traindo com outra, e não comigo mesma. É melhor aceitar, não é? Sim, sim, melhor aceitar. É realmente melhor aceitar.
—Cla-claro.... Mas... Sua namorada não vai ficar com ciumes?
—Eu dou um jeito, não se preocupe. Nos vemos amanhã, não é?
—S-sim, claro. Até amanhã.
—Até.
Sai do parque chocada. León tinha convidado uma outra garota pra sair. Será mesmo que ele seria capaz de me trair? E o que ele queria dizer com "Eu dou um jeito"?
Resolvi que ia descobrir. Fui para a casa de León, como combinado, vestida de Roxy, é claro. Vamos ver como ele ia comemorar o dia dos namorados comigo.
Chegando lá, ele já estava me esperando. Resolvi fingir que tudo estava normal e o cumprimentei com um beijo:
—Hey, my love
—Hey, baby.
Beijei-o mais uma vez. Ele sorriu quando acariciei seu rosto. Sentei-me no sofá e ele se deitou com a cabeça no meu colo. Sorri. Ele parecia bem. Parecia normal.
—Como foi o dia hoje? Se divertiu? — Perguntei, acariciando sua testa e afagando seus cabelos.
—Uhum. Passei num parque hoje.
—E... encontrou alguém?
—Não, nada demais. Esbarrei numa menina, só isso.
—Ah, só isso...
—Que foi, Rosa? Você tá tão estranha... Tudo bem?
—Uhum. Tudo ótimo, life.
—Certeza?
—Absoluta, heart. Estou a mesma de sempre.
—ok, então... E ai, o que vamos fazer nesse dia dos namorados atrasado? — Ele perguntou, com um sorriso.
—Não sei, darling. O que quer fazer dear? — Sorri de volta, afagando seus cabelos castanhos e macios.
—Tenho um presente pra você.
—León... Não precisava, baby...
—Precisava sim. Sou seu namorado, baby. É meu trabalho mimar você. — Disse ele, levantando do meu colo e me pegando nos braços. Ri
—Leóooonnnnn, me solta!
—Por que? Vai me dizer que não gosta? — Ele riu
—Não, eu adoro. Mas tenho medo de cair.
—Não vou te deixar cair. Nunca. — Disse ele, beijando minha testa.
—Eu sei, swetty, eu sei. Mas você ainda está doente, não devia se esforçar.
—Não é esforço, baby. Você é tão levinha... — Ele riu — Vamos, vou te mostrar seu presente.
León me levou para o quarto em seus braços. Chegando lá, tive a maior surpresa que eu podia ter: Ele tinha preparado para nós um jantar a luz de velas, tipo piquenique. Tinha colocado várias rosas cor-de-rosa no quarto (referências a mim? talvez). Ah, e também tinha muitos doces. Eu e León amávamos doces. Eramos chocólatras e vivíamos de açúcar.
—León... O que é tudo isso, sweetheart?
—Já que não tivemos nosso jantar ontem... pensei em te fazer uma surpresa hoje.
—Que amor... Obrigada, baby...
—Calma, ainda tem mais uma coisa. Nisso, a Fausta me ajudou, tenho que admitir, por que eu não seria capaz de montar tudo sozinho. Vem cá.
León me conduziu até o guarda-roupa dele. Abriu uma das gavetas e, para a minha susrpresa, estava forrada de rosa e cheia de coisas de mulher — Todas cor-de-rosa, cor favorita da Roxy. Pijamas, necessaires, lingeries, escova de dente e até maquiagens.
—O que é tudo isso...? — Perguntei, surpresa
—Sua gaveta. Tudo bem que ainda somos jovens pra nos casarmos, mas... Quero você mais perto de mim. Agora, você não tem mais desculpa pra não dormir aqui ou não passar alguns finais de semana comigo. Tem tudo o que você precisa — Disse ele, com um sorriso.
Sorri e o abracei. Ele não tinha ideia de que o gesto significava muito para mim. E, horas atrás, eu tinha pensado que ele seria capaz de me trair. Quão boba eu tinha sido. Ele estava literalmente abrindo as portas do mundo dele para mim. Ele nunca me trairia. Ele sempre seria meu baby.
—Obrigada, obrigada, obrigada... Você não tem noção do quanto isso é importante pra mim, baby. De verdade, obrgada. Amo você.
—Também amo você, baby. Muito.
Trocamos alguns beijos apaixonados, como sempre. Ok, não alguns. Vários.
—Agora, falta o meu presente para você. Ainda não abriu, não é?
—Não, ainda não. Queria abrir com você.
—Ótimo.
Peguei a caixa, que estava em cima da cama, e sorri. Entreguei para ele, que abriu. Lá dentro, tinha posto vários mimos. A primeira coisa tinha sido uma pasta para guardar partituras. Sorri:
—Sei que parece esquisito, mas eu lembrei que você tinha comentado que não conseguia mais se organizar com tantas partituras que você precisava carregar que achei interessante.
—Obrigado, Ro — Disse ele, com um sorriso — Não achei que fosse lembrar de uma coisa tão banal.
—Claro que lembro. Presto atenção nos mínimos detalhes. Agora, continua
Ele tirou da caixa os outros presentes: Um vinho, porque ele estava demorando muito a dormir e isso costuma ajudar. Nosso chocolate preferido, que havia participado de inúmeras histórias do nosso namoro. Algumas fotos nossas. Um CD de uma das bandas que ele gostava. Uma camisa que ele tinha esquecido na minha casa uma vez, e eu sempre esquecia de devolver. O convite da premiação em que tinhamos nos conhecido. Uma caneca e mel, que era mais uma piada, por que ele brincava que, todas as vezes que ele terminava de gravar uma música, eu estava lá com um chá de mel para garganta para ele. Um porta retrato com fotos nossas. Um livro, que também era uma piada, já que o quarto dele era lotado de livros e ele nunca arranjava tempo para ler. E, por fim, um CD com todas as músicas favoritas dele gravadas, e até uma versão de uma delas gravada por mim.
O resto da noite foi perfeito: Relembramos a história por trás de cada presente, jantamos o jantar a luz de velas e, pra variar, asstimos muitos filmes abraçados e comemos muito chocolate. Depois, fomos dormir juntos, e eu já aproveitei para usar as coisas da minha gaveta.
E, no meio de tudo isso, eu pensava:
Como eu podia desconfiar do León depois de tudo isso?
Por León:
Depois daquela noite incrível, ali estava eu, abraçado de conchinha com a Roxy. Eu a amava muito. Mas não conseguia tirar Violetta da cabeça. E, a verdade, é que a gaveta tinha sido mais um presente para lembrar a mim mesmo que eu tinha me comprometido com a Roxy, e não com a Violetta, do que algo pro dia dos namorados em si. Me sentia muito culpado, mas tinha que admitir:
Estava ansioso para encontrar Violetta amanhã.
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