Underground - Original.
13 Socorro minha mae quer me matar!
Notas iniciais
Andei por muito tempo pensando em como eu iria contar a minha mãe que eu sou bissexual, pensei também em todos os tipos de reações possíveis, mas a expectativa de levar um tapa me deixou mais assustado ainda com a reação real de minha querida mãe.
~~~~~~~~~~~~~~~~ memórias on ~~~~~~~~~~~~~~~~
-Eu vou pedir o Gerard em casamento. – me encolhi na cadeira esperando pelo escândalo.
-Já era para ter feito isso há muito tempo.
-A sra. não vai me bater, me xingar ou começar a lamentar por ter um filho gay?
-Por que eu faria isso?
-Por que é a atitude de uma mãe normal?
-E quem algum dia te falou que eu sou normal?
-É, isso é verdade... mas mesmo assim. Esperava que a sra. pelo menos me dissesse que eu estou errado.
-E por que você estaria errado? – ela arqueou a sobrancelha direita e me encarou. [socorro! Minha mãe quer me matar!]
-Porque eu vou pedir um homem em casamento?...
-Você o ama?
-Parece que sim.
-Daria sua vida por ele?
-Daria, mas nas circunstancias não adiantaria muito.
-Por que?
-Porque no caso dele não tem mais cura. – lá estava eu declarando o meu amor pelo Gerard para minha mãe.[Nunca pensei que isso iria acontecer.]
-Mas se pudesse daria?
-Sim.
-Então você não está errado, por mais errada que essa união seja.
-Ainda não entendi o porquê de eu estar “certo” estando errado...
-Presta atenção comigo... adiantaria você se casar com a Hayley se você não a amasse? Não. Adiantaria você se casar com o Arthur se Ele não te amasse? Não. Então por mais errado que você esteja, você está certo, pois não adianta de nada o casamento se não há amor e não adiantaria o amor sem a compreensão e a união. Por isso eu já abençôo essa união. – [filosofo.] Fiquei um minuto em silencio.
-Obrigado. – Dei outro beijo nela e virei as costas para sair da cozinha.
-A propósito, O Arthur esta mais bonito assim.
Como já estava na porta não dei muita atenção ao que ela falou, mas isso ficou na minha cabeça. [Assim? Como, assim?].
Fui me encontrar com o Gerard para ver a tal surpresa que ele havia preparado para mim. Liguei para a Alisson quando estava chegando a porta do Gerard para confirmar se haveria ensaio hoje e para avisar que se houvesse que eu não iria, mas ela não atendeu. Queria saber também se a Ash estava melhor e se ela poderia a deixar aqui em casa para conhecer meus pais.
-Fala amor. – olhei para ele com uma cara de espanto é lógico. Além de me assustar ele ainda aparece Assim! [agora entendi o assim da minha mãe.]
-Essa é a surpresa? – perguntei.
-Por que? Não gostou?
-Gostei mais...
-Esquece. Já vi que você não gostou.
-Você é surdo? Eu gostei, mas você está loiro...
-Essa era a intenção! – ele começou a rir.
-Eu sei, eu sei, só que... sei lá.
-Não entendi mas tudo bem.
-Esquece! – dei um grito sem querer. – desculpa. Só esquece, arquiva, guarda na parte não funcional do cérebro, sei lá, só esquece.
-Você é maluco.
-E você está lindo.
-Tive que cortar o cabelo daqui a pouco ele vai começar a cair e eu não quero que seus pais me vejam assim, e pintei de loiro também por causa disso, assim não dá pra notar muito a queda.
-Não se importe. Eu te amo de qualquer jeito. – disse o abraçando.
. . .
Ainda estava me acostumando com o novo cabelo do Geh, e estava também pensando em uma maneira de pedi-lo em casamento. Nem havia falado com o meu pai, mas sabia que esse problema já tinha sido resolvido pela minha mãe. Nenhum pensamento concluído, nenhuma música acabada nada completo. A Alisson vai me matar.
Depois de muito tempo pensando, lembrei de uma frase da minha mãe: “adiantaria você se casar com a hayley se você não a amasse?” . Queria muito que ela estivesse aqui, pois mesmo me amando ela iria me ajudar, mas também não seria justo com ela. [quero minha amiga de volta!]
Para passar o tempo e tentar terminar pelo menos meu trabalho, peguei a lista de músicas inacabadas para ver se tinha alguma idéia...
[Famous last words] Meu telefone, será que aconteceu alguma coisa? [não sei nem quem é... só pra constar]
-Alô.
-Frank, vocês vão para o estúdio hoje?
-Eu acho que não vou... por que você ligou pra mim? Liga pro Ray e pergunta.
-Liguei pra você porque eu não tenho o telefone de ninguém.
-Desculpa, é que eu to stressado com alguns probleminhas aqui.
-Posso ajudar em alguma coisa? Você me ajudou com a minha filha, é o mínimo que eu posso fazer por você.
-Não Ali, obrigado mas não precisa.
-Você me chamou de Ali mesmo?
-Chamei algum problema? – perguntei confuso. [que loira louca...]
-Nenhum, é que você nunca falou assim com tanto carinho...
-Pode deixar que foi só uma vez.
-Hum.
-Zoera, é que você me stressa de vez em quando, mas você é legal.
-Ta bom Frank, desculpado. Escuta, já acabou o solo de “Teenagers”?
-Não. O solo não seria do Ray?
-Sei lá, pensei que fosse seu.
-Ta bom Alisson, deixa eu desligar que o Gerard já esta me chamando. – mentira minha, só não queria mais ficar ao telefone com ela.
-Mãe, deixa eu falar com o Frank? – Ouvi a voz da Ash.
-Frank a Ash quer falar com você antes de desligar.
-Fala minha vida...
-Frank é verdade que seus pais voltaram de viagem? – [como ela sabia disso?]
-É sim, pede a sua mãe para você vir a minha casa para poder conhece-los.
-Ta bom. Mãe... – sua voz foi ficando mais baixa como se estivesse saindo de perto do telefone.
-Frank você chamou a Ash para ir a sua casa? – a Alisson falou de repente ao telefone.
-Chamei sim, quer vir junto?
-Quando?
-Agora, minha mãe esta preparando o almoço... – pensei em minha mãe na cozinha. [desastre!] – ela sempre prepara comida para um batalhão e quando ela está em casa vem todo mundo. Vem que assim vocês conhecem a minha família.
-Ta bem. Vou me arrumar e já estou indo.
-Tchau. – dissemos juntos e rimos. Logo depois ela desligou.
Fale com o autor