Under the moonlight .
2 ∞ Capítulo 1
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Durante o velório reconheci poucas pessoas, meu irmão, com uma cara cansada, ficou durante todo o velório ao meu lado me abraçando e às vezes murmurando um “vai ficar tudo bem”. Muitas pessoas passavam por nós dois com um olhar de pena nos desejando os pêsames nós apenas balançávamos a cabeça pra cima e pra baixo, em um sinal de concordância.
Na hora do enterro comecei a sentir uma grande faltar de ar, era a minha asma. Peguei minha bombinha dentro do bolso de minha calça e inspirei o ar de dentro dela, eu realmente não estava me sentindo bem, então eu disse ao meu irmão que ficaria esperando ao lado de fora do cemitério, ele me intendeu.
Naquela manhã de um domingo frio o vento gelado batia em minha pele morena, fazendo meus pelos se eriçarem e fazendo-me sentir um leve arrepio. Em frente ao cemitério existia uma pracinha, nela, encontrava-se um pequeno jardim mau cuidado, onde, as rosas, as margaridas e a grama lutavam para sobreviver. Havia também alguns balanços e escorregadores, já enferrujados.
Sentei-me em um dos balanços, passando minha mão esquerda nele, sentindo a sua tinta se despedaçando no chão. Lágrimas começavam escorrer pelos meus olhos partindo-se em meu queixo, algumas em minha boca. De repente comecei a lembrar de dois dias atrás, o dia da morte de meus amados pais.
–Flashback On-
Era já de noite, eu estava deitada no sofá de minha sala esperando meus pais chegarem para podermos jantar em família e depois jogar domino enquanto nós assistíamos o brasileirão 2012. Notei a demora deles, normalmente, eles chegavam as 19h00min horas e já eram 19h55min comecei a sentir um peso no coração e uma leve tontura, eu estava preocupada.
Minutos depois o telefone da sala toca, eu saio correndo aos tropeços até conseguir chegar nele.
– Olá, boa noite – ouvi uma voz cansada de um homem.
– Oi... Boa noite – eu disse sentindo um grande receio.
– Bom, eu sou o policial Marcos, eu gostaria de falar com.. hm.. – ele deu uma pequena pausa- Aah, Luciana... Luciana Devine.
– É ela mesma.
– Luciana, sinto muito em lhe enformar mais os senhores chamados Katherine e Joseph Devine sofreram um acidente trágico aqui na BR- 230, eles.. Faleceram– O policial disse essa ultima palavra em meio a um sussurro. Meu coração ficou acelerado, lágrimas e mais lágrimas escorriam pelo meu rosto, fiquei um tempo tentando entender o que estava acontecendo e desliguei o telefone, mas antes de desliga-lo ainda ouvi a voz, cada vez mais distante do policial Marcos perguntando se estava tudo bem comigo.
A vontade de gritar chegou em mim, me fazendo dar um berro incentivando ainda mais as minha lágrimas a caírem. Lembrei-me da única pessoa com quem eu poderia falar nesse exato momento, a única pessoa que entenderia o que eu estava passando nesse momento, o meu irmão, meu amigo, meu protetor, o Josh.
– Oi Lu... Olha que horas são, 2 da manhã aqui em Londres! – disse ele com uma voz dorminhoca
– Josh... – comecei a chorar, antes de terminar a frase.
– Se acalma Princesa Lu – ele disse. Princesa Lu era meu apelido de infância, só ele me chamava assim.
– O papai e a mamãe eles... – dei uma pequena pausa, antes de falar o que vinha a seguir- morreram...
De repente senti uma pausa, eu só conseguia ouvir a respiração pesada de Josh, ele não havia falado nada.
– Lu... Para de brincadeira... Isso é serio porra! – ele disse com uma voz embargada e nervosa. Ele sabe, eu nunca brincaria com uma coisa dessas.
– Josh, é verdade – eu disse começando a chorar ao ouvir os seus soluços no outro lado da linha.
– Eu estou indo pra aí Lu, vou comprar a passagem, se acalma princesa Lu, eu te amo – ele disse enquanto fungava.
– Eu te amo Josh – eu disse, desligando o telefone.
Nesse dia não consegui dormir direito, só me acalmei ao sentir o abraço de urso, logo de manhã, do meu irmão que eu tanto amava, eu não sei o que faria sem ele.
–Flashback Off-
Comecei a notar a saída de algumas pessoas com rostos semelhantes de dentro do cemitério, eram as pessoas presentes do enterro de meus pais, entre elas vinha um Josh com um rosto avermelhado e cabisbaixo.
– Vamos embora princesa Lu, esse lugar só irá fazer a nossa dor aumentar – disse o Josh enquanto segurava em meu ombro, demonstrando carinho.
Apenas assenti com a cabeça enquanto nos dois entravamos no carro, depois de uns minutos, o Josh disse:
– Lu, você não quer ir morar lá comigo? Afinal, a maioria dos nossos parentes são como a Tia Estafis...
– A tia Estarfis – disse me lembrando da tia de minha mãe, ela era uma velha rabugenta de 80 anos que nunca gostou de nós, sempre tratando eu e meu irmão de uma forma gentil e fofa ao lado de nossos pais, mas quando passávamos alguns dias, quando crianças, em sua casa, ela nos tratava de forma repugnante.
– E ai princesa Lu? Você aceita ir pra Londres com o seu irmãozinho lindo ?
– Aceito sim seu bobão – disse dando uma pequena gargalhada, só meu irmão mesmo para me fazer feliz nos momentos mais tristes de minha vida.
Notas finais
Só isso mesmo. xx
@Malikisser
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