O barulho da tempestade abafa os gritos e choros de Mary. Suas mãozinhas se agarram com força às barras de seu berço, implorando por atenção. Talvez ela estivesse chorando por causa dos seus pesadelos frequentes, ou pela falta de comida. Talvez pela falta de amor.

Do outro lado do quarto, sua irmã a fitava atentamente. Vallentina, apesar de mais nova, não era inocente como Mary. Seus olhos estranhamente tinham a coloração branca, e olhavam para a irmã com um ar de indiferença e desdém.

A porta do quarto se abre, e Vallentina esboça um sorriso ao ouvir a voz que a chama.

-Oi, filhotinha. -Diz Cloud, seu pai, que a pega no colo e lhe dá um estalado beijo na testa.

Enquanto Mary é carregada pelos braços da mãe, Ibby, sem parar de chorar em nenhum momento.

-Elas precisam de um banho... -suspira Ibby, acariciando os cabelos loiros da filha e caminha até Vallentina que sorria nos braços de Cloud.- Bom dia, pequena. -Diz e então se dirige para o banheiro, sem antes dar um selinho no marido, seguido de um sorriso malicioso.

Após sentar Vallentina em uma das bordas da clássica banheira, Cloud liga a torneira, e se abaixa ficando na altura da filha, que o encarava séria, e diz ''quack''. Um simples barulho que tirou dos lábios da garota um enorme sorriso e uma risada contagiante.

Até sua mãe, que despia Mary, que finalmente não estava gritando, da uma leve risada. E se não fosse pelos reflexos do pai, Vallentina teria caído dentro da banheira quase vazia, mais cairia rindo.

Não demorou muito até a água morna se tornasse suficiente e as duas crianças fossem colocadas, uma em cada ponta.

-Vou preparar o café da manhã, meu amor. -Diz Cloud, dando um beijo nos lábios da esposa caminhando para fora do banheiro.

Ibby, deixada sozinha com as duas filhas, ajoelhada ela as banhava cantarolando. Um canção que foi interrompida pelo barulho distante do telefone.

-Sebastian? -Pergunta pelo mordomo. -Cloud? AMOR?

Com um suspiro ela se levanta.

-Já volto, meninas.

E depois de dar um beijo na testa de cada uma, corre para atender o telefone que continuava a tocar.

Vallentina brinca com espuma como se fosse a coisa mais divertida já descoberta, mas Mary volta a chorar como sempre. A menina gritava desesperadamente, mas não se sabia o motivo. Numa tentativa de se sustentar nos próprios pés, Mary acaba escorregando na porcelana da banheira , até que a única coisa que se via era o movimento da água, mas nenhum som. Nenhum choro desesperado.

E sua irmã? Se divertindo com a espuma. Indiferente.

Antes que a água voltasse a ficar parada, Sebastian, o mordomo entra no banheiro, aterrorizado com a cena, tira Mary da água a tempo, preenchendo o silêncio com seu choro novamente.

O homem se volta para Vallentina, a fitando com olhar de suspeita, tendo como resposta um sorriso inocente da mesma.

Notas finais
Ficou curtinho. Mas é só o começo. Aguardem, papai e mamãe. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.