Notas iniciais
Gente, me desculpa mesmo pela demora, estava totalmente sem inspiração...
Bom espero que estejam preparadas(os), porque esse capítulo é bem hot, hot mesmo, estou avisando antes, para não ser acusada depois *U*
Espero que gostem ! ♥
2 meses depois

É, eu ia vivendo, do jeito que dava. Continuava nas noites da boate, continuava indo para cama com homens que não conhecia, continuava sendo odiada por todos naquele lugar, mas dessa vez tinha um lado bom, tinha Eduardo, ele ia quase todas as noites para tentarmos fazer um plano de fuga, e que ninguém desconfiasse de nada, era difícil, pois quase todas as vezes que ele estava lá, Borges sempre batia na porta para saber se eu estava fazendo um bom trabalho, ele dizia que Eduardo era um dos nossos melhores clientes, e que eu não podia decepcioná-lo, e sempre que ele batia, nós corríamos para bagunçar tudo, e fingir que algo tinha acontecido, mas na verdade nós só conversávamos.

— E aí, já teve mais ideias? perguntei quando eu e Eduardo subimos ao quarto, e eu tranquei a porta. Ele se sentou na cama, e apoiou a cabeça nas mãos.

— O que foi? Parece muito preocupado. eu perguntei me sentando ao lado dele.

— É que... Eu não aguento mais te ver aqui, sem poder fazer nada, sabe Raíssa, eu acho que... Estou gostando mesmo de você! E eu me vejo na obrigação de te tirar daqui, o mais rápido possível. ele disse sem nem tomar fôlego, de uma só vez. Meu Deus, ele gostava de mim, como isso podia acontecer, nós nos conhecíamos há tão pouco tempo, e eu ainda, uma prostituta de 16 anos, que nunca conheceu o outro lado da vida.

-Eu sei que você pode achar loucura, mas é isso... eu estava de boca aberta, minha reação foi de susto, surpresa e felicidade, tudo num misto de indignação.

— Eduardo, você não pode, nós não... Nós não podemos, sabe, eu sou... E você... eu nem tinha palavras para falar.

— Eu sei, eu sei Raíssa, mas aconteceu, e é muito forte, eu não posso mais evitar. ele segurava meu queixo, e nisso me puxou para mais perto dele, eu podia sentir seu hálito no meu rosto, ouvia sua respiração que estava bem acelerada, e então ele me beijou, era um beijo intenso, apaixonado, e cheio de culpa, de raiva de não podermos ficar juntos, eu também sentia algo por ele, desde a primeira vez que falei com ele, quando disse que ia me ajudar, que não iria desistir de mim, em todas noites que conversamos, que planejávamos como ele iria me tirar dali, sem levantar suspeitas, tudo foi despertado ali, naquele beijo, parecia até um sonho, alguém que me amava, e eu correspondia.

(n/a: leiam ouvindo essa música: http://www.youtube.com/watch?v=51KnBVw_2Ew, eu sei que a tradução não tem nada a ver, mas o ritmo dela é bem legal ! )

E foi então que aconteceu, ele me deitou na cama e começou a tirar minha roupas, tudo acontecia lentamente, era maravilhoso, era diferente, eu sei que já havia feito isso muitas vezes em minha vida, mas desta vez tinha sentimento, tinha amor, isso, muito amor, amor reprimido, amor que nunca havia sido demonstrado. Ele tirou as roupas também, não parávamos de nos beijar, ele começou a descer a boca pelo meu pescoço, me fazendo ficar arrepiada, e então me penetrou, mais e mais, e era isso que eu desejava, mais e mais dele, eu gemia, ele também, voltamos a nos beijar, loucamente, nossos corpos era um só agora, nada podia nos separar, nada nem ninguém. O momento foi se passando e Eduardo deitou do meu lado.

— Eu te amo! ele disse me abraçando, eu deitei em seu peito.

— Eu também te amo, muito! sim, aquela tinha sido a melhor noite da minha vida, foi a minha primeira vez, a primeira vez que eu me entregava ao desejo, ao amor, de alguém que me amava também.

Ouvimos batidas na porta, eu coloquei minha camisola e fui atender.

— Bom, pelo que vejo, você deve ter feito um bom serviço, né princesa? Borges perguntou, colocando a cabeça para dentro e olhando tudo.

— É acho que sim. eu disse sem entusiasmo na voz.

-Vou deixá-los sozinhos, e Raíssa, querida, não me decepcione ok?

-Claro! eu disse e fechei a porta.

Quando me virei, Eduardo estava colocando as roupas.

— Eu tenho que fazer algo rápido, muito rápido, eu não quero te ver aqui mais, só de pensar em todos aqueles homens colocando as mãos e outras coisas em você, já me dá nojo, eu vou arranjar um jeito de você sair daqui, nós vamos, juntos! ele disse, quase gritando.

-Fala baixo Eduardo, Borges pode... quando eu ia terminar de falar, Borges arrombou a porta com tudo, na verdade um de seus capangas.

— Ah, então é por isso que você vem aqui todas as noites, não é seu vagabundo! Quer levar Raíssa embora, quer tirar minha fonte de dinheiro de mim, seu filho de uma puta! Borges já estava avançando para cima de Eduardo, quando eu entrei no meio dos dois.

-É isso mesmo, ela ainda é menor de idade, era uma criança quando você abusou dela, ela não merece ficar aqui, sendo usada por você, e por todos que vem aqui, você que é um vagabundo, um nojento! Eduardo disse, avançando para Borges também.

— Eu vou acabar com você seu cretino miserável! quando Borges disse isso, tirou uma arma do cinto, e apontou para Eduardo.

— NÃOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!! eu gritei, mas ninguém podia me ouvir agora, ninguém estava ali por mim, e quem estava, já não estaria mais. E o som, o som que eu não podia suportar ouvir, o som do fim da minha única salvação ecoou pelo quarto. Ele caiu no chão, sangue por toda parte, era o sangue dele, DELE, que estava espalhado pelo chão.

— Não, não, não pode ser, não, não, não vai, volta pra mim meu amor, volta, por favor! Eu estava ajoelhada ao lado do corpo de Eduardo, com sua cabeça em meu colo, seus olhos já estavam sem vida, o tiro acertou bem no peito, bem onde ficava o meu coração, somente meu.

— Não vai, não me deixa, você não pode me deixar, não pode fazer isso comigo, volta VOLTAAA!!!!! eu gritei mais e mais, as lágrimas pareciam cascatas em meu rosto, meus ouvidos zuniam, minha mente estava um turbilhão, uma bagunça de pensamentos.

— Porque? Porque você fez isso seu inútil, seu nojento, você não podia ter feito isso! eu gritei, já havia me levantado e agora estava empurrando Borges, com as mãos toda ensanguentadas.

-Cala a boca, vadia! ele me deu um tapa na cara, mas não doía mais, nada doía mais que perder Eduardo.

-Você queria me trair não é vagabunda? Depois de tudo que fiz por você, te tirei daquela favela onde você vivia, te dei casa, comida e ainda assim você iria me trair com esse vagabundo que acabou de conhecer. eu passava a mão pelo rosto onde ele havia batido, estava caída no chão, tudo em mim estava destruído, tudo, agora eu não tinha mais motivos para respirar, para viver.

— Você me comprou, só fez por você, só pensa em você, sempre, prostituiu uma garota de 10 anos, como pode ser tão frio assim, uma criança, que não sabia de nada ainda, você me vendeu por muito anos, como consegue dormir à noite? Como consegue fechar os olhos e ter a consciência limpa, depois de tudo que fez, destruiu a vida de quem não tinha culpa alguma, tirou a vida de alguém que nem estava envolvido em nada, você é cruel, frio e sem coração. eu disse e tentei cuspir nele, mas não deu certo, foi direto ao chão.

— Cala a boca! Você não tem nada que reclamar! Robson, leve essa carniça, e jogo no lixo, ou aonde você quiser, só se livre disso, rápido. Eu vou ter uma conversinha aqui com a minha princesinha.

— Sim senhor! Robson disse e pegou o corpo de Eduardo, jogando nos ombros.

— Não, não joga ele no lixo, por favor, não faz isso não... mas enquanto eu falava, ele apenas virou as costas e saiu do quarto. Borges fechou a porta e a trancou.

— Agora querida, vem cá, que eu vou te ensinar como se comportar na minha presença.

-Não toca em mim, NÃO TOCA EM MIM ! eu disse, tentando fugir, correndo até o banheiro, mas não deu tempo, ele me pegou pela cintura e me jogou na cama.

-Você é malvada? Eu também sei ser malvado, e muito viu! ele começou a tirar as calças, e a cueca tirou minha camisola a força, eu me debatia e batia nele, arranhava, chutava, mas nada adiantava, nada iria fazer ele parar, ele já havia feito isso antes, me estuprado, mas dessa vez era diferente, eu estava com mais nojo ainda, dessa vez doía, demais, enquanto ele enfiava eu gritava, de dor, de nojo, de raiva.

-Cala a boca e faz o que eu mando, agora! Vai me chupa, AGORAA!!! eu não podia fazer isso, era repugnante, mas ele pegou minha cabeça, e enfiou aquele negócio na minha boca, e de novo, e de novo. Eu chorava, só me restava isso agora, mais nada. Depois, ele me enfiou aquele negócio nojento de novo. Eu gritava muito, muito, mas ninguém iria me ouvir, eu estava sozinha, e teria que aceitar isso.

Depois que Borges terminou seu serviço, colocou suas calças, e secou o suor da testa.

-Pronto, quem sabe agora não aprende a se comportar, eu tinha me esquecido como você é boa nisso hein garota, agora entendo quando os clientes elogiam! ele saiu e bateu a porta.

Meu deus, o que vai ser de mim agora, eu não posso continuar aqui, fazendo essas coisas, eu tenho que arranjar um jeito.

Fui ao banheiro, lavei minha boca, o máximo possível, eu estava com nojo de mim, muito nojo agora, me lavei inteira, me sequei e coloquei minha camisola. Saí do quarto e fui até Judite, a recepcionista, sem Borges me ver, claro. Ela estava lá embaixo ainda, apesar da boate já estar fechada há muito tempo.

— Judite, me dá uns comprimidos para dor de cabeça, por favor?

— A noite foi longa hoje? ela perguntou com um sorrisinho malicioso, no rosto, como ela podia falar assim, afinal, ela não era forçada a fazer nada, não é.

— É foi, eu estou com muita dor, então me dá o mais forte, e em grande quantidade por favor.

Ela abriu a gaveta e pegou um potinho branco cheio de comprimidos.

-Eu acho que é esse, é que eu confundo com o de pressão alta do Sr. Borges, é perigoso, pois são de tarja preta.

— Deve ser esse, eu reconheço remédio de dor de cabeça. peguei o potinho da mão dela. obrigada Judite e boa noite! eu disse, e voltei ao quarto.

Peguei a garrafa de Vodka que tinha guardada na geladeira do quarto, e fui ao banheiro.

Abri a torneira da banheira e deixei enchendo enquanto trancava a porta do quarto, e depois a do banheiro. Entrei na banheira com os comprimidos e a garrafa na mão. Coloquei uma grande quantidade na boca e tomei a bebida, depois coloquei mais, fiz isso até o pote ficar vazio e a garrafa também. Já podia me sentir mais leve, mais livre, mas a verdade é que eu nunca conseguiria ter a vida que eu sempre sonhei, e a minha única saída agora, era a morte, ela era tão serena, calma, fácil, podia senti-la me abraçando, me levando, para um lugar melhor, um lugar onde eu poderia ser eu mesma, um lugar onde eu poderia reencontrar com meu amor, e quem sabe, termos o nosso felizes para sempre. Mergulhei em uma escuridão, e então pude sentir, eu finalmente estava livre.

Notas finais
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