Notas iniciais
Está aí gentemm, mais cap pra vcs! Lendjáas (oos) =33

Caí em um sono tão profundo, que só consegui acordar com uns baques bem fortes que vinham da porta.

–Abre Raíssa! Agora! – era Borges gritando feito um louco, e quase quebrando a porta. Levantei rapidamente da cama e destranquei a porta. Eu sempre trancava, por precaução, caso ele quisesse algo de noite, isso era repugnante.

–Pronto, não sabe esperar um pouquinho, não? – perguntei virando as costas pra ele, e indo ao banheiro, para me trocar.

–Hoje, como você sabe, é um dia muito especial, sexta feira, é quando a boate fica cheia, e hoje você terá trabalho em dobro, prometo mandar apenas os novinhos pra você, tudo bem? – ele perguntou com um sorriso malicioso no rosto. Eu preferiria que ele não mandasse ninguém, que me deixasse sair daqui, mas eu fico pensando, se eu sair daqui, para onde eu vou, voltar

Para minha casa? Não, nunca mais eu irei para aquele lugar de novo. Eu não tinha pra onde ir, iria ter que ficar na rua, passar fome, a única saída era ficar, ou morrer.

–Está bem sim, eu vou...

–Vai limpar tudo agora, com as outras garotas, e sem reclamar! – Borges gritou, e eu saí indo em direção aos utensílios de limpeza, já havia me trocado no banheiro, shorts e regata.

Depois de limparmos tudo, fomos ao quarto onde guardamos nossas coisas, era lá que eu deveria ficar, mas não podia, elas não gostavam de mim, por ser a preferida de Borges, elas me evitavam e falavam mal de mim pelas costas, por isso, só ia naquele quarto para pegar minhas roupas, e ficar até dar a hora da boate abrir.

–Bom meninas, se arrumem, como sabem, essa noite é bem especial, casa cheia, preciso de todas prontas em trinta minutos, está bem? – Borges disse e saiu do quarto.

–Hoje a noite promete garotas! – disse Chiara, a meio que “chefe” das garotas dali. Elas começaram a conversar entre si, eu peguei minhas roupas e fui para o quarto onde costumo ficar.

Entrei no quarto, e fui ao banheiro para me trocar, coloquei uma lingerie preta de fru-fru, e uma camisola vermelha transparente. Arrumei meus cabelos longos e loiros, em pequenas ondas, coloquei um sapato de salto bem alto, fiz uma maquiagem preta bem pesada, e batom vermelho. Estava pronta, fiquei esperando um pouco no quarto, e quando a música começou a tocar lá embaixo, desci. Realmente, já estava bem cheio, e tinha acabado de abrir. Fiquei rondando lá por um tempo, sentei no bar e pedi vodka para beber.

Vi Borges se aproximando com um homem ao lado, ele estava conversando e apontando para mim.

–Bom, temos a nossa melhor garota bem aqui. – ele disse chegando bem perto e colocando o braço ao meu redor.

–Tudo bem, fico com essa.

–Vão para o quarto, e faça um bom serviço, ok! – Borges cochichou no meu ouvido, peguei a mão do homem e o levei até o quarto.

Entramos, e eu tranquei a porta.

–Ok, o que o senhor vai querer esta noite? – eu disse com a voz mais sedutora que tinha, e o joguei na cama.

–Eu quero dormir, então pode, por favor, apagar a luz! – ok, essa eu não entendi muito bem.

–Você quer dormir? Vem para uma boate, para dormir? É para isso que servem os hotéis sabia?- eu falei, cruzando os braços sobre o peito.

–Eu vim forçado pelo meu amigo, ele queria que eu me divertisse um pouco, mas como eu não to afim, então vou dormir, não se preocupe, eu vou lhe dar sua gorjeta, e também pagarei pela noite.

–Nossa isso é bem estranho, em todos os anos que estou aqui, nunca vi algo parecido.

–Falando nisso, você não é meio novinha para estar aqui, deve ter o que, uns 16, 17 anos?

–Isso não é da sua conta, se quer dormir, tudo bem, cale a boca e durma, mas não me encha. – eu disse e apaguei a luz.

–Tudo bem então, você é bem nervosinha não é mesmo. Posso saber pelo menos seu nome?

–Raíssa.

–Prazer Raíssa, sou Eduardo.

–Prazer.

–Então boa noite, daqui a pouco pode me acordar por favor?

–Claro. – eu disse e dei de ombros, pelo menos seria poupada esta noite, por mim ele podia dormir o tempo que quisesse.

Fiquei um tempo observando o rapaz dormir, ele não parecia ser velho, e era bonito, olhando melhor, ele era bem bonito. Cansei de ficar ali sem fazer nada, e peguei uma garrafa de whisky na pequena geladeira que tinha no quarto e comecei a beber, com goles bem longos. Sentei na cadeira ao lado da cama e peguei no sono.

–Raíssa! Raíssa! – acordei com Eduardo me cutucando e gritando meu nome.

–Que foi, deixa eu dormir! – eu disse empurrando ele, com a voz bem embriagada.

–Você está bêbada?

–Claro que não, estou com muito sono!

– Você está bêbada sim, vem aqui.

Senti ele me pegar no colo, e me colocar na cama.

–Fique aí bem quietinha, e não faça nada, vou pegar água pra você.

Do nada, me veio uma vontade de chorar, eu comecei a chorar muito, de soluçar.

–Que foi, porque está chorando? – ele parecia desesperado, sentando ao meu lado.

–É minha vida, estou cansada dela, é um verdadeiro lixo.

–Me conte sobre sua vida, sua mãe, ela não está preocupada por você estar fazendo isso? Se vendendo? – ele disse.

–Ah, minha mãe, ela foi a principal causa disso tudo, se não fosse por ela, eu não estaria nesse inferno.

–Conte para mim, o que aconteceu.

Eu contei tudo a ele, em meio às lágrimas que saiam de meus olhos.

– Eu não acredito nisso, nós temos que te tirar daqui.

– Não dá, eu já tentei sair daqui, mas também, para quê? Eu não tenho para onde ir, sou uma sozinha no mundo, sem ninguém. – eu disse secando as lágrimas.

–Agora você tem a mim, e eu nunca vou te deixar. – Eduardo disse, e me abraçou.

– Por que você está fazendo isso? Você nem me conhece.

– Porque não é justo o que fizeram com você, e eu não vou deixar que uma coisa dessas continue, nós temos que denunciar. Todas as garotas aqui sofreram o mesmo que você?

– Não, elas estão aqui por que querem, sou a única que fui comprada.

–Então temos que fazer algo, você ainda é menor de idade, não pode ficar fazendo esses horrores com pessoas que nem conhece! – ele disse, e estava com muita raiva, pude sentir em sua voz.

Comecei a chorar novamente, e ele acariciou minha cabeça, fazendo com que me acalmasse, e eu caí em um sono profundo, nos braços da minha única salvação.

Notas finais
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