Under The Water
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Bom, quem leu minhas outras histórias, espero que gostem dessa. Quem não leu, deem uma passada no meu perfil, não vão se arrepender.
Ok, ja falei demais, boa leitura.
Era inverno de 1941. O marujo Kendall Knight acabara de desembarcar em um porto em New Orleans junto com seu capitão e o resto da tripulação. Tinham acabado de sair do sul da Flórida para servirem à marinha. O ‘Liberdade’ (assim como era chamado o barco em que Kendall e os outros trabalhavam) fora convocado para a guerra, antes disso apenas transportavam mercadorias do sul da costa leste para o centro e, eventualmente, mais ao norte. O Liberdade não iria entrar em batalha alguma, iriam apenas levar mantimentos aos marinheiros, resgatar homens ao mar e recolher sucata, como restos de outros barcos. Se houvesse alguma guerra, eles não viriam. Apesar do espírito jovem e aventureiro do marujo Knight, ele ficou feliz por não correr nenhum risco. O rapaz tinha deixado na Flórida uma bela moça que prometera desposar quando voltasse para casa. Jo Taylor era a mais encantadora moça que Kendall conhecera. Lindos olhos castanhos, uma cor escura e fosca que parecia absorver toda a luz ao seu redor; cabelos loiros que caiam em cachos como cascatas em suas costas; sobrancelhas grossas, em um tom mais escuro que seu cabelo, davam a moça um lindo olhar penetrante, porém tão doce como o de uma jovem deveria ser.
Kendall havia decorado cada traço do rosto da moça. Tinha o observado muito, já que não podia tocá-lo. Apesar de estarem em pleno século XX, a jovem loira nunca tinha beijado ou tocado de um modo mais pessoal algum rapaz. Por saber que Jo permaneceria casta até o casamento, Kendall decidiu não se aproximar muito fisicamente da moça para evitar frustrações posteriores.
O jovem imaginava toda noite como seria tocar a moça, beijá-la, abraçá-la, fazer amor com ela... Mas sabia que tinha deveres antes de voltar para os braços da amava e desposá-la, assim os dois finalmente teriam a vida que ambos (assim esperada Kendall) queriam.
O rapaz balançou a cabeça. Isso acontecia frequentemente. Durante alguns momentos de seus dias, sua mente vagava em direção a Jo e ele se imaginava em momentos felizes com ela. Não podia evitar, estava apaixonado. Nunca tinha estado com uma moça antes e a ideia do amor fazia seu coração bater mais forte.
O jovem marujo pegou suas malas e se dirigiu ao hotel em que ele e seus companheiros iriam se hospedar pelos próximos meses.
UNDER THE WATER ~ UNDER THE WATER
Ele não queria fazer aquilo, mas no fundo sabia que devia. Logan Mitchell, apenas 24 anos de idade e já era formado em medicina pela universidade de Yale. Seu sonho tinha quase se tornado realidade, ele ainda desejava se especializar em psiquiatria, mas a vida impediu seus planos. No seu ultimo ano de faculdade o rapaz tinha conseguido um estágio em um hospital perto do campus, quando se formou ele já tinha um emprego e uma vaga para a especialização garantida. Mas logo quando começou a trabalhar seu chefe foi chamado até New Orleans para cuidar de marinheiros feridos que desembarcassem no porto. Dr. Lavigne, o chefe de Logan, ficou desesperado quando soube disso e chamou o médico mais novo para ir com ele. O rapaz entendia completamente o desespero de seu chefe. Ser chamado para servir a um hospital em um porto desconhecido, ser o único especialista em ferimentos de guerra e ter enfermeiras inexperientes como ajudantes não é exatamente o sonho de todo médico. Logan estava indo por pena e por que o Dr. Lavigne ajudou muito o rapaz a se formar e a manter o seu emprego depois disso. O rapaz devia muito ao chefe e a especialização em psiquiatria podia esperar alguns meses.
— Vamos Logan, não temos o dia todo.
O jovem médico pegou sua bagagem e foi em direção ao hotel em que se hospedaria.
O prédio tinha uma coloração de bege desbotado, um letreiro escrito em grandes letras “Hotel Delphic”, mas algumas estavam apagadas e se alguém passasse os olhos rapidamente parecia alguma coisa como Hel Dlpic. O jovem apertou seus lábios, seu desgosto de estar ali era tão grande que poderia chorar. Caminhou em direção ao prédio e foi para a recepção com seu chefe onde fizeram seu check in e pegaram as chaves de seus quartos.
- Garoto! – Dr. Lavigne colocou suas malas em frente ao elevador de ferro. – Não consegui quartos nos mesmos andares. Eu fico com o quarto e você com o segundo. Parece que acabaram de pegar o ultimo quarto no seu andar.
- Tudo bem Dr.
O elevador era muito pequeno para acomodar os dois e suas malas, então o Dr. Lavigne foi à frente e Logan ficou esperando para poder subir ao seu quarto. O rapaz observou a recepção do Delphic, passou seus olhos pela porta de entrada, para um corredor que lavava a cozinha à esquerda do elevador e uma sala central com uma enorme lareira e sofás de couro. Olhando bem, o hotel não parecia tão repugnante... Pelo menos a entrada.
Na fila para fazer o check in havia marinheiros com grandes bolsas nas costas e seus uniformes brancos. Droga! Pensou o jovem médico. Ele não tinha a menor intenção de acordar todos os dias com marinheiros ocupando a cozinha, usando toda a água quente e ocupando os banheiros. Ainda mais, marinheiros tinham fama de ser bastante festeiros. Logan soltou uma risada amarga. Provavelmente mais da metade eram casados e deviam estar aproveitando a estada em uma cidade desconhecido para reviver os tempos de solteiros.
Logan ficava mais preocupado à medida que mais homens se amontoavam na fila. Um hotel no meio do nada já era bastante ruim, um hotel cheio no meio do nada era pior ainda.
Tecnicamente não era no meio do nada, era em New Orleans, Luisiana. O único ponto positivo era que ele ficava mais perto de casa. O rapaz era do Texas, um estado que ficava do lado de Luisiana.
Logan podia contar nos dedos as vezes que saiu de Dallas antes de ir para a faculdade. Ele nunca foi de sair de casa e isso o fez demorar para se acostumar quando se mudou para Connecticut, mas era seu sonho ir para Yale e uma coisa “insignificante” como distância de casa não iria impedi-lo.
Os pensamentos do rapaz foram interrompidos quando um marinheiro veio atrás dele carregando um par de grandes bolsas.
- Com licença. – disse o homem.
Logan se virou para encará-lo e viu que não se tratava de um homem e sim de um rapaz. Um jovem alguns centímetros mais alto que ele, cabelos loiros bagunçados e lindos olhos verdes. Percebendo que estava a mais tempo que o normal observando o rapaz, Logan tentou disfarçar.
- Me desculpa. Posso ajudá-lo?
- Ah, claro. O elevador já desceu? – perguntou apontando para a porta de metal na frente do mais baixo.
- Não, mas creio que ele já desça.
- Oh, sim.
Um breve momento constrangedor de silêncio pairou sobre os dois rapazes. Então Logan percebeu que o loiro não tinha passado pela recepção.
- Desculpa ser indelicado, mas você não deveria fazer o seu check in antes de subir?
- Oh, não! Eu já me registrei e já guardei minhas coisas, essas são as malas do meu capitão.
Logan sorriu pela coincidência.
- Viajando com o chefe?
- Com certeza. É vim aqui com ele ou ficar sem emprego.
Ambos sorriram. O jovem médico sempre teve dificuldade em falar com pessoas estranhas, mas com esse rapaz a conversa simplesmente fluía. Então ele percebeu que não sabia como o loiro se chamava.
- Que indelicadeza minha não me apresentar. Meu nome é Logan. – disse entendendo as mãos.
- Kendall.
Kendall. Um nome lindo. Combinava perfeitamente com seu dono.
Os dois deram as mãos e sorriram. O jovem médico se perdeu nos olhos do marinheiro. Verdes e brilhantes como esmeraldas. De repente o mais alto soltou sua mão, tirando Logan de seu transe.
- Eu acho que o elevador já chegou.
Assim que Kendall disse isso o mais baixo ouviu uma campainha atrás de si.
- Oh, claro. – Logan abriu a porta de ferro do elevador e jogou suas malas la dentro – Foi um prazer te conhecer.
- Igualmente.
A última coisa que o moreno viu foi o sorriso de Kendall enquanto subia para seu andar.
UNDER THE WATER ~ UNDER THE WATER
Parecia que quanto mais Logan caminhava pelo corredor mais as paredes se fechavam ao seu redor. Era uma sensação claustrofóbica estar cercado por estreitas paredes mofadas, o pior é que ele veria aquilo diariamente durante os próximos meses.
Arrastando sua mala pelo carpete empoeirado Logan, finalmente, encontrou seu quarto. Era um dos últimos do corredor, será uma longa corrido até o elevador se houver algum incêndio. O rapaz balançou a cabeça tentando se livrar do pensamento repentino. Não era hora de pensar em desastres. O desastre maior era ele estar ali.
O rapaz passou pela porta de seu quarto e observou o ambiente. Era simples, mas parecia incrivelmente... Confortável. Uma cama de casal no centro do quarto, à esquerda se encontrava uma janela com uma escrivaninha embaixo, à direita um guarda roupa branco batido de madeira e ao lado da porta uma pia, mas nenhum banheiro. Já tinha passado pela cabeça de Logan que o banheiro seria público, mas ele esperava estar enganado.
Logan arrumou sua bagagem e caiu na cama. Estava tão cansado com a viagem, tudo que queria era um banho quente e dormir pelo menos uma semana, mas sabia que seria impossível... Até mesmo o banho quente. O rapaz deu um pulo da cama quando lembrou que tinha que encontrar seu chefe. Saiu do quarto e trancou a porta, verificando duas vezes se a fechadura era realmente boa.
Assim que começou a caminhar pelo corredor ele reconheceu alguém. Kendall. O rapaz estava equilibrando duas grandes caixas de madeira nos ombros. Logan correu até ele e pegou uma delas.
- Permita-me ajudá-lo.
- Obrigado Logan.
- Não tinha guardado suas coisas ja?
- Oh, sim. Isso são algumas bebidas do meu capitão. Aparentemente não cabem no quarto dele.
Logan fez uma cara de desconfiado.
- Tudo bem, cabem no quarto dele, mas ele não gosta de nada estorvando seus aposentos.
- Ah, claro. Então ele joga no quarto de um de seus marujos. – brincou o moreno.
- Chefe é chefe.
- E vice e versa. – os dois riram, então perceberam já estavam há algum tempo parados no meio do corredor.
- Qual é o seu quarto? – perguntou Logan.
- 102.
- Sério? É em frente ao meu.
- Bom, então acho que não vai se incomodar a me ajudar a levar essas caixas pro meu quarto.
- É claro que não. – o moreno sorriu.
Quando Kendall abriu a porta do 102, Logan observou que era praticamente igual, a única diferença era que a janela e a escrivaninha ficavam na direita e o guarda roupa e a pia ficavam a esquerda.
- Você pode deixar ali. – disse o loiro apontando para o pé da cama.
Depois de Logan deixar a caixa de bebidas no lugar ele se levantou e foi em direção a porta.
- Bom, foi ótimo reencontrá-lo tão brevemente, mas tenho que ir falar com meu chefe.
- Tudo bem, não quero que seja demitido por me ajudar.
- Pode deixar Kendall. Até mais.
- Até mais, Logan.
UNDER THE WATER ~ UNDER THE WATER
- Pois bem, Dr. Mitchell. O hospital fica a algumas quadras do hotel, então podemos ir a pé todas as manhãs. – disse o Dr. Lavigne balançando sua caneca de café.
Os dois estavam em uma mesa no refeitório. Eles ficaram exatamente em frente à porta da cozinha, um lugar extremamente proibido para os hóspedes, e podiam ver as cozinheiras preparando o jantar. O estomago de Logan estava roncando e seus olhos não saiam da grande panela de rabanada que estava sendo preparada por uma senhora idosa. Ele adorava rabanada.
- Entendeu Dr. Mitchell? – seu chefe perguntou, tirando a concentração de Logan da cozinha.
- O quê? Desculpe, eu não ouvi.
- Eu avisei que estava levando um assistente, então não se preocupe em sermos separados de setores.
- Oh, sim, claro. Menos mal.
Logan mergulho mais algumas vezes o saquinho de ervas em seu chá e tomou um gole. Um café o ajudaria a o manter acordado, mas ele odiava o sabor da bebida. Bebeu mais um pouco, tentando disfarçar a fome, mas de nada adiantou.
Quando viu uma das copeiras sair da cozinha ele agarrou seu avental, assim assustando a senhora.
- Oh, perdão assustá-la. Eu só queria saber quando vai sair o jantar.
- Logo. Estamos esperando alguns hospedes se acomodarem. Aqui no Delphic temos o costuma de esperar todos estarem prontos para a janta.
- Obrigado.
A senhora sorriu e seguiu seu caminho.
Logan enterrou sua cabeça em suas mãos e murmurou:
- O Sr viu quando marinheiros acabaram de sair da recepção? Vai demorar horas até todos terminarem de se acomodar.
Dr. Lavigne riu com o desespero do rapaz.
- Segure as pontas garotos. A viagem foi longa, mas ninguém morre de fome por esperar um par de horas para o jantar.
UNDER THE WATER ~ UNDER THE WATER
Kendall descia as escadas com outros dois companheiros. Ele não tinha paciência para elevadores.
- Será que o capitão vai dar falta? – perguntou Carlos, um dos marujos do Liberdade, levantando uma garrafa de vinho que tinha pego da caixa de bebidas de seu capitão.
- Com todas aquelas outras garrafas? Com certeza não. – respondeu James.
- Gente, eu to morrendo de fome, vamos pro refeitório.
Os rapazes viraram o corredor e passaram por duas grandes portas de madeira. A primeira coisa que Kendall viu foi Logan sentado em uma das mesas com outro homem, que aparentava ser mais velho. Sem pensar duas vezes ele caminhou até o rapaz.
- Logan!
O rapaz olhou pra ele abrindo um sorriso.
- Kendall! – respondeu se levantando desajeitadamente.
- Hm, gente vem aqui. – o loiro chamou os outros dois – Logan, esses são James e Carlos.
- Oi.
- Olá!
Responderam.
- Hm, oi. Ah, esse é o Dr. Lavigne, meu chefe.
- Olá rapazes. Acho que nos veremos bastante daqui pra frente.
- Com certeza. – respondeu Kendall.
- Vocês... hum... Não querem sentar com a gente? – perguntou Logan
- Claro!
Os quatros rapaz e o Dr. Lavigne, que não era exatamente um rapaz, sentaram-se todos juntos e esperaram o jantar. Conversaram sobre assuntos triviais, nada realmente importante, só queriam passar o tempo.
- Oh meu Deus! Você disse isso mesmo a ele? – perguntou o jovem médico rindo.
- É claro! Não é só por que ele é o capitão que pode usar minha cama pra, você sabe, transar com as “companheiras”-
- Prostituas. – disse Carlos fingindo tossir.
- Dele! – terminou James.
- Mas ele não pode te demitir ou alguma coisa assim?
- Por favor, ele estava tão bêbado que mesmo se me demitisse ele não se lembraria no dia seguinte.
Os quatro na mesa caíram na gargalhada, só o Dr. Lavigne que tentou se conter, mas no fundo queria rir.
Depois de mais alguns minutos o jantar foi servido para os hóspedes.
- Finalmente, meu estômago já estava colando nas costas. – resmungou o jovem médico e todos concordaram.
Depois de começaram a comer, Kendall perguntou aos médicos:
- Em qual hospital vocês vão trabalhar? – o rapaz assoprou sua garfada de rabanada e a enfiou na boca.
- Hospital St. Louis. – respondeu o Dr. Lavigne – Fica a umas três quadras daqui. Na verdade é bem perto do porto que vocês desembarcaram.
- Bom, se tivermos que levar alguns marinheiros para lá, provavelmente vamos nos ver. – sorriu Carlos, um jovem latino.
- É, provavelmente.
À medida que cada um foi terminando, foi subindo para seu quarto. Primeiro o Dr. Lavigne, que saiu e logo disse para Logan subir também, já que iriam começar cedo o turno no dia seguinte, mas o jovem apenas acenou com a cabeça e ignorou o pedido. O segundo que subiu ao quarto foi Carlos, deixando apenas Kendall, James e Logan no refeitório.
- Então Logan, esta ansioso para cuidar de militares feridos? – brincou James.
- Na verdade... – um suspiro — ...Não.
- Era o que eu imaginava.
- Quer dizer, eu não tenho nada contra cuidar de militares, mas é que eu nunca me imaginei no meio de uma zona de guerra.
- Tecnicamente... – Kendall cutucou seu ombro – Não é uma zona de guerra. Provavelmente não vai ver muitas “tragédias”, mas se algum ferido chegar até o porto, nós vamos ter que levá-lo até você.
- Eu sei.
- Olha, eu vou subir. – disse James se levantando – Aquele vinho que roubamos do capitão ta me deixando sonolento.
- Quem mandou beber quase a metade sozinho? – provocou Kendall.
- Cala a boca, Knight. Boa noite Logan. – acenou o rapaz saindo do refeitório.
- Boa noite James. – o jovem bebeu o ultimo gole de seu suco e perguntou – Você o deixa falar assim com você?
- O que posso fazer? A gente convive a muito tempo junto e somos bem amigos, quase como irmãos. Nos provocamos o tempo todo.
- Oh sim. Enfim Kendall, eu acho melhor eu subir também. – Logan se levantou.
- Tudo bem, eu vou ficar aqui e terminar o vinho. – disse levantando sua taça.
- Ok, só não fique de ressaca no seu primeiro dia de trabalho no porto. – o jovem médico apontou de modo autoritário para o loiro.
- Pode deixar. – o rapaz levantou sua taça e virou todo o liquido que restava na boca.
- Boa noite, Kendall. – o outro bateu em suas costas rindo.
- Boa noite, Dr.
Notas finais
Gostaram?
Amaram?
Odiaram?
Bom, eu estou apaixonada por essa história e eu espero que vocês gostam tanto quanto eu gosto.
Cobrem que eu poste logo! Sou muito enrolada e isso tem que parar ; )
Gente, amo muito vocês.
CamKisses < 333
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