Under The Moonlight

2 Record #1: Rumors.


Notas iniciais
Isto fica mais dark, não se preocupe. Início é sempre meio soft. XD *pedrada*

- Daichi!

- Hm?

Desviei o meu olhar aborrecidamente para Miki que estava sentada ao meu lado, que parecia irritada. Os seus longos cabelos vermelhos estavam soltos como de costume, e os seus olhos verdes pousados em mim.

- Porque é que não nos respondes?

- Porque ele não é páreo para a conversa, claro.

- Tetsuya!

Voltei a olhar para fora da janela e a tentar ignorar tudo o que eles diziam. Ignorar? Eu devia dizer a tentar não mandar Tetsuya fora da carrinha. Principalmente depois de ele olhar para mim com aquele sorriso com desdém na cara. Se não fosse pela sua aparência — os olhos azul-marinho e os cabelos negros — ele nem estaria incluído no grupo, de certeza.

- Ei, vocês acham mesmo que vamos encontrar alguma coisa aqui?

A carrinha [1] ficou subitamente em silêncio. Tetsuya, que estava sentado do outro lado de Miki, virou a cara para a janela e eu fingi que continuava a ignorar o que eles diziam.

- Não temos necessidade em transportar uma menina que está indecisa sobre o que fazer. Se não queres vir, és livre de abandonar a carrinha e voltar para trás a pé. — Disse Tora, fazendo com que Miki ficasse vermelha de raiva. Tora [2], nome dado por causa dos seus olhos de tigre, tinha cabelos negros com mechas laranja soltos.

- Eu não disse isso!

- Já chega!

O silêncio voltou a instaurar-se na carrinha quando o nosso chefe, que ia a conduzir, nos mandou calar. Ninguém se atrevia a quebrá-lo, principalmente pela atmosfera que toda a zona tinha. Parecia que a cada quilómetro que a carrinha percorria em direcção à floresta, o ambiente ficava mais pesado. As árvores ficavam cada vez mais deteoradas à medida que nos aproximavamos e as pessoas tinham cada vez um aspecto mais estranho, mais...imundo. Já não havia estradas de alcatrão e sim de lama à alguns minutos, e os olhares estranhos que pousavam sobre a carrinha eram cada vez em número maior. Olhei para a lua cheia que se encontrava no alto, no meio do céu limpo.

Passei as mãos pelos meus cabelos castanhos, um tique nervoso que eu tinha adquirido à algum tempo. Desisti de olhar para a janela e comecei a brincar com as minhas mãos e olhar para elas, tentando afastar o meu pensamento daquele sítio. Definitivamente não gostava disto.

~x~

Quando as duas carrinhas chegaram à casa que havia sido reservada para nós, o chefe mandou-nos reunir todos numa sala.

- Nem sei porque viemos.

- Para comprovar o mito, claro!

Os gémeos eram tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes. Takeya, o garoto, era calmo e muito reservado e raramente aparecia nas reuniões. Ou, pelo menos, não aparecia nas reuniões em que a sua irmã, Leiko, não fosse. Leiko era muito alegre, talvez até hiperactiva — contagiava qualquer pessoa com o seu sorriso e a sua voz. Os dois eram filhos adotados do chefe. Ambos tinham curtos cabelos laranjas e olhos azuis — Leiko utilizava sempre uma bandelete que combinasse com a sua camisola e um monte de prendedores, enquanto Takeya tinha os seus cabelos repicados sempre soltos.

- Essa história toda é muito suspeita, ainda mais considerando as pessoas que alegam ter visto esses acontecimentos estranhos. — Disse Miki, cruzando os braços dum modo pensativo. — Talvez seja pura perda de tempo a nossa organização vir aqui. Mito não pode ser considerado homicídio.

- Por esse motivo é que estamos aqui. Para comprovar o mito, como a Leiko disse. — Respondi, apoiando-me sobre a mesa redonda que nós rodeavamos.

- Mito que é só isso, um mito. — Disse Miki, suspirando.

- Mas que pode ser realidade. — Ripostei, sentindo o olhar fuzilante de Miki sobre mim.

- Se é um mito ou não, logo veremos. — Disse o chefe, lançando um olhar ameaçador para Miki, que engoliu em seco.

- E como exactamente vocês planeiam fazer isso? — Disse Takeya, um pouco afastado do grupo.

- Primeiro entervistaremos toda a gente que presenciou os homicídios. — Respondeu o chefe, retirando cautelosamente o seu chapéu da tropa, expondo a sua cabeça calva.

- Ou melhor, o grupo de doidos.

- Miki!

- Sim, chefe.

- Vais ficar encarregue de conversar com eles. Leva o Tetsuya contigo.

Miki bufou e Leiko riu da expressão da ruiva.

- O resto, comecem a ler os registos e a procurar por provas. E não se esqueçam...nunca andem sozinhos.

~x~

Estava no meu quarto a ler os registos que haviam sido feitos sobre os casos. Tal como Miki havia dito, as pessoas foram consideradas loucas.

A grande maioria delas referia a lua, uma garota vestindo um kimono, um cadáver e sangue. Provavelmente foi com base nestes comentários que surgiu o mito da garota que aparecia nas noites de lua cheia. No entanto, nenhum deles fazia referência à lua cheia naquilo que disse...será que isso deixaria em aberto a opção de a garota poder surgir a qualquer altura, desde que desse para ver a lua?

É verdade que algumas pessoas foram dadas como desaparecidas, e provavelmente foi a isso que este rumor foi atribuído. Talvez a garota fosse alguma assassina com alvos determinados. Se eu examinasse os registos de cada um dos alvos, certamente iria descobrir alguma coisa comum.

Ou assim eu pensei.

Notas finais
[1] Carrinha = Caminhonete.
[2] Tora = Tigre.

Lalala~ Essa deve ser a primeira vez que não tenho nada pra dizer nas notas finais. Oh well...

Reviews, para me criticar e dizer o que melhorar? xD