Notas iniciais
Oi! Voltei :) Aqui está mais um cap para vocês! Espero que gostem!! A musica para esse cap é: Goldberg Variations, BWV 98 – Bach ♥ Se quiserem, deixem um comentário! Vai me fazer muito feliz! Quero muito saber o que vocês estão achando :) Boa leitura!!!

Quando a jovem percebeu, já estava a frente da grande porta de madeira do escritório, respirou fundo três vezes antes de finalmente girar a maçaneta e entrar.

— Com licença, Sr. Salvatore... – disse baixo e ela o viu sentado à mesa com vários papeis em sua frente e o notebook ligado.

— Olá, senhorita LeBlanc... não pensei que fosse vir tão rápido! Me diga... ainda está fazendo a contagem dos dias em que está aqui? — Ele olhou para a moça e sorriu, soltou o papel que tinha em mãos e fez um gesto para que ela se sentasse a sua frente.

— 22 dias, senhor... – diz sem ânimo e se senta – Amanhã é o vigésimo terceiro dia desde que viemos até aqui e abrimos o instituto... – disse olhando para as próprias mãos que estavam em seu colo e pensando nos 22 longos dias que haviam passado ali, não ouve um em que ela não pensasse que só queria ir embora e não ouvir mais os sermões de Sr. Salvatore ou as conversas animadas de Bella com Sr. Hector todas as manhãs. Mas não teria para onde fugir de qualquer maneira, Black Oak era seu lar.

— O tempo passa rápido realmente... – disse ele sem tirar sua atenção da jovem – Como vem se sentido? Aqueles pensamentos que me contou ainda são frequentes?

— Sim senhor... – diz se sentindo culpada, Sr. Salvatore se esforçava constantemente para que que a garota se sentisse o melhor possível ali. – Não consigo me sentir parte daqui... é como se todos estivessem em um mundo onde é possível ser feliz, dar risadas... construir casinhas de torradas e geleia de laranja... – sussurrou a última parte por conta do nó que se criou em sua garganta e as lagrimas que insistiram em brotar – E eu observo tudo de longe... dentro da minha bolha.

— E essa bolha... você não acha que teria como trazer essa felicidade para dentro dela?

— Não... para trazer ela eu teria que trazer as pessoas junto, isso seria cruel de mais... – diz afastando as poucas lagrimas que escorreram por seu rosto com as mãos.

— Entendo..., mas sabe, todos temos nossas próprias bolhas onde acreditamos que só nós podemos entrar. Podemos as vezes sentir trancafiados ali, achamos que ninguém pode nos entender ou que ninguém tenha uma bolha parecida com a nossa própria. Mas não é sempre assim... do mesmo jeito que um sentimento ruim pode entrar dentro de nossa bolha, o sentimento bom também pode. Assim como pessoas que já passaram por dores semelhantes as nossas também podem entrar ali e nos dar apoio... Não precisamos passar sempre por tudo sozinhos. Aliás, nunca estamos verdadeiramente sozinhos, entende o que quero dizer? – disse ele em seu tom calmo de sempre, passando confiança a cada palavra e a fazendo acreditar por poucos minutos que estava tudo bem, que seu problema tinha solução.

— Sim, senhor... – ela diz apenas, afirmando positivamente com a cabeça. A jovem gostaria de poder pensar positivamente como Sr Salvatore, fazer com que seu cérebro absorvesse o sentimento bom que aquelas palavras lhe traziam. Mas por mais que tentasse, nunca conseguia fazer com que aquele sentimento de paz permanecesse em nela por mais do que poucos minutos após nossas seções de terapia.

— Por isso... pensei em algo que pode te ajudar. Conhecer pessoas novas, fazer algumas amizades... conhecer outras bolhas... – deu uma risadinha sem graça com a própria piada – vai te fazer bem e te ajudar a não ficar tanto tempo dentro do quarto. O que acha?

— Como eu poderia conhecer pessoas novas? Dada a circunstância atual... – Agora ela olhava para ele com um quê de indignação e confusão, afinal ele não podia estar falando sério.

— Algumas poucas pessoas começaram a buscar por auxílio em Black Oak já que a situação nas cidades não parece mudar... é claro que estou garantindo que todas elas venham para cá saudáveis então não temos o que temer! – Disse ele sorrindo – E então pensei que você poderia me ajudar a recepcionar essas novas pessoas.

Ele, definitivamente, só podia estar brincando.

— O que o senhor quer dizer com ‘recepcionar’? – digo levemente tensa.

— Receber... ajudá-las a se acomodarem nos quartos, apresentar as dependências do instituto, lhes fazer companhia enquanto não se adaptam totalmente. Eu farei isso também e gostaria muito que você, primeiro, me acompanha-se e se você se sentir confortável pode recepcioná-los sozinha. – diz ele com cautela ao perceber meu nervosismo.

Longos minutos de silencio se passaram por conta de Sophie não saber o que responder e não pôde pois logo a porta do escritório foi aberta abruptamente por Bella que entrou saltitante e feliz.

— Vocês têm que vir logo!! A Sra. Margarette disse que podemos fazer um piquenique na hora do almoço! Ela já está preparando tudo!! – seu sorriso ia de orelha a orelha e ela andou saltitante até a cadeira do pai e lhe abraçou o braço enquanto lhe puxava – Vamos vamos, vamos!!

Sr. Salvatore riu e se desvencilhou da menina aos poucos.

— Se acalme Bella... Vou terminar a seção da senhorita Sophie e então poderemos todos almoçar juntos, o que acha? – disse ele sorrindo para a garota e logo lhe fazendo um leve carinho na cabeça.

— Acho muito bom!! Vou chamar o Sr. Hector também! – deixou um beijinho na bochecha de seu pai e acenou levemente para mim, meio constrangida – Desculpa por atrapalhar sua terapia Sophie... – disse ficando levemente vermelha.

— Não tem problema... – responde a jovem com um leve sorriso no rosto enquanto a vê a menina sair do escritório e fechar a porta atrás de si. Bella era tão cativante que era a única naquela casa que conseguia arrancar um sorriso de Sophie, por menor que ele fosse. E fazia a garota pensar no quanto gostaria de um dia poder experimentar uma felicidade tão grande quanto a que Bella parece sentir.

— Sr. Salvatore... não sei se posso fazer o que me pediu... eu iria estragar tudo! Ninguém quer alguém triste lhe recepcionando a um lugar novo – soltou uma leve risada amarga e voltou a olhar para as mãos enquanto brincava nervosamente com os cantinhos das unhas.

— Eu vejo como você consegue ser muito amigável com Bella... acredito que se você se der uma chance, pode se surpreender com sua própria amabilidade. E você não estará sozinha, irei estar lá também e você terá toda a liberdade de ir fazer outra coisa se acabar se sentindo muito desconfortável.

A jovem fundo e tentou pensar em algo para responder, não conseguiu, mais uma vez o silencio foi seu aliado mesmo que sua cabeça estivesse fervilhando em pensamentos sobre tudo que poderia dar errado. Sr. Salvatore pareceu perceber seu desconforto pois logo voltou a falar.

— Só considere esta possibilidade... não precisa me dar uma resposta agora. Acredito que nosso próximo hospede não chegara antes de semana que vem... tudo bem?

Sophie então afirmou com a cabeça e a seção voltou a correr normalmente pelo que pareceram ser longas e infinitas horas quando Sr. Salvatore tinha apenas estendido a seção em meia hora. Logo a moça foi liberada de seu escritório e pôde finalmente retornar a seu quarto, olhou pela janela e pôde ver algumas das faxineiras da casa levando algumas cadeiras, uma toalha e uma pequena mesinha para o campo de papoulas vermelhas logo ali em frente.

Ela pensou em apenas ignorar o pedido de Bella e dormir um pouco, mas algo que não podia negar era que amava o cheiro das flores e sentir a brisa em seu rosto, era uma das únicas coisas que ainda conseguiam lhe trazer algum tipo de prazer.

Então sentou-se em frente a penteadeira e se dedicou a fazer um meio solto meio preso em seu cabelo, tentando tomar cuidado para não desfazer seus cachos, um grande suspiro lhe escapou os lábios pois não ficara muito feliz com o resultado, mas ajudava a não deixar os cabelos caírem em cima dos olhos. Tomou o cuidado de pegar seu livro antes de sair do quarto e foi em direção a entrada da casa onde Sr. Hector, Bella e Sr. Salvatore já estavam reunidos.

Ao verem a moça ali, Sr. Salvatore sorriu esboçando seu orgulho em ver seu esforço em se juntar a eles no passeio.

— Sophie! Que bom que você veio!! – disse Bella indo abraçar Sophie apertado, que apenas sorri e lhe fiz carinho nas costas. – Agora que estamos todos aqui, podemos ir né? – olhou para o pai sorrindo.

— Sim... podemos ir! – disse Sr. Salvatore acompanhado de uma risada baixa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.