Under The Darkness

1 Capítulo Único -Taken Apart


Notas iniciais
Yoooooooh! o/ Então... Tudo que eu tinha a dizer foi dito no disclaimer, basicamente ;^; Eu adoro esses dois, acho muito fofos, e não consegui não fazer uma fanfic deles ♥ Não como um casal, claro e.e Mas enfim ^.^ Espero que gostem desse drama trágico ;-; Boa leitura! AYE!!

Sob esta escuridão, libero o impulso que estava trancado.

Quero ser destruído. As esperanças levadas até mim tornaram-se puro desespero.

Olá, minha pequena.

Bem vinda de volta! Fico feliz que esteja saudável, finalmente abrindo seus lindos olhinhos mais uma vez!

Você dormiu por bastante tempo, não é? Foi realmente difícil passar todo esse tempo sem te ter ao meu lado para me pôr na linha, com todas as suas pequenas broncas e puxões de orelha que, á propósito, me faziam sentir como o senpai mais sem autoridade de todos os tempos. Tive muitas saudades de todos eles, mesmo considerando-os desnecessários e dolorosos na maioria das vezes. De verdade, quando fazias algum daqueles mimos para que te levasse ao parque ou te ajudasse a decorar a letra de uma música e me estapeava até eu aceitar, fazia-me de forte, mas realmente doía! Você é forte, garota!

Mas... Sabe, doeu ainda mais não ter-lhe por perto nesses meses que se passaram. O céu de fim de tarde visto do topo do edifício da Crypton não tinha a mesma beleza sem te ter comigo. A cidade no horizonte parecia mais acinzentada, de certa forma.

Sim, eu senti falta. Não posso e nem quero mais negar. Eu senti saudades.

Senti saudades dos momentos que não pude passar ao seu lado e do que não fiz por você. Peço que me perdoe, Kaai-chan. Não somente pelo que fiz, mas pelo que não fiz. Ora, eu deveria ser mais que um mentor para você, não é? Temos o mesmo sangue. Ou teríamos, se precisássemos de tal artifício em nossos corpos. Talvez eu devesse ter-lhe permitido chamar-me de irmão, e não tê-la negado alegando que nem sequer vivos somos para termos parentesco. Mas, ora, somos?

Não temos sangue, como nossos criadores; não precisamos disso. Não temos um coração, como eles. Tudo é criado através de máquinas, sem vida ou opção de escolha; como nós, afinal. Nem sequer temos um cérebro como o deles; somos apenas uma pilha de softwares e bytes, feitos em imagem e semelhança uns aos outros. Como poderíamos ter sentimentos? Como poderíamos ter uma mãe? Ou um pai? Um irmão?

Entretanto, convivendo contigo, qualquer um poderia descobrir que sentimentos vão muito além da ciência; não são criados a partir de uma massa cinzenta, ou uma mera mistura de músculos, hemácias e plaquetas (já estudamos isso juntos, quando estavas com dificuldades em ciências, sabe do que estou falando.). Você mudou para sempre meu conceito de família, aquele que eu repassava para você e os outros alunos da escola nas nossas pequenas aulas de filosofia. Relembro-me disto até hoje:

“A família, do latim famulus, designa-se por um conjunto de pessoas que possuem grau de parentesco entre si e vivem na mesma casa, formando um lar.”

Você ouvia atentamente tudo que eu dizia, com sua feição atenta e paciente. Porém, ao ouvir o meu conceito ignorante, riu inocentemente no canto da sala, enquanto pausava as repetidas anotações que fazia em seu caderno. Ao final da aula, veio até minha mesa, onde eu assinalava os assuntos que havia ensinado no dia, segurou minhas mãos para que parasse de escrever e cortou minha fala antes que pudesse questionar qualquer coisa:

“Seu conceito está errado, Kiyo-kun! Você é minha família, e não somos parentes ou moramos na mesma casa.”

Sua frase mexeu comigo, de verdade. Mas, em minha soberba e impaciência, acabei tornando-a tão irrelevante e obtusa que deve ter se sentido como dizendo tolices... Peço perdão por isso, Kaai. A verdade é que seu conceito não poderia ser mais verdadeiro, e que eu aprendi muito mais coisas contigo do que poderia ser ensinado por qualquer inteligência artificial como a que possuo.

Estranho, não é? Se, segundo a ciência, sentimentos são produzidos por estímulos cerebrais externos e internos, como eu poderia estar transbordando destes neste exato momento? Lágrimas, em um de seus modos, representam tristeza nos aspectos humanos. Tristeza é um sentimento, uma sensação que possui fundamento em experiências vividas ou imaginadas. Se não possuímos isso, serei eu algum tipo de paradoxo? Que seríamos nós?

Bem, vamos pular as discussões filosóficas; você poderá tê-las mais tarde, com seu novo mentor.

Deve ter sido horrível, não é, Kaai-chan...? Ficar desacordada por tanto tempo, reanimada apenas para testes no modo demonstração, podendo apenas dizer seu nome de fábrica e cantar algumas músicas... Deve ter se sentido como um protótipo novamente.

Eu assisti á alguns de seus testes. Estava fofa como sempre, Kaai. Mesmo desativada, ainda era a minha amada contraparte, meu alter ego. Mas não posso negar... Senti-me mal em ver-te tão sem ânimo, tão mecânica. Nem parecia a pequena Kaai Yuki que tão bem conheço. Sentia-me morrer por dentro a cada vez que olhava em seus olhos castanhos tão sem vida; que tentava conversar com você e apenas apresentava-se repetidamente pelo seu nome de fábrica. Parecia-me mergulhado em escuridão... Sendo destruído e devastado aos poucos, mesmo sendo esta minha vontade; mergulhado em meu remorso.

Parece que, apenas nos momentos de dificuldade, eu reconheci o que eu não havia feito por você, não é? Quando minhas esperanças estavam se tornando desespero... Quando os pequenos fragmentos de meu passado vieram a mim e perfuraram-me como flechas.

Mas está tudo bem. Não preciso de arrependimentos.

Afinal, você está bem!

Você está saudável agora.

Frases incoerentes com o que realmente sinto.

Com o que realmente vejo.

É difícil escrever algo assim sentado ao lado da cápsula na qual você esteve confinada pelos últimos meses, observando seu corpo entorpecido repleto de cabos ligando-o a diversas máquinas, combinado á seus olhinhos entreabertos fitando o nada. Seus circuitos desativados e sua inteligência artificial desligada. Nesta sala frígida, na qual os softwares defeituosos são colocados para reparos, até serem lentamente esquecidos e totalmente cancelados. Afinal, é a lei da corporação: todo software Vocaloid deve ser inteiramente perfeito e livre de falhas. Qualquer mínimo detalhe errôneo encontrado é razão de quarentena. Caso resolução não seja encontrada, o Vocaloid deve ser desativado permanentemente a fim de surgir a possibilidade de recuperar e transferir seu banco de voz para um protótipo, criando assim um substituto.

Os humanos criam-nos para ser o que não podem ser. Seres perfeitos.

Seus reparos já estavam levando dias, semanas, meses. Estavam lentamente desistindo de te reativar, afinal, não somos tão famosos e reconhecidos. Tenho certeza de que se alguém de magnitude como a Hatsune tivesse qualquer tipo de defeito, a Crypton inteira entraria em mobilização para conserta-la em instantes. Mas não vamos inseri-la em nossos assuntos, não é?

Você é especial, Kaai-chan. Sua alegria me contagiou como uma doença da qual nunca quero ser curado.

Queria poder admirar para sempre o seu sorriso quando lhe comprava torta de maçã, ou sua face mimada quando tentava ensinar-lhe alguns conceitos complexos de matemática que nunca entendias. Queria poder levar-lhe á todos os lugares que sempre desejou ir; provar ao Shion que consegue tomar mais sorvete que ele em uma hora, comer a maior maçã do mundo, montar em uma daquelas berinjelas mutantes do Gackpoid (sinceramente, eu nunca entendi aquelas coisas.). Eu prometi levar-lhe para fazer essas coisas nas férias, algum dia. E, como sabe, promessas devem ser cumpridas.

Eu a levarei para onde você quiser, Kaai-chan.

De agora em diante, o meu tempo será inteiramente seu. Isso também será uma promessa.

Dentro de nossos pulsos, reside o chip que armazena nossos dados; ele recorda nossos nomes, data de lançamento, empresa filiada, além de todas as músicas que sabemos e aprendemos. Soube que o seu defeito havia sido causado por uma falha em seu chip, e que não podiam criar um similar, pois envolveria modelar uma ligação idêntica ao seu banco de voz, o que seria inviável para a empresa no momento.

Bem... Como sabe, pelo seu conceito de família, temos o mesmo sangue. Ou teríamos, no caso. Temos o mesmo modelo ligado aos nossos circuitos; somos iguais.

Eu não poderei mais estar contigo, Kaai-chan. Eu sinto muito por isso, minha pequena... Queria ter sido um melhor amigo, um melhor mentor... Um melhor irmão. Queria poder ter realizado seus sonhos e dar-te mais atenção. Infelizmente, notei isso tarde demais.

Uma atitude típica humana. Notar as coisas óbvias quando já não podem ser consertadas, quando não se pode mais voltar atrás.

Ora, então não sou perfeito, afinal.

Acho que todos têm suas imperfeições.

Somos realmente um agora. Você tem minhas memórias. Sabe exatamente como me senti ao escrever isso; sabe que estive inteiramente sincero. Como apenas mais um dos Vocaloids desativados e desligados na antiga e mórbida sala de softwares apagados, não posso dizer-lhe isto através de mim mesmo. Mas, ei! Cada vez que pensar nisso, saberá que é de verdade.

Eu lhe peço que não chore por isso, Kaai-chan. Sabe que odeio quando choras, e que também me dá vontade de chorar. E, como somos um só agora, não terei como segurar, não é? Sabe que sempre seria bem vinda a visitar-me na ala dos esquecidos. Mas, sinceramente, não gostaria que você fosse a um lugar daqueles novamente. Faça isso por mim.

Sabe... Enquanto estavas desativada, eu cantava a mim mesmo suas músicas favoritas para espantar as saudades. Mesmo sabendo que não podias ouvir, sentia que isso, de certa forma, mostrava a você que ainda lembrava-me de ti e sua meiga voz cantando as mesmas canções.

Peço que, quando sentir saudades, cante, assistindo ao pôr do sol, como fazíamos, a música que mais oscila em meu chip de dados; uma que compus enquanto observava-a em seu leito, na tentativa de pôr para fora o fardo dentro de meu corpo. Você se lembrará dela com facilidade, tenho certeza disso.

E, por mais que se sinta sozinha ou triste ao cantá-la, saiba que sempre a acompanharei. Nunca ficarás sozinha.

Nossa vida é um dueto uníssono,

Irmãzinha.

Um último stacatto; de seu irmão,

Hiyama Kiyoteru.

Sob esta escuridão, perfurado pelos sentimentos que correm por minhas veias.

Não preciso de arrependimentos. Destruirei meu destino com minhas próprias mãos.

Notas finais
Yaaaaaay! ;---; Só coloquei esse Yay porque é minha marca registrada, não fiquei feliz com o final T-T Pobre Kiyoteru! T----T A vida tão injusta e lenhada! Maaaaaaaaaaaaaaas enfim! :3 Espero que tenham gostado! Deu um trabalho da zorra colocar essa história de modo coerente, mas acho que ficou bom no final! Talvez eu faça mais one shots de músicas assim no futuro, foi divertido! ^.^ Kissus! *3* AYE!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!