Notas iniciais
Espero que seja do agrado de vocês ♥

“E com isso, terminamos o programa de hoje! Muito obrigado pela audiência!” O apresentador do Alolan News se despediu, lançando uma vinheta brega que seria rapidamente silenciada pelo controle remoto nas mãos de Hau.

Sentado em sua mesa de jantar, Hau lia atentamente a última carta que Lillie o enviou, há mais de três meses. Via sua caligrafia corrida e achatada contar com muita alegria sobre Kanto, seus Pokemons e como era maravilhoso ser a nova professora de lá. Relatava sobre todas as crianças –algumas doces e inteligentes, outras a personificação do demônio– que chegavam em seu Laboratório de Recuperação Pokemon, pedindo inicias, dicas ou um doce –algo que ela adorava dar para jovens treinadores. No final do papel, ela relatava sobre ter saudades e prometer escrever muito mais para ele e Moon.

No entanto, o homem sabia muito bem que isso se tornara uma mentira. Em seu coração, batera uma saudade quase indescritível da amiga. Não era em toda reencarnação que lhe era concedido a chance de viajar por um arquipélago paradisíaco ao lado de duas garotas incríveis para completar uma missão cheia de adrenalina, emoção e superação de si mesmo. Agora, com seu posto de Kahuna da Ilha de Melemele, sentia-se feliz, mas não poderia jamais negar que queria fazer um novo Desafio da Ilha ao lado de suas companheiras.

Depois que Lillie se despediu dos dois e os deixou chorando em frente a uma multidão com o Professor Kukui, Moon manteve-se em Alola junto com ele e os dois se tornaram melhores amigos. Morar muito perto um do outro –ele continuara na casa de seu falecido avô– significara poder manter uma sólida amizade. A garota, agora mulher, defendia seu posto de Primeira Campeã de Alola com unhas, dentes e Pokemons –embora já tivesse perdido algumas poucas vezes, se consagrando como uma das mais poderosas treinadoras do mundo. Ela já fora chamada, inclusive, para fazer parte de Elites Quatro, mas sempre recusara.

“Alola é o meu lugar.”, ela repetia em resposta a todos os pedidos. Aquela frase trazia um misto de alegria e tristeza ao coração de Hau. Uma de suas grandes amigas manteve-se fiel à essa jura de amor pela região, mas por algum motivo a outra não. Talvez estivesse sendo egoísta ao trilhar tal linha de pensamento, mas o posto de Kahuna e as constantes visitas de Moon ainda amarguravam uma parte de seu coração, mesmo depois de tantos anos e algumas cartas.

—Roar! –o rugido de seu Incineroar, Feuer, chamou sua atenção. O tigre estava de pé do lado da janela oposta à mesa, olhando para fora com excitação.

—O que foi, campeão? –ele chegou mais perto do bicho, puxando uma Poke Bean do bolso e dando para o felino, que a devorou em meia mordida.

—Roooar…–ele apontou a cabeça para o lado de fora, como se quisesse algo que não se encontrava no ambiente interno.

—Quer ir passear? –Hau perguntou, fazendo carinho na cabeça do Pokemon.

—Roar, roar. –Feuer simplesmente fez que não com a cabeça.

Com isso, Hau começou a achar que estava com problemas de memória. Não se lembrava de nenhum festival ou visita importante que deveria atender agora. Estava verdadeiramente confuso, e seu Pokemon percebeu isso. Irritado, Feuer andou até a cozinha e meou para um porta retrato dele e de Moon.

Merda., foi a única coisa que conseguiu raciocinar enquanto corria para o banheiro para arrumar o cabelo. Eu tinha de me encontrar com a Moon nas docas hoje!

Na medida em que penteava as longas madeixas castanhas –que agora ultrapassavam seus ombros e escorriam em direção às costas largas, tentou se lembrar do porquê dela ter o chamado para esse encontro. No fundo do coração, rezou para todos os Tapus que Moon não decidisse ir embora para algume Elite Quatro ou algo do gênero. Se até agora não superara a ida de Lillie, como conseguiria suportar perder mais um dos seus pilares em Alola? Ele já tinha perdas o suficiente.

Abriu a torneira e jogou um pouco de água gelada no rosto para reconcentrar a mente e retirar as lembranças dos mortos de sua mente. Não era hora de luto, de qualquer jeito. Voltando a ter energia, Hau saiu correndo do banheiro e deu tchau para Feuer, que simplesmente ronronou em resposta.

Já fora da antiga casa de seu avô –que agora lhe pertencia, ele utilizou o Poke Radar para chamar um imponente Charizard, que deixou o homem montar em suas costas e segurar em suas asas à medida que decolava em direção às docas da Ilha de Akala.

...

Chegando lá, encontrou uma impaciente Moon, que olhava para o mar com os braços cruzados. Ela se prepara para o frio, vestindo uma jaqueta azul escura sobre a camisa com desenho de Luvdiscs, uma calça jeans e um tênis preto. Em contrapartida, Hau se esquecera da queda de temperatura abrupta sofrida durante aquela semana e, com uma blusa amarela e preta de manga curta, uma bermuda bege e chinelos, estava começando a se arrepender de suas escolhas de moda.

—Hey, Moon! –chamou a atenção da amiga, que se virou na direção da voz. Em seu semblante, raiva e alívio se misturavam em uma expressão que levemente amedrontava Hau.

—Onde você esteve, seu doido? –perguntou a amiga, deixando a fúria se dissipar em um sorriso e um abraço apertado. –Esqueceu da nossa convidada?

Se Hau estivera confuso acerca do motivo de estar ali tão tarde da noite, agora mais do que nunca desejava respostas. Seu rosto de incompreensão claramente denotava isso, tanto que Moon reprimiu uma risadinha frente à falta de memória do amigo.

—C-Convidada? Do q-que você está falando?

—Não vou falar, vou apenas te mostrar. –foi sua única manifestação. –Vamos até o Tide Song Hotel!

Dispensando qualquer forma de montaria, ambos foram caminhando em direção ao hotel. Cruelmente, Moon se negava a responder qualquer pergunta que Hau a dirigisse sobre a tal convidada. Não compreendia a necessidade de uma surpresa, seja lá quem fosse.

Todo esse mistério fez com que Hau começasse a pensar sobre quem seria a visita tão aguardada por ambos os adultos. Seria Gladion? Não, ele não saíra de Alola. Segundo Moon, ele batalhava todos os dias na Battle Tree para conseguir o prêmio máximo, já que suas três tentativas de derrotar a mulher acabaram em fracasso. Seria Lusamine? Ele não ouvira seu nome há quatro anos, a última notícia que tivera dela foi que estava recuperada em Kanto. Enquanto os passos progrediam em direção à imponente construção, a mente do homem fazia progresso em mil diferentes nomes, inclusive no há muito perdido pai. Seria estranho ver meu pai. O que ele diria pra mim, depois de todos esses anos?

—Chegamos! –anunciou Moon, assim que ambos se encontravam nas portas do hotel. Juntos, entraram.

Mesmo depois de dez anos, Hau ainda se encontrava maravilhado pela ausência de imperfeições que o local aparentava apresentar. O chão branco era muito bem lustrado, o tapete vermelho não possuía uma única grama de lama a vista e os quadros pendurados nas paredes pareciam estar intactos. O enorme candelabro que se jogava em cristais brilhantes do teto poderia servir como um espelho, tamanha limpeza. Toda a equipe de recepção permanecia, sorrindo para todos os que chegavam e saiam das dependências do hotel. Em alguns, as marcas da idade já se mostravam, mas outros permaneciam os mesmos, apesar do sopro do vento da vida tentar marcar suas feições.

Moon pegou em sua mão e o apressou para andar até a recepção, onde o mesmo senhor de dez anos atrás os recebeu sorrindo. Hau, infelizmente, não se lembrava do nome do agradável idoso de cabelos brancos, pele pálida e olhos verdes que os recebia, porém não escondia a felicidade em o ver de novo.

—Hau, Moon! Há quanto tempo! –ele proclamou ao ver os dois, crescidos e experientes na arte da luta Pokemon.

—Olá, senhor Green! A hóspede do quarto 36 está presente? –perguntou Moon. Os pronomes femininos utilizados fizeram o homem descartar a ideia de ver seu pai.

—Você deu sorte, senhora Smith! Ela retornou cinco minutos atrás do seu jantar! Podem ir vê-la se pegarem o elevador à esquerda, subirem até o terceiro andar e depois seguirem em frente!

—Muito obrigado, Senhor Green! –disse Hau, tentando mascarar a explícita curiosidade do rosto com sua educação, algo ele se orgulhava de ter.

—Sim, muito obrigada! –falou Moon rapidamente, enquanto voltava a agarrar a mão de Hau e o arrastar até o devido elevador.

Dentro do elevador, Hau se recostou na parede fria de metal e focou os olhos castanhos na contagem dos andares: térreo, playground, primeiro, segundo e terceiro andar de quartos.

Quando a porta se abriu, Moon saiu na frente, seguida por Hau. Os dois olharam para uma placa que indicava onde estavam os quartos com número par, que apontava ser para a direita. Com essa instrução, eles andaram até a porta de madeira escura com o número 36 escrito em metal e pregado na superfície.

Moon bateu na porta três vezes e depois olhou para Hau com um sorriso maldoso. Antes que ele pudesse perguntar o porquê daquilo estar acontecido, a moça já se afastara dele em direção ao elevador e a hóspede se revelava de seus olhos.

Lillie.

Mesmo depois de tantos anos, ele a reconheceria em qualquer lugar e em qualquer realidade em que se encontrassem. Hau não sabia por quantos segundos se manteve parado, boquiaberto e paralisado em frente a visão de uma Lillie mais alta, mais adulta e muito mais bonita. Seu rosto estava mais afinado, sua boca mais larga, suas pernas mais longas e grossas e seu colo –oh meu deus, pare de olhar aí, seu pervertido– estava mais cheio e mais a mostra no vestido azul claro sem mangas que escorria até a altura de seus pálidos joelhos. O rosto do homem agora se tornava mais vermelho por ter feito comentários inapropriados sobre uma região de sua amiga que não lhe cabia pensar sobre, na teoria. Mas, infelizmente, nem todas as teorias podem ser aplicadas no nosso mundo imperfeito e pervertido., pensou, se divertindo momentaneamente.

—O-Oi, Hau. –ela iniciou a conversa, tímida como na primeira vez em que se conheceram.

—O-Oi, Lillie. –sem capacidade de formar alguma frase mais longa do que um cumprimento, Hau se conteve, tentando esconder a vermelhidão de seu rosto.

Os dois se encararam, os olhos castanhos dele se fixando nos azuis dela. Dez anos não foram o suficiente para que ele esquecesse da amiga e, aparentemente, o sentimento era recíproco. Recuperando-se, Hau sorriu para ela. Lillie, ainda envergonhada, retribuiu. Aos poucos, o choque do reencontro se dissipava para protagonizar a saudade.

Antes que Lillie pudesse dizer qualquer coisa, Hau praticamente voou em cima dela para envolver-lhe em um caloroso e apertado abraço. Sendo pega por uma onda de emoções, a garota rapidamente retribuiu o afeto, apertando os braços magros ao redor do amigo querido.

—Há quanto tempo! –ele exclamou, balançando a amiga no abraço.

—Também senti muitas saudades, Hau. –Lillie respondeu, amolecendo o coração dele.

Os dois saíram do abraço, voltando a se encararem. Agora, em ambos seus olhares, predominava a alegria de se reencontrarem. Hau sentia mil Butterfrees brigando por dominância em seu estômago e ele estava quase sentindo uma deliciosa euforia percorrer as veias de todo o corpo. Sua mente tentava se recordar da última vez que presenciava tais ações corporais, mas não conseguia encontrar nada que se equiparasse àquele momento. E, nesse momento, Lillie sorria com toda a felicidade do mundo, algo que ele não se recordava muito. Por conta disso, não conseguiu conter uma recíproca de mesma intensidade.

Depois de alguns momentos preciosos assim, Hau se lembrou que Lillie não o escrevera sobre vir para Alola. Na verdade, ela não o escrevia sobre coisa alguma por mais de três meses. A sensação que percorria seu cérebro era a de um tapa na cara vindo de alguém que, há segundos atrás, lhe jurou amor eterno. O sorriso dele lentamente se dissipou, até assumir uma feição de melancolia. Obviamente, a mulher percebeu a mudança gradual no rosto do amigo e perguntou:

—O que houve, Hau? –sua voz era doce e carregava preocupação, algo que impediu que o homem contivesse um suspiro.

—Vo-Você não me escreve há tanto tempo... Eu achei... Achei que...

Quando ia terminar de preencher a frase, soluçou. Para de chorar, porra. Conta pra ela., uma voz interior soou dentro de sua cabeça, mas Hau rapidamente a contestou. O que deveria contar a ela? Pensando melhor, o que não deveria contar a ela? O que deveria fazer? Ele era realmente um caso perdido...

—Achou o que, Hau?

Lillie, preocupada com a súbita mudança, tocou em seu rosto, fazendo uma carícia tímida e delicada com a bochecha. Sentia a maciez da pele dela encostando na sua, seus dedos longos e finos roçando gentilmente no seu lado, seu polegar chegando perto do local onde uma pequena lágrima escorreu.

—Achei que você... Tinha me esquecido... Tinha me deixado de lado... Como se... Como se eu não fosse importante... Pra vo–

Mais uma vez, ele foi incapaz de completar a frase. Um soluço, seguido de algumas lágrimas pesadas com seus sentimentos, o tornaram frágil e vulnerável, como pouquíssimas vezes ele se permitia ficar na frente de outras pessoas. A última vez que alguém o tinha visto chorar foi no funeral do seu avô Hala, onde Moon o abraçava enquanto suas lágrimas molhavam o vestido preto que ela usava. Isso acontecera um ano atrás. Um ano onde, às vezes, chorava baixinho à noite por conta da perda do avô, da ausência do pai e, nos últimos meses, do abandono de Lillie. Agora, Hau sentia todas aquelas lembranças inundarem a mente como um tsunami alaga uma ilha desprotegida e, como resposta, o cérebro mandava os olhos liberarem uma cachoeira de lágrimas.

Sem que ele notasse, Lillie o abraçou com delicadeza, deixando que sua cabeça encostasse no seu ombro, que iria progressivamente se umedecer com as lágrimas de Hau. A mulher era da mesma altura do que ele, o que lhe permitiu um afago aconchegante nos cabelos. Por mais potente que fossem as suas emoções, o afago da moça lhe deu calma.

Lentamente, as lágrimas foram se secando, mas ele não queria que ela o soltasse. Hau queria ficar para sempre no abraço dela, mesmo sem saber o porquê. Talvez alguma vozinha estivesse gritando “é porque você a ama, seu imbecil”, apesar dela estar sendo solenemente ignorada. Desejava com toda a força do seu ser ficar colado a Lillie daquele jeito, de não deixar que ela fosse embora nunca.

—Eu... Eu posso contar... Por que parei de te escrever? –Lillie quebrou o silencio com uma voz preocupada.

Sentindo-se vermelho novamente, Hau se desvencilhou abruptamente dos braços dela e acenou a cabeça, com a curiosidade secando o pouco que restava de lágrimas acumuladas debaixo dos olhos castanhos. Lillie parecia ter se assustado um pouco com a mudança de estado do homem, mas logo voltou a se acalmar e deu um sorriso tímido.

—Foi porque eu... Gosto de você.

Hau não se lembrava de algum momento estar mais confuso do que agora. A ideia de parar de escrever para alguém porque mantinha um sentimento agradável pela pessoa simplesmente não fazia sentido. Se ele gostasse de alguém, ficaria mandando provas de amor e afeto todo o tempo e mandaria cartas toda semana, mesmo que a pessoa não respondesse.

O que é mais ou menos o que você esteve fazendo esse tempo todo com ela, seu idiota., a vozinha sussurrou para Hau. A ideia de estar apaixonado pela Lillie o divertiu por um segundo antes de o fazer engolir seco e se perguntar se era aquilo mesmo ou se estava ficando maluco.

Lillie mordeu o lábio, como se estivesse contendo algo que fosse sair dos seus lábios rosados e aparentemente macios. Controle-se., ordenou-se mentalmente.

—Eu... Eu sei que não faz sentido, desculpa. –ela começou a falar. –Mas é que nesses últimos meses, eu... Eu percebi coisas, Hau. Eu percebi que eu sentia saudades de Alola, da Moon, do meu irmão... E de você, principalmente. Eu senti falta da sua risada, do seu companheirismo, da sua persistência e da sua alma. —Hau sentiu um arrepio na espinha quando ela deu ênfase naquela palavra.

—Eu... Eu também senti sua falta demais, Lillie. –ele confessou. –Merda, eu achei que você tinha me esquecido quando eu nem conseguia pensar nessa possibilidade. Eu... Eu gosto de você. Demais. Mais do que você pode imaginar.

—Eu também gosto de você, Hau. –Lillie parecia insegura, como se não fosse exatamente isso o que ela queria dizer.

Como era quase instinto para ele, Hau sorriu. E quando viu que Lillie retribuiu o afeto, não pode deixar de passar o olhar pelo rosto delicado da moça. A pele branca como leite, os penetrantes olhos verdes repletos de doçura, o nariz fino, a boca rosada e curvada em um lindo sorriso. Por alguns instantes, o homem se perdeu em olhar para os lábios dela, sem saber o porquê. Há dez anos atrás, com certeza não teria essa vontade, mas agora era impossível não encarar. Parecem tão macios., permitiu-se pensar.

Que tipo de pensamentos eram aqueles? Hau mal a vira novamente e sua mente já começava a devanear sobre coisas desse tipo. Não era como se nunca tivesse pensado nisso sobre outras pessoas –e, secretamente, sobre Lillie também, mais vezes que ele jamais admitiria, no entanto, jamais imaginaria desejar com tanta vontade a recíproca da moça. Por dentro, rezava para todos os Tapus para que ela estivesse considerando algo remotamente próximo.

Por sorte, ela começou a se aproximar, seus rostos lentamente dissipando a distância entre os mesmos. Os dois só pararam quando seus lábios estavam a poucos centímetros de se tocarem, quando Hau notou que Lillie fechara os olhos. Era agora ou nunca, afinal, ele não sabia quando a moça iria retornar para Kanto.

Reunindo toda a coragem que existia dentro de si, Hau, colocou uma mão no rosto de Lillie e puxou a cabeça dela para que finalmente pudesse beijá-la. Como havia imaginado, seus lábios eram macios ao toque. Dentro de si, uma sensação de vitória quase indescritível o implorava para gritar de felicidade, afinal, realizou naquele pequeno ato de loucura um desejo que havia guardado nos cantos mais profundos do seu coração.

Alguns segundos depois, Hau quebrou o beijo, se afastando lentamente de Lillie e colando suas testas. No semblante levemente rosado da moça, um sorriso aflorou, iluminando o ambiente com uma doçura sublime. Ele não pôde evitar de sorrir também, especialmente ao perceber que ela também queria algo, mesmo não podendo definir com certeza o que seria.

Lillie abriu os olhos, encarando os de Hau. Naqueles dois pares de orbes, refletia-se uma gama de sentimentos como felicidade, plenitude, incredulidade e surpresa, todos dançando e se misturando no reflexo das íris. Naquele breve instante, ele pode deixar para trás todos os sentimentos ruins e se focar apenas nela. Não sabia quando se veriam de novo e nem se chegariam a fazer isso. A vontade era apenas de curtir um pouco o momento e, graças aos Tapus, ela tinha a mesma vontade. Sobre as estrelas de Alola, firmava-se um sentimento maravilhoso e avassalador, que, com sorte, superaria qualquer barreira imposta geográfica ou humanamente.

—Eu te amo, Lillie. –ele confessou, segurando uma das mãos da moça.

—Também te amo, Hau. –ela respondeu, antes de o puxar para mais um beijo, que, para a sorte de ambos, seria seguido de muitos outros.

Notas finais
E aí? O que acharam? Deixem nos comentários :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!