Under My Power.

3 Lucifer's rocking chair


- Mais um whisky.

- É pra já, ruiva. — Disse o barman, piscando de lado para a vampira. As esmeraldas o olharam com expectativa, deixando-o com esperança de que arranjaria um encontro.

Ao redor da taverna havia bêbados em todo canto, mulheres incrivelmente sensuais dançando ao redor seminuas, e homens jogando poker. Um deles, em especial, chamou a atenção de Katarina.

- Não é possível! Você está roubando! — Disse o homem de cabelos loiros.

- É, como é possível ganhar dez vezes seguidas? Estou ficando sem grana, seu vermezinho. — Disse o gordo de cabelos e barba compridos.

E os homens na mesa continuavam as ameaças impiedosamente. E em vez do culpado pela confusão, não muito mais de 20 anos — a ruiva percebeu -, estar tremendo, estava sorrindo. Quase que se divertindo com a situação.

- Aqui está. — Disse o barman, despertando-a da confusão dos demais.

Katarina deu um sorriso sedutor e piscou, embora o pobre homem não tenha percebido a verdadeira intenção atrás dos olhos da vampira.

Virou o copo de uma vez, foi quando o barman perguntou:

- Er.. Ruiva, qual o seu nome?

A mulher o olhou seriamente, e o garoto quase se arrependeu de fazer a pergunta. Mas então ela se esforçou a esboçar um sorriso, e disse:

- Katarina.

- Então.. Meu turno acabou. Será que você gostaria de dar uma volta?

As esmeraldas faíscaram. Estava realmente... Faminta. Abriu um sorriso maior ainda.

- É claro que sim. Estarei te esperando aqui.

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Fora da taverna estava frio, ou pelo menos era isso que a ruiva supunha, pois enquanto ela e o barman conversavam, saia fumaça das bocas.

O barman cujo nome era William falava demais, na opinião de Katarina. Ela não estava mais prestando atenção, e estava sem paciência.

- E foi assim que eu adotei o meu primeiro.. — Ele foi interrompido, pois a ruiva o jogou na parede, as esmeraldas ofuscadas pelo desejo de sangue.

Will logo se calou, e deu um sorriso timido, olhando para os lábios da vampira. Chegou perto da boca de Katarina, apenas para ela desviar o percurso da dela, indo direto para a garganta.

Mordeu seu pescoço e começou a drenar seu sangue. O barman de cabelos prateados quis gritar, mas logo entrou em êxtase.

- Ora, ora. Então essa é a Katarina de que tanto ouvi falar.

Ao ouvir a voz, assustadoramente nada familiar, ela deixou o barman morto no chão e virou, com a boca suja de sangue.

- E quem é você que eu nunca ouvi falar?

Limpou a boca suja de sangue, e ficou surpresa ao ver que o homem que havia falado era o mesmo que estava se divertindo enquanto jogava poker e ganhava de todos.

- Isso não importa. — Disse secamente, de um jeito muito seguro do qual a ruiva não gostou.

- Oh, então tudo bem. Será uma pena matá-lo sem saber seu nome. — As esmeraldas brilharam de um jeito que sempre faziam antes de começar uma caçada.

- Você vai mesmo matar um Ravno? É verdade, todos vocês, Assamitas, são mesmo desprezíveis. Não conseguem fazer as pazes nem com a própria raça. — Disse o estranho, quase cuspiu as ultimas palavras.

Katarina estava andando em sua direção, mas parou, e de forma muito segura, cruzou os braços e ficou parada.

- Ok. Continue. O que quer comigo?

O homem sorriu.

- Sei que está sendo perseguida pelos Priest por quase 300 anos. — Ele fuzilou a ruiva com os olhos, e ela continuou imóvel, apenas um aceno com a cabeça pedindo para que continuasse. — Quero saber como sobreviveu até agora.

Imediatamente, a vampira sorriu. Um sorriso muito sombrio, que fez o Ravno estremecer, embora não tenha demonstrado.

- Então, meu amigo Ravno — começou, numa ironia muito aparente — você está com problemas com os padres caretas? Eu sugeria você fugir para as montanhas, se esconder nas sombras. Mas mesmo assim eles vão te achar.

Os olhos do vampiro se estreitaram, examinando-a.

- Mas não te acharam.

- Pois é... — Continuou Katarina, com a mesma ironia. — Pena que não sei nem o seu nome. Acho que vou deixar você se virar sozinho.

- Jonhathan. — Suspirou, se sentindo derrotado. — Meu nome é Jonhathan. Agora, poderia me responder?

- Prazer, Jonhathan. — A ruiva sorriu. — E não, não posso te ajudar.

E começou a andar para o oposto do vampiro, devagar, mostrando superioridade. Um sorriso maligno não saia de seus lábios.

E foi quando parou, o sorriso havia sumido e seus olhos estavam arregalados, em uma inocencia que nunca ninguém tinha visto antes. Katarina estava mostrando-se vulnerável com o que estava à sua frente. Ninguém via esse seu lado.

Ninguém, apenas Nidalee.

Que era exatamente quem estava à sua frente.

- Ni... Nida? — Perguntou a vampira, incerta, gaguejando.

Ela ouviu a risada de Jonhathan atrás dela. Ela se virou para olhá-lo, sem entender. Quando olhou de novo a imagem da felina havia desaparecido, e praguejou baixinho, percebendo o quão estúpida foi.

- Parece que passou tanto tempo fugindo que esqueceu o dom dos Ravnos, querida.

- Como... Como sabia de Nidalee?

O sorriso de John ficou sombrio.

- Estamos chegando onde eu gostaria. Você me ajuda com os Priest, se tornando minha aliada. E eu te ajudo com Nidalee.

A vampira voltou a cruzar os braços, em uma pose defensiva.

- E como diabos você vai me ajudar com isso? Se sabe tanto quanto diz, deve imaginar o quanto Nidalee me odeia e nunca mais quer me ver. Quem é você, afinal?

- Nidalee é minha amiga. Ou pelo menos era. — A voz de John estava séria.

- Era? E o que isso tem a ver comigo?

- Não nos vemos a muito tempo.

O tom de voz sombrio estava começando a amendrontar Katarina, que engoliu em seco.

- Okay... Nós duas não nos vemos a muito tempo também. Tipo 300 anos atrás. E, como disse e torno a repetir, ela me odeia.

O Ravno soltou uma gargalhada.

- Oh, como você é inocente, ruivinha. Esse tipo de amor nunca morre. — Disse John, com os olhos ardentes de tantos significados por trás dessas palavras. — Eu sei que você ainda a ama, do mesmo jeito que a felina também nunca deixou de te amar.

Pela primeira vez em muitos séculos, Katarina ficou sem palavras. Sua boca ligeiramente aberta, mostrando que estava indefesa. Sempre ficava desse jeito quando o assunto se tratava de Nidalee.

- Ela precisa de sua ajuda. — Continuou. — É um risco de vida ou morte. E que envolve os Priest, por isso que preciso de sua ajuda. 300 anos fugindo dessa falange, você deve saber muitos de seus passos. — Katarina apenas assentiu. — E eu vou salvar Nidalee, e com ela, a Tessa. — John falou o nome desconhecido com muito significado. — Você vem, ou não?

- Mas, eu...

- Você vem, ou não? — Tornou a repetir, de forma dura. — Eu vou resgastá-las antes que seja tarde demais. Custe o que custar.

Katarina se recompôs, a pose vulnerável se foi. As esmeraldas queimavam agora, com um único objetivo: salvar Nidalee.

- Custe o que custar. — Repetiu Katarina, decidida.