Under Moonlight
1 Prólogo
É tão triste a vida de uma barata de beira de estrada. Concordam? A coitada está lá, feliz e cantante, em sua simples vida, quando de repente, \"ploft\", finda a sua vida o pneu de um carro, a mais de 120 km/h, com dois rapazes novinhos dentro. Um não tão novinho assim, e outro não chegava a ser um rapaz.
Pai e filho, pé na estrada, existe algo mais excitante que isso? Então não fará diferença se for citado que o carro não lhes pertence. Assim como as roupas, os cd\'s do Elvis e tudo que estão em suas posses agora? Como todas as coisas que um dia já usaram?
Vida bandida.
Pai e filho, pé na estrada, uma canção no rádio, vozes unidas, cantando o único verso que vencia o vento e invadia os seus ouvidos. \"Don\'t worry, Mary...\" . Se Mary não precisava se preocupar, porque diabos eles o fariam? Tinham tudo o que precisavam: um ao outro.
O pequenininho era a razão de viver do seu pai, era o herói mirim daquele rapaz que beirava os vinte anos, que, por dezenas de vezes, quase encerrou a sua vida na ponta de uma navalha. Mas bastava um olhar, uma lembrança do seu salvador, que ele retrocedia o trajeto do objeto afiado. Não queria se separar daquele anjinho nunca, ele era o único em sua vida.
Quando todos foram embora, restara apenas ele e Moon. Era só ele e Moon. Mas logo se tornou, ele, Moon e Happy B-day, seu Lucas, seu pequeno, seu presente.
Um presente que para os outros tinha vindo cedo demais, mas não para eles, o mocinho havia chegado na ‘hora h’. Happy B-day foi um herói desde bebê, salvou a alma de dois jovens desesperançosos.
Sorriram, cantaram, dançaram, foram felizes. Mas, como se fosse castigo por ter sorrido demais, se tornou apenas ele e Happy B-day.
O pequeno não sabia da grandiosidade de seus atos heróicos, e nem sabia de todos eles, mas sabia que era importante para o seu pai, e seu pai era igualmente importante para Happy B-day. Foi ele quem lhe ensinara a andar, falar, brincar e ler (sua paixão recém descoberta).
Nunca fora a escola, e nem achava necessário, já que tudo que tinha dúvida o pai se encarregava de explicar com cuidado.
Pai e filho, pé na estrada, uma canção no rádio, vozes unidas e sorrisos confidentes, sem a necessidade de uma palavra ser proferida. Eles seguiam buscando o futuro, apreciando o presente e deixando para trás o passado, levando somente as boas lembranças e um ao outro.
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