Undeniable

22 Capítulo 22


Notas iniciais
qualquer coincidência da Megan ser uma bebum em potencial é mera realidade. ah não, pera hahahahhahah

Há um despertador irritante acordando as garotas.

E logo que elas acordam, se apertam mais naquele calor perfeito gerado entre seus corpos. Quinn nunca vai superar a perfeita sensação que é acordar com Rachel em seus braços. E Rachel jamais vai conseguir comparar o que sente quando acorda assim, em volta da loira, tão protetoramente.

“Você deve levantar, Rach”, Quinn diz ainda rouca e com os olhos fechados.

“Eu sei”, ela geme, “Eu gostaria de ficar aqui só mais um pouquinho”

“E eu gostaria que você ficasse”, a loira responde suavemente, deixando um beijo na testa da pequena.

Rachel se espreguiça e Quinn começa a rir, abraçando a morena e fazendo cócegas na cintura.

“Q-Quinn! Pára!”, ela pede rindo, quase sem ar e Quinn diminui a intensidade dos toques até segurar a morena e trazer o corpo dela para perto, “Você sabe que eu sinto cócegas”, ela reclama.

“Desculpa, eu não resisti”, Quinn pede com olhar triste e Rachel sorri em resposta.

“Você é tão linda quando acorda”, ela dispara envergonhada e a loira ruboriza, colocando a mão nos olhos, “Sério... pára”, ela pede tirando a mão de cima do rosto, “Você parece um anjo”

Quinn não desvia seu olhar e sente a honestidade das palavras de Rachel. Ela se sente lisonjeada e muito grata pelo elogio, mas se tem uma coisa que a morena parece não entender é o quanto ela parece verdadeiramente linda, quando a única coisa cobrindo seu rosto é o sol da manhã.

Ela abraça Rachel com força, deixando seu rosto pousar no pescoço da pequena, que devolve o abraço na mesma intensidade. Quinn deixa uma trilha de pequenos beijos no pescoço alvo e suave, e Rachel estremece com esses toques.

“Você precisa ir agora”, a loira diz com a voz abafada, “Caso contrário eu não vou deixar você sair daqui”

“Ooook”

Rachel se dá por vencida. Ela realmente tem uma aula preparatória importante e sente muito abandonar aquela cama, ao lado de Quinn Fabray querendo lhe fazer afagos.

A vida é muito injusta algumas vezes.

“Você pode tomar café aqui no dormitório se quiser... tem um Starbucks aqui perto, aquele que nós íamos quando você passou as férias aqui...”, ela para de falar quando Quinn a cala com um selinho.

“Não se preocupe comigo, Rach”, ela diz amavelmente.

“Eu me preocupo sim!”, a morena repreende, se levantando da cama, “Você pode ter pegado um resfriado ontem por minha causa e não comeu nada desde que chegou. Eu quero que você se alimente e fique saudável para assim continuar a me visitar ou para quando eu for te visitar eu poder chegar perto de você sem que algum contágio esteja me privando de poder te abraçar ou te beijar da forma que eu quero”, ela termina o monólogo e Quinn dá uma gargalhada, “O que foi?”

A loira não responde, apenas levanta e vai até onde Rachel está, lhe abraçando ternamente.

“Eu amo o modo como você se preocupa comigo, e agradeço. Mas eu estou bem e você tem uma apresentação daqui há algumas horas”, ela vira o corpo de Rachel, que aceita o movimento, mas não começa a caminhar, “Vai, Rach, você precisa tomar um banho, tomar café e ir se preparar”

Quinn repreende de uma maneira doce mas Rachel continua de costas para ela, imóvel.

“Eu gostaria de ficar aqui com você a manhã toda”, a morena choraminga e o coração de Quinn se aquece.

Ela dá uma risadinha, “Você está é enrolando”

“Não estou não”, Rachel responde mas ainda continua de costas para Quinn, com ar brincalhão.

Quinn dá um tapa de leve no bumbum de Rachel, incentivando-a a se mexer.

E isso...

Isso é novo.

Rachel ergue as sobrancelhas em surpresa e se vira para encará-la; a loira apenas tenta segurar o riso, vendo a expressão da pequena como se tivesse levado com um taco de baseball na cabeça. Sua boca se abre e ela começa a rir também, enquanto Quinn a envolve nos braços novamente.

Elas nunca tiveram esse tipo de interação como amigas – Quinn nunca se permitiu esse tipo de contato, nem mesmo brincando. Era perigoso demais.

Mas agora?

A brincadeira foi tão natural nessa nova relação que elas estavam tendo. Rachel também entendeu desse modo, e não de maneira errada. Ela para de rir, enquanto sente Quinn separar o abraço.

“Eu vou, mas esse tapa foi jogo sujo”

“Eu queria passar e você estava me impedindo”, a loira diz brincalhona.

“Ok. Eu acredito em você porque você é linda pela manhã”

Quinn cruza os braços, “Quer dizer que pela parte da tarde eu sou feia?”, ela se finge de ofendida e Rachel sorri.

“Quer dizer que na parte da tarde você é ainda mais bonita”, ela responde e Quinn fica sem argumentos.

Elas se olham outra vez, e o lugar parece diminuir. Apenas Rachel e Quinn, apenas seus olhos observando como se olhassem a janela de suas almas.

“Eu estou indo”, Rachel diz, mas ao invés de ir em direção à porta, ela dá um selinho em Quinn.

“Eu vou ao banheiro também e você sai e vai direto para a cozinha, ok?”

“Ok”

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A loira ainda está no banho quando a morena volta para o dormitório para pegar seus pertences e ir até a aula. Ela saiu flutuando do banheiro; seu corpo e sua mente estavam leves. Ela se sentia calma, apesar de saber que ia cantar para um público consideravelmente grande. Ela cantaria com o mesmo fervor e devoção se fosse para um público pequeno, mas esse não é o ponto.

Quinn estará lá, assistindo.

E só isso já acalma e conforta o coração da pequena.

Ela guarda seus objetos de higiene íntima e maquiagem leve que passou apenas nos olhos, e pega sua bolsa em cima da escrivaninha. Ao guardar um dos livros, um papel cai de dentro deles; um pequeno post-it. Rachel não usa post-it geralmente, ela acha que eles fazem volume demais para pequenas anotações. Mas logo ela abre um sorriso.

Quinn usa post-its para deixar pequenos recados para ela, como já aconteceu anteriormente.

“You are so beautiful to me, can’t you see? You’re everything I’ve hoped for, you’re everything I need”

Rachel sente seu coração acelerar, e não consegue conter um sorriso ainda maior. Ela guarda o post-it junto com o outro que achou; e aparentemente ela vai encontrar mais deles com frases de músicas românticas. É a forma que Quinn descobriu de fazer Rachel se sentir uma boba apaixonada. Ainda mais.

Ela fecha a porta com a chave antes de sair do dormitório, já que Quinn ficou com sua reserva, e vai caminhando até quase o outro lado do campus.

“Rachel!”, ela escuta uma voz familiar e se vira para encontrar a garota.

“Hey, Megan”, Rachel cumprimenta com um leve abraço, e Megan sorri.

“Tudo bem?”

“Ótimo, e você?”

Megan percebe a mudança de tom de voz da morena de ontem para hoje. Ao que parece, uma noite de sono fez bem à Rachel Berry.

“Tudo bem”, ela responde, “E então, preparada para o espetáculo hoje?”

“Eu não estava muito confiante até ontem”, elas continuam caminhando, “Na verdade eu até evitava pensar sobre isso. Mas hoje eu estou motivada e animada!”

“Wow, e a que você deve essa alegria toda?”, Megan pergunta com um tom brincalhão, mas verdadeiramente curiosa.

Rachel ia dizer que Quinn foi visitá-la, mas como ela explicaria para Megan quem era Quinn?

Devido ao silêncio da morena, Megan assegura, “Tudo bem, se você não quiser falar nada, Rache-“

“Não, não! É só que eu –“

Elas são interrompidas por um professor.

“Rachel e Megan, por que vocês duas não estão ensaiando ainda?”

Megan engole seco, assustada, “Acabamos de chegar, professor”

“Ok, meninas, então vão! Circulando”

Ele empurra gentilmente as garotas para dentro da sala de ensaio, onde o pianista já está à espera das duas e mais alguns jovens estão com partituras na mão esperando o ensaio começar. Rachel olha para Megan antes de deixar usa bolsa onde todos os outros pertences pessoais estão e voltar para ao redor do piano. Ela espera sua vez de cantar a música e ouve atentamente seus colegas, que às vezes param de cantar no meio de alguma frase para conversar com o pianista sobre o melhor tom ou algumas passagens melódias.

Ela não percebe o olhar de Megan sobre si.

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Alguns minutos depois o pianista pede uma pausa, e Rachel aceita de bom grado. Sua parte no espetáculo já está bem estruturada; seus professores diviriam a grade de apresentações em clássico, ópera, pop e moderno. Ela irá cantar uma música pop, lenta e apenas acompanhanda do piano.

“Você quer ir comer alguma coisa nesse intervalo?”, Megan pergunta enquanto pega sua bolsa junto com Rachel.

“Sim, por favor!”, ela pede, “Eu planejava comer alguma coisa antes de vir mas aquele professor rude nos impediu”

Elas caminham até o refeitório, que não é muito longe. Pegam sua refeição leve – apenas um café e salada de frutas para ambas – e se sentam uma na frente da outra.

“O que você achou do garoto cantando Ave Maria?”, Megan questiona.

“Eu achei esplêndido”, a pequena responde sincera enquanto tomava um gole de café, “Ele é um barítono muito bom”

“Com certeza!”, ela responde animada, “Eu realmente fiquei emocionada. Me deu vontade de sair chorando de lá, pra seguir chorando enquanto eu ia para o dormitório, ai quando eu chegasse eu iria procurar um cantinho bem confortável e quente para continuar chorando!”

Rachel solta uma risada gostosa e Megan a olha, acompanhando seu sorriso.

“Você é maluca”, ela comenta ainda rindo.

Megan come sua salada de fruta enquanto observa Rachel, satisfeita por ter feito a pequena gargalhar.

“Você vai arrasar naquele palco”, ela diz timidamente.

“Eu vou me sentir tão pequena... menor ainda do que já sou”, a morena brinca.

“Eu digo, sério, Rachel, você vai ser o assunto do momento entre os calouros”

Rachel sente suas bochechas ficarem vermelhas, “Você esqueceu que também vai cantar, Meg?”

“Grande coisa”, ela desdenha sorrindo.

Uma música preenche o ambiente e logo Megan tira seu iPhone da bolsa para ver do que se trata. Ela olha para a tela do aparelho alguns segundos antes de explodir em uma gargalhada que chama a atenção de Rachel.

“Oh, droga!”, ela comenta e vira a tela do telefone para que Rachel possa ver.

“O que foi?”, Rachel observa a foto que está na tela, “Essa é você?”

Ela aponta para uma pessoa, aparentemente dormindo, com o rosto todo sujo de batom. Ela certamente está em uma festa, pois sua mão segura com firmeza um copo vermelho. Mesmo que dormindo, a pessoa em questão não larga o copo nem o deixa cair.

“Sim... meu primo acabou de me mandar essa foto. Faz um bom tempo, e eu ainda não perdoei meu irmão por isso”

Rachel ergue as sobrancelhas, “...Nossa”, ela ri, “parece que alguém bebe demais e mesmo dormindo quer continuar bebendo”

“Hey!”, Megan a repreende, “Eu não bebo!”

A morena mantém seu olhar firme nos olhos azuis e sinceros da outra garota.

“Ok, eu bebo, mas como uma jovem adulta normal”

“Eu sou uma jovem adulta normal e não bebo, porque na teoria eu devo beber apenas depois de completar vinte e um anos”, ela se gaba, mas com um tom brincalhão.

“Eu tenho dezenove anos e bebo como uma jovem de dezenove anos. Quanto eu completar vinte um poderei beber mais”, Megan brinca também e Rachel solta uma gargalhada.

A garota começa a ver outras fotos que foram enviadas à ela, e talvez tenham acontecido coisas nessa festa que ela não consegue se lembrar.

“Posso ver todas as fotos?”, Rachel pede curiosa.

“Claro”, ela passa o iPhone para a pequena, que vai rolando as fotos e rindo ou comentando alguma de vez em quando.

“Acho que Deus nos permitiu ter amnésia alcoólica por uma boa razão”, Megan ergue as mãos pra cima como se estivesse fazendo uma prece e Rachel ri.

Ela para em uma foto onde Megan é reconhecida atrás de muitas pessoas. A foto não era para ser dela, e sim dos que estavam na frente fazendo uma pose clássica para fotos, mas ela saiu, mesmo sem querer. E em volta do pescoço dela, havia braços femininos, bem desenhados e magros. Rachel balançou a cabeça tentando esquecer o mal estar que ver essa foto causava – ela era quase igual a de Quinn com Olívia tirada há poucos meses atrás. Ela lembra das consequencias dessa foto e do tempo que ficou exposta no facebook de Quinn para todos verem; das conversas desconfortáveis que Quinn teve com a família e sua conclusão posterior.

Mas logo ela afasta essa lembrança.

“Quem é essa garota?”, Rachel pergunta apontando para a foto em questão e Megan sente seu rosto ficar quente.

“Oh!- ela é uma garota da minha cidade, amiga dos meus... primos”, ela responde e espera para ver se Rachel diz alguma coisa, “nós meios que... namoramos por um tempo”, Megan finalmente solta.

Ela nem percebe que prendia o ar até suspirar audivelmente. Ela está nervosa, apesar de seu consciente dizer que não há necessidade disso, porque Rachel foi criada por dois pais, logo ela seria isenta de qualquer preconceito que pudesse vir a ter. Além do mais, elas eram amigas e estavam construindo certo nível de intimidade. Para a relação delas prosseguir nesse caminho, certas e importantes coisas precisariam ser reveladas com o tempo e isso era uma dessas coisas.

“Então você é gay?”, Rachel pergunta naturalmente, ainda olhando para outras fotos.

Megan pensa antes de responder, “Bom, eu... aprecio as garotas”

A morena olha para Megan e sorri. Claro.

Rachel poderia se considerar uma apreciadora de garotas.

Ela apreciava muito sua melhor amiga, Quinn.

Muito mesmo.

“Você aprecia somente as garotas ou garotos também?”

“Nada contra garotos”, ela responde simplesmente, grata por Rachel deixar o ambiente mais leve. Um enorme peso saiu de seus ombros.

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“Onde você está exatamente?”, Naomi pergunta ao telefone e logo encontra Quinn, que também avista seu inconfundível cabelo roxo ao mesmo tempo.

“Hey!”, Quinn cumprimenta com um abraço quando as duas se encontram, “Tudo bem?”

“Sim, e você?”, a loira confirma com a cabeça, “Plano infalível de surpreender Rachel Berry deu certo?”

“Certíssimo”, ela ri, “Obrigada por toda a sua ajuda”

“Você sabe que eu adoro a Rachel”

“Eu sei. Mas mesmo assim, muitíssimo obrigada por tudo”

Naomi sorri genuinamente.

“Então, onde vocês se encontram numa escala de relacionamento?”

“Bom”, Quinn pensa e se senta em um barzinho dentro de NYADA, de frente para Naomi, “Nós certamente já passamos de melhores amigas para algo a mais”, ela sorri boba.

Naomi faz seu pedido e espera a loira terminar o dela; ambas recebem seus cafés e bolinhos.

“E vocês não estão namorando ainda por que...?”, ela deixa a pergunta no ar e observa a reação de Quinn.

“Sinceramente...”, ela pensa bastante antes de responder, “Eu não sei. Eu me sinto namorando com Rachel provavelmente desde que nos beijamos pela primeira vez, depois que ela disse estar apaixonada por mim, mas eu não sei... como...”

“Vocês não conversaram sobre isso ainda?”, Naomi pergunta diante da confusão da loira.

“Não”, Quinn responde frustrada.

“E posso perguntar por quê?”

“Bom, eu conheço Rachel. Quero dizer, como Rachel funciona emocionalmente, romanticamente. Eu já a vi apaixonada antes, pelo Finn, que foi um namorado meu no ensino médio... enfim... Eu sei como ela é frágil. Sei dos medos que ela tem em relação à si mesma e que ela tenta esconder quando se envolve amorosamente. Mas eu não quero que isso aconteça comigo”, ela pausa, terminando de tomar seu café, “Eu quero ser para Rachel exatamente o que ela sempre precisou... Não alguém que a puxe para baixo, fazendo-a servir de escada, eu quero que Rachel se sinta segura comigo, porque ela é uma garota simplesmente maravilhosa, e eu tenho toda a sorte do mundo que ninguém mais teve... eu só quero fazer jus à isso”

“Wow”, Naomi responde atônita com as lindas palavras da loira, “Eu sei o quanto vocês duas se gostam, Quinn. Eu via Rachel sofrer sentindo saudades suas naquele tempo onde tudo era mais confuso, e principalmente – eu convivi com ela nessa semana que vocês passaram separadas”

O coração de Quinn se aquece com essas informações, “Eu não duvido dos sentimentos da Rachel, tenho absoluta certeza de que eles são genuínos. O que eu realmente quero dizer é: todo cuidado é pouco. Minha relação de amizade com Rachel sempre foi muitíssimo turbulenta e muitas, mas muitas vezes dolorosa. Agora, parece que nos livramos de toda essa bagagem sentimental ruim. Mas é como um vidro, e eu não vou deixá-lo cair de forma alguma. Rachel é a pessoa mais importante do mundo pra mim. Eu sou tão apaixonada por ela que preferiria mil vezes continuar sendo apenas sua amiga a não ser nada. Preferiria que ela estivesse feliz, mesmo que sem mim, do que triste ou machucada por mais alguma coisa que eu possa vir a fazer”

Naomi sorri, “Então... vocês não podem se classificar apenas como melhores amigas, certo?”

A loira se permite um sorriso, apesar de estar se emocionando ao falar de seus sentimentos, “Ela sempre vai ser minha melhor amiga, mas eu definitivamente quero que ela seja minha namorada”

“E como dar esse passo?”

“Eu não sei ao certo”, Quinn suspira derrotada, “Sabe, eu nunca achei que um dia eu namoraria realmente com Rachel. Pra falar a verdade, antes de sair de Lima eu nunca achei que ia sair do armário”

Naomi ri surpresa, “Mesmo? Você pretendia fingir a vida inteira?”

“Se eu não conseguisse uma vaga em Yale eu iria fazer uma faculdade comunitária, e provavelmente jamais me declararia para Rachel. Talvez eu até namoraria ainda com Sam, um garoto que estudava comigo. Se minha vida se limitasse à ficar em Lima, e dentro do armário, esse seria meu destino. Virar uma corretora de imóveis de uma pequena cidade em Ohio, casada um homem, com filhos, indo à igreja todo domingo”, Quinn sorri entristecida, “Acompanhando Rachel pelos jornais, notícias e fotos na internet e televisão... Algo assim”

“Parece horrível”, Naomi lamenta.

“E seria... eu viveria enclausurada. Mas se tem algo que me norteia, é Rachel... Eu seria casada com alguém que eu não amaria, talvez tivesse filhos, seguiria os costumes da minha família, e se eu não conseguisse ser pelo menos sua amiga, eu gostaria de estar na vida dela de alguma forma”

Quinn sente as lágrimas se aproximando, mas dessa vez não as afasta, e Naomi sorri gentilmente.

“Eu mandaria flores na estréia dela na Broadway. Ou então um cartão a parabenizando... e se eu não tivesse coragem o suficiente, talvez apenas escreveria que eu sempre soube que ela ia conseguir”, ela limpa uma lágrima que desce quente pela bochecha esquerda.

“Mas você nunca vai passar por isso, Quinn. Sua vida real é poder parabenizar Rachel quando ela estreiar na Broadway com um beijo e uma visita à seu camarim”, ela sorri tentando afastar o clima ruim, e a loira concorda com a cabeça.

“Rachel merece meu melhor, mesmo que demore algum tempo para conseguirmos rotular essa fase do nosso relacionamento. Por isso às vezes parece tão surreal para mim que eu finalmente consegui, eu finalmente a tenho da forma que eu sempre quis – emocionalmente. É tão maravilhosa a sensação, tão deslumbrante que beira à irrealidade”

“Sabe”, Naomi confessa sorrindo, “Eu nunca me apaixonei da mesma forma que você. Eu vejo e sinto o quanto seu amor pela Rachel é verdadeiro. Quando eu te vi pela primeira vez eu sabia que havia algo ali que estava fora do meu conhecimento”, a loira concorda com a cabeça, sorrindo também, “E eu admiro você, Quinn. Eu com certeza já amei algumas pessoas na minha vida, e nenhum relacionamento que eu tive conseguiu passar por problemas básicos. Eu acredito que há um ponto onde você ama alguém além de qualquer outra coisa, e passa por cima de machucados, do seu próprio orgulho, de valores importantes, para ver a outra pessoa feliz. Mesmo que você saia magoada, você ainda sorri porque Rachel está sorrindo. E não é algo que você possa controlar, é apenas seu amor sendo trasmitido e exteriorizado da forma que ele consegue”

Quinn suspira e seca as lágrimas que fluem por seu rosto agora.

Nem ela mesma conseguia discernir tão bem como seu amor funciona. Como ele vem à tona em gestos.

Ela olha para aquela linda e excêntrica garota de cabelo roxo. Seu moicano está alguns tons mais claros, mas ainda chamativos, e o rosto doce e esculpido carrega uma agressividade animalesca devido à sua postura jovem a ativa.

Quando ela viu Naomi pela primeira vez, jamais imaginaria que veria naquela garota alguém tão sincera e amiga.

“Então não se preocupe, eu sempre farei de tudo para ajudar vocês duas. Porque Rachel é especial e você também, caso contrário não estaria do lado dela”

“Obrigada”, a loira responde secando as últimas lágrimas, “Você não tem ideia do quanto é bom ouvir isso”

Naomi sorri em resposta.

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Faltam quinze minutos para uma hora. Rachel e Megan estão com outros colegas que também irão se apresentar, e o teatro principal de NYADA começa a lotar de calouros e alunos que estão rondando pelo centro, além de visitantes que gostaria de assistir. Será um espetáculo mostrando como NYADA trabalha com cada área da música e dança em seus cursos; então Rachel irá cantar uma música apenas acompanhada de um piano, enquanto Megan irá cantar para dois alunos dançarem, já um colega das meninas irá apresentar uma ópera. E assim a tarde vai ser repleta de números artísticos, e alguns professores irão analisar delicadamente cada apresentação.

Há rumores pelos corredors de NYADA que olheiros da Broadway visitarão o teatro para averiguar a qualidade e excelência dos alunos. Mas Rachel nem quis saber muito sobre isso. Ela não queria criar expectativas sobre algo incerto, apenas deixar acontecer.

Seu relacionamento com Quinn e o avanço natural das duas em direção à algo mais consistente estava mudando um pouco a perspectiva de Rachel, de como ela enxergava o mundo e as coisas ao seu redor.

A loira estava a ensinado a desacelerar, não ter expectativas e esperanças exageradas. E Rachel se sentia bem com essa nova forma de pensar.

“Está uma multidão lá fora!”, Megan comenta animada e Rachel abre um pouco a cortina atrás do palco para enxergar as pessoas se acomodando nas cadeiras confortáveis.

“Nossa!”, ela se surpreende com a grande quantidade de pessoas, “Isso é mais que o esperado”

“Você está nervosa?”

“Um pouco. Aquele frio na barriga, mas acho que ele nunca vai passar”

“Você convidou alguém para assistir?”

“Sim, e você?”

“Apenas meus colegas de sala, mas eles já viriam de qualquer jeito”, Megan responde curiosa sobre quem Rachel poderia ter chamado. A garota de cabelo roxo, sua colega de quarto?

“Rachel – o pianista quer falar com você, já que você vai ser a primeira a cantar”, um assistente do teatro com sua prancheta avisa a morena e ela se vira para Megan.

“Me deseje sorte”, ela pede.

“Quebre a perna”, Megan sorri e se aproxima da garota apenas um pouco menos que ela.

Rachel abre os braços e abraça de leve a garota de óculos, que aproveita aqueles segundos tão pequeninos. Ela solta Rachel de seus braços e observa a morena caminhar, com um salto baixo e sua saia marcando bem suas longas e interessantes pernas. Os cabelos castanhos balançam à medida que Rachel acelera os passos para outra parte dos bastidores do teatro, e Megan vai para a sala onde todos os outros que irão se apresentar estão aquecendo a voz ou se alongando.

Hoje ela vai ter uma nova visão de Rachel se apresentando – e dessa vez para algumas centenas de pessoas. Ela tem certeza que a morena vai deixar a multidão de queixo caído, e seu corpo vibra só de imaginar que ela vai estar esperando Rachel assim que ela sair do palco.

Megan imagina o abraço apertado e longo que receberá da morena, emocionada. Ela vai dizer o quanto Rachel foi incrível e o quanto ela gostaria de convidá-la para jantar, talvez?

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“Você tem certeza de que podemos entrar aqui?”, Quinn pergunta ainde receosa.

“Claro”, Naomi dá espaço à loira para passar atrás de uma enorme cortina e chegar numa sala lotada de gente andando para todos os lados.

“Nossa”, ela se impressiona, “Acho que eles nem sabem para onde estão correndo”

“Vem, eu quero que você veja uma coisa”

Quinn a segue, atravessando a sala e entrando em um corredor. Tudo fica mais silencioso até o momento em que apenas as duas estão ali, e outro som vai se fazendo mais forte e presente. Uma voz que Quinn jamais deixaria de reconhecer em sua vida.

“Rachel está aqui?”, ela pergunta animada.

“Sim. Você achou que íamos fazer o que atrás entrando por trás do teatro?”, Naomi solta uma gargalhada e Quinn ruboriza.

“E- eu achei que você queria falar com algum conhecido, algo assim”, ela responde baixinho.

“E eu vou...”, ela abre uma porta onde Rachel está ao lado de um piano, de costas para elas, apontando nas teclas algo para o pianista, “...A Rach”, Naomi anuncia, “Porque você não vai lá desejar boa sorte pra ela?”

Quinn hesita, mas Naomi confirma com o olhar de que está tudo bem. Ela vê o pianista se levantar para sair da sala, já que faltam poucos minutos para o começo das apresentações. Rachel busca algo em sua bolsa que está em cima do piano, e não percebe a aproximação de Quinn.

Mãos quentes e macias tapam os olhos de Rachel. Ela se assusta, mas logo sente um perfume familiar e sorri.

A loira não diz nada, apenas morde o lábio inferior, sentindo a pequena passar a mão gentilmente onde as suas estão. Rache tira as mãos de Quinn de seus olhos e vira seu corpo.

“Quinn”, ela ri antes de dar um abraço apertado na garota maior.

“Eu não sei como cheguei aqui, mas eu só vim te desejar uma boa apresentação”, a loira responde suavemente, e dá um beijo na testa da diva antes de soltá-la.

“Naomi?”, Quinn confirma com a cabeça, “Agradeça a ela por mim. Eu estava pensando em você nesse exato momento”

Quinn sente seu coração acelerar, e junta as duas mãos de Rachel com as suas, beijando-as.

“Tem muita gente lá fora, mas você sabe que não precisa ficar nervosa ou ansiosa. Eu sei que você está”, ela ri, “eu só quero garantir que você não precisa. Você vai se sair magnífica”

Rachel sorri envergonhada, “Obrigada”

A loira se aproxima devagar e une seus lábios em movimentos suaves e calmos, antes de impor passagem à sula língua. Rachel rodeia seu pescoço com os braços, enquanto faz carinho nos cabelos sedosos. Elas suspiram com a intensidade que em poucos segundos aquele beijo alcançou. A morena sente as mãos suadas, o coração palpitar, a mente congestionar à medida que Quinn prova sua boca, aquele gosto tão desejado.

“Eu não quero cortar o barato de vocês, meninas”, Naomi grita da porta, “Mas tem um cara apressado vindo na minha direção e acho que ele quer achar você, Rach”

“RACHEL BERRY!”, o homem magro e nervoso grita, “Faltam cinco minutos! O pianista já está no palco!”

Quinn abraça Rachel pela última vez.

“Eu vou estar na terceira fila, vendo o quão perfeita você vai estar naquele lugar”, ela diz baixinho no ouvido da pequena, que se arrepia e sorri.

Rachel separa o abraço e caminha rápido na frente do assistente de produção, e Quinn segue Naomi para onde elas devem ir até chegar às cadeiras reservadas para estudantes. Naomi conseguiu rapidamente um lugar para a loira, falando com alguns de seus amigos que estavam presentes.

Quinn ficou admirada da acustica do lugar. Era um grande teatro, projetado para apresentações dos alunos, trabalhos finais de curso e etc. Naomi havia comentado que muitos dos academicos nuna haviam pisado ali, o que era uma pena, já que essas performances iriam para o curriculo escolar do aluno de NYADA. Boatos que diretores e assistentes de produção da Broadway também assistiam essas apresentações eram recorrentes entre os alunos.

“Boa tarde, senhores e senhoras, acadêmicos e professores, visitantes e observadores”, o apresentador do espetáculo toma o microfone e se dirige à frente do palco, com os refletores voltados para si, “Ao adentrarmos na complexidade do universo da arte, este trabalho é capaz de transformar o ser humano. A arte em geral permite às pessoas demonstrarem que suas limitações, habilidades, sentimentos, desejos e opiniões, capacita o homem de compreender a realidade e ajuda-o a transformá-la. Os alunos de NYADA, tanto os calouros que se encontram aqui agora, quanto os veteranos que irão se apresentar, são parte do projeto da academia de artes para o futuro da representação artística no cenário de New York, e de New York para todo país”

A platéia aplaude o homem, que avisa que vai se retirar para as apresentações começarem.

“...E finalizando a abertura dessa mostra, eu quero chamar ao palco para cantar, como parte do projeto pop do Professor John Smith, com o pianista Robert Sauffmann, a acadêmica veterana Rachel Barbra Berry”

E agora sim. Quinn se levanta, assim como Naomi e todos os colegas de Rachel, e seu professor, a aplaude a morena com fervor. Rachel entra no palco do teatro com passos tímidos e lentos, sorrindo envergonhada para a quantidade de pessoas acima do esperado.

Como se houvesse um túnel invisível que separasse todas as pessoas e deixasse somente Quinn em seu compo de visão, Rachel encontra Quinn rapidamente, e sorri franzindo um pouco o nariz. De um jeito fofo. Que a loira acha que vai causar uma combustão em seu corpo, já que as borboletas em seu estômago deixam um estrago.

Megan acompanha Rachel por trás do palco, abrindo uma suave brecha na cortina que separa os bastidores. O perfil da diva para tranquilo e calmo.

A primeiras notas no piano são tocadas, e o silêncio é absoluto ate Rachel começar a cantar com sua voz doce.

“Have you ever fed a lover with just your hands? Closed your eyes and trusted, just trusted? Have you ever thrown a fist full of glitter in the air?”, ela fecha os olhos, sentindo o calor dos refletores atingirem sua pele.

“It's only half past, the point of no return... the tip of the iceberg, the sun before the burn... the thunder before the lightning, the breath before the phrase... Have you ever felt this way?”

“There you are: sitting in the garden, clutching my coffee... calling me sugar”

Rachel olhou diretamente para onde Quinn estava sentada e não hesitou em cantar essa parte da canção olhando para os olhos aveludados que ela amava,“You called me sugar”

Seu coração estava acelerado, ela se sentia nervosa por se apresentar em frete à tantas pessoas, mas o mais importante era: Quinn estava ali para vê-la. Era um momento importante e a loira estava ali a seu lado, mesmo quando diversos fatores poderiam atrapalhar essa vinda. Mas Quinn não se deixava abater pelas dificuldades em manter um relacionamento com Rachel. Ela sabia que haviam muitas, assim como ela disse ontem à noite, nenhuma era suficiente, e nada parecia impossível diante da recompensa.

O piano vai ficando cada vez mais suave, assim como a voz da diva, que quase sussurra ao cantar as últimas frases.

“Have you ever wished for an endless night? Lassoed the moon and the stars and pulled that rope tight? Have you ever held your breath and asked yourself — Will it ever get better than tonight?”

Ela suspira antes de terminar a canção, “Tonight...”

Rachel lambe os lábios, umedecendo-os e agradecendo os aplausos que recebe. Quinn, emocionada, segue Naomi para onde ela indica, para ver Rachel nos bastidores e levar a pequena até o lugar reservado do lado delas para a diva acompanhar o resto das apresentações.

Megan aguarda Rachel vir até ela, que seria a única saída esperada do palco, mas sua testa franze quando ela vê a morena pegar a saída lateral e descer algumas escadas para ir até onde a platéia está. Ela não hesita em segui-la.

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“Rach!”, Naomi grita e a morena vira a cabeça para tentar encontrá-la no meio de tantas pessoas passando de um lado para o outro.

Uma mão se ergue e a pequena logo encontra o moicano roxo claro e uma linda garota loira, que sorri tímida em sua direção. Rachel corre um pouco se desviando de algumas pessoas e alcança as duas. Naomi é a primeira a receber um abraço.

“Você arrepiou, Rachel Berry! Como sempre”, a garota maior sorri e aperta Rachel em seus braços.

“Obrigada”, ela responde ruborizando e virando seu corpo para ficar de frente para Quinn, “Hey”

“Hey”, a loira sorri.

Ela pega uma das mãos de Rachel e entrelaça seus dedos, sentindo seu coração acelerar com o simples gesto. A morena se perde olhando para aqueles olhos e aquela boca. Ela quer tanto, mas tanto ganhar um beijo de ‘parabéns, Rachel, você foi demais’, de Quinn Fabray. Mas aqui é um ambiente diferente. Não está apenas Naomi com elas, estão todos os colegas e professores da morena que estão trabalhando na produção do espetáculo e convivem com ela diariamente.

“Você estava magnífica”, Quinn elogia, abrindo os braços para Rachel abraçá-la, e ela faz com gosto.

Rachel não sabe, mas a loira pensa na exata mesma coisa que ela. Mais uma vez suas mentes estão em sintonia.

Se ela pudesse sair correndo da platéia e encontrar Rachel nos backstages, abraça-lá e levantá-la pelo ar, rodando a garota menor em seus braços e fazendo ela rir... depois beijá-la quase cinematograficamente no meio de todas essas pessoas atarefadas que parecem não ter tempo para se dedicar à um amor, como ela está fazendo... Mas a questão não é essa.

Quinn quer muito isso. Desde que ela se assumiu, ela pode dizer que fez isso para se algum dia Rachel correspondesse seu amor, as duas namorariam e Quinn teria orgulho de beijar a morena em qualquer lugar que fosse.

Só que esse é o ambiente de Rachel. Onde ela estuda e vai passar os próximos anos.

Aparentemente, elas precisam conversar sobre coisas sérias e necessárias para rumar o relacionamento de uma forma que dê essa segurança às duas. A de saber o que a outra quer, e não ficar especulando sem tomar nenhuma atitude.

Rachel resolve tomar essa atitude, e assim que se separa do abraço quente da loira, retira seu rosto bem devagar da curva do pescoço de Quinn, suspirando quente e arrepiando o corpo da garota maior.

Seus olhos ainda estão fechados e a única coisa que ela sente são os lábios de Rachel nos seus, beijando-a delicadamente. Ela treme quando sua língua encontra com a da garota menor, e antes mesmo que possa se dar conta, Rachel se afasta e ela abre os olhos. E a visão que ela tem é simplesmente a cena mais terna, que aquece seu coração.

“Vamos?”, Rachel pergunta sorrindo, entrelaçando suas mãos novamente.

Do outro lado do saguão, Megan olha para onde as três garotas se perdem no meio das pessoas correndo e gritando. E sua mente congestiona, ao mesmo tempo em que ela sente seu coração apertar de agonia.

Notas finais
YEY! críticas são tão bem vindas quanto elogios :)