Undeniable
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Rachel está feliz depois da noite que teve na companhia de seus amigos do Glee Clube. Alguns continuam os mesmos: Sam está com o mesmo inconfundível cabelo loiro, e ainda que tenha mais de dezoito anos, ele parece uma criança naquele corpo musculoso. Tina está com seus cabelos um pouco mais curtos, Mercedes voltou para Lima para as festas e adorou contar a todos suas peripécias em L.A., correndo atrás de gravadoras com sua equipe e empresários. Artie está em uma faculdade comunitária, cursando cinema e tem projetos promissores, segundo ele. Kurt e Blane não estavam. Santana e Brittany também não. Finn apareceu no final da festa, e aparentemente está tudo bem com ele. Se por estar tudo bem inclui seu frustrante trabalho na oficina. Mas ele conseguiu se divertir um pouco – bebeu apenas duas cervejas e não dançou – e combinou com Rachel de conversarem outro dia enquanto ela ainda está em Lima.
Ela concorda. Ela tem evitado Finn desde o término, mas suas vidas mudaram tanto desde então. Ela quer dar uma nova chance à pessoa de Finn – agora como um amigo querido que ela sabe que ele pode ser. Rachel reconhece as qualidades dele e quer deixar todo tipo de mágoa pelo noivado rompido atrás dela. Atrás de tudo que pode prejudicar a vida tranquila que ela quer ter.
De turbulência, já basta a situação que ela está vivendo no momento com Quinn.
Rachel conversou com o professor Schuester durante muito tempo em sua festa “surpresa”. Ela agradeceu aos céus por Quinn a conhecer tão bem a ponto de contar sobre isso momentos antes – assim ela pode fazer a maior cara de “eu não sabia de nada” e treinar suas habilidades dramáticas e caricatas, além de piscar para Quinn em determinados momentos da festa. Não era como se elas estivessem flertando – as duas sabiam que não – era apenas uma piada interna daquelas que melhores amigas adoram ter.
Schuester se mostrou tão orgulhoso de Rachel. E ela se alegrou tanto. Rachel contou sobre suas aulas, sobre seu trabalho final onde foi obrigada a escrever uma peça – e assim entender toda a estrutura dela por outro ponto de vista, que não deixa de ser importante, contou sobre o quanto o Glee Club e as tarefas do professor Schuester que tanto tomaram o tempo e a concentração dela foram imprescindíveis. Ele falou com os olhos brilhando o quanto Rachel era merecedora de toda essa educação artística, porque ela era o caminho para a realização de sua vida – Broadway. O maduro homem sabe bem o que é ter esse sonho e ver sua grande aluna trilhar essa estrada era gratificante e inspirador para ele.
Rachel e Quinn tiveram pouco tempo para elas na festa. Mas Quinn estava feliz com isso; ela via Rachel rir genuinamente das histórias de seus colegas, via Rachel contar para o professor Schuester seus feitos na universidade, depois conversar com Mercedes por um longo tempo sobre a indústria musical, divas, divas-off e etc. Ela observou Rachel piscando em direção a ela enquanto um sorriso travesso saia de seus lábios sempre que alguém dizia que Rachel jamais imaginaria que seus amigos estivessem ali reunidos para festejar o aniversário da morena. Ela poderia sair da roda onde estava e ir até Rachel, talvez colocar a mão na base de suas costas e se juntar gradativamente à conversa, mas Quinn só estava admirando o quanto Rachel feliz e realizada, tranquila, inspirada, parecia tão calma mesmo quando estava em seus momentos de Berry borbulhante.
Quinn amava ver Rachel assim.
Quinn até conversou com Finn, depois de ver o quanto ele e a morena pareciam estar bem. Conversaram um pouco, beberam juntos e se despediram com um breve abraço. Finn trocou telefone com Rachel antes de ir embora, e a loira não sentiu ciúmes – longe disso. Ela sabia como Rachel se sentia em relação à Finn e essa nova postura diante dele só demonstrou para Quinn que Rachel, agora com 18 anos, estava dando um passo na vida de adulta. Uma vida sem espaço para neuras, nem mágoas.
E assim foi, durante as duas semanas que ela passou em Lima. Rachel e Quinn se viam todos os dias, para caminhar, para conversar, tomar café, jantarem juntas. Uma vez elas foram até o colégio, mas não entraram, apenas sentaram em um banco que havia ali perto. Quinn soltava suas memórias boas com Sue – coisa que era dificil de encontrar em sua cabeça, mas havia algumas. Rachel lembrava apenas dos momentos bons também; ela decidiu que seria assim antes de arrumar a situação entre elas. Antes de viajar para Lima ela confessou para Naomi que estava apaixonada por Quinn, e ela ainda não sabia como lidar com isso.
Ela estave trabalhando isso nas duas semanas, mas é difícil. É difícil saber o que fazer quando você tem uma pessoa incrível e linda em todos os sentidos apaixonada por você, amando você – cada parte, não apenas as amáveis – há anos e que está deliberadamente impondo barreiras entre toques, palavras, gestos, olhares. Isso só fazia de Quinn mais cavalheiresca, doce, nobre. Rachel admirava tanto isso. Quinn tinha esse auto controle todo sobre seu corpo diante da presença da morena. Ela sabe agora o quanto isso é difícil e importante.
Importante porque quando Quinn está com o sol batendo em seu rosto, e seus olhos estão profundamente olhando seus rosto devagar, como se quisesse gravar cada pedaço com sua retina, e sorri pra você depois de fazer piada sobre alguma coisa boba, você tem que ter auto controle. Quando Quinn parece um maldito anjo esculpido, seus dentes perfeitos e o corpo que balança incentivando você a dançar também, quando no seu iPod conectado à caixa de som toca Passion Pit.
Rachel faria coisas que deixariam Quinn confusa se ela realmente as fizesse.
Não seria normal ela beijar Quinn quando nem conversar com ela sobre seus atuais sentimentos ela consegue.
Ela não consegue porque aqui está o grande problema: ela não pode perder Quinn. Quinn tornou Rachel o que ela é hoje, de certa forma. Toda a segurança que a morena queria passar quando estava apenas tentando se encaixar em algum grupo na escola, todas as vezes que Rachel teve que passar por cima dos insultos e seguir em frente, Quinn estava lá. Na vida dela. Para o bem e para o mal, fazendo Rachel tomar decisões amorosas, emocionais. E principalmente no último ano, que elas se tornaram inseparáveis. E agora, na faculdade, quando a distância poderia as separar para sempre e talvez, um dia quando adultas elas se falarem periodicamente. Mas não.
Se ela quebrar o relacionamento delas de um modo irreparável, Rachel poderia morrer.
Óbvio que não literalmente, mas ela iria padecer diante da falta que Quinn faz na sua vida, e não te-la nem como amiga agora que as duas já passaram por tantas provações uma pela outra... Ela precisa de um plano. Ela pensou isso quando o avião pousou no seu estado natal.
Um plano onde nenhuma das duas se machucaria, porque Quinn a ama e ela ama Quinn, sua melhor amiga, essa garota incrível que nem em mil anos Rachel vai entender como diabos é possível que Quinn seja tão apaixonada pelo jeito irritante, apelativo, às vezes insensato e explosivo dela.
Então, duas semanas em Lima e a presença constante de Quinn serviram para isso.
A partir do momento que Rachel pisar em New York, que colocar suas coisas de novo em seu dormitório, lembrar de como ela aprendeu a amar a cidade e toda a metáfora que vem com ela – pressa, pessoas falando frenéticamente, ao telefone, caminhando com copos de café na mão – ela vai, devagar, abrir suas barreiras diante do desejo de mais; mais de Quinn, de sua intimidade, de seu carinho. Ela vai surpreender Quinn, que parecia ter aceito seu “destino” de nunca ter Rachel dessa forma.
Rachel vai quebrar todas as barreiras que Quinn impôs para elas poderem seguir a vida apenas como amigas e construir algo novo no meio dos escombros. Ela vai. Ela tem certeza disso.
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“Eu amo a agitação dessa cidade!”, Rachel diz descendo do táxi.
Quinn e ela voltaram do aeroporto depois de quase duas horas de vôo de Dayton até New York. Foi cansativo, mas Rachel estava tão animada. Quinn descansou sua cabeça em seu ombro durante quase a viagem inteira, e a morena torceu para ela não sentir como sua respiração ficou entrecortada ao sentir um perfume doce assim tão perto. Ela tinha o cheiro de Quinn gravado na memória; mas ultimamente isso a enlouquecia e suas bochechas ficam coradas só de pensar se alguém a viu fechando os olhos enquanto aspirava o cheiro gostoso do perfume de sua melhor amiga.
“Você já não ama tanto assim, certo?”, a diva ri diante da dificuldade de Quinn de destravar a alça de sua mala.
Quinn bufa, “Não ria, Rach. Eu preciso de um banho e uma cama na horizontal. Dormi em cadeiras nos últimos três dias.”
“Porque você é teimosa, Quinn! Tinha várias maneiras de você ficar confortável.” Rachel dispara, mas não em tom de acusação. A loira apenas solta um grunhido. Ela não está de mal humor, apenas sente que seu corpo não está trabalhando muito bem.
As duas passaram muito tempo juntas quando estiveram em Lima, mas Quinn se recusou a dormir na casa de Rachel apesar da insistência, por diversos motivos. A cama de Rachel era de solteiro – maior que a de seu dormitório, mas ainda assim pequena – e não havia um quarto para convidados. Rachel decretou que não deixaria Quinn dormindo no chão por mais confortável que a loira dissesse que estava. Então sempre que o patriarca Fabray organizava algum jantar ou Quinn tivesse que fazer suas preces em uma igreja por obrigração de sua mãe, Quinn ia pra casa antes mesmo de anoitecer. Mas nas últimas três noites ela e Rachel se aventuraram em maratonas de séries e filmes na casa Berry e Quinn se recusou veemente de ficar na cama, deitada com Rachel. Ela preferiu uma poltrona não tão confortável do que fazer sua mente entrar em colapso diante das sensações de ter o calor de Rachel Berry embaixo do mesmo cobertor, com centímetros separando seus corpos.
Rachel não disse nada, mas agradecia Quinn pela atitude. A loira jamais imaginaria, mas Rachel tinha as preocupações muito parecidas com as suas.
Quinn tinha terminado seu o-que-quer-que-tenha-sido-aquilo com Olívia antes de voltar para Lima. Ela sabia que não poderia manter relações apenas sexuais com alguém que quer ter relações sexuais com algum tipo de sentimento além disso. Ela se sentia mal fazendo isso com Olívia, fora toda a dor de saber que Olívia nunca vai ser Rachel. A loira estava digerindo, bem devagar, a ideia de que Rachel agora sabia, o tempo ia passar, e nada ia mudar.
Seus sentimentos românticos por Rachel iriam desaparecer por causa disso?
Dificilmente.
A parte dela que inevitavelmente cria esperança aceita as pequenas porções de afagos ao seu coração. Quando como Rachel comenta algo que achou muito engraçado e joga seus comentários ácidos em cima, sabendo que Quinn vai entender, ou quando como ela segura Rachel em seus braços nas despedidas e na voz ao pé do ouvido dela dizendo que a ama e que espera que elas se vejam de novo amanhã.
Como se ela tivesse alguma chance de não aparecer amanhã, pelo amor de Deus.
A parte apaixonada de Quinn fica feliz cada vez que faz Rachel feliz. Tirando os percalços naturais que vão existir porque Rachel é uma garota linda, com dezoito anos e solteira na cidade de New York. Quinn sabe que ela não vai estar “feliz” desse jeito para sempre, porque assim como aconteceu com Luke, algum outro cara vai se interessar por Rachel e fazer ela perceber o quão maravilhosa ela é. E a loira não quer nem pensar na dor e desilusão que outra vez e todas as vezes que Rachel ir a encontros com outras pessoas vai trazer à ela.
No momento, Quinn apenas quer se concentrar que sua melhor amiga e ela vão passar uma semana em New York, tendo a companhia uma da outra mais do que em Lima, aproveitando tudo o que elas puderem.
Depois – New Haven, Yale, distância, Olívia, futuros namorados de Rachel – Quinn só quer pensar quando realmente acontecer.
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