Unconditionally
8 Sapatinhos?
Os dias se passaram muito rápido, eu e David estávamos perdidamente apaixonados, eu havia me acostumado com seu corpo ao meu lado da cama, eu jamais imaginei o quanto é prazeroso fazer compras ao lado do homem de sua vida, a dois dias atrás gravei como a melhor lembrança meus olhos se abrirem encontrando David tocando meus cabelos enquanto me olhava, as janelas do quarto estavam abertas a brisa suave estava jogando minhas cortinas brancas de um lado para o outro, David sorria ao me dizer um bom dia, eu não imaginei o desfecho que esse dia teria.
Completávamos cinco meses e doze dias juntos, eu estava feliz na companhia de David em uma sorveteria na calorosa tarde de domingo, David parecia uma criança, eu estava adorando a forma em que ele havia amarrado o próprio cabelo para que não encostasse no sundae, tudo estava perfeito até o momento em que percebi os olhos de David me atravessar olhando algo atrás de mim, ele estava assustado, procurei o que chamava sua atenção e quebrei meu coração, Annelise estava ali com um vestido azul que por mais que estivesse solto em seu corpo marcou perfeitamente sua barriga de um pouco mais que seis meses, percebi o corpo de David passar por mim e correr em direção a mulher que parecia querer fugir, o medo tomou conta de meu coração, o bebe continuava ali, a forma que David segurava a mão da mulher que carregava um filho seu me arrancou lagrimas, eu não podia ficar ali vendo a cena a minha frente, sem que David percebesse eu sai da sorveteria e corri até a casa que eu sabia que não me pertencia. Bolinha deitou se ao meu lado enquanto as lagrimas quebravam em minhas mãos, eu tinha certeza absoluta que eu havia perdido o homem que eu amava, meu corpo estremeceu quase em uma convulsão quando ouvi o sino da porta soar, David demorou mais do que eu havia calculado para pisar no quarto, eu estava em prantos como uma criança, ele permaneceu em pé a minha frente enquanto eu me desmanchava em minhas mãos apoiadas nos joelhos.
—Ela me disse que você sabia. —Começou ele com a voz fria e ainda assim tremula— Diga que é mentira.
Eu não conseguia responder, meu peito estava aberto, eu tinha que dizer algo ou ele me deixaria, ou ele me deixaria mesmo que eu dissesse algo então me mantive calada.
—É uma menina. —Continuou ele— Eu não tolero mentiras Ana.
—Eu não menti David, ela disse que iria tirar o bebe e eu não queria te entristecer com isso. —Gritei.
—Você me escondeu algo muito sério Ana por ciúmes, se ela realmente tivesse tirado a vida da minha filha você acha que eu te perdoaria? Você preferiu dormir ao meu lado do que me contar a coisa mais importante da minha vida! —Gritou ele— Você é uma criança mimada e egoísta, eu não posso continuar com você.
Meu desespero gritou, me vi ao chão segurando as pernas de David chorando desesperada.
—Me solte e arrume as suas coisas Ana.
—David não faz isso comigo. —Chorei— Eu te amo.
—E também não te quero trabalhando aqui.
—David por favor não faz isso comigo.
—Acabou Ana, agora vá embora. —Gritou ele.
Eu não pude me recompor, David colocou todas as minhas coisas nas malas e chamou um taxi.
—David por favor me perdoe vamos conversar, não podemos terminar assim.
—Já acabou Ana.
—Não pode ser assim vamos conversar.
—Eu não tenho que conversar com você, eu vou depositar seu dinheiro, não quero conversa alguma com você, eu não suporto olhar para sua cara.
Eu não tinha escolha, entrei no taxi com meu coração nas mãos, normalmente era o coração de David que estava em minhas mãos, eu tinha o coração do homem que eu amava em minhas mãos e o deixei cair e quebrar.
Tentei de todas as formas conversar com David, o procurei na faculdade mas ele se recusou a me ver, apanhei todos os dias quando as duas meninas me encontrava tentando forçar David a falar comigo, nos últimos dias liguei mas só caia na caixa postal, o procurei na biblioteca agora Annelise estava lá quase todos os dias com seu enorme barrigão, apenas desisti dois meses depois quando corri a procura de David e o encontrei no corredor acariciando a barriga imensa da mulher que se assustou quando percebeu minha presença, David a levou para longe quando me viu chorar.
Quando você está mal as coisas parecem não funcionar direito, eu não percebi que havia perdido cinco quilos, eu sempre fui magra mas tive a certeza que estava doente quando me olhei ao espelho totalmente sem roupa, havia um espaço entre minhas coxas, meus braços tomavam formato dos ossos assim como minhas costelas, o que me despertou a atenção foi uma pequena alteração em minha barriga, ela estava em uma forma oval pequena mas ainda assim não combinava com o resto do corpo, lentamente forcei minhas mãos a tocar a pequena barriga, senti meu corpo se arrepiar inteiro com a pequena vibração em meu ventre, com toda essa bagunça eu havia esquecido meu período de menstruação corri até a clínica mais próxima quando a suspeita pelo atraso se confirmou. Retirei uma pequena quantia para pagar o exame, David havia sido generoso em me pagar tanto pelos meus trabalhos, ou apenas sentiu pena da garota que havia sido descartada.
A tortura de se esperar uma resposta era terrível, eu estava com medo demais, meu coração estava disparado, a chama da esperança havia reacendido em meu peito. Tentei manter os pés no chão assim que o envelope da coleta de sangue estava em minhas mãos, mas eu estava certa havia uma vida dentro de mim, eu esperava um filho de David, as lagrimas cortaram minha face enquanto meus joelhos se dobravam em descanso ao chão.
Eu estava preparada para contar a David a maior alegria em minha vida, eu me arrumei tão bem quanto antes de conhece-lo, meus cabelos ondulados estavam com seu volume controlados, meu batom cereja era indispensável.
Assim que David entrou na biblioteca meu sorriso alargou se, pude ver em seus olhos que seu coração ainda batia quando me via, ele tentou desviar o olhar mas caminhei até ele.
—Preciso te contar uma coisa. —Alertei segurando sua mão.
—Ana eu não tenho nada para falar com você.
—É importante David. —Sorri.
—Pelo amor de Deus Ana, tenha amor próprio pare de correr atrás de mim como uma cadela no cio, estou cansado de você, sua voz me irrita, não tem espaço para você em minha vida tudo que me lembra você me enoja, parta pra outro cara e me esqueça, nada que venha de você me interessa. —Sorriu ele.
As palavras de David invadiram meu coração resultando em lagrimas, afinal tudo que viesse de mim não importava a ele, meu filho seria apenas meu e jamais dele, essa foi a pior decisão que tive em minha vida.
Pensei que seria difícil esquecer David, mas foi tão fácil, agora eu vivia em função ao meu filho que no quinto mês já causava movimentos deliciosos em meu corpo, eu estava começando a aumentar de peso e a barriga já apontava em minhas roupas, dei graças quando a temperatura baixou e eu podia esconder meu anjinho de olhares desnecessários, estávamos a caminho da formatura e provavelmente neste dia meu bebe seria descoberto e eu temia por isso.
O que eu mais gostei em minha gravidez foi que não me senti sozinha, nós conversávamos o tempo todo, eu estava ansiosa para ter ele em meus braços. Comprei três macacões e um cobertor azul assim que descobre que havia um menininho em meu ventre. Vendi as mobilhas de meu quarto e o decorei com um berço azul, uma poltrona branca e um armário pequeno combinando com a poltrona. A parede continuava branca, mas eu mesma decorei com adesivos de trenzinhos. Eu estava no paraíso.
Em uma tarde se sábado me vesti com um vestido azul marcando minha barriga, ele me lembrava um pouco Annelise, mas isso não me impediu de ficar ainda mais bonita que ela. Tive que sair assim na rua pela primeira vez assumindo minha gravidez o que foi fantástico, mas se não fosse pelo calor eu teria colocado meu surrado casaco, comprei um sapatinho azul bebe para Davi, tomei coragem e fui até o Café onde eu trabalhava, Luana não disfarçou o sustou ao reparar minha barriga, depois de me dar milhares de lições abaixou e agarrou minha barriga acariciando e conversando com a voz infantil.
—Como vai ser o nome do nosso príncipe? —Perguntou Luana.
—Davi.
—Davi me lembra seu amor platônico, espera, Ana não me diga que é filho do David.
—Não me lembre desse cara, escute bem Luana ele não sabe e nem vai saber do Davi, ele é meu filho somente meu.
—Ana isso é errado ele tem que saber.
—Eu tentei contar, mas como ele mesmo me disse, nada que venha de mim tem importância a ele.
—Certamente isso não se aplica ao bebe Ana.
—Eu não quero que ele saiba Luana.
—Não serei eu a contar Ana.
—Então por favor me traga o cappuccino que só você sabe fazer. —Pedi sorrindo— Estou com desejo.
—Pedido anotado mamãe. —Respondeu Luana como uma titia coruja.
Tomei meu cappuccino com uma vontade que eu nunca havia sentido antes fiquei até triste quando acabei.
Paguei minha conta, me despedi de Luana e caminhei até a saída, meus olhos chocaram se com David em pé sorrindo para a criança loira nos braços de Annelise que estava sentada na mesma mesa onde conheci David. O loiro parecia extremamente feliz com a família, meus olhos se entristeceram quando percebi que meu filho seria rejeitado e que nunca seriamos uma família como aquela, eu nem percebi quando comecei a chorar, Annelise me encarava assustada certamente havia notado o pequeno volume em meu corpo assim que seus olhos se encharcaram David me encontrou, o espanto foi notável, não esperei a próxima reação corri pela minha esquerda chegando a rua rapidamente, eu sabia que David estava atrás de mim eu podia ouvir seus passos, eu deveria ter olhado para onde estava indo, não prestei atenção em nada e atravessei a rua no momento errado só me lembro da frente do carro prata atingir a lateral de meu corpo, senti meu bebe se mexer rapidamente e eu apagar. Acordei em uma cama hospitalar toda entubada, David estava ali sentado ao meu lado com os olhos vermelhos, quando seus olhos encontraram os meus minhas mãos instintivamente seguraram minha barriga, Davi não estava mais lá.
—Eu sinto muito Ana. —Disse David entristecido.
Paralisei não pude acreditar que isso havia acontecido, meu filho havia sido tirado de mim e naquele momento poderiam ter tirado qualquer membro de meu corpo que doeria menos do que a perca do meu filho, a dor era grande demais para me arrancar o choro, olhei em minha mão esquerda e encontrei a aliança de Annelise ainda estava lá aquilo já não fazia mais sentido, nada mais me ligava a David, retirei a aliança do dedo e entreguei ao homem ao meu lado que estranhou a minha reação, eu não pude encara-lo apenas abracei meu próprio corpo e virei me ao lado oposto onde ele estava e ali permaneci chorando por quatro dias antes de receber alta.
Meus choros foram silenciosos até então, mas eu enlouqueci quando entrei em minha casa, o quarto de Davi estava lá intacto, eu não imaginei que havia acabado de envenenar meu coração, o grito de agonia chegou, despedacei em prantos e gritos ajoelhada em frente do berço com as roupinhas de Davi em meu peito, permanecia naquele chão por muito tempo antes de Luana chegar com Karina e Marcos que haviam visto o ocorrido.
Meu mundo havia acabado.

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