Unconditionally
41 On Purpose - Parte.1
Notas iniciais
"You're gone and I gotta stay
High all the time
To keep you off my mind"
Habits — Tove lo
6 Anos Depois
Eu lembrava de que quando eu era pequena a minha parte favorita do dia era quando eu voltava da escola e minha mãe e meu pai me esperavam, mas agora eu só queria passar o resto do meu dia fora de casa, mas não era como se fizesse diferença eu ficar, porque na realidade não fazia.
Wendy uma amiga minha da escola, costuma dizer que crescer é a pior coisa que um ser humano pode fazer, pois a partir dele podemos enxergar as maldades do mundo com mais clareza. Ela estava totalmente certa, ter 12 anos não havia facilitado em nada, principalmente ter pulado duas turmas e agora estar numa sala de crianças de 14, viver entre elas me fez ser mais madura do que as garotas da minha idade, ser inteligente demais também não eu conseguia entender muito bem o que mamãe fazia fora de casa, assim como entendia seu nariz sangrando múltiplas vezes.
Ás vezes as coisas eram muito pior do que pareciam porque tinha o Henry e a Meg que toda vez que eu olhava só conseguia ver o papai já que ambos tinham os olhos azuis dele e os cabelos pretos. Henry agora estava com oito anos, eu não achava que ele consegue lembrar de tudo com clareza o que deve ser uma dádiva já que eu me lembro de cada detalhe do terror que passamos e agora consigo entender com clareza tudo que acontecerá à seis anos atrás, mas com o passar dos anos ele entenderia assim como eu tanto pelo que passamos antes da morte do papai e depois da morte do papai. A Megan com certeza era a mais sortuda, não passara por todo conflito com Charlotte e Derek, não conhecera o papai para sentir a dor da morte dele e não conhecera a mamãe antes dela, mas por outro lado eu sentia pena da Megan, pois mamãe nunca havia tocado nela depois do parto ela segurara ela apenas uma vez, mas pelo que me disseram no momento em que a Meg abrira os olhos mamãe tirou ela do colo e passou o noite chorando e sussurrando o nome do papai.
Entrei em casa e passei direto pro meu quarto pegando a caixinha em que eu guardava tudo relacionado a nossa vida antiga. Abri a caixa e peguei a foto do papai quando ele ainda era um pouco mais novo, tinha um sorriso de lado a guitarra pendurada no corpo, a jaqueta de couro no corpo e os olhos azuis indo em direção a câmera, sabia muito bem que quem tirara essa foto havia sido a mamãe em algum concerto do tempo em que eles estavam na escola e pela a aparência eles deveriam estar com 17 anos e mesmo assim papai e mamãe parecia que não envelhecia, pelo menos não até Charlotte e Derek terem aparecido e a última vez que eu vi papai ele estavam com olhar cansado e um sorriso triste no rosto, e a mamãe? Se ela era considerada linda e jovem boa parte dessa beleza havia ido embora assim como a juventude.
Encarei a foto do Papai por um tempo e deixei rolar algumas lágrimas enquanto falava baixinho um pouco do meu dia, um pouco de como tudo estava melhor depois dos primeiros dois anos em que mamãe entrará em uma grave depressão, eu sabia que havia sido uma fase, assim como o álcool havia sido e as drogas também seriam.
—Olívia o almoço está pronto-minha mãe abriu a porta subitamente me fazendo esconder a foto no mesmo instante e me fazendo rezar no segundo seguinte que ela não visse, mas seus olhos já estavam no travesseiro em que eu escondera.
Droga! O que eu havia feito?
—O que é que está debaixo do travesseiro Olívia?-mamãe me encarou esperando uma resposta, mas eu não me mexi assim como me vi prendendo a respiração-Olivia Gilbert me mostre agora o que tem debaixo do travesseiro-esse era outro ponto sobre ela, nada relacionado ao Papai, nem mesmo o sobrenome dele.
Eu permaneci rígida e parada como se estivesse congelada, mas minha mãe não, ela passou por cima de mim e pegou a fotografia de Papai, ela encarou por alguns segundos e vi seus olhos marejados e eu jurei que ela finalmente me deixaria vê-la chorar, mas após um piscar de olhos sua expressão estava seria e dura.
—A jaqueta-ela sussurrou para o nada, como se nem mesmo eu estivesse lá, apenas o vazio e sua dor-Va jantar com seus irmãos, eu vou...sair um pouco-ela entregou a foto violentamente e saiu atordoada, rápida como um vulto, um fantasma.
Eu peguei a foto do Papai, assim como a foto que havíamos batido no último aniversário do Papai enfrente a casa, eu me encolhi na cama agarrei as fotos e deixei as lágrimas rolarem.
•
Ela se dirigiu correndo ao quarto sentindo a vasta dor em seu peito, odiava voltar a esse quarto, odiava dormir nele, deitar naquela cama era um inferno.
Memórias.
Memórias.
E mais Memórias.
Nos primeiros meses ainda sentia o cheiro de Damon no travesseiro, e sonhos maravilhosos ao seu lado, na manhã seguinte? Nada, apenas a dor, o vazio, a solidão e foi assim que Elena viverá os seguintes 6 anos, solitária, inconsolável.
Abriu o guarda roupa que se recusava se livrar de sua roupas e no fundo dela, a jaqueta de couro que Damon usará por toda a adolescência e até se tornar pai, um eterno jovem galã, o seu eterno bad boy, seu eterno namorado de escola.
A pos no corpo fechou os olhos e a cheirou:
"Uma noite, apenas uma noite-falou colocando o dedo sobre a boca com um sorriso maroto no rosto"
Conseguia ouvir sua voz, e as lembranças voltando:
"Está com frio?-ele sorriu tirando sua jaqueta de couro e colocando nos ombros da namorada"
Aquilo era o mais próximo que ela tinha dele:
"Você está na minha cabeça o tempo inteiro, parece que não consigo pensar em outra coisa-Damon sussurrou colocando a testa na de Elena"
Se levantou e afastando algumas roupa revelando a guitarra vermelha do amado colocou sobre o colo e tocou os acordes da primeira música que ele havia composto pra ela, os únicos acordes que ela aprendera, os únicos acordes que ele ensinara e que ela jamais esquecera.
—"Oh meus belos cabelos castanhos
Deite aqui ao meu lado
De-me seu sorriso, seu coração
E eu prometo nunca deixar-te na mão
Você tem tudo de mim
E eu tudo de você
Prometo nunca te deixar na mão" —sussurrou o refrão da música sentindo as lágrimas arderem como ácido em sua bochecha, conseguindo lembrar da voz rouca de Damon cantando para ela com seus olhos fixos nos seus.
Elena permaneceu no chão chorando agarrada com a jaqueta e a guitarra, por alguns segundos, mas não demorou muito tempo até perceber que precisava de seus vícios, mas sabia que eles tinham acabado e que seu traficante tinha saído do país, mas ela lembrava de alguém que vendia droga a ela é a Damon quando eram adolescentes e ela sabia que não aguentaria o resto da semana sóbria.
Elena saiu do castelo e entrou em seu conversível, nunca fora muito fã de carros esportes, mas queria chegar rápido e parar de ver o mundo do jeito que ele realmente era, precisava vê-lo colorido, torto e menos triste.
Lembrava-se pouco do tempo em que ela é Damon haviam usado drogas, maconha para ser exata, mas era algo tão comum na Europa como nos Estados Unidos que isso não fora choque para ninguém, pelo menos para aqueles que usavam sem sinais de vicio como os próprio Damon e Elena.
Às vezes em que fumavam sempre ouviam falar do traficante que tinha uma fazenda na Escócia, onde havia uma plantação de maconha, ela é Damon haviam ido lá algumas vezes com os colegas do internato, gravaram suas iniciais numa árvore, namoraram em um lago, fizeram amor numa rede, contaram as estrelas, planejaram o futuro, como dois adolescentes bobos de 17 anos.
Como imaginado Elena chegará um campo, um lugar no meio do nada, entre a Escócia e a Inglaterra em 5 horas, 2 horas a menos do previsto, o que provavelmente resultaria em algumas multas, mas o dinheiro era algo que nunca acabava.
Parara na frente de uma casinha envolta por uma cerca de madeira e sem delongas abrirá o portão e subirá os degraus da casa batendo na porta que depois de alguns segundos perceberá que ninguém estava em casa.
—Aqui atrás!-uma voz gritou por trás da casa e Elena a seguiu passando por cima de todo aquele mato chegando até todo o vasto campo.
—Oi eu estou procurando o Trevor, queria saber se ele ainda está vendendo...-Elena gritava enquanto caminhava e tirou os olhos de onde pisavam e se deparando com um homem que se aproximava.
—Elena?
Quando chegou perto da mesma se sentiu tonta, os mesmo cabelos pretos, os mesmo olhos azuis, só que cansados, tristes e cheios de olheiras, os braços muito mais musculosos que da última vez, e uma enorme barba que o envelhecia e o deixava quase irreconhecível se ele não fosse o amor da sua vida.
—Damon?-Elena o olhou atordoada, arregalando os olhos tentando ver muito bem o que deveria ser um sonho.
Será que já havia se drogado e não se lembrava? Que aquilo era apenas um efeito, uma alucinação? Será que ela havia sofrido um acidente e agora se encontrará com ele?
—Você é real?-isso foi a última coisa que conseguiu dizer antes de desmaiar.
"Você foi embora e eu tenho que ficar
Chapada o tempo todo
Para parar de pensar em você"
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