Unconditionally

3 After all, the night is young!


So while you're here in my arms. Let's make the most of the night. Like we're gonna die young. We're gonna die young

Eu podia ter uma visão privilegiada do que estava acontecendo no quarto do meu vizinho sexy, mal humorado e que me odiava.

Ele estava apenas com uma bermuda jeans, exibindo seus músculos perfeitos e seu peitoral bem definido... Sexy e tentador.

Ele também tinha headphones da Beats no ouvido, ele os tirava e colocava de vez em quando, deixando seus cabelos mais bagunçados e fazendo ele ficar muito mais sexy... Esse garoto era a perdição de qualquer garota!

Desliguei a playlist e continuei com os fones, observando ele andar de um lado, desaparecendo e voltando a aparecer de novo, como se estivesse procurando algo.

Por algum motivo ele parou, bufou e retirou os headphones do ouvido olhando fixamente para alguma coisa que eu não conseguia ver.

– Perdeu alguma coisa na minha cara — ele falou encaixando os fones gigantes no pescoço.

– Sério mesmo que estou vendo isso?

– Não sei, não estou com seus olhos — ele riu com sarcasmo, minha vontade também foi rir, mas me controlei.

Ele sumiu para o lado contrário em que olhava, aparecendo segundos depois com um caderno na mão.

– Já pensou em procurar um médico? Dizem que os velhos tendem a perder a visão, memória... Essas coisas.

– Não sou tão velho assim — reconheci a voz, era o pai dele.

– Claro, claro... Não sei sua idade e prefiro continuar não sabendo — Percy jogou o caderno na cama, depois de folhear ele por inteiro — Fala logo o que quer.

– Quero saber por que milagre está em casa — Posêidon falou aparecendo na porta da sacada, abaixei meus olhos rapidamente para o livro que estava encostado nas minhas pernas, por sorte aberto — Normalmente quando chego, já sumiu para aquelas festas...

– Pois é né? Justo hoje não foi ter uma festa bacana para ir — Percy falou deixando alguma coisa cair no chão, já que o barulho foi alto — Cacete viu!

A conversa deles acabou.

Olhei para cima e vi Percy pegando duas latinhas de spray no chão, novamente com o headphone no ouvido.

Ele olhou para as latinhas em sua mão e bufou, sumindo de vista e voltando a aparecer, olhando diretamente para mim.

O que eu fiz? Fiquei vermelha por dois motivos: Estava com uma camisola minúscula. Dois: Não tive tempo nem de disfarçar.

– Sabia que não é nada legal ficar bisbilhotando a vida dos outros, Chase? — ele perguntou e eu apenas me fiz de surda.

Ele revirou os olhos e retirou o headphone do ouvido, sem parar a música e ainda me encarando.

– Além de bisbilhoteira é surda?

– Está falando comigo? — falei tirando meus fones do ouvido, deixando ele com uma cara de taxo — Desculpe... Música alta acalma a mente.

– To ligado disso — ele falou cruzando os braços e avaliando meu corpo com luxúria no olhar, depois disso bufou e entrou no quarto.

Pela força que ele bateu a porta, achei que o vidro iria quebrar, não estou mentindo.

Revirei meus olhos e olhei para o livro a minha frente... Isso estava ficando patético, trancada em um quarto as onze da noite com um livro que já li até de trás para frente.

Como eu sentia falta da Silena e da Zoë! Elas sabiam me tirar do tédio.

Sorri e me levantei, olhando para baixo e sentindo uma vontade maldita de descer e ficar lá a noite inteira.

Corri para o meu closet e peguei o primeiro short que vi, um de cintura alta com sprikes nos bolsos de trás. Peguei uma que eu tinha cortado para usar com isso e calcei meus all stars.

Peguei meu celular em cima da cama bagunçada e abri a porta devagar, percebendo que tudo estava bem escuro e silencioso. Minha mãe já devia estar no seu centésimo sonho e é nessas horas que agradeço a Deus por ela tomar remédios para dormir.

Apaguei a luz do quarto e encostei a porta, dando dois passos e começando a descer os degraus de dois em dois, até colocar meus pés no corredor e caminhar rapidamente até a porta.

Peguei as minhas chaves e abri a porta, finalmente sentindo a brisa quente do verão nova-iorquino bagunçar meus cabelos e sorrir com isso.

– Talvez aqui não seja um inferno de verdade — murmurei para mim mesma, trancando a porta sem tirar os olhos de um grupo de adolescentes sentados na calçada da casa de frente a do amigo branquelo do Percy.

Mordi o meu lábio e comecei a caminhar até eles, vendo a oportunidade perfeita para me enturmar com o povo daqui.

Qual é, Annabeth! Você sempre foi boa nisso!

– Olá — sorri ao me aproximar deles, duas garotas, dois garotos e o Percy... Puta que pariu, como alguém pode ser lindo até tragando?

Tá legal, não vou mentir que ele bufou ao ouvir minha voz e murmurou algo que preferi não querer saber o que era.

– Olá, sou Bianca di Angelo — uma morena sorriu amigavelmente, com um cigarro aceso entre os dedos.

Por mais que a iluminação fosse pouca, dava para ver perfeitamente seus olhos negros brilharem, seu cabelo castanho cair em ondas pelo ombro e que seus lábios brilhavam por causa de um gloss.

– Annabeth Chase — sorri para ela, olhando para a outra menina.

Essa era bem mais selvagem. Os cabelos pretos eram compridos, lisos e repicados. Seus olhos era um azul congelante e bem marcado com uma maquiagem preta. Ela usava apenas uma camiseta comprida e preta com uma Barbie com a cabeça cheia de flechas e uma meia preta toda rasgada, fora os coturnos de couro preto.

– Thalia Grace — ela falou quando percebeu que eu a encarava.

Encarei rapidamente os meninos, Percy estava entre eles com o cigarro na boca e o headphone no ouvido.

Nenhum dos dois se apresentaram.

O moreno magrelo e branquelo se parecia com a Bianca, apesar de ter o mesmo estilo que a Thalia.

Já o outro era loiro, bronzeado e parecia ser os mais velhos de todos ali. Quando ergueu os olhos para mim, pude ver sua íris clara e azulada.

– Hei, di Angelo — Percy cutucou o braço do moreno magrelo, que o olhou com o cigarro na boca — O que acha de andar pelas ruas de NY a noite inteira?

– Nada mal, Jackson — o menino sorriu e olhou para o loiro — Vai também Apolo?

– Não... Acho que já deu tempo suficiente da Ártemis e do canalha lá se comerem não? — Apolo perguntou olhando para eles.

Thalia deu ombros enquanto apagava o cigarro com o pé, Bianca apenas amaçou o seu na grama verdinha e Percy se levantou junto com o di Angelo. Estava perdia nesse meio.

– Acho que sim — Bianca respondeu se levantando.

– Devia, na verdade, dar um tempo a sua irmã — Thalia falou pulando nas costas de Percy — Mas já, pode voltar para sua casa e ir preparando uma festa bem fodona... Preciso mexer o esqueleto e beber até esquecer que moro no Planeta Terra.

– Verdade, Apolo, e aquelas festas fodas de verão? — Bianca falou passando os braços no pescoço dele — Vamos, gatinho, se anima e prepara uma festa que ninguém irá esquecer... Nem mesmo a pobre Réia.

Percy olhou para mim, por um momento achei que ele ia rir e me deixar ali sozinha. Mas não, ele estreitou os olhos e falou:

– Vai querer ir ou a mamãe não deixa?

Todos riram disso, inclusive Apolo que deu um selinho em Bianca e depois saiu andando pela rua de pedra do condomínio.

– Minha mãe nem vai dar falta de mim — sorri jogando minhas chaves para o alto e a pegando, depois enfiando ela no bolso.

– Tanto faz — ele respondeu e olhou para o menino magrelo — Pega seu carro, Nico, ele é maior.

Bianca sorriu com o jeito que ele tinha falado, enquanto o menino se afastava em direção a garagem da casa resmungando coisas desconexas.

Thalia saiu das costas de Percy, sem antes morder o lóbulo da sua orelha e depois o seu ombro.

– Então, Chase, já conheceu nosso querido lar? — Thalia falou com um sorriso impregnado no rosto, sem tirar a aparência durona.

– Quando diz "querido" — fiz aspas com os dedos — Quer dizer chato, irritante e patético não?

– Mais ou menos isso — ela deu ombros e saiu andando em direção das luzes azuis do farol do carro no Nico.

A segui, ou segui Percy, sei lá quem eu segui, só sei que me senti uma carta fora do baralho quando entrei no carro e minha situação só piorou, já que o maldito e sensual do Percy estava ao meu lado.

Durante o caminho, a música alta e as risadas da voz desafinada de Thalia enquanto ela cantava I Kissed A Girl eram as únicas coisas que tirava o silêncio patético do carro.

Eu ria junto com eles, até que a música acabou e começou a tocar outra no lugar dela. Dessa vez Bianca e Thalia cantaram juntas I Love It e eu as acompanhei, com minha voz desafinada e rindo muito.

Thalia me olhou ainda cantando, depois deu ombros e voltou a balançar a cabeça e gritar o refrão da música. Bianca não estava nem ligando se sua voz estava desafinada, na verdade, ninguém estava se importando com isso, eles apenas riam e observavam elas, decidi não ligar e me divertir também.

– Nico, amor da minha vida, abre o teto solar? — Thalia pediu mordendo o lóbulo da orelha dele, que riu — Afinal...

– A noite é uma criança — Nico e Percy falaram em uníssono e depois riram.

– Isso ai meus amores — ela sorriu olhando para o teto e vendo o vidro preto se abrir — Agora minha loira gostosa, senta no colo do Percyto que eu vou colocar New York abaixo.

– Com sua voz de taquara rachada? Ah, vai mesmo — Percy riu pegando minha cintura e me colocando no seu colo.

– Hei seu metido, não é só por que sua voz é perfeita que precisa humilhar não é? Vai comendo a loirinha enquanto não chegamos ao paraíso — ela falou e eu corei até o último fio de cabeça, mas nem ela e muito menos Percy notaram, estavam ocupados demais cantando It's Time.

Ele no meu ouvido com a voz perfeitamente afinada e soando como veludo nos meus tímpanos e ela com a metade do corpo para fora do carro, gritando a música animadamente.

Bianca e Nico começaram a cantar também, então me ajeitei no colo do Percy de modo que podia ver o rosto de todos e sorri com aquilo, agora sentindo as mãos de Percy nas minhas coxas nuas.

–THAT IM NEVER CHANGING WHO I AM — os quarto gritaram o final da música e uma outra, mais lenta e romântica começou.

– Puta que pariu, di Angelo — Percy riu, jogando a cabeça para trás — Quanta gayzisse.

– Meu carro estava com a Bianca, chame ela de gay — ele riu, mudando a e colocando outra, mais animada.

Demorou um pouco para reconhecer a música, na verdade, demorou quase a música inteira para descobrir com a Thalia e a Bianca cantando desafinadamente e alto demais.

Last Friday Night era sem duvida, uma música bem animada e interessante para se ouvir de madrugada enquanto andamos pelas ruas movimentadas de New York.

– Já passou da meia noite e aqui ainda está cheio... Lojas abertas e pessoas andando normalmente como se fosse duas da tarde... Isso é normal? — perguntei baixinho no ouvido do Percy, que revirou os olhos e sorriu, com lindas covinhas se formando e seus olhos verde mar brilhando por causa das luzes da cidade.

– Nunca ouviu falar que New York é a cidade que nunca dorme? — ele respondeu no mesmo tom em meu ouvido.

Eu sorri, talvez por que era a primeira vez em três dias que ele não me dava um pontapé ou talvez por que era bom demais ver ele sorrindo e animado, já que, normalmente eu sempre pego ele mal humorado.

Mas talvez, ele só estivesse falando desse jeito comigo por que tinha outras pessoas aqui e por que essas pessoas eram bem legais e animadas.

– Ok, di Angelo — Thalia falou se sentando de novo — Vamos abalar no Central Park.

– Preferia a praia — Percy deu ombros e Nico riu, junto com Bianca.

– Vai começar de novo — Bianca cantarolou sorrindo e se virando para trás.

– Começar de novo o que? Nós vamos ao Central Park e fim de papo, falei primeiro aonde o pirralho deveria parar.

– Quem se importa? Da última vez fomos aonde você queria — Percy arqueou a sombrance com um sorriso sarcástico estampado no rosto.

– Eu que mando nessa porra aqui! Sou eu que estou de meia e camiseta nessa porra! Sou eu que estou mandando o Nico parar no Central Park! — ela falou aproximando o seu rosto ao do Percy, que ainda sorria.

– Bem... Se o problema for sua camiseta — ele desviou os olhos rapidamente e depois sorriu de novo — Annabeth ou Bianca também podem ficar de camiseta, ou eu simplesmente tiro a sua.

– Ui — ela mordeu o lábio de forma safada, eu ri com isso e comecei a me levantar do colo de Percy, que apertou minha cintura e me sentou de novo — Não acredito, Jackson! Vai fazer isso comigo? Vai me deixar exitada e depois vai sorri desse jeito como se não quisesse nada? Meu Deus, você tem certeza que não é gay?

– Tenho — ele falou virando o rosto — Quem sabe a próxima, Grace.

Me lembrei no que Nancy tinha me dito a dias atrás, sobre ele ser completamente irrelevante as meninas daquele condomínio.

– Vocês não são primos? — perguntei olhando para os dois.

– Sim — Thalia sorriu e depois olhou para Percy de novo — Mas não ligamos para essa baboseira de paternidade... Levamos as coisas como se fossemos amigos e não tivéssemos o sangue Olympus correndo nas veias.

Concordei com a cabeça no mesmo momento que o carro fez uma curva e entramos em uma área mais escura e com muitas curvas, quando digo muitas, quero dizer muitas mesmo!

Pensei sobre o quê Thalia falou, me lembrando sobre como Posêidon tinha se apresentado... Posêidon Jackson... Percy Jackson...

– Parentes por parte de mãe?

– Não, por parte de pai mesmo — Percy respondeu revirando os olhos.

– Seu pai se apresentou como Jackson.

– Ele as vezes esquece que se separou da minha mãe a muitos anos atrás — ele revirou os olhos novamente — Sabe como são os velhos.

– Percy...

– Cale a boca, Nico — ele respondeu fechando os olhos e tudo ficando em silêncio entre eles, quer dizer, o rádio ainda tocava, só que dessa vez era rock.

Suspirei e comecei a mexer com os fiozinhos desfiados da barra da minha blusa, já que eu mesma cortei. Eu tinha essa mania de cortar todas minhas roupas, principalmente minhas blusas e calças, deixando as blusas com dois dedos abaixo dos seios e as calças com vários cortes... Quando não fazia elas virarem um short mega curto.

Percy começou a cantarolar bem baixinho e eu o olhei. Sua expressão era tão calma e serena, que se ele não estivesse cantando, diria que ele estava dormindo tranquilamente.

Resisti a tentação de acariciar seu rosto e de passar os dedos sobre aqueles lábios vermelhos e totalmente convidativos. Apertei os olhos e me sentei ao seu lado, contra meu próprio gosto ou vontade, e o ouvi murmurar a letra de uma música desconhecida por mim.

Thalia começou a reclamar que sua bunda ia ficar quadrada se ela ficasse mais um segundo sentada e também pediu para Nico acelerar o carro e chegar logo a praia, mas o moreno apenas revirou os olhos e começou a bater os dedos no volante, no ritmo da música que tocava.

Bianca tirou a blusa e ficou a girando no dedo enquanto cantava Burn, batendo os pés no painel no mesmo ritmo da música, fazendo Thalia revirar os olhos e encostar a cabeça na janela.

– Ainda tem vodca aqui? — Percy falou pela primeira vez depois de minutos, sério de novo.

– Não sei — Nico olhou para ele rapidamente — Vê ai Bianca.

Bianca começou o procurar pela bebida, Percy fechou os olhos de novo e colocou os mãos na nuca, totalmente relaxado.

– Tem! — Bianca deu um pulo e levantou duas garrafas — Só duas, mas tem.

Nico parou o carro e Percy foi o primeiro a descer, tirando as garrafas da mão da Bianca antes disso.

Eu como boa carta fora do baralho segui eles até a praia e fiquei observando eles beberem e conversarem sobre coisas amenas, não mê importando com as horas e rindo de algumas piadas sem graça da Thalia ou da Bianca... Elas eram boas colegas, eram loucas e não ligavam para nada.

Suspirei com um sorriso e me deitei na areia branca e macia, pensando em como as coisas aqui eram completamente diferentes das coisas em San Francisco. O ar era mais pesado na cidade e aqui na praia a brisa era bem mais gélida — não o suficiente para me fazer tremer — e reconfortante, o cheiro da maresia e o barulho das ondas quebrando era simplesmente incomparáveis a qualquer coisa parecia com isso em San Francisco... Mas eu ainda sentia falta da minha verdadeira casa.

Thalia começou a cantar e pular em volta de nós, provavelmente já estava bêbada.

Notas finais
Nossa kkk eu tinha escrito um capítulo parecido com esse de madrugada, só que estava meio sem graça então eu escrevi ele de novo agora de tarde e gostei de como ele ficou... Tá gigante! Heuheuheu. Pois bem, se quiserem me dar uma recomendação como presente de Natal eu aceito ok? Seus dedos não vão cair por causa disso e bem, já vou deixar avisado, eu tenho pensamento bem forte, normalmente quando penso em alguma coisa ela acontece e sim, isso é uma ameaça caso não comentarem u.u Não queiram saber o que pode acontecer u.u Bem a Demi deseja a vocês um Feliz Natal e um Prospero Ano Novo, todo aquele clichê de fim de ano sabe? Beijinhos ♥