Uncommon Love
5 Caroline tem razão
Notas iniciais

Não preciso dizer que tio Damon me fez pirar. Não pela noite, que havia, sem duvidas, sido a melhor da minha vida, mais pelo que ele fez na manhã seguinte. Não, ele não fingiu que nada tivesse acontecido. Ele simplesmente fez suas malas e foi embora, sem me avisar, sem me acordar... Deixou um bilhete na bancada da cozinha que eu li quando procurei por ele ao meio dia.
“Elena, voltei para Nova York. Você pode aproveitar a praia, comer algo em um restaurante, deixei dinheiro para você e dispensei a empregada, ela voltará amanhã e você pode ficar quanto tempo quiser, mais eu não posso lidar com você agora, depois do que eu fiz. Preciso pensar.”
Olhei pela janela pensando no que fazer. O mar estava calmo, fazia uma linda manhã de sol, mais nem essa paisagem fez eu me acalmar. Eu estava com raiva. Talvez porque eu esperasse ter uma conversa com ele sobre ontem a noite, talvez eu esperasse curtir aquela praia com ele ou talvez, simplesmente eu quisesse ver seu sorriso. Liguei para Danny.
– Oi – ele falou do outro lado da linha.
– Compra uma passagem de volta pra mim no próximo voo para Nova York.
– Ok – ele disse um pouco surpreso – Eu compro. Mais porque já querem voltar?
– Como assim, querem voltar? – perguntei surpresa – Damon não chegou em casa?
– Não... Ele não está ai com você?
– Não. Na verdade aconteceu uma coisa e ele foi embora pela manhã. Pensei que estivesse ai.
– Não, mais deveria estar.
– Olha, não me interessa – falei ríspida – Só quero poder viajar o mais rápido possível.
– Arrume as malas e peça um taxi. Vou te por no próximo voo.
– Ok.
Quando Danny desligou, minha cabeça fixou no que ele havia dito, mais... Se Damon não estava em casa, onde estaria?
(...)
Não sei onde estava minha cabeça quando transei com Elena. Eu tava ficando louco? Aquilo era maluquice! Droga, que espécie de tio eu era?
Então, a única coisa que me veio na cabeça foi voltar para Nova York, eu queria retomar meus processos e trabalhar exaustivamente. Então quando cheguei, liguei para Nathan que se recusou a me devolver os meus trabalhos.
– Eu não to afim de pegar um processo da Caroline...
– O que? – perguntei sem realmente acreditar no que ela estava falando – Ta brincando com a minha cara, Nathan?
– Cara, eu fiz uma negociação – ele respondeu – A única pessoa que pode me ligar para desfazer é a Caroline. Sinto muito.
– Nathan, eu vou te demitir!
– Diz para a Caroline me ligar – e desligou. Tive vontade de jogar o telefone contra a parede, mais me controlei. Segui para o hospital onde Caroline estava.
Respondi um questionário antes de me falarem seu quarto. Ela sorriu sem acreditar que eu estava ali.
– Mais eu pensei que você estava...
– Voltei, Carr – disse lhe dando um beijo na testa – Como está?
– Vou ter alta a tarde.
– Mais Danny disse...
– Eu não estou mal, Damon – ela balançou a cabeça. Danny e esse médico erraram feio!
– Você é dura na queda...
– Eu só tive intoxicação... Que aliás, foi sua sobrinha que causou. Você a trouxe de volta?
– Não. Elena ficou para passar mais um dia ou dois.
– Ah... Então podemos pelo menos jantar fora?
– Podemos – concordei com a cabeça. Eu gostava de Carr, por isso a namorava...
Caroline era esperta, astuta, viva! Era linda, uma mulher bem sucedida que fazia tudo por mim. Como eu pude me deixar levar por Elena? Definitivamente não aconteceria mais. Eu, Damon Salvatore, tinha que fazer de Elena, uma mulher responsável, era para isso que ela estava ali e era assim que eu pensava.
(...)
Cheguei em Nova York por volta das três horas da tarde. Danny foi me buscar no aeroporto. Ele estava feliz por minha volta, mais seu semblante era triste ao mesmo tempo. Eu não entendia a princípio.
– Que bom que está bem – ele me abraçou. Estava com seus curativos no pescoço e eu me senti culpada por isso.
– Tio Damon esta em casa? – perguntei. Ele fez uma careta e balançou a cabeça negativamente.
– Não...
– Ele ligou?
– Não...
– Desculpe... Como você está? O pescoço está melhor?
– Sim, ainda dolorido, nem dormi direito a noite.
– Sinto muito.
Quando chegamos no apartamento, Damon estava de saída. Ele estava surpreso em me ver.
– Pensei que...
– Vou sair essa noite – disse e segui para meu quarto, sem o olhar realmente.
(...)
Elena havia retornado e me pego de surpresa. Quando ela passou por mim, Danny me olhou confuso.
– Ela me pediu para que comprasse sua passagem e a fosse buscar.
– Sem problemas, cara – respondi – Vou jantar com Caroline, ela já deve ter tido alta.
– Pensei que ela só sairia amanhã ou depois.
– Parece que o problema dela não era tão sério. Você vai sair com a Elena?
– Não. Sobre a Elena, Damon...
– Não vou te cobrar nada a respeito da Elena – o interrompi – Você é jovem, ela é bonita. Se ela quiser sair com você, eu não vou me meter. Você é responsável, Danny e eu confio em você. Desculpe pelo pescoço – Ele assentiu.
– Damon, eu não vou sair com a Elena – disse – Eu não vou sair com a sobrinha menor de idade do meu melhor amigo.
Valeu, Danny. Obrigado por piorar as coisas... Tudo que eu queria era afastar esse pensamento e ele o trouxe de volta... Sobrinha menor de idade.
Sai em direção a casa de Caroline. Ela já deveria estar pronta, porém meu animo diminuiu significativamente. A levei a seu restaurante preferido e também o mais caro da cidade e transei com ela depois em meu apartamento.
(...)
Danny decidira que não rolaria mais nada entre nós dois. Então peguei com ele o numero de Matt e o liguei. Damon não havia voltado para casa e aparentemente, o que aconteceu não significava muito para ele. Então eu decidi que significaria muito menos para mim.
– Quer sair? Comigo? – ele perguntou.
– Claro. Estou te ligando pra isso! – falei revirando os olhos – Pode me pegar as 20 horas?
– Daqui com meia hora, Elena?
– Pode passar agora se quiser. Já estou pronta – e desliguei. Na verdade não sabia exatamente porque estava fazendo isso. Mais eu era Elena, e eu provocava.
– Vai mesmo sair? – Danny me perguntou quando eu sentei ao seu lado no sofá.
– Vou sair com o Matt – Ele não respondeu. Ficamos em silêncio até Matt dá um toque para meu celular.
Matt era divertido, mais certinho demais. Fomos a uma boate e o cara nem se mexeu direito. Se fosse a um ano atrás, eu o deixaria ali mesmo e sairia com outro, mais eu não o fiz. Talvez a áurea do advogado Damon tivesse agindo sobre mim ou talvez eu só quisesse transar com Matt, um jogador gostoso. E foi o que eu fiz. Matt tomou umas doses de cachaça que eu empurrei nele e consegui o arrastar para um motel ali perto. Transamos por umas 3 horas, foi bom mais nada comparado a noite anterior. Nada comparado ao que tinha sido transar com Damon. Eu queria transar com Damon.
(...)
Levei Caroline para o apartamento. Pensei que Elena já estivesse dormindo quando chegamos. Danny estava. Por isso estávamos mais a vontade na cozinha. Estava preparando um suco. Carr estava de calcinha e uma camiseta minha, eu usava uma calça de moletom.
– Chegando tarde, menina... – Elena parou na entrada da cozinha. Estava sobressaltada com o que via.
– De nada lhe interessa a hora que chego em casa – Elena passou por nós indo direto para a geladeira, retirou a garrafa de água, encheu um copo e bebeu. Depois seguiu para seu quarto sem dizer mais nada.
– Você tem que por limites nessa garota – ela tomou o copo de suco que eu dei na sua mão.
– Deixa ela Caroline.
– Deixar ela? Que tipo de tutor você é?
– Eu não sou tutor. Ela está aqui para passar um tempo.
– Você é tutor sim – ela olhou em meus olhos – Ela é menor de idade e está sobre sua responsabilidade – ela ainda me encarava – Nem parece que é advogado.
– Ok, Carr. Eu sou tutor – disse erguendo os braços – Mais eu nem conheço ela direito, deixa ela se adaptar a nossa rotina, escolher a faculdade que ela quer cursar, eu não vou repreendê-la, não agora.
– Você sabe onde ela estava?
– Não – Ela ironizou – Escuta, Caroline, a Elena tem 17 anos, os pais dela morreram quando ela era uma menininha e levaram ela da única família que conhecia. A Elena viajou e foi jogada em colégios internos, eu não sei porque. Mais eu quero descobrir, eu quero que ela me conte, que tenha confiança em mim.
– Damon, passam de meia noite. Essa menina não deveria estar na rua até esse horário. Eu ainda nem entendi porque vocês voltaram hoje. Eu aluguei um chalé caríssimo para um fim de semana romântico, o Nathan deve estar trabalhando até agora e nós nem aproveitamos nada porque essa garota envenenou meu suco.
– Não acuse sem provas...
– Damon, eu não comi nada estragado!
– Eu pago as despesas com o chalé e a viajem. Eu pago.
– Não entende que o problema não é dinheiro? O problema é essa garota!
– A Elena não é problema, Carr! – Gritei. Caroline se calou instantaneamente. Balanço a cabeça e seguiu para o quarto. Eu a segui. Quando entrei ela vestia sua calça comprida, não falei nada. Quando trocou a blusa, ela me olhou séria novamente.
– A Elena não é problema, Damon? Você atacou seu melhor amigo, o pescoço dele esta todo roxo. Nathan e Matt babam por ela, ela seduziu o Danny. Ela me envenenou com algum remédio, ta provocando uma discussão entre nós dois. Essa garota não estuda e sai sem dizer com quem e nem pra onde vai, Damon! Quem mais ela vai seduzir? Você?
Odeio admitir, mais as palavras de Caroline me atingiram. Caroline falava a verdade e o pior de tudo, Elena tinha me seduzido. Não sei bem se seduzir era a palavra certa, mais eu tínhamos transado. Minha oratória sempre fora ótima e a minha capacidade de raciocinar me fazia encontrar palavras certas nas minhas discussões, audiências, mais naquela hora, eu não soube o que responder a Caroline. Ela me deu as costas e saiu, me deixando ali, absorto em meus pensamentos. Ela tinha razão. Eu tinha que conversar com Elena.
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