Notas iniciais
Lembrando que Urze é uma cidade fictícia.

Verge e Zhaeri já estavam andando fazia uns 20 minutos. Para a sorte deles, fazia tempo nublado e chuviscava. A previsão do tempo apontava que o tempo estaria assim nas próximas duas semanas. Tempo suficiente para que pudessem investigar e conseguir mais informações.

Caminhavam em silêncio. Zhaeri já fora uma pessoa que gostava de conversar e contar casos, porém de uns tempos para cá andava muito calada e inexpressiva. Só falava quando era necessário. Foi sua ideia causar um defeito no carro e chegarem na cidade com o pretexto de que o carro havia quebrado.

Verge tentou puxar assunto.

– Qual o plano depois que chegarmos?

– Está tarde, vamos procurar algum lugar para ficar. Se dermos sorte, terá uma pousada para ficarmos. Amanhã, ao procurar algum mecânico, começamos a entrosar com as pessoas. O defeito do carro é algo difícil de ser consertado, o que nos dá alguns dias para ficar lá sob essa desculpa.

– Ótimo.

Mais alguns minutos de silêncio.

– Zhaeri?

– Sim?

– Você está bem? Quando eu digo, bem... Eu digo, bem... Bem. Entende?

– Sim. Entendo e estou bem. Eu já me acostumei.

Outros minutos constrangedores de silêncio.

– E o seu pai? – Tentou Verge.

– Hn... – Zhaeri pensou por alguns segundos. – Eu já não tenho muito contato com ele mesmo. Talvez eu peça alguma sugestão para o homem do distrito.

E mais outros e outros minutos extremamente desconfortáveis e constrangedores de silêncio.

– O que você acha de nós...

Zhaeri interrompeu o que Verge iria dizer.

– Estamos chegando. Está com as lentes?

– Sim. – disse, tirando o estojo e entregando-o – O homem do distrito disse que elas são mais resistentes e duram cerca de 6 horas. Depois desse tempo, elas derretem e se tornam inutilizáveis. Então eu trouxe alguns pares, mas estão na mala.

– Certo. Está com nossas identidades falsas?

– Sim. Estão comigo. Eu sou Anthony Havok e você é Kiera Havok. Somos irmãos ok?

– Ok. – Zhaeri confirmou, assim que terminou de colocar as lentes.

– E, nós viemos de...

Antes que pudesse terminar, uma voz ao longe gritou:

– Opa! Vocês aí.

Zhaeri e Verge pararam se viraram. Um lenhador, segurando um machado pesado se aproximava ao longe deles. Não demorou muito para serem alcançados.

– Quem são vocês? – perguntou o lenhador, ligeiramente hostil.

– Meu nome é Anthony e essa é minha irmã Kiera. Nosso carro quebrou agora a pouco, e não temos seguro. Estávamos procurando algum lugar para pedir ajuda.

– Ah! – exclamou o lenhador – Então, aquele carro é de vocês. Andaram um bocado, não?

– Pois é. Como você se chama? – Verge dialogava enquanto Zhaeri permanecia em silêncio.

– Eu sou Frederick. E sinto dizer para vocês: O único mecânico daqui da cidade viajou, e só volta daqui alguns dias. Bem, a menos que vocês não tenham algum compromisso, podem esperar por aqui.

Verge poderia não ter notado, mas Zhaeri notou um tom estranho de voz, e uma ligeira mudança de expressão quando o homem os convidou para ficar na cidade.

– Ah. – Verge continuava a conversa – Nós somos de Olímpia.

– Oh! Não conheço, mas já vi fotos. É um lugar muito bonito! Aqui em Urze também temos lugares lindo para visitar. Talvez, seja um sinal que vocês poderiam tirar umas férias!

Zhaeri tentou um sorriso. Alguma coisa naquele discurso do lenhador estava... Estranha.

– Sabe de algum lugar que possamos ficar para esperar o mecânico?

Frederick abriu um sorriso cheio de dentes.

– Sim! A pousada da Sra. Ciara é aconchegante e perfeita para receber turistas! Vocês vão adorar. Eu vou leva-los até lá.

Verge e Frederick foram andando e conversando sobre as belezas das cidades e dos pontos turísticos de Urze. Zhaeri continuava calada. Conferiu o celular no bolso: Sem sinal. O que era mais estranho ainda, pois quando pararam o carro, ainda havia sinal. E aquilo não era bom. Como ela entraria em contato com o Homem do Distrito sem sair da cidade?

A entrada da cidade era o centro, e onde se aglomerava os negócios. As ruas eram pouco movimentadas e o número máximo de andares de um prédio era dois. Tinha lojinhas de roupas, mercadinhos, lojinhas de livros e badulaques e contrastando com isso tudo uma enorme e gigante mansão, imponente à distância. A impressão que dava era que toda a cidade parecia um feudo, com o castelo no centro e as casinhas em volta.

Zhaeri e Verge prestavam atenção aos detalhes. Mais pessoas curiosas vieram recepcioná-los e conversar com eles. Frederick conduziu eles à uma casa larga, de dois andares e muitas janelas.

Entraram. O ambiente interno era rústico com alguns toques medievais e remetendo à uma taverna. De fato, era caloroso e aconchegante, contrastando com o clima frio e úmido do lado de fora.

– Ciara! – disse Frederick – Você tem hospedes!

Uma mulher baixinha e parruda, usando um avental impecavelmente limpo saiu de trás das cortinas que cobriam um arco.

– Oh, bem vindos, bem vindos! Como vocês se chamam?

Verge fez as devidas apresentações.

– Ah sim! Vou separar um quarto com duas camas para vocês; Estamos com outros hóspedes, por isso estamos sem quartos.

– Eu preciso voltar para o carro e buscar as malas. – disse Verge, imaginando que apesar da força recém adquirida de Zhaeri, teria que buscar sozinho.

– Ah, não se preocupe! – disse Frederick – Vamos até o Lincoln, do reboque. Ele nos leva lá e traz o seu carro para cá.

E assim, Zhaeri e Verge se separaram. Ele foi buscar o carro e ela subiu para o quarto que havia alugado.

A vampira entrou no quarto, trancou a porta e fechou as cortinas. Como a recepção, o quarto era rústico e aconchegante. Tinha um banheiro próprio, com uma banheira desgastada.

Zhaeri estava preocupada com Verge. Ela sabia que agora sua pele era impenetrável, além de quê, agora ela era mais ágil e rápida. Porém, não sabia se conseguiria garantir a segurança de Verge.

Respirou fundo. Ele era experiente. Precisava confiar no parceiro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.