Notas iniciais
Faleceu hoje a filha do nosso saudoso Vinícius de Moraes. Suzana de Moraes foi casada durante 26 anos com a cantora Adriana Calcanhotto e o momento não seria mais propício para prestar-lhes uma singela homenagem, por isso, segue a canção: Entre por essa porta agora E diga que me adora Você tem meia hora Pra mudar a minha vida Vem, vambora Que o que você demora É o que o tempo leva Ainda tem o seu perfume pela casa Ainda tem você na sala Por que meu coração dispara Quando tem o seu cheiro Dentro de um livro "Dentro da noite veloz" Ainda tem o seu perfume pela casa Ainda tem você na sala Porque meu coração dispara Quando tem o seu cheiro Dentro de um livro "Na cinza das horas" A. C.

Marina estava uma pilha de nervos com a expectativa de receber, pela primeira vez, a família Fernandes na casa que em breve seria deles: Dela, Clara e Ivan. No entanto, quando a grande noite chegou foi reconfortante poder se apoiar na figura do pai. Este fora o primeiro a chegar, assim ela, a noiva, Vanessa e Flavinha distraíram-se entre conversas e drinks enquanto aguardavam os outros convidados o que fez com que a apreensão se dispersasse. Por isso, a fotógrafa estava completamente relaxada quando Chica e Ricardo acompanhados por Gisele e o namorado Murilo chegaram e em seguida a eles foram chegando todos os outros um a um. Os últimos foram Cadu e Verônica trazendo Ivan que passara o dia no bistrô com o pai.

A reunião de família fora agradável e apesar de todo o nervosismo sentido pela fotógrafa durante toda a semana que precedera a mesma, no final das contas ela se saiu muito bem como anfitriã. Seu pai, Diôgo também não deixou a desejar, como lhe era intrínseco o jeito expansivo de ser foi fácil para ele se relacionar mais intimamente com a família de Clara que era extremamente receptiva. Com isso a fotógrafa sentia que a cada um daqueles encontros os laços entre todos os que estavam ali presentes se estreitavam mais o que era muito, muito bom.

Durante o jantar que ambas resolverem por ser o mais informal possível houveram muitos risos, principalmente, em reação as histórias contadas por Diôgo e pelos comentários de Felipe, este sofrendo a cada um deles uma falsa repreensão da mãe ou das irmãs o que gerava mais risadas.

O único que não conseguiu se soltar foi Cadu, também pudera, apesar de tanto ele quanto Clara terem seguido em frente, era de fato estranho vê-la ali celebrando e comemorando a futura união com outra pessoa e a ex percebia isso, porém compreendia que a posição dele realmente era delicada. “Com o tempo ele se acostuma” ela pensava. Contudo, e apesar do deslocamento, o homem não pôde deixar de reconhecer o quanto as duas eram unidas, como elas se entendiam sem precisar de palavras, como se procuravam com o olhar quando estavam distantes uma da outra e no quanto havia felicidade ali, felicidade essa que seria compartilhada com seu filho e isso para ele fazia toda a diferença. Definitivamente seu filho cresceria em um ambiente saudável onde o amor podia ser captado no ar o que, por consequência, acabou chamou-lhe a atenção para o orgulho que ele sentia da ex. Pela mãe que era, pela disposição que tinha em buscar a felicidade apesar de quaisquer obstáculos. Era esse o valor que Clara tinha para passar para o filho deles e ele apoiava completamente com isso.

_Bom, — Diôgo chamou a atenção para si tirando o chef de seus pensamentos. — eu como pai orgulhoso queria dizer algumas palavras. — Pausou enquanto todos se viravam para ele esperando o tinha a dizer. — Como a maioria aqui já deve saber faz anos que eu não tenho sido assim, digamos que, muito presente na vida da minha filha. Muito por minha causa é claro, mas também por causa dela que nunca parava em lugar nenhum e também não era muito fã de atender as minhas ligações — olhou para filha demonstrando uma falsa censura. — Mas, tudo bem, todo mundo sabe como são os jovens. Então, por esse pouco que eu falei vocês podem imaginar a minha surpresa nessa última visita ao encontrá-la tão – pausou procurando as palavras – tão diferente. A minha filhinha tão mimada, por mim eu reconheço – ressaltou – cresceu, se tornou uma mulher e então eu descubro que ela vai se casar, olha só que maravilha! — Nesse momento todos riram pela maneira com que Diôgo se expressou – Eu não poderia estar mais orgulhoso. Eu infelizmente só tive o prazer de conhecer a minha futura nora há poucos dias. Mesmo assim, deu pra notar, principalmente no jantar que tivemos essa semana que é uma pessoa maravilhosa que finalmente colocou a Marina nos eixos. – Mais uma vez todos gargalharam — Por isso, eu queria propor um brinde em agradecimento. Agradeço à Clarinha por ser responsável pela pessoa em que minha filha tem se transformado, por conseguiu fazer o que eu não consegui. – Riu e foi acompanhado pelos outros. – Agora falando sério – falou olhando para Clara ao lado da noiva e levantando ao alto a taça do vinho que fora servido após a refeição – eu agradeço não só pelo bem que você faz a minha filha, mas, principalmente, pela felicidade que você tem proporcionado a ela e dizer que eu sei que vai continuar proporcionando na vida, juntas, que vocês escolheram viver daqui pra frente.

Todos brindavam a uma Clara que se desmanchava com as palavras do futuro sogro quando sua mãe se manifestou a fim de também fazer uma declaração, assim agora todos viraram-se para Chica.

_ Já que o pai da noiva falou acho que eu como mãe da outra noiva também devo falar alguma coisa, né? — Todos concordaram. — Eu não quero falar de sexualidade aqui porque decidi que definitivamente isso não é importante. O importante é o amor e esse eu tenho certeza que não vai faltar a vocês, meus amores. Você Marina, foi responsável por uma mudança muito grande na vida da minha filha. Ela, assim como você, se transformou – pausou – muito, de uma forma positiva, e talvez seja disso que os relacionamentos se tratam, ou que deveriam se tratar, de duas pessoas diferentes que com amor se transformam absorvendo para si o que de melhor tem no outro, compartilhando, somando. Por isso, do mesmo jeito que o seu pai agradeceu à minha filha eu agradeço a você pelo o que tem divido com ela, pelo que a tem ensinado e por tudo o que ainda vai dividir e ensinar. Só que eu não quero brindar apenas a isso. Quero brindar a vocês, à vida que vão construir juntas e desejar a vocês toda – pausou emocionada – toda felicidade do mundo. À felicidade! — Terminou e levantou a própria taça ao que todos acompanharam repetindo as últimas palavras:

_ À felicidade!.

**

Clara estava em frente ao espelho penteando os cabelos e Marina se aproximou dela abraçado-a por trás.

_Tá feliz? — Marina perguntou olhando o rosto da outra refletido no espelho.

Clara abriu um sorriso iluminado antes de responder.

_Mais feliz impossível, e você? Porque ainda dá tempo de desistir, sabe...

_ Não me tenta. Porque até agora eu não acredito que você me convenceu a fazer isso.

_O que? Casar?

_Não! A cerimônia de casamento...

Clara riu de forma sapeca.

_ Eu sei você deve tá em pânico, né? Mas, é muito importante pra mim e vai ser lindo, Marina. Vai ser lindo...

E a fotógrafa apesar de sempre ter sido avessa a qualquer forma de tradicionalismo sabia que seria. Realmente seria.

**

Em um outro dia, Vanessa encontrou a fotógrafa inquieta sozinha no estúdio, sentando-se para bater papo com ela notou uma peculiaridade no rosto da outra.

_ Tá vermelha assim por quê? Nervosismo por causa do casamento? Olha que ainda dá tempo de fugir, hein. — Terminou com o cinismo que lhe era habitual.

_ Rárá. Muito engraçado.

_ Tá. Tudo bem eu sei que você não quer fugir mas me conta que, que tá pegando?

_ Ah, é que eu tô – pausou pensando se devia contar a amiga o problema que vinha enfrentando.

_ Fala, Marina!

_ A Clara quis que a gente ficasse sem certas intimidades, se é que você me entende, até a lua de mel, é isso. — Terminou corando, pois, sabia o que o acordo pareceria aos olhos da amiga.

E a reação de Vanessa não foi diferente da esperada. A ruiva gargalhou de modo que quase chegou a engasgar.

_ C tá brincando. Só pode! — Manifestou ao mesmo tempo em que continuava rindo.

_ É, pode rir. Fica ai rindo. Grande amiga você.

_ Ai Marina, desculpa, mas... — pausou ainda rindo – quantos anos vocês duas têm? Eu nunca vi um “acordo” mais sem pé nem cabeça parece coisa de adolescente.

_É, eu ando me sentindo meio adolescente ultimamente. Mas, quem disse que isso é ruim? Minha adolescência foi muito precoce mesmo, talvez seja bom voltar e viver parte da glória de ser adolescente. — Terminou irônica.

_ Se acha bom, tá vermelha assim por quê?

_Porque meu corpo não pensa da mesma forma que a minha cabeça Só por isso.

E a ruiva caiu na gargalhada de novo.

_Eu não sei o que eu faço, vou ficar louca. — Marina desabafou mesmo com a ruiva ainda rindo descontrolada.

_Imagino, ainda mais conhecendo você não sei como conseguiu até agora.

_ Nem eu. Não posso ficar sozinha porque toda hora que fico não consigo pensar em outra coisa. Quer dizer, pensando bem nos últimos dias mesmo quando não tô sozinha não tô conseguindo segurar a onda.

_ Se quiser, eu posso te ajudar. — Vanessa insinuou.

Marina olhou-a incrédula, desacreditando que a ruiva ainda continuasse com essas ideias na cabeça. Então, a outra caiu na gargalhada pela terceira vez.

_ Eu tô brincando, sua louca. Tirando onda com a sua cara

Marina relaxou e aproveitando o ensejo elas conversaram sobre Clara, sobre Flavinha e a cada dia a amizade antiga voltava mais para o lugar.

**

O mês seguiu complicado sem as aventuras sexuais. Para ambas pareceram séculos, no entanto os passeios, sozinhas e com Ivan, os encontros com a família de Clara e os preparativos para o casamento fizeram com que elas se sentissem ainda mais próximas e unidas, desfrutando de coisas simples do dia-dia e, afinal de contas, é delas que a vida é feita.

Em uma oportunidade elas curtiram um final de semana no chalé em que Marina levou Clara no começo logo quando se conheceram. Ali admiraram as plantas, a paisagem, divertiram-se cozinhando.

Em outra, foram juntas a São Paulo resolver questões sobre a galeria de arte e da capital fizeram uma breve visita ao litoral que Clara não conhecia, mais especificamente, Maresias e Ilha Bella. Um passeio que ficaria marcado para sempre na memória das duas e do filho de Clara que foi junto.

Nesse tempo também aproveitaram para reorganizar a agenda de modo que pudessem viajar sem problemas. Essa foi a tarefa mais difícil já que depois da exposição o estúdio de Marina tornou-se o mais requisitado do país. Ou ao menos era isso que os jornais diziam. Porém, a fotógrafa estava disposta a abrir mão desse momento profissional para se casarem com a mulher que amava. Até porque não organizara aquela exposição por ascensão profissional sendo que esta ela já tinha.

Além disso, Clara também teve que ir a escola do filho comunicar-lhes sobre o casamento e deixá-los de sobre aviso caso notassem algo estranho em Ivan durante o período que ela estivesse viajando. Como mãe, ela se preocupava com a possibilidade do filho sentir a sua falta e que isso o prejudicasse nos estudos.

**

_Ai, tô exausta! — Clara falou após um dia cheio e de poder enfim se jogar na cama.

Marina riu.

_Eu também. Não sabia que casar dava tanto trabalho.

_Por quê? Se soubesse não teria me pedido em casamento? — Clara perguntou aproximando o rosto do dela.

_Uhm, talvez. — A fotógrafa respondeu fazendo charme.

O olhar de Clara, porém, respondeu que ela não acreditava na hipótese e mudou de assunto.

_ Reparou que nos últimos dias essa é a única hora que conseguimos conversamos direito?

_ Sim, o tempo tá corrido e eu tô quase começando a entrar em desespero com medo de não dar tempo de organizar tudo.

_ Um mês talvez tenha sido precipitado.

_ É... como eu disse antes, eu não sabia que casar dava tanto trabalho.

_ Só quando você inventa de fazer um monte de coisas e …

_ Como você inventou, né? — Marina interrompeu.

_É, mas essa é a ultima vez que eu pretendo casar então, precisava realizar esse desejo. Vai ser um sonho.

_ Eu entendo, se não, não tinha embarcado nas suas ideias, só que agora não podemos reclamar.

_Verdade.

Após alguns instantes em silêncio Clara mudou de assunto novamente.

_Fico feliz de ver como você e o Ivan se dão bem. Eu fico olhando vocês dois as vezes e me dá uma coisa tão boa aqui no peito.

Marina ficou olhando para ela sem saber ao certo o que responder, se é que o comentário carecia resposta. Assim, Clara continuou falando. — Sério sou muito grata por você aceitar o meu filho assim, quase como se fosse seu. De verdade, brigada.

_ Tá me agradecendo por ter colocado o amor de uma criança linda na minha vida? Acho que eu que devia agradecer, não?

E Clara não discordou embora intimamente ela continuasse com a sensação de que devia agradecimentos à noiva, talvez fosse o sentimento de mãe, as vezes bobo, que despertava isso dentro dela.

**

Enquanto as noites consumiam os dias e o casamento se encontrava cada vez mais próximo o nervosismo crescia exponencialmente e por causa dele as dúvidas sobre o passo que estavam dando foram apareceno.

Marina passou a questionar-se se realmente consegueria ser para o resto a vida a pessoa que vinha sendo nos utimos meses. Lembrou-se de todas as vezes em que Vanessa a confrontou dizendo-lhe que aquela vidinha certinha não era de sua natureza . “Será que conseguiria, de fato, construir uma família”? conjecturava. No entanto, todas as vezes que o rosto da noiva invadia sua mente fazia com que ela tivesse certeza de que sim.

_Todo mundo tem dúvidas antes do casamento. — A prima Gisele falou quando a fotografa confidenciou-lhe a insegurança — é normal. Não vai pirar. Tenho certeza de que você e a Clara vão ser muito felizes.

Clara, por sua vez, questionava a capacidade de Marina de abandonar o anterior padrão de vida para construir uma vida ao seu lado. Até então sempre confiara na fotografa apesar de não ter gostado de saber detalhes de seu passado, contudo será que a confiança persistiria após o casamento? Será que Marina continuaria sendo a que ela conhecia? Ou em algum momento voltaria a ser a de antes?

**

Certo dia ao acordar faltando apenas uma semana para o grande dia, Marina já não se aguentando por causa do mal fadado acordo resolveu provocar Clara, de certo modo, pagar-lhe na mesma moeda pela ideia estapafúrdia que tivera. Sabia que a cada dia a noiva resistia menos a suas investidas e após um beijo de “Bom dia” que se excedeu tornando-se algo mais intenso ela subiu em cima da outra sentando na altura da virilha dela. No mesmo momento, a assistente soube que o que viria a seguir seria mais uma sessão de tortura com Marina tentando-lhe e ela de forma sobre-humana, resistindo.

Suavemente a fotógrafa foi desabotoando os botões do pijama de seda que a outra usava ao mesmo tempo em que a olhava de forma quase hipnotizante, desse modo, Clara não conseguia para manifestar desaprovação.

Por baixo da blusa a assistente não usava nada, por isso, tendo a fotógrafa desabotoado-a toda, seus seios ficaram totalmente livres. Marina então, finalmente desviou os olhos dos dela e olhou para eles desejosa, pidona de forma que a noiva sensibilizou-se por ter feito com que ela renunciasse aos prazeres da carne por tanto tempo. A maneira com que ela os olhava também fazia com que o meio de suas pernas queimasse ainda mais na atual circunstância em que a abstinência fazia com que aquela região do corpo se manifestasse em protesto quase o tempo todo. [Já tinha, inclusive, passado por cada situação! Um dia em que estava no estúdio conversando com a coordenadora do cerimonial, por exemplo, enquanto a mesma falava sua mente viajava em obscenidades ao ponto que após a conversa ela teve que, imediatamente, que subir e tomar um banho frio]. Por isso, quando ela viu a noiva abaixando-se e curvando-se de modo que a boca pudesse alcançar-lhe o objeto imediato de seu desejo não a deteve. Depois, sentindo a língua quente e molhada de Marina sobre seu mamilo, quase fraquejou. Quis pedir que a noiva chupasse outra região de seu corpo que gritava por isso.

A língua que estimulava o tecido sensível, ao contrário da vontade que a própria Marina tinha, era calma, paciente, provocadora. Empregava movimentos circulares molhados e devagar o suficiente para que Clara sentir e se arrepiar com calor da respiração da amada deixando-a ainda mais excitada. E mais, mesmo que o sexo de Marina não estivesse exatamente colado ao seu, a proximidade fazia com que ela tivesse a impressão de que estava o que aumentava consideravelmente a sensação de estar sendo torturada. A um ano atrás ela nunca imaginaria que passar um mês sem sexo faria-lhe tanta falta, principalmente, falta ao ponto de deixá-la beirando a insanidade. “A vida definitivamente tem suas ironias” pensou em certa ocasião (não agora).

Após se deliciar à vontade nos seios da noiva, Marina levou o rosto próximo ao dela e com o semblante indecentes perguntou-lhe:

_ Você quer? Quer mais?

E sem conseguir resistir ou se negar, Clara respondeu que sim. Queria, queria muito. Não conseguia mais aguentar. Porém, assim que ouviu o consentimento a fotógrafa deu-se por satisfeita saindo de cima dela, deixando Clara definitivamente perturbada.

_ Adiar a gratificação é aumentá-la, meu amor. — Sussurrou e piscou. Depois se levantou encaminhando-se para fora do quarto.

Ainda deitada, Clara ficou ali imóvel e desacreditada com o que a outra acabara de fazer. Teve vontade de xingar, de gritar e de morrer. Depois pediu aos céus que esse casamento chegasse logo. Mais tarde, ainda lembrando do acontecimento daquela manhã sua mente a todo momento tornava-se fértil o suficiente para fazer com que ela imaginasse diversos desfechos mais felizes, por assim dizer, para o ocorrido. Sendo a que passou mais vezes por sua cabeça, a seguinte:

Ela, Clara, sentada em cima da virilha de Marina (ambas nuas) rebolando na mão da mesma. Marina mantinha os dedos rijos na altura em que estava sentada, porém, quase imóveis, deixando que ela rebolassem neles buscando o próprio prazer.

**

Dois dias antes do casamento elas fizeram uma visita surpreendentemente dolorosa ao sexy shop e assim que entraram no carro no estacionamento da loja se martirizaram por terem feito a referida visita.

_ Péssima ideia!

_ Também achei. Agora eu não consigo parar de pensar em – pausou – c sabe.

_Nem eu. Nem eu. — Clara se abanou verdadeiramente agoniada olhando pelo retrovisor a sacola com as compras no banco de trás do carro.

**

_ Irmã! O que você tá fazendo aqui? Pensei que ia tá lá na Marina se arrumando pra mais tarde.

_ Eu bem que queria, mas a Marina me expulsou de lá. Disse que queria fazer surpresa, quero ver o que que ela tá me arrumando pra essa despedida de solteira.

_ Ah, tenho certeza de que vai ser muito original — Helena deu uma risada sacana.

_ Não tenho dúvidas! Mas, eu duvido que ela consiga me surpreender mais do que vai ser surpreendida.

_ O que você aprontou?

_ Desculpa Leninha, mas essa eu não posso contar. Nem agora, nem... – “Nunca”, Clara ia dizer, mas não conseguiu terminar a frase porque viu algo que a deixou perplexa aliás, alguém. Assim sem dar explicações a irmã ela foi atônita andando em direção ao homem que olhava tão compenetrado os objetos expostos nas prateleiras da casa de leilões que nem a viu se aproximar. Ela, por sua vez, só acreditou que era ele mesmo quando o abordou e ele se virou ficando cara a cara com ela.

Tratava-se do senhor que, muito gentilmente após uma breve, porém agradável conversa meses atrás lhe enviara o convite que mudara sua vida. O convite para a exposição de Marina.

Notas finais
O que será que a Clarina estão aprontando para essa cerimônia de casamento, hein? E essa despedida de solteira? Quais serão as surpresas? É gente, o casamento tá chegando! E até eu já tô nervosa e com friozinho no estômago rsrsrs