Notas iniciais
"I'm in a fever, when I'm beside her..." U2

Tirou o carro da estrada parando-o já na areia e no momento em que ela desligou a chave, Clara avançou sobre ela.

Subiu em seu colo, de frente, parando meio de joelhos no banco de Marina de modo que suas pernas ficaram entre as dela. Fez isso já atacando a boca da fotografa, a procura de seu beijo.

Marina mal teve tempo de entender o que estava acontecendo, mas, entender pra que? Importante mesmo era o que a dona de casa estava fazendo, estava em cima dela, com as pernas abertas e seu sexo encostando em sua barriga. Isso sim era o que importava.

No mesmo momento em que Clara lhe atacou a boca, exigindo um beijo desesperado, molhado e cheio de desejo. Marina agarrou sua a bunda, cada banda com uma das mãos, apertando-as fortemente, o que acabava por trazer o corpo de Clara inteiro mais pra perto do seu. Estava meio apertado ali, percebendo isso a fotografa tratou de puxar um pouco o banco pra trás, liberando assim, mais espaço para os movimentos.

Voltou com as mãos para a bunda de Clara, enquanto isso o beijo prosseguia sem cessar e a dona de casa aproveitou para entrelaçar os dedos na nuca da fotografa e puxá-la pelos cabelos, sem nenhuma delicadeza puxando sua cabeça pra trás encarando-a com um olhar perverso.

Dentro de si existia um desejo estranho, uma ânsia, como se quisesse castigar Marina, machucá-la por ser seu pecado, sua perdição. Só que era uma perdição gostosa, que lhe causava tensão, que despertava dentro dela a busca pelo prazer.

Marina entendia o que estava provocando em Clara, e gostava. Quando a sentiu puxando seus cabelos com aquela força, percebeu que ela queria ver dor em seu semblante, e teve o que queria. Porém, para a fotografa foi uma dor que lhe causou imenso prazer e isso também foi refletido. Elas conversavam por telepatia, sabiam o que a outra desejava.

Clara apertou o maxilar de Marina com uma mão, segurando-lhe o rosto também com força excessiva.

E com o mesmo olhar perverso disse a ela com uma frieza que gelou os ossos da outra:

_Sabe porque você nunca iria me sequestrar?

Marina que ainda tinha o maxilar preso, pôde apenas balançar a cabeça em sentido de negativa.

_ Porque, a partir de hoje, quem manda em você sou eu.

A outra sentia tanta coisa acontecendo no próprio corpo ao mesmo tempo que a sensação era de que explodiria, Clara a mataria. Mataria de prazer.

Como Marina não conseguiu esboçar nenhuma reação de afirmação ou negação, estava paralisada, Clara apertou-lhe o maxilar mais forte agora, perguntando:

_Entendeu?

Marina sacudiu a cabeça novamente, dessa vez em sentido afirmativo.

O semblante de Clara mudou instantaneamente, tronou-se doce, apaixonado. Soltou o rosto da outra , procurou sua boca lentamente agora, sugando cada um de seus lábios gostosamente, passando a língua molhada delicada por eles.

Marina, com as duas mãos segurou o rosto dela dessa vez, afastando-a e dizendo-lhe:

_Você vai me enlouquecer.

_Você já me enlouqueceu.

Ouviu de volta.

As duas colaram suas testas e sorriram com suas bocas quase coladas também, até podiam sentir o calor que saia dali. Ainda na mesma posição, a dona de casa indagou à outra:

_Então, pra onde vamos?

Marina a estava levando para um chalé que possuía logo na saída do Rio, na verdade quando pararam ali na praia, já estavam quase lá.

Era uma propriedade pequena, apenas um chalé cercado por um jardim que deixou a dona de casa encantada.

O chalé era todo feito em madeira, forrado com carpete, exceto pela lareira, feita de pedras. Lá dentro também era pequeno, um quarto com uma cama, uma mesinha com duas cadeiras e a lareira. Na frente dela haviam várias almofadas gigantes que pareciam ser muito confortáveis. Os outros ambientes eram um banheiro e a cozinha pequena, mas o principal é que toda a decoração do lugar era muito bonita e pitoresca.

A dona de casa ficou ainda mais encantada com o interior do local.

_Que lugar lindo, Marina.

A fotografa sorriu para ela concordando em silêncio.

_É sua?

_É sim. Posso te contar um segredo?

_Tenho esse lugar aqui desde que tinha 16 anos, estava passando por essa estrada com meu motorista e vi a placa de “vende-se”, parei pra dar uma olhada e me apaixonei. Comprei no mesmo dia.

Tinha um sorriso meio tímido e sonhador no rosto, quase como uma adolescente contando pra melhor amiga que treina beijo no braço. Sim, soa bobo, mas seu rosto estava assim agora e Clara teve vontade de apertá-la, colocá-la nos braços, protegê-la. Era a sua menina que havia visto na noite interior que estava a sua frente contando aquela história.

Marina continuou:

_É claro que não estava assim por dentro quando comprei, fui fazendo uma coisa aqui, outra ali até que terminei, ficou como eu queria. Esse aqui sempre foi o meu lugar escondido, como se fosse uma “casa na árvore” sabe?

Clara balançou a cabeça em afirmação.

_ Nem o meu pai sabe disso aqui, embora tenha sido ele quem pagou. É assim que ele sempre tentou suprir sua ausência, uma mesada bem gorda.

Riu, mas com um misto de tristeza no olhar.

Até aquele momento a dona de casa ainda não tinha se dado conta do quanto Marina era rica. Esteve em sua mansão que era um lugar maravilhosamente lindo, mas ainda não tinha parado pra pensar nisso.

Aproveitou pra abraçar a outra, querendo consolá-la de qualquer lembrança difícil que aquela conversa tivesse despertado, Marina abraçou-a com força de volta e elas ficaram assim por um tempo.

_ Sabe Marina, cada um de nós, dá ao outro aquilo que pode, aquilo que tem. Pode ser que as vezes não seja o suficiente para o outro, mas o outro também tem que ser compreensivo pra entender que aquilo era tudo que ele tinha a oferecer. Tenho certeza que seu pai, apesar de ausência te deu o melhor que ele pôde.

Marina concordou. E impressionou-se com a paz que a dona de casa era capaz de lhe trazer. Com Clara por perto a vida parecia mais iluminada.

_Mas então, vou poder terminar a história ou não?

Perguntou à outra saindo do abraço e indo até a cozinha.

_Claro, eu quero ouvir.

Disse sinceramente, queria saber tudo o que tivesse que saber dela. E foi atrás na cozinha.

Naquele ambiente havia uma pequena adega climatizada e de lá a fotografa tirou uma garrafa de vinho que a dona de casa nem fez questão de saber qual era porque não entendia nada de vinhos mesmo.

Marina prosseguiu o relato e enquanto o fazia pegara duas taças. Apontou o abridor de garrafas para que Clara o pegasse e foi andando novamente pro quarto, depositando a garrafa na mesinha que havia ali. A dona de casa a seguia de perto.

_Enfim, sempre foi o meu refúgio, onde eu me recolho pra pensar, pra criar, pra fugir da badalação, e principalmente, ficar sozinha. Você é a primeira pessoa que eu trago aqui.

Terminou de dizer tirando a rolha da garrafa que escolhera.

Clara sorriu apaixonada ao ouvir o que a outra lhe confidenciou, sentiu-se especial.

_Acho que isso, vindo de você deve ser muito importante, né? Porque tenho certeza que muita gente já passou na sua vida.

Quando Clara disse “gente” ficou evidente para Marina que era queria dizer “mulheres” e divertiu-se com isso. “Ciúmes”? Pensou, porém, nada disse.

Já tinha servido duas taças de vinho aproximou-se mais de Clara e ofereceu-lhe uma. A outra aceitou e as duas brindaram, olhando-se fixamente. Nada disseram em voz alta no brinde, cada uma brindou em silêncio, mas, na cabeça de ambas um “a nós” tintilou.

No momento em que Marina se aproximou dela oferecendo-lhe a taça, Clara percebera que a aura do ambiente havia mudado, a tensão sexual pairou no ar. Marina se movia como se estivesse se mostrando, seus olhos tornaram-se predadores, e assim que elas tomaram um único gole de vinho, ela se aproximou ainda mais de Clara, tirando-lhe a taça da mão e depositando na mesinha. Continuou segurando a sua e seguiu se aproximando mais e mais da outra.

Seus corpos estavam totalmente colados agora. Seus seios se encontravam por cima das roupas. Marina fitava Clara fixamente com olhos de desejo, mas principalmente, desafiadora como se perguntasse “Cadê a minha dona”? Pegou a própria taça e levou à boca dela que bebeu o líquido oferecido de maneira extremamente sexy como se lhe oferecesse o pecado naquela taça.

A fotografa, então, depositou o objeto na mesinha também e pegou Clara pela cintura, levando sua boca à dela. Tinham gosto de uva e álcool agora, a respiração saia mais quente, era gostoso. Vasculharam suas bocas, sentiram a respiração uma da outra por ela. Até então, estavam com as mãos quietas, as de Marina na cintura de Clara e as de Clara na cintura de Marina.

A fotografa desvencilhou-se do beijo, sem deixar que seus corpos se separem nem um centímetro e levou a boca ao ouvido da dona de casa, num sussurro que era quase um gemido

_Manda em mim agora, gostosa.

Notas finais
E ai, o que acharam da Clara? rsrs