Notas iniciais
Ei povo lindooo.... Voltei e junto comigo Clara e Marina também o/ Tô ouvindo gritos? Palmas? rsrs "Seja eu, Seja eu, Deixa que eu seja eu. E aceita O que seja seu. Então deita e aceita eu. Molha eu, Seca eu, Deixa que eu seja o céu E receba O que seja seu. Anoiteça e amanheça eu. Beija eu, Beija eu, Beija eu, me beija. Deixa O que seja ser Então beba e receba Meu corpo no seu corpo, Eu no meu corpo, Deixa, Eu me deixo Anoiteça e amanheça" M.M.

Sei que muitos pensam que todo esse mistério não passa de estratégia de marketing, mas a explicação é ainda mais simples que essa: Não existem palavras para descrever o que vem da alma, que vem de dentro, lá do fundo, sabem? Eu precisa que vocês vissem, sentissem. E agora, perto do encerramento sei que bom, talvez não seja unânime, mas sei que a maioria aqui sentiu.

Eu não saberia precisar o que há de diferente ou de novo no meu trabalho sei apenas que está ai– apontou para os painéis dispostos por todos os cantos – e mesmo que não seja visível, é notável. Talvez a diferença nessas imagens em relação a todas as outras que eu já produzi sejam a de que quando essas foram tiradas eu era outra mulher, uma diferente. Uma Marina que tem uma vida diferente, que vê a vida de outra forma e que, principalmente, sente de forma diferente. Aliás, uma Marina que sente mais, que sente a vida pulsando em cada célula de seu corpo e é nisso que a Clara entra. — Respirou fundo antes de continuar. Pensar em Clara e em tudo que ela representava em sua vida a deixava profundamente emocionada. — Porque a Clara, além de ser minha parceira nesse trabalho ela também é a responsável por trazer à tona essa outra Marina. É por causa dela que eu tenho outra vida e que eu vejo e sinto essa mesma vida de outra forma. Ela além de minha assistente é também minha mulher. A mulher que eu amo, a mulher que eu escolhi pra ter ao meu lado — "Ou quem sabe que alguém lá em cima escolheu" pensou e ao mesmo tempo concluiu que era mais provável. — A mulher que me faz feliz e essa felicidade inevitavelmente se reflete no meu trabalho. — Nesse momento o salão explodiu em flashes e em pessoas comentando a declaração que a fotógrafa acabara de dar, pois apesar dela nunca ter feito questão de esconder a homossexualidade, até o momento também nunca havia a afirmado assim em público. — Ai vocês podem estar pensando “é só isso”? ou “ela está misturando vida pessoal com trabalho” e eu tenho que dizer que não é tão simples assim. Eu podia falar aqui pra vocês que a fotografia se trata de um trabalho artístico e por o ser, depende muito do estado de espírito do artista, mas acho que vocês já sabem disso então prefiro ser um pouco mais objetiva. Eu sempre fui escrava da luz e a Clara, a Clara tem uma luz própria tão — pausou procurando as palavras — forte, intensa que essa luz irradia por todos os lados quando ela está perto. Eu sempre precisei da luz artificial para produzir, pelo menos na maioria das vezes, mas a Clara ela irradia uma luz natural não visível aos olhos que — pausou engasgada — me deixa emocionada. Ela, carregando essa luz do meu lado todos os dias mudou a minha a minha percepção de tudo o que, é claro, inclui o trabalho. Emprestou beleza para os meus olhos e, sobretudo, me emprestou o olhar dela que por sua vez resultou em críticas, correções, sugestões dai surgiram novos ângulos, novas luzes... — Marina que a essa altura falava com o olhar fixo na amada, olhou em volta por um instante e notou que enfim os presentes começavam a compreender. — A Clara tem a sensibilidade de ver o belo nas coisas mais simples, uma visão tão profunda e detalhista que eu não tenho e talvez nunca chegue a ter. Por isso, eu tenho a consciência de que graças a ela o trabalho que vocês estão vendo hoje tem uma qualidade imensamente superior que todos os outros que eu já fiz e, por isso, tenho a convicção de que um dia ela será uma fotografia imensamente superior a mim. Assim hoje, é a ela que vocês devem celebrar, é ela a estrela da noite. A responsável por qualquer sentimento que as imagens vistas despertaram em vocês. Porque a fotografia necessita bem mais que entender de lentes e foco, a fotografia vem da alma e a alma da Clara é a mais linda que eu que eu conheci. — A essa altura as lágrimas escorriam sem freio pelo rosto da assistente e os olhos da fotografa que haviam parado fixos nos dela novamente estavam embargados de água, porém, ela segurou as lagrimas para que pudesse continuar. — Bom, então é isso, "outro olhar" para mim é um recomeço, um renascimento na minha carreira, no entanto, mais do que isso é também o nascimento da que eu sei, em um futuro próximo será uma grande fotografa: Clara.

Marina ofereceu a mão para a namorada para que ela se juntasse a ela. E Clara subiu os degraus indo ao seu encontro ovacionada pelos aplausos do público.

Elas se abraçaram. Agora ambas choravam o que deixava o público ainda mais em polvoroso. Os flash quase cegavam tamanha a quantidade de clicks. Clara sussurrou "obrigada" no ouvido da fotógrafa antes da mesma entregar-lhe o microfone e descer juntando-se ao resto da platéia.

Clara discursou e depois quando desceu foi atacada por jornalistas e fotógrafos, estes querendo uma foto em um ângulo perfeito dela, aqueles querendo saber mais do trabalho com Marina, mas principalmente, sobre o relacionamento das duas. Tinha certeza de que no dia seguinte os ou talvez nem demorasse tanto tempo o relacionamento delas estaria em todos os sites de fofocas.

Quando Clara finalmente conseguiu se livrar dos repórteres deu-se conta de que a a namorada sumira. Nem Vanessa, nem Flavinha, Gisele, o pai ou qualquer outra pessoa a quem ela tenha perguntado sabia onde a fotógrafa se enfiara. Quando enfim, desistiu de procura-la e após de entristecer por sua ausência ela se lembrou com preocupação de uma tarde duas semanas antes.

Flashback on

Ela chegou no estúdio e as meninas e algumas modelos estavam a espera de Marina que não deu as caras. Clara foi ao quarto dela e a viu deitada de bruços, usando uma camisola que ela adorava: Transparente, por baixo usava o tipo de calcinha que lhe era característica de cintura alta. Clara se impressionava como uma simples visão da fotografa era capaz de tirar-lhe o ar, no entanto, quando chegou perto notou que ela estava pálida e ao perguntar o que havia de errado a outra alegou que ainda não havia descido porque tivera uma dor de cabeça fortíssima. Como Marina estava deitada de bruços Clara se aproximou dela na cama e deitou suavemente sobre seu corpo depositando um beijo carinhoso em seu pescoço.

_ Marina, eu sei que você não gosta, mas acho que tá na hora de você procurar um médico.

_ Não gosto mesmo. — Marina fez bico. – Deve ser só enxaqueca, mas eu vou procurar sim. Ver se ele me receita alguma coisa.

_ E porque a gente não liga pro seu médico agora, então?

_ Não, Clara. Eu já tô melhor e preciso descer, as meninas estão esperando. Depois a gente vê isso.

Clara saiu de cima dela de modo que ela pudesse se virar e olha-la.

_ Promete?

_ Prometo. Agora vamos?

Marina admitiu precisar de um médico, mas ao mesmo tempo Clara sentiu que a fotógrafa tinha feito isso apenas para acalmá-la e o receio a fez pensar que Marina estava escondendo alguma coisa dela ou pior, de si mesma.

Flashback off

Clara era acometida por calafrios que viam dos pés e passavam arrebatadores por sua espinha até a cabeça quando (...)

Notas finais
Capítulo curtinho mas eu não podia deixar de começar o ano matando vocês de curiosidade, né? Por isso, posterguei as “fortes emoções” para o capítulo seguinte... hehehe Ps: E ai, como foi o Reveillon de você? Contem-me.. rsrs (Tô me fazendo de desentendida porque sei que vou ganhar muitos xingos nos comentários hehehe)