Não consigo. Não consigo. Não dá. Antes que possa evitar, as lágrimas rolam por meu rosto, grossas e pesadas. Sam agarra meus ombros e me chacoalha.

— Meg! Meg, meu Deus! O que aconteceu? Acorda!

Eu não consigo. As palavras não saem, meu corpo não responde aos meus comandos.

Ele voltou. Ele voltou. Ele voltou.

As palavras de minha mãe ecoavam em minha cabeça. Meu coração se apertava em meu peito a cada batida. Sam falava alguma coisa ao meu lado, mas eu não conseguia ouvir. Absolutamente nada. Sam se levanta e parece ir até a porta. Não posso me descontrolar. Não de novo. Não posso me deixar levar. Escorrego até o chão e enrolo-me em uma bola. Minhas mãos tapam meus ouvidos mas a voz de minha mãe ainda está em minha cabeça.

Ele voltou. Will voltou. Will. Will. Will.

Um grito de horror escapa da minha garganta. Meu corpo treme e é como se estivesse vivendo tudo aquilo de novo. Meu choro não cessa, meu corpo se contorce e meus braços ardem. Olho para eles. Riscos enormes e em vermelho escarlate estão de meu pulso ao meu cotovelo. Restos de pele estão presos em minhas unhas. De novo não.

— Sam! Sam! Por favor! De novo não! Por favor, por favor, por favor.

Olho para a porta. Christan está parado no meio da sala. Seus olhos estão em meus braços. Sam tenta puxá-lo para fora, mas o homem não se move um milímetro sequer. Meus olhos estão presos nos seus, que não demonstram nada. Eu esperava nojo, repulsa... Mas não encontro nada, e parece que isso machuca mais. Olho para Sam. Seus olhos estão vermelhos e seu rosto banhado em lágrimas.

— Tira ele daqui. Por favor. Eu estou bem. Já passou. Já passou.

— Meg...

— Eu tô bem! Droga! Só... tira ele daqui.

Sam puxa o braço de Christan, mas ele se solta de seu aperto e vem em minha direção. Tento ficar em uma posição sentada. Tudo gira e meu estômago dá cambalhotas. Fecho os olhos e apoio a cabeça no sofá. Ouço Christan se agachar ao meu lado e logo uma de suas mãos está em minhas costas. Meu corpo logo se molda ao seu e seus braços me cercam. Seu cheiro, seu toque, tudo seu me faz querer voltar. A voz da minha mãe se cala na minha cabeça e o aperto em meu coração se desfaz, mas as lágrimas cismam em rolar. Me agarro no corpo de Christan com todas as minhas forças, como se eu dependesse dele pra viver. Abro os olhos e busco pelos seus. Ele me olha com carinho, não com a repulsa que eu esperava, nem com pena. Ele beija o topo de minha cabeça e me pega em seus braços, nos acomodando no sofá. Sam logo se senta ao nosso lado e percebo que ela está preocupada. Tento colocar um sorriso em meus lábios, mas deve ter saído algo como uma careta, pois Sam volta a chorar e segura meu rosto em suas mãos. Nunca imaginei que teria alguém como Sam em minha vida. Solto-me de Christan e me agarro na loira, enterrando meu rosto na curva de seu pescoço. Não que o colo de Christan seja algo indesejado, mas ele não sabe o motivo de meu ataque. Apenas Sam.

Sinto-me como um macaquinho pendurado em sua mãe. Não consigo me soltar dela. É como se houvesse um ímã nos prendendo uma na outra. Ela me agarra com todas as forças e sussurra palavras reconfortantes em meu ouvido.

— Vai ficar tudo bem. Você está bem, está aqui. Ele não vai te machucar, ok?

–---------------------- Unbroken ------------------------

Passaram-se muitos minutos quando finalmente me soltei de Sam e olhei para Christan. Ele não havia se movido um centímetro, e seus olhos não saíram de mim.

— O que você tá fazendo aqui?

Ele se assusta com a frieza em minha voz. Até eu me assusto.

— Eu, hum... Eu te liguei...

— É, eu sei que você me ligou. Eu te falei pra não me procurar mais. Você não sabe na merda que está se metendo fazendo isso... — aponto para nós dois — Se aproximando de mim.

— E se eu quiser me meter? — ele se aproxima.

— Você pode não entender agora, mas... Eu já sofri muito nessa vida e, mesmo assim, ainda estou aqui. Não quero sofrer mais, nem fazer alguém sofrer.

— Megan, por favor...

— Só... vai embora. Por favor. Preciso ficar um pouco sozinha.

— Eu vou, mas prometa que vai me ligar, ou, pelo menos, dizer que está tudo bem.

— Vou tentar.

— Prometa.

— Eu... eu prometo.

Tão rápido quanto ele apareceu, ele se foi. Simplesmente saiu pela porta. As lágrimas voltaram e meu coração se apertou novamente. Eu não queria admitir, mas esse homem me fazia querer voltar a ser o que eu era antes. Normal.

A campainha toca e Sam levanta para atender a porta. No instante seguinte minha querida mãe entra em meu campo de visão, totalmente descabelada, com olheiras e o rosto inchado de tanto chorar. Ela cai pesadamente ao meu lado no sofá e me agarra em seus braços. Muitos abraços em um único dia. Suas mãos nervosas correm por todo meu rosto.

— Mãe. Eu estou bem, ok? Eu não saí de casa.

— Abelhinha, me perdoe. Me perdoe. Eu nunca imaginaria que ele voltaria. Não agora. Eu vou te tirar daqui, vou te proteger e você nunca mais vai ter que vê-lo outra vez.

— Mãe, como assim? Eu não vou sair daqui. Não vou deixar a Sam aqui sozinha. Eu não passei por tudo que passei para chegar aqui e depois simplesmente ir embora! Você não pode fazer isso comigo!

— Mas querida, aqui não é seguro! Ele pode estar atrás de você! Ele pode querer te machucar.

— Mãe! Você não pode me proteger para sempre. Eu sei me cuidar! É claro que eu estou com medo e assustada, mas não vou deixar tudo para trás.

— Meg, talvez seja melhor assim. Você pode não estar segura aqui.

— Sam, para! Você não quer isso, você não quer que eu vá. Você sabe que meu lugar é aqui.

— Ouça sua amiga, abelhinha.

Eu preciso sair daqui. Vou enlouquecer de novo.

Levanto-me do sofá em um pulo e calço meu tênis. Coloco um casaco quente e pego as chaves do carro de Sam.

— Meg, onde você vai? — Sam tenta pegar as chaves da minha mão, mas eu a puxo de seu alcance.

— Eu te ligo, prometo. Eu só preciso sair daqui.

Ela assente com a cabeça e se afasta. Minha mãe me olha assustada, mas não me comove.

— Abelhinha, por favor. — ela chora.

Viro-me e saio do apartamento. Minha cabeça está um verdadeiro caos. Eu não posso ir embora. Não posso fugir. Não posso deixar Sam.

Pego o carro e sigo sem direção, sem destino. Só penso em sair daqui. Ir para algum lugar para me distrair, esquecer dos problemas. E droga... Eu preciso muito beber. Paro no primeiro bar que encontro. Não é o melhor lugar, mas é o que tenho para agora. Encosto-me no balcão e aceno para o barman.

— Três doses do que você tiver de mais forte.

Ele concorda e vira-se para a enorme prateleira de bebidas do bar.

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.