Unbreakable
9 I love you
Notas iniciais
[...]
Justin POV:
Eu estou convicto de minha decisão. Iria largar tudo que era obrigado a fazer pelo meu pai e começaria uma nova vida, me tornaria um novo Justin. Queria seguir no ramo da música, ser um cantor famoso, ser reconhecido pelo o que sei fazer de melhor. Havia conversado com o Chaz sobre alugarmos um apartamento daqui uns meses para dividirmos, já que ele também não queria mais morar com seus pais. Se eu conseguisse chegar a fama, iria largar a faculdade e deixar tudo pra trás e seguir meu caminho sozinho sem depender de ninguém. Mas espere, e a Lize? Droga. O que eu iria fazer sem minha namorada? Ah, não contei? Bom, quando eu cantei pela primeira vez depois de anos, eu cantei exatamente para ela. Compus As Long As You Love Me, me apresentei e assim que acabei de cantar, a chamei no palco e a pedi em namoro. Mas voltando, o que eu iria fazer com Lize? Bom, não sei. Depois penso nisso. Precisava arrumar um jeito de contar para meu pai, mas eu confesso que estou com medo, pois meu pai não é um cara nada calmo... Fui até o escritório dele para conversar.
–Pai, preciso conversar com você.
–O que foi Justin? Não vê que estou super ocupado? –Ele respondeu mexendo em umas papeladas
–Mas pai, é sério. Você nunca tem tempo pra mim. -Disse com os olhos já marejados.
–JUSTIN, EU TENHO COISAS A FAZER. NÃO É VOCÊ QUEM PÕE COMIDA NA MESA PORRA. EU QUE PAGO TUDO PRA VOCÊ, ENTÃO VOCÊ PODE SAIR PARA EU TRABALHAR? –Ele disse exaltado e a raiva foi tomando conta do meu corpo naquele momento.
–SÓ VOCÊ QUEM PÕE COMIDA NA MESA? QUEM FOI QUE ME OBRIGOU A TRANSAR COM MULHERES POR DINHEIRO? HM? QUEM? –Disse gritando e uma lágrima escorreu. Nunca cheguei a esse ponto com meu pai, tinha o maior respeito, por mais que ele me obrigasse a fazer coisas horríveis. Ele permaneceu calado, mas a raiva estava totalmente em minhas veias.
–FALA LOGO O QUE VOCÊ ME OBRIGAVA A FAZER COM 14 ANOS DE IDADE. ISSO VOCÊ NÃO FALA NÉ? EU NUNCA, NUNCA QUIS FAZER O QUE FAÇO. SE EU FAZIA ERA POR JAZZY E PORQUE EU NÃO TERIA PARA ONDE IR, MAS POR MIM, VOCÊ MORRERIA DE FOME E NA RUA. VOCÊ É UM HIPÓCRITA, SÓ PENSA EM SI, NUNCA DEU ATENÇÃO A MIM E MINHA IRMÃ, SÓ PARA AS SUAS PUTAS –fui interrompido
–JÁ CHEGA DESSAS LADAINHAS SUAS JUSTIN. NÃO VOU SUPORTAR ISSO NA MINHA CASA. –Ele gritava enquanto estava se levantando da cadeira e batendo com força suas mãos na mesa.
–Ah! Para defender quem você transa uma noite rapidinho você se manifesta né? Agora para me ouvir quando eu tento conversar com meu pai, MEU PAI, você não está nem aí... –Ele permaneceu em silêncio e abaixou a cabeça. Senti várias lágrimas saírem de meus olhos. As limpei e fui indo até a porta, me virei para ele e disse:
–Vou ir embora.
–O que? E para onde vai? Você é louco? Você não tem dinheiro e eu não vou te dar. –Falou se sentando de volta em sua cadeira e tornando a mexer em seus papéis.
–Hm –Bufei.- Eu não preciso do seu dinheiro Jeremy, estou largando tudo por aqui e eu vou lutar para conseguir a guarda de Jazmyn, porque você é um porco imundo e sabe-se lá o que você fará com ela quando ela tiver 14 anos. –Sai batendo a porta sem dar espaço para ele questionar algo.
Fui para meu quarto, eu estava chorando muito, como um neném. Liguei para Lize e a chamei para ir me ver. Minutos depois ela rapidamente já estava em minha casa. Lize entrou no meu quarto e eu estava deitado, jogado, fitando o teto com os olhos inchados de tanto chorar. Já se passou um mês que eu estava namorando com ela e ela era a única que eu podia contar naquele momento.
–Oh meu amor, o que houve? –Ela perguntou se aproximando de mim e depositando um beijo em minha testa enquanto se sentava ao meu lado e colocava minha cabeça sobre sua perna.
–Podemos falar disso depois? Só queria que você estivesse aqui comigo.
–Claro que sim. –Finalizamos o assunto
Deitei-me no travesseiro ao lado de Lize enquanto ela mexia em meus cabelos fazendo-me dormir. Acabei adormecendo e quando acordei procurei por Lize e ela não estava. Nem lavei o rosto, só queria saber onde ela estava.
–Oi – Ela disse em um tom suave enquanto mexia seus braços com um garfo na panela.
–Oi –Eu respondi me sentando na cadeira e apoiando minhas mãos na cabeça
–Está se sentindo melhor? –Ela se virou vindo em minha direção
–Sim, um pouco.
–Mas que cara inchada Justin, levante-se daí e vai tomar um banho na água bem gelada. Anda! Anda! –Ela tentava me levantar da cadeira.
–Ai, estou com muita preguiça –Impliquei caindo sobre seu colo
–Aiiiiiii Justin! Meu dedo seu filho da puta
–Aiiiiiii Justin –Imitei com uma voz fina
–Af seu ridículo, eu não falo assim. –Rimos –Agora vá tomar seu banho enquanto faço seu espaguete.
–HMMMMMM! Melhor namorada. –Disse dando um tapa em sua bunda e saindo
Como ela tinha esse poder de me deixar para cima enquanto eu estava super mal? Eu deveria realmente valorizá-la ao máximo.
[...]
Acabei de tomar meu banho e desci novamente. Encontrei com Jazzy e Lize sujas de espaguete. Foi a cena mais fofa que já vi em toda minha vida. Fiquei parado na entrada da cozinha observando as duas. Jazzy comendo com as mãos era muito linda...
–RAM RAM! –Atrapalhei –Quem fez essa bagunça toda hm?
Jazzy imediatamente apontou para Lize. Foi muito engraçado, sério. Ela fez uma cara de inocente e Lize ficou sem entender e logo em seguida eu fui correndo fazer cócegas nas duas. Fomos para sala em seguida assistir TV. Jazzy acabou dormindo em meu colo. De repente meu pai sai do escritório e:
–Ué, o que você está fazendo aqui ainda? –Olhei assustado e Lize me olhou espantada.
–Eu estava brincando com Jazzy. –Disse sem o encarar
–Então faça o favor de sair vocês dois de minha casa agora. –Apontou o dedo para Lize e eu, pegando Jazmyn no colo.
Imediatamente segurei nas mãos de Lize puxando-a para subirmos as escadas até meu quarto. Lize ainda não tinha entendido nada, pois não havia contado que houve mais cedo. Ela permaneceu calada pois percebeu que eu estava nervoso. Sábia. Peguei minha mala no closet e coloquei todas minhas roupas, perfumes e meus acessórios do dia a dia. Joguei de qualquer maneira dentro da mesma, fechei-a e desci as escadas. Lize me acompanhou. Peguei meu carro e fui para a praia. Estava de noite, só queria parar de pensar um pouco naquilo tudo, tentar esfriar a cabeça. Não falei nenhuma palavra durante a viagem. Lize muito menos abriu a boca para qualquer pergunta. Quando chegamos a praia, descemos do carro e sentamos na areia. Fiz um coração pequeno na minha frente e escrevi dentro dele para Elizabeth ler.
Im sorry :( . No mesmo momento que ela leu, fechou seus olhos e eu não entendi. Fechei os meus também apenas sentindo o vento frio que vinha em meu rosto.
–Está sentindo isso? –Ela perguntou ainda de olhos fechados. Permaneci calado.
–Esse vento frio que toca em nosso rosto nos fazendo desejar o calor nesse momento, é como se fosse a raiva, sabe, como se a raiva viesse e nos tocasse e tudo que queremos é manter o controle.
Fiquei fitando as ondas se quebrando na areia.
–Meus pais se separaram quando eu tinha 9 anos. Foi a pior notícia da minha vida. Ouvia sempre eles brigarem, e nada estava bom para eles. Meu pai gritava, minha mãe gritava e eu cuidava do Ethan que chorava no berço. Me lembro que vi meu pai saindo de seu quarto com a mala e depositando um beijo em minha testa e dizia que me amava muito, que eu era sua favorita. Depois depositou um beijo em Enzo, que tinha 4 anos. Quando ele saiu, o segui. Vi ele fechando a porta tão forte que meu corpo estremeceu. Procurei por minha mãe que estava em seu quarto deitada chorando. Deitei-me do lado dela e comecei a fazer carinhos em seu rosto e depois brincava com seus cabelos. Ela me puxou para perto dela e disse que aquilo nunca deveria acontecer comigo. Passaram-se os anos e eles se entenderam. Não voltaram, mas são amigos. Me ajudaram muito para eu estar aqui. Olha Jus, só queria te dizer que você tem que voar. Não adianta ficar na mesmice que seu pai quer que você fique por causa dele. Você está fazendo bem em seguir seu caminho. E eu estarei aqui sempre pra você –Ela segurou em minhas mãos, olhou em meus olhos e disse: -Eu te amo.
Apenas a abracei e ela me acolheu em seus braços. Ficamos sentados na areia e acabamos vendo o nascer do sol juntos. Primeiro nascer do sol visto ao lado de alguém tão especial. Que não seja o último que eu veja ao lado dela. Eu a amo.
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