Notas iniciais
A partir desse capítulo o enredo começa a ganhar vida.

Ou não.

- Pronta, Audrey? — Adrienne entrou com pressa, sem ao menos bater na porta.

- Definitivamente, descrição e respeito à privacidade dos outros não são características suas, né Adie? — falei enquanto rapidamente guardava o envelope de volta à bolsa. — Estou pronta sim. — me levantei.

- Você está linda! — Abriu um imenso sorriso ao ver que o que ela sugeriu para vestir tinha ficado perfeitamente bem em mim.

- Você também. — eu disse sem graça.

Ela também havia se arrumado. Usava um vestido azul-escuro com paetês na parte de cima, chamando atenção a seu busto — coisa que adorava fazer-, uma sandália mais alta que a minha, de cor preta com detalhes em metal prata. Seus cabelos negros estavam presos em uma trança embutida, mas sua franja estava solta como sempre, traçando um contorno reto acima dos olhos de um verde muito claro, envoltos a muito delineador, como os meus.

- Ah, obrigada! Esse vestido é aquele que eu vi na vitrine naquele dia. O que foi inspirado no último desfile da Dior... — ela começou a falar rapidamente e gesticulando muito, como quando está empolgada falando sobre moda.

Enquanto continuava, fiquei imaginando o que teria pensado Leana ao vê-la daquele jeito. O que Adrienne teria dito para convencer minha mãe a nos deixar sair? Minha amiga tinha um ótimo poder de conseguir o que quer, mas Leana não era uma pessoa que se deixava levar por qualquer coisa, a não ser que fosse de seu interesse.

Meu estômago deu sinal de vida, tirando-me de meus devaneios e só então percebi que Adrienne não havia trazido algo para eu comer como dissera. Aquela era a chance de fazê-la parar de discursar e citar nomes de estilistas que eu nunca ouvi.

- Adie, cadê o que você falou que traria pra eu comer? — a interrompi.

- O que eu disse que traria pra você comer? — ela repetiu numa máscara confusa. Balançou a cabeça e só então pareceu lembrar. — Ah, sim... É, então, vamos descer. Está na mesa, só falta eu fazer o suco.

- Vamos. – concordei, saindo do quarto com ela.

Mas uma coisa estava estranha.

- Adie, por que você apagou as luzes? — quando disse a última palavra, ao mesmo tempo todas as luzes se acenderam e um coro de "HappyBirthdaytoYou" começou lá embaixo.

Senti meu rosto esquentar quando vi a sala cheia. Lá estavam meus amigos da escola, que não eram muitos, minha família e os "meninos" do Avenged com suas esposas. Tive vontade de empurrar Adrienne, mas a essa altura já estávamos descendo as escadas e eu não queria ser presa por assassinato. Então me contentei apenas com um "de quem foi a ideia?"

- Brian. — ela respondeu. — Era isso que estávamos discutindo quando você disse que eu estava "dando em cima" de seu amiguinho favorito.

Chegamos ao último degrau e Brian veio a meu encontro. Deu-me um abraço daqueles de prender a respiração que ele sempre dava, mas eu nunca me acostumaria com aquilo. Soltou-me, olhando de cima à baixo.

- Você está linda, Audrey!

- Obrigada. — sorri para ele.

- Gostou da surpresa? — perguntou animado.

- Claro! Tinha que ser ideia sua! — rimos juntos.

Tudo correu perfeitamente sob controle em minha festa. Gente legal, comida farta, músicas que eu gosto... Tudo em ordem. Até que resolveram me entregar os presentes. Correu tudo bem também nessa parte, mas uma coisa me intrigou.

Todos entregaram seus presentes e Brian ficou por último. Ele me deu uma caixa com todos os DVDs oficiais de minha banda favorita autografados. Tenho certeza que meus olhos brilharam ao vê-los.

- Isso é só um agrado, o presente mesmo vem depois. Tenho certeza que vai adorar. — ele falou dando uma piscadela e um imenso sorriso em minha direção, como se estivesse se referindo a algo que já tivéssemos combinado, mas eu não conseguia me lembrar de nada.

Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, Adrienne chegou e algo me dizia para não falar com Brian sobre aquilo perto dos outros.

A festa chegou ao fim cerca de três horas depois. Não deveria me preocupar em acordar tão cedo no dia seguinte, que seria sábado e eu não teria aula. Subi para meu quarto a fim de descansar um pouco. Deitei refletindo sobre o dia e acabei chegando à conclusão de que foi muito bom, mesmo tendo ficado apagada por horas. Tomei outro banho, dessa vez de banheira, aproveitando que agora tinha todo o tempo do mundo. Saí de pijama e toalha enrolada na cabeça e me sentei em minha cama, lembrando o que planejava fazer da última vez que estive ali: abrir o maldito envelope que agora já me irritava profundamente. Fiz questão de trancar a porta para que nada nem ninguém me atrapalhasse, eu tinha que ver o conteúdo daquilo naquele momento, ou iria enlouquecer.

Com cuidado para não rasgar o envelope e o que estava dentro, puxei sua aba e retirei a carta e mesmo antes de abri-la, dei um suspiro de decepção. Era um papel qualquer, nem acreditava que aquilo tivesse prendido minha atenção de tal forma. Naquele momento percebi minha "falta de inteligência". Se tivesse aberto no momento em que o peguei, não teria ficado assim. Não haveria expectativa, não haveria decepção. Acho que por isso as coisas davam errado na minha vida. Eu esperava demais das pessoas, esperava demais de mim e como as coisas não poderiam acontecer do jeito que eu queria, o que me sobrava era sempre a frustração.

Mas eu ainda não entendia porque alguém tinha me mandado aquilo e porque sem nome. Então, finalmente a abri.

"Olá, Audrey.

Bom, serei direto: Preciso conversar com você a sós e ninguém pode saber disso, pelo menos por enquanto. Te encontro no endereço que seu pai lhe mostrou aquela vez, dizendo que era nosso esconderijo, se lembra? Caso a resposta seja não, pode me ligar quando quiser. Vá de carro e leve algo para comermos, eu me encarrego das bebidas. Sem mais, te encontro às 02:30a.m. na antiga Winsterburg.

Tchau, Audrey."

Notas finais
De quem é a carta? O que a pessoa quer com ela? Palpites?