Unblesseds
3 Capítulo 2 Um misterioso Olá.
Notas iniciais
Quando o exercito vermelho chegara ao local, a construção estava completamente destruída. O Antiquário do Velho Clen agora não passava de ruínas em chamas. Um garoto de cabelos vermelhos saira de lá, carregando o velho Clen nos braços. Ele largou o homem na calçada, como se não passasse de um trapo velho.
– Isso vai te ensinar uma lição... — Disse Marick — Enganar os outros é errado! — Repreendeu ele, com o polegar para cima.
– Ei! Garoto! — Chamara um dos soldados, vestido com o habitual uniforme vermelho — Você viu quem fez isso?!
Marick olhou do rapaz para a construção em chamas e de volta ao rapaz.
– Ue... Acho que exagerei um pouco... — Ele coçara a nuca. — Mas... Esse velho...
Ele mal pode completar suas palavras. Ao som de um apito, mais cães vermelhos surgiram de ruas e vielas, empesteando o lugar em segundos. Todos armados. Marick recuara um passo quando meia dúzia de soldados o encurralaram.
– Hoje não vai ser um bom dia, Bey... — resmungou, aparentemente a esmo.
***
– Então... — Começou Marceline. Aparentemente a garota estava concentrada apenas no redondo e carnudo rosto do enorme homem grisalho a sua frente. O Prefeito mais tinha a aparência de um suíno — O que você deseja de minha pessoa?
O homem sorrira. Levantando-se de sua cadeira, passara a caminhar ao redor de Marceline, em seu enorme gabinete. A garota continuara olhando fixamente para a frente, sem dar a mínima importância ao olhar inescrupuloso do sujeito.
– Você é mesmo a mulher que procuro? — Questionara ele, logo após retornar a seu lugar. A garota nada dissera, permanecera calada. O prefeito sorriu — você não vai se importar se eu tentar comprovar, não? — Silêncio — Sendo assim...
O brilho em seus olhos era malicioso. Seus grossos lábios rosados abriram-se em um enorme sorriso. O prefeito bateu palmas algumas vezes, quebrando o silêncio fúnebre que se estendia desde a chega de Marceline em seu gabinete. Tudo em seguida ocorrera como um flash. Dois projéteis foram atirados contra a garota que, apesar de surpreendida, fora rápida, empunhando sua espada. Desviou da primeira bala com uma cambalhota em quanto rebatia a segunda com sua lâmina. Mais projeteis foram atirados contra Marceline, de onde exatamente era impossível dizer. Os movimentos da espadachim eram rápidos e precisos. Em quanto se esquivava com enorme velocidade, rebatia a maior parte das balas para longe. O prefeito parecia deleitar com gosto daquela cena. Seu sorriso parecia intensificar-se. O tilintar do metal contra o aço ecoava nos ouvidos da garota, misturado ao som de vasos e janelas que eram estilhaçadas quando eram atingidos pelas balas.
– ótimo! — Disse o prefeito, depois de alguns minutos observando-a. O ataque sessou e Marceline voltou a guardar sua espada, retornando a sua posição original.
– Qual o trabalho? — Perguntara rispidamente. Teve como resposta uma salva de palmas originadas do suíno homem a sua frente.
– E nem ao menos esta ofegante! — Vangloriou-se — ótimo! ótimo! — O velho homem continuava a bater palmas frenéticas — esse será o fim de todos os meus problemas!
– Qual o trabalho? — repetiu a garota, em mesmo tom.
O prefeito estalara os dedos. A porta principal fora aberta. Uma mulher, um pouco mais velha que Marceline, adentrara o recinto. Carregava consigo um arco em estilo LongBow que parecia ter sido usado recentemente. Ela tinha aparência séria. Trajava roupas extravagantemente justas por baixo de um colete, onde havia uma insignia com os dizeres " sobre o resplandecente signo das terras de Mercur” em um tom violeta. Pela primeira vez naquela manhã, Marceline se surpreendera. O que uma oficial do serviço secreto do reino de Mercur estaria fazendo no Império de Mars?" Perguntava-se.
– Qual é o trabalho? — Perguntara mais uma vez, claramente sem paciência.
– Digamos que... — o prefeito sorrira. O sorriso mais deformado e nojento cujo a garota já vira em toda sua longa existência — digamos que você não vai se arrepender. — Ele gargalhou. Uma gargalhada brutal. Algo no brilho em seus olhos a dizia que ela se arrependeria sim, e em breve.
***
– Bey, não adianta, não sairemos nunca daqui. — Falara Marick, novamente a esmo. Estava encostado próximo a unica janela de sua cela, com as mãos estendidas para frente. Um sentinela o observava com a sobrancelha arqueada, vendo-o conversar consigo mesmo desde que fora detido — Nossa! — Gritou o garoto de cabelos vermelhos subitamente — se você não tivesse me dito que a cela é anti-Soul magic eu não teria adivinhado! — Sua voz era provida de puro sarcasmo. Ele caminhou desanimado para um canto da cela, onde jogou-se no chão e enterrou a cabeça em seu colo.
– A Marcinha não vai gostar nada disso... — Choramingou — Eu sei que ela vai me matar, obrigado por lembrar, Bey... — Ele levantou a cabeça bruscamente, dando língua para o nada a sua frente. — Cara você sabe ser chato!
– Garoto! — Chamara o sentinela o qual o observava, curioso — com quem você esta falando?
Marick o fitara com puro desinteresse.
– Com o Bey... — Respondera e voltara a encarar o nada, resmungando.
– Você esta me fazendo de palhaço? — Uma veia saltou em seu cocuruto. Marick o fuzilou como se dissesse "Fica quieto!" E voltou a discutir com o espaço vazio a sua frente.
– Já chega! — Disse o soldado, cheio de ódio no olhar — seu lixo, vou mostrar a você como nós tratamos os insolentes aqui!
O sentinela retirara do bolso um pequeno porrete preto e aproximou-se da cela a passos largos.
– Mais um pio e você vai apanhar! — ameaçou. Os olhos ardendo em chamas.
– Quero ver isso... — desdenhou o garoto, mostrando a língua para o sentinela.
– Ora seu...!
– O que esta havendo aqui? — Perguntara uma voz autoritária.
– Capitão... — O sentinela batera continência — este meliante estava de deboche para com nosso tão apreciado e justo sistema policial e eu estava prestes a... — ele abriu aspas no ar com os dedos — Dar uma pequena lição nele...
– Marick... — uma segunda voz reverbera naquele recinto. O garoto de cabelos vermelhos ficara de pé em um pulo. Marceline estava ali. Ela não parecia ter sido capturada, já que não era escoltada por nenhum cão vermelho por exceção de uma garota de longos e lisos cabelos castanhos que carregava uma espécie de arma que Marick nunca vira antes. A garota percebera que o Soul Linker a encarava e passou a fuzila-lo com o olhar. Olhos de um castanho âmbar opaco, sem vida. Marick sentiu um calafrio percorrer por todo seu corpo e desviou seus olhos da garota, voltando a focar Marceline.
– Solte este garoto. — Ordenou o robusto capitão, o que surpreendera a Marick e ao sentinela.
– Mas senhor... — O soldado tentara protestar mas seu superior o lançara um olhar repreendedor. Ele suspirou — Certo.
Foi ate sua mesa, de onde tirara um chaveiro com chaves muito parecidas. Ele encarava Marick, em quanto suas mãos encarregavam-se de destrancar o cadeado.
– Teve sorte, garoto... — sussurrou a Marick quando, em um click, a cela fora destrancada e o garoto estava oficialmente livre. O Soul Linker piscara para o sentinela o que fez homem estreitar os olhos com raiva.
– Vamos... — chamou Marceline, assim que o garoto se aproximara — Mande o Bey ficar visível, temos um trabalho a ser feito.
– Ouviu a chefinha... — Disse Marick a esmo. No mesmo instante, uma luz fraca surgira em seu ombro esquerdo. O cintilar esfumaçante tomou forma aos poucos. Em segundos, uma pequena criaturinha surgira. Ela sorriu ao ver Marceline e flutuou até a garota, que fizera caricias em sua cabeça.
– Venha, temos que chegar em Zillian Town até o anoitecer. Informarei os detalhes em breve.
O garoto assentiu. Em quanto Bey permanecera flutuando ao redor de Marceline e Marick, os três, seguidos da garota armada com um Grande Arco cuidadosamente entalhado, seguiram em direção a estação de trem da cidade.
***
– Deixa eu ver se entendi... — Marick inspirou e expirou, tomando concentração. Estavam sozinhos no vagão de trem. Marceline admirava o por do sol através da janela, em quanto Sara mantinha os olhos fixos em Marick e Bey brincava com uma bola de borracha que havia encontrado — Você — ele apontou para Marceline — arrumou um trabalho com o prefeito da Facção do império de Mars, os caras que estamos lutando para tirar do poder... — A garota de cabelos negros assentiu — Okay... E ela... — ele apontou com o queixo para Sara — é uma agente de elite do exercito de Mercur, que na verdade é uma espiã de Mars infiltrada?
– Exatamente. — Concordou Marceline. Marick a encarou surpreso por um instante e suspirou.
– E a missão — continuou — é capturar um rebelde que vem agido contra as forças de Mars?
– Isso. — Agora quem confirmara fora Sara — Mas, esse elemento não vem agido contra Mars apenas.
– Como assim? — Perguntara Marick, curioso. Marceline virara o rosto para o garoto e apoiou os cotovelos em cima da mesa de madeira.
– Esse sujeito vem agido contra as tropas de Mercur e interferido na resistencia sobrevivente de Juno, ou seja, nós. — Respondera Marceline.
– Então...
– Então, ele é uma ameaça não apenas a Mars. — Completara Sara — desconfiamos que este sujeito esteja envolvido em algum tipo esquema, trabalhando para Plunto. Porém, ainda não obtivemos provas suficientes para confirmar nossas suspeitas.
– Mas por que Plunto estaria envolvido nisso? — Perguntara Marick, claramente confuso — não faz sentido! Eles assinaram o tratado de neutralidade perante a guerra.
– É ai que esta... — Marceline tomou folego — Plunto é um país regido por um sistema de governo democrático. Não como o império de Mars ou o falecido reino de Juno e o reino de Mercur. A economia Pluntiniana esta em decadência.
– Como é? — Perguntara Marick, fazendo Marceline suspirar.
– O maior fornecedor de Metais e pedras preciosas no Continente de Cazz é Mercur. — Explicara Sara — O país com maiores recursos econômicos é Mars. Como o Presidente da República de Plunto não se pronunciou diante da guerra, assinando o tratado de neutralidade, o país deixou de receber os beneficios os quais Mars e Mercur o despunha.
– O que levou a uma crise econômica. — Completara Marceline — Uma vez que Plunto é um país onde o comercio é a principal fonte de renda. Com o tratado da Neutralidade, Mercur e Mars deixaram de importar produtos de Plunto.
– E ai esta um grande motivo para o país querer destronar as grandes facções... — concluíra Marick, fazendo com que Marceline e Sara assentissem ao mesmo tempo.
– Você compreendeu.
A conversa esfriou depois daquilo. Marick babava com a cabeça apoiada na janela enquanto Marceline e Sara apenas apreciavam a vista. Foi no momento em que ouvisse um ronco vindo da barriga de Sara que fez Marick levantar-se quase na mesma hora sem entender nada. O olhar, sempre frio e discreto, de Sara se tornou tímido e envergonhado como marick nunca imaginou um dia ver, foi no momento em que levantara as pressas pisando enfurecida de vergonha em direção a porta de saída do vagão que dava para o restaurante.
– Parece que ela não come direito a alguns dias, me disseram que ela tinha acabado de chegar de uma missão. –Conta Marceline sorrindo em direção a porta –
Marick da um pequeno sorriso de canto de boca ainda com seus olhos serrados de sono e volta a cochilar apoiado na desconfortável janela.
Seu sono fora estragado pelo estrondoso som da locomotiva. Para sua surpresa, o trem parara de maneira brusca, lançando-o a alguns centímetros para frente.
– O que...? – Arfara Marceline. Tudo ocorrera em um flash. Um segundo depois, vultos encapuzados inundaram o vagão como um mar negro. Marick fizera menção de levantar-se, mas antes que pudesse se quer sacar sua Radakov, sentiu seu corpo ser elevado por um par de braços.
– Me larga! – Gritara o garoto, enquanto se debatia ferozmente. – Me solta!
Um arrepio correra por todo seu corpo no mesmo instante em que uma faca fora posicionada em seu pescoço. De imediato, ele parara de lutar. Procurou com os olhos por Marceline, e a encontrou sendo abordada por mais dois dos vultos sinistros. Um a segurava pelos braços enquanto o outro, com uma espécie de revolver nas mãos, mirava em sua têmpora. Marick fechara as mãos em punhos. O repentino pânico causado pelo inesperado ocorrido transformara-se em raiva. Não deixaria que machucassem Marceline. Não sua parceira.
– Marcy! – Gritou e os braços que o envolviam o apertaram-no ainda mais, fazendo-o ofegar.
– Estou bem! – Respondera Marceline, com uma segurança de dar inveja.
– Quem são vocês?! – Questionara o Soul Linker, agora aliviado por perceber que sua companheira não parecia estar machucada – O que querem? — Marick sentiu a fina ponta da lâmina afundar em sua carne, abrindo um pequeno talho em sua pele. O Calor do liquido escarlate que brotava de seu pescoço, entrava em contraste com o frio mortal da lâmina.
– Pare com isso, Fritz! – Repreendeu um dos vultos. Sua voz era fria, firme e arrepiante. A voz de um soldado. – Não mate o garoto! Só precisamos da espadachim.
– P-perdão! – Desculpou-se Fritz, o homem que segurava Marick em um abraço mortal – Me animei um pouco... – Marick sentiu os músculos do braço de Fritz relaxarem, enquanto os seus próprios ficavam cada vez mais tensos. Marick contara mentalmente, os homens encapuzados estavam em 5 no total. Teria de tentar algo e esse seria o momento ideal – Não diga ao Senhor que...
– Bey! – Marick Gritara e, menos de dois segundos depois, o pequeno fogo azul espiritual materializara-se em sua frente. Os vultos arfaram e, se Marick pudesse ver seus rostos por trás do negrume do capuz, veria com clareza, o espanto em seus olhos.
– Um Soul Linker?! – Questionara o homem que segurava Marceline – O Senhor não mencionou...
– Rápido, a Radakov! – Ordenou para o pequeno Soul Guardian. No mesmo instante Bey voltara a ficar invisível. Em questão de segundos, Fritz fora lançado contra uma das paredes do vagão. O Soul Guardian gargalhava, com sua voz fina e esganiçada enquanto Marick empunhava sua Radakov com vigor. – Bey, não fique rindo da desgraça alheia... –desdenhosamente Repreendeu o Soul Linker. – Então, — ele se virou para os agressores de sua parceira – vocês acham que podem nos pegar de guarda baixa? – O garoto de cabelos vermelhos começara a caminhar na direção dos quatro homens de manto preto.
– Não chegue mais perto! – Ordenou aquele que empunhava a arma. Aquele que parecia liderar o bando sacara duas armas de suas mangas.
–Olá Marick Windsing, — caçoou o homem de voz firme — é melhor você sair daqui enquanto há tempo... — Marick hesitou, recuando um passo para trás. Ao que parecia, aquelas pessoas sabiam muito bem quem ele e Marceline eram. – Conheço suas habilidades – prosseguiu o homem, chegando cada vez mais perto, a passos curtos – Sei muito bem do que você e a Valquíria são capazes. – Ele pendurara uma das armas em seu cinto e, com a mão livre, abaixara o capuz. Seu rosto não tinha nada de bizarro, como a voz sugeria. Seus olhos castanhos eram firmes, olhos, que ao ver de Marick, eram banhados por um tom escarlate em baixo da Iris castanha. Olhos de um assassino. – estou preparado para quais quer que sejam suas ações. Seus feitiços não me enganam...
– Ah é?! – A raiva transbordava de cada poro de seu corpo. Marick odiava ser subestimado.
– Marick! — Chamara Marceline, para sua surpresa – não tente nada... – a calma com qual suas palavras o atingiam, alimentava cada vez mais seu instinto de luta. O garoto empunhara sua Radakov ao alto, enquanto sua mão percorria pela bolsa de couro que carregava consigo – Marick, por favor... – ele recuara um pouco. Era impressão ou o tom demonstrava uma leve pitada de pânico?
– Maldito! – Aquilo o tomara de surpresa. Enquanto o garoto estava distraído, Fritz, o homem que a pouco Marick avia nocauteado estava de pé. Suas mãos segurava um tipo de porrete de madeira, o qual foi direto contra as costas de Marick atingindo-o com extrema força. A dor foi instantânea e fez o garoto cambalear para frente, caindo de joelhos.
–Parece que você fala de mais garoto. – comenta o misterioso sem demonstrar nem um tipo de sentimento em seu rosto enquanto da as costas – Tudo escurece, Marick
com sua visão cada vez mais turva assiste os vultos irem embora com sua parceira e enfim desmaia.
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