Una Notte Di Pioggia
1 Oneshot.
Naquele momento, o sol começava a ir embora, deixando o tom cor-de-rosa no céu que, anteriormente, estava alaranjado. Fixou seus olhos muito claros na imensidão rosada logo acima, admirando-a enquanto mantinha-se encostado numa árvore qualquer. Já fazia algum tempo que estava ali, no meio daquelas árvores, apenas observando. Apenas pensando. Soltou um suspiro longo e refez seu caminho com a mesma lentidão para a grande mansão da Varia. Caminhou de cabeça baixa, fazendo seus fios prateados escorregarem por seus ombros, mas assim que resolveu erguer os olhos novamente, percebeu o céu acinzentando-se, perdendo o fascinante tom rosado e sendo tomado por nuvens carregadas de chuva. Suspirou agora de forma irritada por ainda estar distante da mansão. Acabaria tomando chuva de qualquer forma.
- VOOOOI! Chuva maldita, só cai em hora errada – comentou sozinho, enquanto acelerava um pouco os passos.
Era inútil, ele sabia, porém manteve-se num passo acelerado. Ao aproximar-se dos grandes portões da mansão, generosas gotas geladas de chuva caíram do céu, molhando seus longos fios de cabelo prateados. Atravessou os portões com pressa e correu para as altas portas de madeira da entrada, abrindo-as para adentrar o local bem decorado e iluminado.
Squalo fechou a porta atrás de si e checou seu uniforme, percebendo o couro negro completamente molhado, assim como seus cabelos e sapatos. Xingou de sua forma escandalosa e tomou seu caminho para seu quarto, atravessando o hall e seguindo pelos corredores bem iluminados. Levou seus dedos para seus cabelos prateados, prendendo-os e assim espremendo-os de forma cuidadosa para fazer a água escorrer em direção ao chão, sem se importar com o carpete bem cuidado que molhava. Aproximou-se das portas de madeira escura que davam acesso ao seu quarto, colocando os dedos úmidos na maçaneta para abrir. No mesmo instante, foi interrompido pelo jovem de cabelos louros e bagunçados onde repousava uma pequena e delicada coroa.
- Squalo! – chamou Belphegor, aproximando-se do homem de cabelos prateados – Estive te procurando esse tempo todo.
Os olhos ocultos pela franja loura de Belphegor analisaram Squalo dos pés a cabeça e, ao percebê-lo molhado, abriu seu sorriso branco e bem cuidado e soltou um riso discreto, como de costume. Squalo olhou-o de forma irritada e logo largou a maçaneta de sua porta.
- Vá logo ao ponto. O que quer, Belphegor? – Cruzou os braços impacientemente ao terminar tais palavras, fazendo o louro em sua frente calar-se, mas manteve o sorriso largo no rosto.
- O chefe está a sua procura. Ele esteve no salão, enquanto eu e Fran jogávamos sinuca, e perguntou por você.
As palavras de Belphegor fizeram os olhos de Squalo revirarem-se de impaciência. No mesmo momento imaginou o chefe da Varia aparecendo no cômodo, com sua expressão superior tomando o rosto, e provavelmente perguntando por Squalo da pior forma possível. Levou suas mãos para o rosto molhado e afastou a franja que pingava, suspirando de forma irritada ao responder.
- Não posso ir até a sala dele agora. Como percebeu, estou molhado e com frio. Preciso de um banho quente e roupas secas. Se ele aparecer, avise que depois eu...
- Ele parecia irritado. – Belphegor interrompeu-o, mexendo distraídamente numa mecha de fios loiros de sua cabeça — Você sabe acalmá-lo nesses momentos, não sabe? Seria bem melhor que fosse resolver isso agora.
Acalmá-lo? Não era bem isso. Xanxus descarregava a raiva em Squalo arremessando coisas de todos os tipos e tamanhos em todas as partes do corpo do homem de cabelos prateados. Na verdade, o moreno de pele manchada poderia até ficar calmo depois disso, mas Squalo não.
- Voooi... Tá, tá. – Squalo deu as costas para Belphegor e retomou seus passos, estes que agora o levavam para os aposentos do homem dos dois X da Vongola. Da última vez que esteve por lá, havia levado um banho de whisky e um copo na cabeça. Esse tipo de coisa acontecia todos os dias, porém ainda não estava acostumado e se irritava sempre.
Bateu duas vezes com os nós dos dedos na madeira escura das portas do chefe e, sem esperar que fosse permitido entrar, empurrou a porta e adentrou o local. Ao fechá-las atrás de si, levou os olhos para a escrivaninha do chefe, porém, a única que coisa de pôde ver foi um copo voando em sua direção. Desviou rapidamente e, de novo, levou os olhos acinzentados — e no momento raivosos — para o chefe que repousava calmamente em sua cadeira confortável, com suas pernas cruzadas em cima da escrivaninha.
- VOOOOOOOOOI! Mas que p... – Squalo controlou-se e selecionou novamente as palavras – O que foi agora?!
Xanxus levantou seus olhos vermelhos e os levou até Squalo, fixando-os nele. Manteve-se calado, apenas abservando. Squalo respirou fundo, irritado, e caminhou em direção a porta, para assim sair. Ao abri-la, ouviu a voz rouca de seu chefe.
- Fique.
Sem nem mesmo pensar duas vezes, voltou em seus passos de forma calma e fechou a porta, porém manteve-se de costas para seu chefe. Conseguiu compreender no mesmo instante que ouviu a voz dele. Xanxus estava se sentindo só. Por isso pareceu irritado para Bel, por isso esteve procurando por Squalo. O chefe da Varia só não admitiria isso. Nunca o fez. Porém Squalo o conhecia o suficiente para ter certeza disso, por conta de todos esses anos que passaram juntos.
Ouviu passos calmos vindo em sua direção e logo sentiu os braços quentes rodeando-o e o corpo forte encostado no seu. Apenas fechou os olhos, contando mentalmente quantas vezes o chefe já havia feito aquilo. Ao desistir da contagem, entreabriu os olhos enquanto sentia o rosto de Xanxus afundar na curva de seu pescoço e observou a mão dele, discretamente, rodar a chave na fechadura da porta, assim trancando-a.
- Por que está molhado? – Ele sussurrou contra a pele gelada de Squalo, enquanto movimentava os dedos entre seus fios de cabelo molhados.
- Ahm, eu estava lá fora e não consegui entrar a tempo quando a chuva começou... – respondeu ao retirar as mãos da maçaneta da porta, levando-as para os braços que os rodeava e assim iniciando um carinho discreto.
Xanxus soltou uma discreta risada nasal enquanto passava a distribuir beijos curtos sobre a pele gelada e úmida de Squalo. Seus dedos deslizaram pelo uniforme molhado do homem de cabelos prateados e logo encontrou o cinto, desafivelando-o de forma ágil. Sem pressa, guiou os dedos para os botões.
- Então temos que tirar essa roupa para que não adoeça. Não acha? – sussurrou Xanxus sensualmente próximo do ouvido de Squalo enquanto desfazia os botões de seu uniforme da Varia.
Squalo arrepiou-se por completo devido a voz sensual e rouca de seu chefe tão próxima de seu ouvido. Permitiu que Xanxus o despisse de seu sobretudo molhado, jogando-o em qualquer lugar de sua sala. E em poucos segundos sua camisa já estava desabotoada e juntando-se ao seu sobretudo no chão enquanto seu chefe lhe beijava a pele de forma mais intensa, com sugadas fortes. Aquilo lhe daria uma bela marca roxa na manhã seguinte, mas no momento isso não importava muito.
Assim que os lábios quentes de Xanxus separaram-se da pele do espadachim, o mesmo sentiu as mão do chefe virando seu corpo, de forma que ficassem frente a frente. Em poucos segundos, os lábios de Xanxus atacaram os de Squalo da forma mais voraz e sedenta possível, logo entrelaçando as línguas enquanto os braços do moreno envolviam o corpo do outro, assim colando-o junto ao seu. Dessa forma, depois de certo tempo de beijo, puderam sentir o corpo um do outro reagir. O contato resultou em ofegos pesados e discretos gemidos soltos entre os beijos vorazes.
O chefe da Varia guiou o espadachim por sua sala aos tropeços, aproximando-o da porta logo atrás de sua escrivaninha, onde o jogou. Prensou-o contra a madeira escura, roubando-lhe mais um beijo voraz enquanto abria a porta e, novamente, empurrava o homem de cabelos longos. Ao adentrarem o luxuoso quarto, Xanxus rapidamente levou Squalo para a cama, onde se despiram por completo.
As horas seguintes foram preenchidas com gemidos altos, suor, dor e prazer, repetindo-se várias vezes naquela mesma noite, até adormecerem juntos devido ao cansaço e a sensação relaxante do clímax.
Squalo abriu seus olhos acinzentados e percebeu que ainda estava despido na cama de Xanxus. Levantou o olhar e o fixou no relógio em cima do móvel ao lado da cama. Meia-noite e meia. Virou-se e procurou por seu chefe na cama, apenas encontrando o vazio ao seu lado. Porém, ao levantar o olhar, encontrou-o sentado numa das confortáveis poltronas de frente para a grande janela de cortinas abertas. Havia um copo com whisky com gelo em sua mão e, pelo que parecia, ele estava vestido num robe negro. Observava a chuva que caia lá fora. Squalo sorriu de onde estava e apenas continuou observando de longe o homem que não admitia amar.
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