Un regalo

3 pétala l


Notas iniciais
olá :) espero que gostem

Alguns dias depois..

Como todos os dias Julieta levantou-se no primeiro cantar do galo. Mercedes já havia posto a mesa. Darcy e Charlotte se serviam, porém, em sua singela conta estava faltando alguém, e Julieta de imediato estranhou sua percepção.

— Mercedes, ponha outro lugar. — ela disse educadamente. — Creio que Aurélio não irá demorar a descer.

— Não, senhora. O senhor Aurélio levantou-se cedo, tomou café da manhã na cozinha mesmo, e saiu. — disse a mulher servindo café a Olegário. Julieta franziu o cenho demorando a intender as palavras de sua empregada. Suspirou, e presenteou Charlotte com um sorriso fraco.

Haveria de ter acontecido algo muito importante para Aurélio ter se dispensado tão cedo, e sem ter a dado uma singela explicação. Mas, seria obrigação sua explicá-la onde ia ou deixara de ir?

Seu café esfriou-se, sua fatia de bolo de minho (que era o seu predileto), não parecia mais tão apetitoso. Que diabos! Como deixou que suas emoções a tomassem tanto? Como se permitiu a isso.

Era amor; sua cabeça dizia. E seu coração a dava certeza disso.

Em um relance Darcy pronunciou o nome de Aurélio, e Julieta, de repente o fitou.

— O que acha, Julieta? — o homem perguntou sorridente.

— Me desculpe, Darcy, eu estava distraída. O que me perguntou?

— Aurélio, vejo que ele está um pouco fadigado sem muitas opções aqui em São Paulo. Pensei em levá-lo comigo para escritório.

— Aurélio, me parece um homem muito inteligente. — disse Charlotte.

— Bom, fale com ele, Darcy. — Julieta disse. — Creio que será de bom agrado ja que, Aurélio não costuma fugir de nenhum de seus afazeres. Seria bom, pra distrair. — Darcy assentiu. — Agora se me permitem, irei terminar algumas coisas que deixei pendente. Com licença.

...

— Eu disse para não reagirem, aí meu Deus! Papai! — Ema andava de um lado para o outro com as mãos em sua cabeça. Camilo tinha apenas um pequeno corte em sua mão, no entanto, seu pai estava com parte do rosto machucado. — O seu olho, papai.. Esta roxo... Chamem a polícia, digo, um médico.

— Ema, eu juro que se você não se acalmar, eu serei obrigada a dar-lhe um soco. — disse Jane, com um saco de gelo em mãos.

— Tudo bem, tudo bem... Tentarei me acalmar. — respirou fundo a baronesinha. — Mas eu disse.. Não reajam! Não lutem! Mas os dois teimosos, querendo dar uma de heróis fizeram o contrário. E agora estão aí machucados.

— Eu jamais deixaria que a machucassem, Ema, minha filha. — Aurélio disse sentindo o gelo derreter em seu rosto. — Aqueles homens queriam a fazer mal.

— Eles apenas iam nos assaltar, papai.. Levariam o dinheiro e tudo ficaria bem.

— Eu não sei. Eles estavam armados.

— Com facas, para ser mais exato. — Camilo disse olhando para sua mão que ainda tinha marcas de sangue.

— Se arriscaram, nisso Ema esta certa. — disse Jane. — Mas o que importa é que estão bem.. Todos a salvo. — sorriu a loira para seu marido. — Senhor Aurélio, se precisar de algo estarei ao seu dispor.. — Aurélio assentiu. — Bom, agora cuidarei de meu marido herói. — virou os olhos brincando.

Ema esperou que Jane e Camilo saíssem. Olhou para seu pai preocupada, e apreensiva.

— Esta doendo, não é? — ela perguntou tocando o rosto do pai. — Ainda podemos ir ao hospital, papai.

— Não se preocupe, Ema.. — sorriu. — É apenas um olho roxo. Ficarei bom.

— Tudo bem.. Mas não o deixarei sozinho. — ele assentiu aceitando sua preocupação. — Por favor, fique aqui essa noite.. Eu dormirei com Elisabeta no quarto ao lado.. Ficarei mais despreocupada.

— Tudo bem.. — ela sorriu.

— Então... Temos o dia todo livre. Como está machucado ficaremos aqui pelo cortiço mesmo. Vamos a casa de Tenória.. — Aurélio sorria e admirava a forma doce e de menina de sua filha. — Acho que ela irá gostar.. O que acha?

— Acho que.. Aí — ele gemeu quando tentou se levantar.

— Papai! Esta machucado em outro lugar?

— Não, não, acalme-se.. — falou se pondo de pé finalmente. — Estou apenas ficando velho.

— Velho.. Veja só.. Um homem em sua plena juventude, e que esta apaixonado.. — sorriu. — Não tens nada de velho, senhor Aurélio. E se me permite dizer; es um dos homens mais lindos que conheço.

— Diz isso porque sou seu pai, minha filha.

— Digo porque não costumo mentir, e porque é verdade.


...

O passeio na casa de Tenória não fora demorado, até porque, a moça ainda não via com bons olhos a aproximação dos Cavalcantes, principalmente a de Barão. Aurélio fora questionado por todos sobre o acontecido, e diversas vezes teve que explicar que, era apenas um olho roxo, que ele estava bem.. que não deviam se preocupar, afinal, era apenas um olho roxo.

No entanto, ele se sentia exausto, ao se deitar novamente na cama de Ema, fechou os olhos depois de um longo suspiro e pensou em Julieta. Quase não acreditava no que havia acontecido dias atrás.. Ele e Julieta haviam passado a noite juntos, uma rápida e inteira noite. O cheiro de seus cabelos, o cheiro de sua pele, o perturbou por horas, até que ele também se perdesse no sono. Era quase impossível acreditar que ela estava ali, tão linda, meiga e... dele. Não pensava no físico, por mais que a desejasse, mas no sentimento que tinha por Julieta. Não precisava de muito, bastava um sorriso seu, um toque de amor, um beijo mais demorado, e ele se sentia tão afortunado. Então, de repente... ela estava em seus braços, suspirando como anjo, cheia de feridas, mas aparentemente anestesiada de suas dores.. Com o passar do tempo ela se pôs mais próxima de seu corpo, o vento frio o fez cobrir seus corpos, e ela estava ainda mais próxima.. Em um momento, ela murmurou algo, e sorriu, ele não entendeu nada, mas agradeceu aos deuses por poder contemplar tamanha curva perfeita e rosada. Desejava vê-la dormir em seus braços pelo resto de seus dias... suspirou.. E Deus, como ele desejava.

Mas os devaneios de Aurélio teriam que esperar outro momento para serem detalhados. Seu sossego fora interrompido por uma falação no corredor a frente, e a porta do quarto de repente fora aberta.

— Aqui está! — disse Ema sorridente, e acompanhada de uma linda moça.

— Aconteceu algo? — ele perguntou se acomodando na cama de forma ereta.

— Claro, o senhor fora golpeado, ou não se lembra mais?

Ele rapidamente virou os olhos.

— Não adianta bufar como um menino mimado, papai. Eu trouxe a Doutora Mariko para dar uma olhada nesse olho roxo.

— Mas eu estou bem, minha filha!

— Não se preocupe, Aurélio. Eu apenas irei fazer uma avaliação rápida, só averiguar se sua visão não fora afetada. — Mariko disse deixando sua maleta em cima da cama.

— Bom, já que está aqui, não vejo porque recusar, mas eu estou bem, em! — garantiu ele. Ema sentiu-se mais aliviada com a aceita de seu pai, e saiu de fininho para que ambos tivessem privacidade.

Mariko balançou a cabeça depois de um sorriso tímido. Aproximou-se de Aurélio, e o segurou pelo queixo tendo noção da roxidão em seu rosto, não parecia grave, mas ele devia está com uma bolsa de gelo sobre sua pele machucada, e um pouco de remédio não faria nada mal para que sua recuperação fora mais rápida, pensou a médica.

— Não é tão grave.. — ele assentiu convencido por ter certeza que estava certo. — Mas você tem que colocar gelo em cima de seu olho, não deixe por muito tempo, abaixa temperatura pode causar queimadura.. — ele assentiu novamente.

— Bom, acho que Jane pode me conseguir um pouco mais de gelo..

— Oh, Jane! — a mulher disse de repente. — Ela também quer que eu veja o ferimento de Camilo. — sorriu. — O senhor está ótimo, saudável..

— Diz por minha idade?

— Não, minha intenção não foi ofendê-lo.. Digo porque, o senhor e Camilo foram muito corajosos.

— Se me permite dizer, a senhorita também é bastante corajosa. Não deve ser fácil esta em um meio que ainda é dominado pelos grotescos e orgulhosos homens.

— Não, não é nada fácil.. — suspirou. — No entanto, já me acontecera tantas coisas que... — ela olhou diretamente para Aurélio, e o mesmo a entendera.. — Bem.. Não vou lhe incomodar com meus lampejos.. — Aurélio sorriu largo sendo compreensivo.

— Tudo bem..

Um suspiro mais alto fora ouvido, e imediatamente ambos olharam em direção a porta. Julieta os olhava com curiosidade. Por que Aurélio ria tanto? Por que estava em um quarto sozinho com uma mulher, jovem.. E por que diabos ele a olhou rapidamente, logo virou seu rosto em direção novamente da mulher?

Não sabia ao certo o motivo de sua irritação, mas sabia que estava extremamente irritada, desde a manhã, quando não o viu na mesa de café, quando não o viu o dia todo.. Não queria pensar, ou imaginar coisas, mas ao que parecia, ela não o fizera nenhuma falta.

— Interrompo? — ela disse sem tirar os olhos dele.

— Não, eu já estava de saída.. — sorriu a médica. — Ah, não precisa levantar-se, Aurélio. Falarei com Jane.

Aurélio... Aurélio.. A voz da mulher ecoou sobre o juízo de Julieta. Mariko saira, e Julieta continuou imóvel. Não esperava encontrá-lo no cortiço, (sua intenção era visitar Camilo) e muito menos tão à vontade na presença de uma mulher que não fosse ela. Sabia que, Aurélio era muito galanteador, porém, no fundo ela se assumia egoísta, e desajava que ele guardasse seus melhores sorrisos para ela, que seus galanteios cliches ficassem apenas no pé do seu ouvido e que... respirou fundo.. POR QUE ELE NÃO A OLHAVA?

Apertou seus dedos na alça de sua bolsa que estava a frente de seu corpo, e deu dois passos, quizá, ele diría algo.

— Você.. sumiu o dia todo, confesso que não esperava vê-lo aqui. — ela disse. A olhando meio torto ele a respondeu:

— Fui ao trabalho de Ema, estou muito orgulhoso com sua nova iniciativa. — ela assentiu.

— E passará a noite aqui, creio..

— Sim..

— Estava muito bem acompanhado, como pude ver e presenciar..

— Um capricho de Ema.. — ele respondeu. Não queria que ela o visse daquela forma, mas a conversa estava tomando um rumo que não o agradava.

— Ema.. — ela assentiu com uma leve impressão que ele estava mentindo, por essa impressão, seu peito se apertou... queria ir embora, mas ao mesmo tempo seus pés não se moviam.- Er... então.. — ia se despedir, mas não suportava mais não mirar seus olhos com clareza. — Aurélio, olhe para mim.. — pediu quase suplicante. — Pode estar de dentes abertos para outra mulher, é um direito seu.. Mas negar-se a olhar-me? Eu-eu.. jamais esperaria uma atitude sua assim. No entanto, fique bem, e com suas boas companhias...

Ela virou-se dando de ombros. Aurélio saltara tão prontamente da cama que, fora impossível Julieta mesmo virar a maçaneta da porta.

— Espere.. — ele disse atrás dela. Julieta sentiu seu corpo quente atrás do seu, e olhou para mão grande e gélida que estava sobre sua. Estava ofegante, poderia admitir também que se ele não tivesse a impedido de ir-se, ao sair por aquela porta, Julieta sentiria uma dor profunda, uma que ela um dia já sentiu quando viu seus sonhos serem destruídos. — Vire-se, por favor.. — ela suspirou com a pouca distância que ele a dava, e enfim virou-se.

Reparou que dois botões de sua camisa estavam abertos, logo mirou sua boca sedenta.. Queria tanto olhá-lo nos olhos, e perde-se no seu céu azul, mas agora, sua boca, seus lábios pareciam dominar suas vontades. O peito dele estava quase tocando o seu, e isso fez suas mãos transpirarem.. sentiria isso todas as vezes que ele se aproximasse dela? — Julieta.. — ele disse seu nome esperando que ela o olha-se e visse o terror em seu rosto..

Mas ela não o fez, então, Aurélio, segurou seu rosto entre as mãos e arranco-lhe o ar com um beijo repetino, e fugaz. As costas de Julieta se chocaram com a porta, a mantendo mais fechada. Ela sentiu seu peito sendo presionado, e seus quadris sendo levemente apertados. Aurélio sentia a pressão em seu rosto, e mesmo que o incomodasse pouco, ele não deixou de desfrutar mais uma vez dos beijos de sua amada. Tê-la contra si, mexia com seu corpo, coração e desejos. Amava declara-se com palavras.. no entanto, demonstra-la, ah, não havia nada mais prazeroso. E que companhia ele poderia desejar mais, senão a dela? Dos seus doces e macios lábios, dos grunhidos, e gemidos que saiam dos mesmo como um suplico de desejo... sua pele lisa como porcelana.. Sua presença que era o que ele queria pra vida toda.

O ar lhes faltou. E de repente estavam com suas testas encostadas. Lábios molhados, e levemente adormecidos.. um desejo mútuo acabara de ser demostrado da mais linda forma possível. Julieta tentava raciocinar, mas só conseguira pensar no quanto amava aquele homem, o quão sua falta mexeu com ela, e que Aurélio.. era a chave que estava faltando em sua vida, a chave que estava abrindo seu lado antes esquecido e trancando de imediato o lado obscuro e amargo do seu passado que ainda era presente.

Ele segurou em sua mão, e a levou até o seu rosto exatamente onde estava machucado. Julieta abriu os olhos, e finalmente o olhou. Engoliu em seco quando viu onde seus dedos estavam descansando, encontrou o olhar de Aurélio, então entendeu porque ele estava a evitando.

— O que lhe aconteceu?

— Alguns homens tentaram assaltar Ema, no caminho do trabalho, mas eu e Camilo chegamos a tempo para defendê-la.. — dizia enquanto reparava as reações dela. — Por descuido, acabei levando um soco no olho.

— E por que esconder isso de mim? Já não sabes tanto? O quanto me abro contigo.

— Não queria preocupa-la.

— Pois quase me fez acreditar que.. — apertou os olhos ao pensar. — Que também estava me deixando. Não sabes o que senti quando o vi cessar seu sorriso ao me ver..

— Perdoe-me, sim? — acariciou, seu rosto. — Andas com tantos problemas, meu amor.. Poupa-la de minhas bobagens me parece mais apropriado.

— Poupar-me de uma agressão que você sofreu? — riu nervosa. — Diga-me, estes homens estavam armados? — ele suspirou afastando-se um pouco, mas não deixando de segurar a mão de Julieta.

— Com facas...

— Aurélio!

— Eram covardes! Só atacam moças..

— Deus.. Você e Camilo estavam loucos!

— Julieta, era Ema.. — ela o olhou séria.

— Eu sei, eu sei... Mas reagir? — indagou incrédula.

— Mas, veja.. Esta tudo bem. Eu estou quase bom, e Camilo apenas feriu-se na mão, nada grave. — disse tentando apaziguar a tensão entre eles. — Ah.. Aquela moça, era uma médica, disse que eu estou ótimo. — ele voltou a se aproximar dela. — Esta tudo bem..

— Não, não está. E sabes por que?

— Julieta..

— Não me reprima.. Onde está a parte que você me prometeu que compartilhariamos preocupação? — ele não a respondeu. — Compartilhamos, afeto e isso, eu amo. Mas também preciso saber de suas preocupações, de você. Como você acha que eu estaria agora se você estivesse em um hospital quase morto? Como eu ficaria sem o único homem que se importou comigo de verdade, o homem que eu amo? — ele sentiu sua voz embargar.. E sentiu mais ainda quando ela saiu, deixando apenas o rastro de seu perfume.

..

Ao sair do cortiço Julieta teve a infeliz coincidência de se esbarrar com Susana.. E Aurélio, também sem sorte, teve que suportar insinuações de Lady Margareth ao encontrar a megera no pátio do cortiço a procura de Elisabeta..


...

Notas finais
qualquer comentário é válido! :p