Un Lazo Que Nos Une
45 Deslize
— Enfim atendeu, prostituto.
A voz da mãe explodiu como um tapa seco na cara. Não era apenas raiva — havia ali um desgosto entranhado, fermentado por horas e horas de silêncio e angústia. Cecília parecia cuspir cada palavra com gosto, como se elas tivessem queimado sua garganta até serem ditas. — O Dante tem razão em te manter longe da filha dele. Você tá se tornando um lixo ambulante. Viçando, rodado… Uma vergonha. Me enoja, sabia? Me enoja te ver se perder desse jeito.
Era como se ela estivesse falando com o reflexo distorcido do homem que criou — e agora mal reconhecia.
CD — Que isso, mãe?! Eu tô bem, tá? Você me ligou de manhã, só falou do bebê… Agora me liga pra me esmagar desse jeito? Eu não fiz nada!
A voz de Carlos Daniel saía trêmula, não de medo, mas de exaustão. Ele tentava entender, mas se sentia encurralado — como um menino de novo, prestes a levar bronca por algo que não entendia direito.
Cecília — Tá achando que tá falando com quem, moleque? Com alguma das tuas vagabundas?
Ela arqueou a sobrancelha como se ele tivesse cometido o pior dos pecados.
— Tá errado, e ainda tem a cara de pau de bancar o desentendido. Só pra constar… sua encomenda chegou aqui.
CD — Quê? Que encomenda, mãe? Não comprei nada. Não tô entendendo…
Ele franziu a testa, já sentindo o incômodo crescer. Os olhos voaram até Paulina, que se virava de lado, puxando o lençol até o queixo. Aquilo já estava estragando o clima e o dia — talvez mais que isso.
Cecília — A casa caiu, queridão.
A ironia da voz cortava como faca.
— Li as conversas da secretarinha mequetrefe dizendo que estava te apalpando, toda cheia de intenção… querendo mil coisas contigo. E depois? Hein? Caiu pra dentro mesmo?
O silêncio de segundos do outro lado da linha parecia ensurdecedor.
CD — Mãe… que absurdo. Agora tá mexendo nas minhas coisas? Tá se intrometendo demais. Eu não te dei esse direito. Sou um homem, me deixa já…
Cecília — EU ME INTROMETO SIM!
A explosão veio carregada de mágoas antigas. — Sabe por quê? Porque se brincar com a Paulina, eu mesma boto ela pra cima e arranjo outro homem decente. Você tinha que ser corno, como eu devia ter feito seu pai ser. E sabe de uma? Vou chamar Paulina aqui em casa, tomar um sol comigo. Conversar. Contar das vezes que te vi chorando por ela, ouvindo La Guzmán, com o celular na mão stalkeando mulher de perna aberta. E os presentinhos que recebe? Lembra? É, eu vi!
CD — MÃE! Não houve nada com essa mulher, tá legal? Ela se insinuou, me tocou, ficou doida! O que você queria que eu fizesse? Eu sou um gostoso, fazer o quê? Ela sentiu… e eu recusei. Tá feliz? Eu NÃO ‘caí pra dentro’!
Carlos Daniel disse em tom grosseiro, sem acreditar que tinha que justificar esse tipo de coisa à própria mãe.
— E essa linguagem, mãe? Você era tão fina… Não tô te reconhecendo! Ah esqueci comigo sempre esse tratamento de sargento, sei que sou um ogro, mas poxa…
Cecília — Fina? Ah, meu amor, elegância não segura filho frouxo.
Ela jogou o cabelo pro lado, as ondas caindo nos ombros como se fosse uma diva dos anos 80 que agora cuspia verdades.
— Apesar dos pesares, foi assim que te formei com caráter forte, embora estudasse em colégio interno sabe que minha rédia sempre foi curta. Ahhh conta pra mim… onde isso terminou, hein? Porque homem comprometido de verdade nem permite esse tipo de cena. Ficar babando foto periquetinha mal depilada alheia… Sabe o que é pior? Eu, sua mãe, que engordou mais de 20 quilos na gestação, pari um moleque enormeee… tive que abrir uma caixa ENORME, com laço, e dar de cara com uma vadia pelada.
A voz dela vacilou por um segundo — entre a fúria e a humilhação silenciosa. — Bem de bordel. Sua cara de zona.
CD — Mãe… olha, eu não quero discutir isso com você. Mas… eu não sou mais assim.
Cecília — Sonso! Uma mulherzinha ridícula, com tanto silicone que escorregou. Mamilos tortos, piercing saltando como se fosse cena de pesadelo. Uma gostosa na visão de porcos como você. O fundo do poço.
CD — Meu Deus… Ela fez isso mesmo? Era pra estarmos aí. Paulina me mataria. Maressa enlouqueceu!
Ele ficou em silêncio, olhando o teto. O peso da situação começava a apertar seu peito.
— Mãe, te juro… não encostei nela. Ela é louca! Achei a ousadia engraçada, sim. Mas jamais colocaria em risco minha relação com Paulina e meu filho. Jamais.
Cecília — Dá vontade de arrebentar a sua cara só de ouvir você tentando parecer inocente com essas respostas duplas.
Ela falou baixo, com uma raiva que doía mais por ser contida.
— Se você não resolver isso, eu mesma vou contar tudo pra Paulina. Ela é uma deusa. E você? Você fica atrás de boneco de vodu barato.
CD — Não, não faz isso! Eu vou acabar com isso agora. Vou ligar pra essa mulher, cortar qualquer ilusão que ela esteja criando. Acreditei que já tinha sumido da minha vida.
Carlos Daniel, impassível, tirava sarro da situação. — Vou tirar essa mulher do caminho. É brinquedinho do Léo.
Paulina ergueu os olhos do celular, encarando-o com frieza, mas sem dizer uma palavra.
Cecília — Engraçado que não foi a mãe dele a ter que ver uma tarada aqui pelada! — cuspiu Cecília do outro lado da ligação, e Paulina não conseguiu conter um suspiro de vergonha e exaustão.
CD riu, debochado, como quem não levava nada a sério — nem a própria culpa. — Desculpa, eu não tenho controle. Elas me querem. — disse, observando Paulina digitar no celular. Depois, mudou o tom, como se tentasse suavizar. — Mas tenho dona, né? A maravilhosa deitada à minha frente está no controle desse coração.
Ele se sentou ao lado dela, esperando talvez um sorriso, um olhar cúmplice, qualquer sinal de que ainda tinha algum poder sobre ela.
Mas Paulina não se mexeu. Digitou calmamente mais uma mensagem, com os dedos firmes.
E então, ergueu o celular ao ouvido de novo.
— Mãe… — disse em voz baixa, mas firme. — Tá tudo bem agora.
Cecília hesitou. O silêncio do outro lado revelava sua confusão. — Filho… você vai olhar nos olhos dela como se nada tivesse acontecido?
Paulina olhou para Carlos Daniel, e por um instante, ele achou que ela fosse sorrir. Mas não. Ela o encarou com a mesma intensidade com que se quebra um espelho: fria, decidida, e irreversível.
CD- sim, mãe… vou dar atenção a minha mulher e nos falamos durante o dia. Te amo infinitamente você é a Deusa número 1 da minha vida.
Cecilia- Eu também lindo, cuide-se e me traga de volta o nosso presente em forma de bebê. Pense muito bem no que eu te disse, beijos. -desligou.
…
Paulina o olhava com um ar sério, os braços cruzados sob os lençóis amassados.
— Achei você grosseiro com a sua mãe. — murmurou, a voz baixa, mas cheia de reprovação. — Você estava distorcendo a conversa, falava alto, depois baixo… claramente não queria que eu ouvisse o que estavam dizendo. Está me escondendo alguma coisa?
Carlos Daniel a mirou, alarmado, como se não esperasse aquele tipo de leitura vinda dela.
— Claro que não, baby. — murmurou com uma suavidade forçada, tentando amenizar o clima. Beijou-a no ombro antes de deitar-se ao lado dela, buscando aninhar-se em seu calor como um refúgio. — Vem, fica comigo… — beijou os cabelos dela com carinho, mas ela não se entregou imediatamente.
Paulina permanecia rígida, olhos semicerrados, alerta.
— Você ficou esquisito depois daquela ligação… — sussurrou, mesmo enquanto ele a puxava suavemente para deitar sobre seu peito.
Carlos Daniel acariciou as costas nuas dela com dedos leves, buscando acalmá-la.
— São só questões que preciso resolver, nada importante… — tentou parecer casual, deslizando a mão devagar, subindo e descendo pelas costas dela. — Linda… — pigarreou antes de continuar, a voz perdendo força.
Ela sentiu a hesitação.
Paulina — Diga, meu amor… — murmurou, absorvendo o perfume dele com uma pontada de ansiedade no peito.
Carlos Daniel respirou fundo.
— O preservativo… se rompeu. E… eu terminei dentro de você… tudo.
O corpo de Paulina congelou. Ficou paralisada por longos segundos, o coração batendo como um tambor surdo no peito. Ela se afastou, se apoiando no cotovelo para encará-lo de cima. — Você tá brincando comigo? — a voz dela saiu trêmula, mas cheia de tensão.
CD— Não estou, baby, juro… — ele tentou tocar seu rosto, mas ela se afastou um pouco mais.
Paulina— Carlos Daniel… — os olhos dela se arregalaram. — Eu troquei de anticoncepcional há pouco tempo, você sabe disso! Eu sou um imã de fertilidade com você! Isso… isso não é só um “acidente”. Isso pode mudar tudo!
Carlos Daniel tentou se recompor, sentou-se e segurou as mãos dela, tentando manter o contato visual.
— Eu sei, anjo. Mas calma… Não vai acontecer nada. A gente se protegeu, foi só uma fatalidade.
Paulina levantou-se da cama, andando pelo quarto apenas com o lençol em volta do corpo. Seus olhos estavam marejados, e ela passava as mãos pelo cabelo com desespero.
— Não pode acontecer. Eu… eu não consigo, Carlos Daniel. Se eu tiver outro filho agora, eu surto! Você vai ter que me internar, porque eu vou pirar de vez! Eu mal dou conta de tudo como está!
Ele se levantou devagar, se aproximando com cautela.
— Sabe que eu sou um excelente pai, e faço de tudo para dar o máximo de atenção ao nosso filho. Se… acontecer, vamos receber essa vida com amor, com alegria. Deus não erra, meu amor. Mas eu te prometo: não vai acontecer. Relaxa.
Paulina o olhou com um misto de raiva e medo.
— Como você quer que eu “relaxe” com uma bomba dessas? Você me ama, Carlos Daniel, mas você não sente o peso que eu sinto todos os dias. Não carrega no corpo. Não enfrenta o julgamento. Não vive com a culpa que eu vivo.
Carlos Daniel a envolveu nos braços, mesmo diante da resistência.
— Vem cá… não vamos deixar o medo roubar o que a gente tem. Curte o nosso momento. Deixa eu cuidar de você…
Paulina permaneceu quieta por alguns instantes, o coração ainda acelerado, mas aos poucos, com a cabeça encostada no peito dele, se permitiu chorar baixinho — não por fraqueza, mas por estar cansada de ter que ser forte o tempo todo.
Carlos Daniel acariciava as costas dela com os olhos semicerrados de desejo, como se o alarme que haviam vivido minutos atrás fosse apenas mais um detalhe na paixão tempestuosa que os unia.
— Transamos várias vezes essa semana, Paulina… — murmurou com um sorrisinho safado no canto da boca. — Nos pegamos muito intensos, de todo jeito, gemendo os nomes um do outro . E agora vem me dizer que não quer nem pensar na possibilidade de um filho nosso?
Paulina arregalou os olhos, girando o corpo para encará-lo, a expressão entre furiosa e chocada.
— Você tá me ouvindo, Carlos Daniel?! Eu tô dizendo que não posso, que não dou conta! E você aí… todo tarado, como se fosse uma aventura?
Carlos Daniel se aproximou com aquele olhar perigoso, cheio de testosterona e doçura misturados — a fórmula exata do caos que ele era pra ela. Passou os dedos pelo rosto dela, depois pelo pescoço, baixando devagar o lençol.
— Talvez porque pra mim… fazer amor com você é mais do que prazer. É vício. É como se meu corpo te implorasse, mesmo quando minha mente diz pra esperar. — sorriu com malícia. — E se vier mais um filho disso… eu topo. Tô pronto.
Paulina recuou um passo, mas o olhar já começava a vacilar.
— Você fala como se fosse fácil. Como se fosse só pôr no mundo e pronto. Você se esquece das madrugadas em claro? Das minhas crises de ansiedade? De quando eu chorei no banheiro porque me sentia exausta, acabada, sozinha? Já te disse isso.
Carlos Daniel se aproximou mais uma vez, colando o corpo quente ao dela. A mão dele deslizou pela curva da cintura até o quadril.
— E mesmo assim, você continuou sendo linda, desejável, a mulher mais forte e maravilhosa que eu conheço. — sussurrou, os lábios roçando na pele do pescoço dela. — Me deixa te mostrar o quanto você me enlouquece. Esquece isso.
Paulina suspirou, a respiração já começando a falhar com o toque, mas ainda tentando resistir.
— Você tá usando o sexo como distração… A culpa é sua.
Carlos Daniel sorriu, descarado, mordendo de leve a orelha dela.
— Tô usando o sexo como argumento, baby. Nosso corpo já decidiu antes da nossa cabeça. Você sabe… e eu também sei. Quando você me chama à noite, quando me beija daquele jeito desesperado… é porque quer tudo. Até o impossível.
Paulina sentiu a parede fria em suas costas quando ele a prensou levemente. O calor dele, as palavras, os toques — tudo desestabilizava seu juízo. Ela fechou os olhos por um segundo, tentando fugir da emoção.
— Eu não posso engravidar, Carlos Daniel …
Carlos Daniel segurou o rosto dela entre as mãos com firmeza, os olhos cravados nos dela.
— Estamos nos cuidando, anjo. Foi… um deslize… sim…- beijou-a no pescoço, tocando-a com as mãos quentes, instigando-a mais. -fazendo-a fechar os olhos pela excitação que estimulava.
Paulina- Não baby… — o afastou se cobrindo com lençol. — Não consigo. Calma…
Carlos Daniel assentiu, passando a mão no rosto, ainda inquieto.
— Ok. — foi até a janela, puxando a cortina para o lado, buscando respirar o ar da noite. Mas seu olhar ainda estava nela. O desejo ainda vibrava em cada músculo tenso. — Só não demora muito, ou eu vou acabar quebrando essa promessa e te tomando no meio do seu drama.
Paulina- Nos portamos como coelhos, amor. -disse desencadeando uma gargalhada muito intensa de seu amor.
…
Cecília- Acredito que agora ao menos pensará nisso tudo. — disse satisfeita desatando o nó do roupão e sentando-se ao lado de Carol.
Carol- Não sei nem o que dizer. Eu em, não esperava um nude assim do nada. -murmurou digitando em seu celular. — Vou colocar em prática tudo o que alinhamos sobre o projeto e no máximo amanhã te envio tudo pronto. Questão de documentação será o mais tranquilo. Cuidar de uma loja on-line me parece bem mais viável já que trabalharemos a prata enquanto “moldagem” de peças, customização.
Cecilia concordou ainda observando aquela sombra se mexer novamente próximo ao “bar”.
Certo, mas está me dizendo isso porque já vai?
Carol- Sim dona Cecília, foram muitas emoções por hoje… se levantou calçando os chinelos e pegando a bolsa com seus pertences. — Vou me trocar e vou direto. Obrigada pela companhia.
…
Hugo, que observava de longe, escondido entre as plantas do jardim lateral, vê o momento em que Carol se afasta. Assim que ela desaparece pela porta da sala de estar ele se aproxima em silêncio. Cecília, ainda de costas, percebe sua presença.
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Cecilia- Você não cansa disso, Hugo? — questionou sem se quer se virar.
Hugo sorrindo de leve, olhando pra ela com desejo e saudade. — Cansar? De te ver assim, molhada, com cheiro de cloro e pele quente de sol? Nunca.
Cecília se virando devagar, tentando manter a firmeza
-Você não devia estar aqui. E muito menos me espiando escondido. Que ridículo, estava com a menina aqui amiga da Paulina, se liga.
Ele deu alguns passos até ela. -Eu só esperei a Carol sair. Não queria que ela nos visse… você me pediu para ser discreto. Por mim, gritaria para o mundo, você sabe.
Cecília amarrou novamente o roupão. -Exatamente por isso. Esse “não queria que visse” é o que me sufoca. Estamos vivendo o quê, Hugo? Uma paixão adolescente escondida atrás dos muros? Já falei que quando pudermos nos encontramos bem longe daqui.
Chegando mais perto dela suspirou um tanto casado daquilo. -Não é uma paixão adolescente. É amor. É recomeço. A gente passou tempo demais afastado pra agora jogar isso fora por medo desse moleque que… já não tem nada ver, ele é um homem agora.
Cecília olhando pra ele, os olhos brilhando, mas contidos:
Um homem que desde criança me alertou por ter um pai infiel, que me contou e apanhou de você a vida toda. Um homem que você colocou em um colégio interno e só eu ia visitar por muito tempo. Fomos péssimos pais. Pela primeira vez na vida tenho uma boa relação com o meu filho e não vou estragar isso por nada.
Hugo com voz baixa, quase um sussurro:
Talvez fosse melhor do que esse esconderijo sufocante que a gente inventou… Hoje ele não está, Cecília. Temos algumas horas. Deixa eu ficar. Só um pouco.
Cecília deu dois passos pra trás-
Não é só o tempo dele fora que me preocupa. É o tempo que isso pode durar… e o quanto custa manter esse segredo.
Hugo aproximou-se novamente, com sinceridade nos olhos:
Custa mais viver sem você. Custa mais ir embora toda vez com gosto de beijo interrompido. Me deixa ficar, Cecília. Só hoje. Só agora.
Ela fechando os olhos, respirando fundo:
-E se ele nunca aceitar?
Hugo encostando a testa na dela:
A gente vai ensinar ele a entender… do jeito que estamos reaprendendo a amar.
Cecília- Ele não vai. O mesmo gênio de cão que você tem é esse cara. Rancoroso que só. — suspirou entristecida.
Hugo se sentiu na espreguiçadeira de lado mesmo. — Não é mais um menino manhoso.
Cecília- Preciso te dizer algo que acaba de acontecer.
Hugo- É eu vi vocês correndo lá dentro, ouvi gritos… o que foi?
…
— Papaizinho promete pra você que vamos vê-la amanhã — murmurou Carlos Daniel, aninhando o menino em seu colo com delicadeza, enquanto o balançava suavemente. A respiração do pequeno ainda estava entrecortada pelos soluços do choro que o acordara repentinamente.
Arthur, ainda com os olhinhos marejados e a voz embargada, apenas resmungou e virou o rostinho, escondendo-o no peito do pai. Seus bracinhos finos se agarraram à camisa de Carlos Daniel como se ali estivesse o último pedaço de segurança no mundo.
— Paulina, será a primeira coisa que faremos, tá bem? — completou Carlos Daniel, procurando os olhos da mulher, que observava a cena com o coração apertado.
— Obigado… — murmurou Arthur entre soluços, a voz fraquinha, como quem se rende ao cansaço e ao consolo.
Carlos Daniel lançou um olhar pesado para Paulina, carregado de culpa.
— É claro que ele entendeu que veríamos ela hoje… — disse num sussurro carregado de pesar. — E agora que percebeu que não era, ficou decepcionado.
Paulina se inclinou e beijou com ternura as costas do menino, tentando transmitir em silêncio o amor e o arrependimento que também a consumiam.
— Ele a ama profundamente… — murmurou.
Carlos Daniel forçou um sorriso, mas seus olhos ainda refletiam a dor. — Tem apego… é uma criança linda e intensa. Tudo nele é entregue, puro.
Paulina assentiu, mas seus olhos vagavam, perdidos em pensamentos densos, distantes.
Ela então quebrou o silêncio, quase num impulso, como se uma verdade há muito reprimida finalmente rompesse:
Paulina— Carlos Daniel… Chegando a Miami, quero que vá comigo ver o Dante. Preciso encará-lo. Preciso resolver tudo isso. Olhar nos olhos dele… entender, encerrar, talvez recomeçar. Mas preciso fazer isso de frente.
Carlos Daniel a fitou como se tivesse levado um choque.
— O quê? — disse num tom alarmado, os olhos arregalados, o coração apertado por uma mistura insegurança e apreensão.
A atenção de Paulina foi roubada por alguns instantes pela notificação de seu celular sinalizando um e-mail enviado pelo pai o qual se intitulava. “Conheça a verdadeira face do seu amorzinho”
Paulina- É um sinal… -deixou o celular sobre a mesa de centro. — Preciso saber qual é a desse cara.
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