A pergunta dela caiu como uma sentença.


Carlos Daniel fechou a mão na cintura dela, os dedos afundando no tecido, quase desesperados.


— Paulina… — ele sussurrou, sem ar. — Não faz isso comigo.


Mas ela manteve o olhar fixo nele, queixo erguido, provocação calculada.


— Responde. — repetiu, roçando os lábios aos dele sem dar o beijo. — Ficou duro… sim ou não? -insistiu de olhar firme


Ele segurou o rosto dela entre as mãos, o polegar roçando sua boca, como se quisesse calá-la e ao mesmo tempo se render.


— Eu fiquei, travado. — rosnou, a voz baixa, densa, carregada de posse. — Com raiva até de mim . Porque só de imaginar qualquer mulher me tocando… que não seja você… eu travo. Entende? Não sou mais aquele puto que conheceu.


Ele trouxe o corpo dela ainda mais pra perto, o quadril firme contra o dela, mostrando — sem uma palavra — quem era a única capaz de despertá-lo de verdade.


— Certo… — ela murmurou, brincando com a gola da camiseta dele, sem querer olhá-lo direito — Mas não foi isso que eu perguntei.


A respiração dele falhou.


Paulina ergueu a sobrancelha, perspicaz, diabólica no ponto perfeito.


— Aconteceu alguma reação? Mesmo mínima? Involuntária?


Ele piscou, lento, incrédulo com a ousadia dela — e ao mesmo tempo totalmente entregue àquilo, ao jogo, ao poder que ela tinha.


— Por que você quer saber isso, hein? — ele perguntou, a voz rouca, quase um gemido contido. — Pra me torturar?


Ela sorriu, deslizando a mão pela nuca dele, puxando os fios de leve.


— Quero saber até onde vai sua sinceridade comigo… meu amor.


Carlos Daniel encostou a testa na dela, respirando fundo, como se lutasse consigo mesmo.


— Você quer a verdade? — murmurou, a boca roçando a dela.


— Sempre. — Paulina respondeu, firme, sedutora, cruel e carinhosa ao mesmo tempo.


Ele fechou os olhos um instante, vencido.


Quando abriu, eram puro fogo.


Não. — rosnou. — Não fiquei. E sabe por quê? Porque eu estava pensando em você. Na maneira como se veste. No seu cheiro. No jeito que você fala comigo, mexendo essa boca linda. Em cada detalhe de nossa noite, me sentindo mais sortudo dos homens por termos desfrutado anteriormente, , só conseguia pensar em nós.


Ele aproximou a boca do ouvido dela, a voz quebrada de desejo:


— Não quero se quer pensar em outra e luto contra isso.


Os dedos dele desceram pela lateral do corpo dela, devagar, deixando Paulina com a respiração presa.


Ficou com ciúmes ? Foi atirada e só, não me importo. — ele murmurou, a boca quente na curva do pescoço dela. — Depois de ter sido tão gostosa e carinhosa comigo não conseguiria pensar em outra coisa.


Paulina arregalou um pouco os olhos — a ousadia dele a atravessando inteira.


— Carlos… — ela sussurrou, engolindo seco.


Paulina tentou manter o controle, mas ele sorriu — aquele sorriso de canto, perigoso, que sempre desmontava qualquer resistência dela.


— Ficou com ciúmes… ficou acesa… ficou com raiva e com tesão ao mesmo tempo? — ele sussurrou no ouvido dela, encostando o corpo quente no dela de um jeito que implorava e dominava ao mesmo tempo. — Conta pra mim, linda.


O silêncio entre eles carregou eletricidade.


Ela mordeu o lábio inferior, lutando para esconder o impacto. Caminhou até a bancada branca e bebeu do drink dele.


Ele segurou a cintura dela e a puxou de uma vez, firme, colando o corpo ao dela. — Está forte para você, e ainda mistura o meu drink e o seu.


Paulina respirou fundo… e finalmente respondeu com um fio de voz:


— Fiquei com ciúmes, mas não por ela. Senti ódio e desejo contido.


Os olhos de Carlos Daniel incendiaram.


— Por mim. — ele afirmou, como quem já sabe, roçando o nariz na bochecha dela. — Fala. Quero ouvir.


Paulina engoliu seco, entregue ao fogo que ela mesma tinha aceso.


— Fiquei porque você é meu. Cada pedacinho.

A voz dela saiu baixa, quente, feroz.

— E porque eu gosto quando você deixa claro… quem eu sou pra você.


Ele soltou um suspiro quase animal, a mão deslizando pela curva da cintura até a base das costas.


— Minha. — ele rosnou. — Só minha.


E, antes que ela pudesse responder, ele a virou pela cintura, puxando o corpo dela contra o dele com tanta fome reprimida que Paulina quase perdeu o ar.


— E hoje… — ele murmurou, a boca na nuca dela, apertando a cintura — Eu vou te provar exatamente isso.


A festa continuava ao fundo.


Mas entre eles…


Só existia fogo esperando pra explodir.


Fundindo o olhar do dela somente por algumas instantes para fitar o ambiente, Carlos Daniel sentiu seu corpo queimar, dessa vez não pelo fogo existente entre eles. Mas um outro bem mais perigoso.


O olhar dele endureceu, toda a luxúria evaporando em um único segundo.

Ele ficou estático, a respiração travando, o maxilar marcando forte.


— Paulina… — ele murmurou, a voz baixa, tensa.


Ela acompanhou o olhar dele.


E viu.


Dante.


Em pé de canto como se fosse dono do ambiente inteiro, ao lado de Cecília conversava animado brincando com o bebê.


Postura de magnata, aquele ar de poder antigo… azul como o mar, perigoso, cheio de malícia e sombra.

A camisa social aberta nos primeiros botões, a calça de linho azul bem ajustada, a corrente de ouro discreta, pulseira pesada.

O sorriso torto de quem se diverte por sempre ter mais do que deveria.


E o neto — o filho dela — cheio de sorrisos, agitado e claramente envolvido em uma conversa.


Dante alimentava o menino com cerejas frescas e suculentas calmamente, como se o mundo fosse pequeno demais pro tamanho do seu ego.

E cada vez que o pequeno abria a boca, Dante ria por dentro, satisfeito, exibindo aquela aura de bandido que nunca precisou levantar a voz para intimidar. Mexido por ter alguém tão inocente e inteligente em seu convívio novamente.


Um homem acostumado a mandar.

A ter.

A possuir.


A controlar.


Paulina congelou — só por um milésimo.


Foi o tempo suficiente para o ódio acender nela como gasolina em faísca.


O corpo inteiro de Carlos Daniel enrijeceu ao sentir a mudança nela.

Ele tentou segurá-la pela cintura, mas nem chegou a completar o gesto.


Paulina já estava andando.


Não: avançando.


Rápida.

Furiosa.

Cega.


— Paulina! — Carlos Daniel chamou baixíssimo, mas ela já não ouvia.


O som da festa ficou distante enquanto ela cortava o espaço como uma flecha lançada com toda a força do instinto de mãe.


Dante ergueu o olhar no exato momento em que ela se aproximava.


Não se assustou.

Não se moveu.

Não recuou.


Sorriu.


Um sorriso lento, perigoso, quase provocativo — como se adorasse vê-la assim, incendiada.


— Princesa… — ele murmurou, fitando Cecília sedutoramente e oferecendo mais uma cereja ao bebê . — Ele gosta de mim. Puxou sua braveza… e meu bom gosto.


Paulina sentiu o sangue ferver.


— Saia de perto do meu filho. O que está dando a ele? — ela disparou, a voz baixa, firme, mortal.


Dante arqueou uma sobrancelha, a postura relaxada demais para um homem que deveria temer aquela mulher enfurecida.


— Por quê? — perguntou, inocente só no tom. — Ele tá bem… não tá, campeão?



Dâte vovô meu… quedita, me dizeu pesente hicopitulo de vedade.



O menino riu, a boca suja de cereja, balbuciando palavras tortas e felizes.


Cecília avançou imediatamente, acolhendo o pequeno no colo com uma naturalidade que cortou qualquer tentativa de intimidade de Dante.


Cecília — Eu trouxe as cerejas — explicou, espalhando beijos pelo rosto da criança, os olhos firmes, educados, friamente distantes. — Hugo trouxe quando chegou. Arthur já estava comendo quando Dante… apareceu.


O olhar de Dante brilhou, interessado demais.

Descarado demais.


Carlos Daniel sentiu algo escuro subir pelo peito.


Deu um passo à frente, o maxilar travado.


Vê se tira esses olhões de cima da minha mãe, safado.


A frase saiu seca, sem humor algum.


Dante soltou um riso curto, mas não recuou.


— Família animada… — comentou, avaliando todos como quem observa um tabuleiro.


Cecília ignorou completamente a provocação. Não havia desconforto em seus gestos, apenas elegância e controle. Beijou novamente o rosto do bebê.


— Não seja bobo, Carlos Daniel — disse com doçura firme. — Vem, docinho. Vamos brincar com a vovó. — ajeitou melhor o menino em seu colo.


Arthur, porém, apontou com a mãozinha, sério demais para a idade:


— Isso! Tila os olos. Só pode besai o vô Hugo e biga, mas assim peixonado.


O silêncio caiu como vidro quebrando.


Cecília congelou por um segundo.


O rubor subiu rápido, intenso, tomando-lhe o rosto inteiro. Os olhos se arregalaram, alarmados — não de culpa, mas de exposição.


Carlos Daniel reagiu no mesmo instante, num reflexo visceral:


Não! — cortou. — Não namora ninguém.


Paulina observou a cena e, apesar da tensão ainda vibrando em suas veias, não conseguiu conter um riso cúmplice. Aproximou-se do filho, ajeitando-lhe a roupa.


— Filho, já te disse — murmurou com carinho firme — que não se opina em conversa de adulto.


Cecília sorriu de volta, ainda vermelha, desviando o olhar de Dante com precisão cirúrgica.


— Vou dar um banho na criança — anunciou, já se afastando. — Pra acalmá-lo, dar início a rotina noturna desse príncipe.


Arthur- Athui elaxa na banheila puma. -disse animada batendo palmas. — Sassage no pé do bebê.


Cecília riu orgulhosa. — Sim meu amor, um banho relaxante de espumas. Morro de amores por você.


Arthur- Depois domi com Chelia bem gudadinho calinho no cabelos.


Carlos Daniel acompanhou cada passo da mãe com os olhos, atentos, vigilantes, como se o mundo inteiro fosse uma ameaça em potencial.


E então voltou-se para Paulina.


CD- Faz até massagem no pé. Tô dizendo que minha mãe ficou abobada. — indignou-se com uma pitada de ciúmes. — Nós tentando educa-lo de forma simples, com humildade para que não seja um mimado e dona Cecília vem com essa.


Dante- Pais imaturos tem dificuldade de educar mesmo. Não planejam.


A música pulsava alta na cobertura. As luzes douradas cortavam os corpos em movimento, risos soltos, taças tilintando. Mas entre Paulina e Dante o ar parecia outro — mais denso, mais pesado.


Paulina o mirou incrédula pela hipocrisia.


Não era só raiva.

Era mágoa antiga guardada em silêncio. Era infância mal explicada. Era abandono disfarçado de independência.


— Ao menos tentamos… — a voz saiu firme, mas o que vibrava por dentro era dor — …ao invés de comprar cigarros.


A frase foi como um tapa.


Dante estreitou os olhos. Não de ódio. De orgulho ferido. Ele nunca foi homem de pedir desculpas. Sempre foi homem de impor presença.


— Menina… você não sabe das minhas razões. Eu que te fiz. Sei bem o que estava passando naquela época.


Ele deu um passo à frente. Não agressivo. Mas invasivo. Como quem ainda acha que tem direito.


— Vim recuperar o tempo perdido. E a dona chatonilda não vai me impedir. Você tem que me aceitar. É diferente agora.


Paulina soltou uma risada breve, amarga.


— Diferente? — os olhos dela brilharam, mas não de emoção bonita — Agora eu não quero mais saber. Não tive quando era vulnerável. Agora que sou independente, não preciso de pai nenhum.


Ela respirou fundo, o peito subindo e descendo rápido.


— Não preciso ser um velho… como o senhor… pra entender o que é responsabilidade.


A palavra “velho” doeu mais do que deveria.


Dante fez menção de tocar o rosto dela. Um gesto quase instintivo. Talvez a única forma que conhecia de demonstrar algo parecido com afeto.


Ela recuou.


Não foi brusco.

Foi definitivo.


O silêncio entre eles era mais alto que a música.


— Vou ficar fora um tempo — ele disse, a voz mais baixa. — Só quero ficar aqui… te olhando um pouco. Quero ficar um pouco com meu neto.


Carlos Daniel, encostado próximo, soltou com ironia:


— Ihhh… deve ter aprontado alguma.


Dante virou o rosto devagar, o olhar ficando duro.


— Quieto, insolente. Estou desarmado. Não tenho amarras. Só quero estar por perto.


Paulina balançou a cabeça, cansada.


— Eu não fico mais aqui te ouvindo.


Ela virou-se, puxou Carlos Daniel pela gola da camisa e o beijou.


Um beijo provocativo. Demorado. Quente.

Não era só desejo. Era recado.


Depois sussurrou perto da boca dele:


— Vamos curtir a festa. São as nossas pessoas.


Saiu andando, erguendo o queixo, misturando-se às luzes e à música.


Carlos Daniel observou Dante por alguns segundos.


— O que você está aprontando? Por que está aqui de verdade? Vai querer ficar só olhando ela de longe?


Dante acompanhava com os olhos cada movimento da filha. Como se tivesse medo que ela evaporasse.


— Vou. Posso me sentar em algum lugar?


Havia algo diferente ali. Não era manipulação clara. Era… cansaço.


Carlos Daniel estreitou os olhos.


— Não está armado? Não vai matar a gente com veneno? Não tem armadilha nenhuma?


Dante soltou um meio sorriso sem humor.


— Só a do tempo, menino. A de deixar o filho vulnerável e distante… e depois ele não te querer. A culpa me rasga. E eu nunca sinto culpa.


Ele respirou fundo.


— Dei vida de rei aos meus filhos. Mas ela… ela sempre esteve distante do que eu pude proporcionar.


Carlos Daniel acompanhou o olhar dele.


Paulina dançava com Carolina e Alexia. A taça já estava cheia de novo. O vestido leve girava no corpo dela, o cabelo solto grudando no pescoço quente. Ela ria alto demais. Bebia rápido demais.


— Não acha que está… um pouco tarde? — murmurou Carlos Daniel.


— Nunca é tarde para dar amor.


Carlos Daniel ergueu uma sobrancelha, cético.


— Sei…


Leonardo se aproximou, de forma ágil, mas discretamente.


— Não está vendo a Alexia com a Paulina? — falou baixo. — Está passando a mão legal. A Paulina não vê maldade… mas você sabe que ali gosta da fruta tanto quanto a gente, irmão. Está se aproveitando a ocasião.


Dante estreitou os olhos.


— Aquela fortona, não é?


Ele observou.


Alexia dançava colada demais. Mãos firmes na cintura de Paulina. A música lenta agora favorecia proximidade. Carolina ria incentivando e jogando os quadris.


Paulina estava leve pelo álcool. Solta. Confiante. Sensual sem perceber.


Dante prendeu a respiração.


Ciúmes?


Talvez.


Mas não o ciúme de homem.

O ciúme de pai que não participou da construção daquela mulher.


— Acha normal pegar na cintura assim? — murmurou, incomodado. — Encochou a menina.


Carlos Daniel fechou os olhos por um segundo, tentando parecer indiferente.


Mas não estava.


A forma como Paulina jogava a cabeça para trás, rindo.

A forma como o vestido subia levemente quando ela girava.

A forma como o corpo dela parecia chamar.


Ele sentiu o peito apertar.

Proteção?

Posse?

Desejo?


Talvez tudo.


Abriu os olhos.


— Com licença.


E foi.


Passos firmes. Maxilar travado.

O olhar fixo nela.


Porque independente da festa, da música ou dos fantasmas do passado…

Paulina era o centro de tudo.


Carlos Daniel atravessou a pista sem desviar de ninguém.


A música parecia distante.

O que ele via era apenas ela.


Paulina rodopiava entre luzes douradas, o vestido leve desenhando o corpo, o riso solto demais, a taça sempre cheia. Alexia estava próxima — próxima demais. Mãos firmes na cintura. Deslizando quando a batida ficava mais lenta.


Ele chegou por trás.


Segurou a cintura de Paulina com firmeza, puxando-a para si num movimento seguro, decidido.


— Com licença. — A voz saiu baixa, mas carregada.


Paulina virou o rosto, já sorrindo ao reconhecê-lo.


— Ciúmes, Carlos Daniel? — provocou, com a respiração levemente acelerada. A Achei que fosse demorar mais pra vir.


Ele ignorou a pergunta e olhou diretamente para Alexia, educado… mas territorial.


— Alexia, vou roubá-la um instante.


Sem esperar resposta, inclinou-se para o ouvido de Paulina.


— Amor… Não percebeu que a Alexia é lésbica? Tem ciúmes dela comigo, mas sou quem mais sinto com você.


Ela piscou, surpresa… depois riu.


— E daí? Bem que poderia ter me dito pra que eu não me corroesse de raiva de estarem pra lá e pra cá juntos, sempre.


— E daí — ele deslizou a mão pela lateral da cintura dela, exatamente onde a outra estava antes — que ela está aproveitando a dança pra passar a mão. E só eu posso tocar você assim.


A mão dele apertou de leve, firme, possessiva o suficiente para ser aviso… mas cuidadosa o bastante para ser carinho.


Paulina arqueou a sobrancelha.


— Territorial…


— Realista. — Ele inclinou o rosto, os lábios roçando a orelha dela. — E atento.


Ela riu, mas o riso saiu mais quente que debochado.


— Está com medo de perder pra uma mulher? Fique tranquilo, não me atraem, não sei mexer com… coisinhas que as mulheres tem. Não sinto atração.


Ele segurou o queixo dela entre os dedos, fazendo-a encará-lo.


— Eu não perco você pra ninguém. Mas também não deixo ninguém se aproveitar da sua distração.

Alexia é predadora terrível, pega mais mulher que eu e entende das coisas.


Os olhos dele desceram para a taça na mão dela.


— E você já bebeu demais.


— Não bebi. — Ela puxou a taça para longe dele. — Estou ótima.


Ele aproximou o rosto, voz mais baixa.


— Você fica linda quando está leve assim… mas também fica vulnerável.



Havia firmeza. Mas também cuidado.


Ele pegou a taça da mão dela e entregou para um garçom que passava.


— Chega por hoje.


Ela fez um bico inocente, mas com olhar travesso.


— Mandão.


— Responsável.


Ela respirou fundo. O peito subindo e descendo rápido.

Os olhos brilhando — não só pelo álcool.


Carlos Daniel ainda a observava com aquele olhar carregado, quente, quando, num impulso provocador, deixou a mão deslizar pela lateral do corpo dela… e estalou um tapa firme na sua bunda.


— Carlos Daniel… — Paulina murmurou, num misto de repreensão e prazer, virando o rosto lentamente para encará-lo, fitando desconfortável as pessoas distraídas ao redor.


O olhar dela… não era de quem reclamava.


Era um convite.


Os olhos semicerrados, o canto dos lábios erguendo num sorriso provocante… ela sustentou o olhar dele por um segundo a mais do que devia — como se prometesse algo que ainda não podia cumprir.


— Depois a gente conversa sobre isso… — sussurrou, com a voz baixa, quase felina.


E então se afastou, rebolando de propósito, sabendo exatamente o efeito que causava.


Carlos passou a mão pelo rosto, soltando um riso abafado.


— Você tá brincando com fogo, Paulina…


Mas ela já havia virado o corredor.



O silêncio próximo ao quarto do bebê a fez suavizar os passos.


O coração, ainda acelerado pela provocação, desacelerou ao lembrar-se do pequeno. Paulina empurrou a porta devagar, com cuidado…


E então parou.


Congelou.






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