Un Bacio Al Vento...
1 Sta passando novembre
Notas iniciais
Meia noite. Olho mais uma bendita vez para o relógio. Ainda não entendo porque me sinto assim tão estranho; talvez seja pela falta de resposta para as minhas perguntas, pois mesmo sejam sem sentido ou muito obvias, espero algum tipo consolo. Viro-me na cama mais uma vez e olho para aquele espaço vazio ao meu lado. Ali deveria estar ele, o amor da minha vida, mas até isso, o destino fez questão de tirar de mim. Não sei de verdade como faço pra continuar a viver meus dias sem ele, sem aquele sorriso perfeito, sem aquele olhar que conseguia me fazer delirar... Ah, aqueles belos olhos verdes brilhantes... Era ali onde eu achava tudo o que era necessário e agora, o que eu tenho? Apenas uma cama vazia e fria. Lembro-me de cada detalhe, dos beijos, abraços, e daquela voz rouca me dizendo que eu era tudo para ele. Sento-me, pegando o porta-retratos que estava sobre o criado-mudo, olhando-a com os olhos cheios de lágrimas.
- Por que justo você, Zachary? Se você voltasse, nunca mais eu iria te soltar, muito menos te deixaria sair da minha cama. Te juro, eu faria o impossível para te ver sorrir de novo. Você pode me ouvir?! – Grito para o nada. Já não consigo segurar as lágrimas e começo a chorar.
Espero outra vez uma resposta, mesmo sabendo que nunca terei. Me levanto da cama, caminhando até a janela, abrindo-a. Vejo Nova Iorque coberta com uma grossa camada de neve, afinal já era novembro. Uma lágrima solitária escorre dos meus olhos, até minha boca, me fazendo lembrar de quando eu e ele brigávamos. Eu sempre acabava chorando e ele, arrependido, sentava ao meu lado e pedia desculpas pelas palavras rudes que dissera e dizia que ele queria ser minhas lágrimas, para nascer nos meus olhos castanhos, descer pela minha bochecha e morrer na minha boca. Eu sorria pela frase um pouco sem nexo dele. Engraçado, lembrar disso me fez sorrir, como naquela noite. Saio na varanda, sentindo aquele vento frio acariciar meu rosto, me fazendo arrepiar. É estranho dizer que nesse momento posso sentir sua presença aqui, do meu lado.
Me apoio naquele muro, olhando a cidade iluminada e pensando na felicidade de algumas pessoas de terem o amor delas por perto. Eu era uma dessas pessoas até três semanas atrás, quando aquele maldito acidente de carro o tirou dessa terra. Ele era jovem, cheio de vida, com tantos planos para o futuro. Suspiro pesadamente, olhando para cima quando escuto um barulho dentro do meu quarto. Me viro, caminhando para dentro do quarto, fechando a janela. Olho para o chão e vejo que o quadro onde havia uma foto de Zachary pendurada na parede, havia caído, quebrando o vidro. Pego o quadro, abraçando-o e pendurando-o no lugar. Olho em volta e alcanço uma folha de papel em branco e uma caneta, começando a escrever uma carta.
“A única coisa que sobrou de você foram algumas fotos, seu cheiro no meu quarto e as memórias mais lindas da minha vida. Sempre fui disposto a fazer tudo por você, e agora que você se foi, a única coisa que poderia fazer é mandar um beijo ao vento todos os dias, até o fim da minha vida, assim você pode sentir o tamanho da saudade que tenho de você. Sei que você está por perto todos os dias, pois te sinto aqui e sei também que você nunca lerá essa carta, mas não vejo outro modo de dizer tudo aquilo que eu queria ter dito, mas não falei e agora é tarde demais. São passadas três longas semanas desde que você se foi, por vontade de Deus talvez, e não passa um dia sequer que eu não pense em você. Dentro de mim um grande vazio se fez presente e nada, nem um novo amor, poderá mudar isso. Com você voou para o céu um pedaço do meu coração, e como eu escrevi sobre a tua tumba: você ficara para sempre no meu coração. Te amo além da minha vida, eternamente.
Adeus.
Assinado, Brian Haner Jr."
Sem querer deixo uma lágrima cair sobre a carta. Dobro e coloco-a em cima do criado-mudo ao lado da nossa foto. Suspiro, pensando num destino para minha vida, talvez encontra-lo seria bom. Caminho em direção ao banheiro, abrindo um armário de remédios que havia atrás da porta, pegando alguns relaxantes musculares, anti-depressivos e calmantes e andando em passos largos até a cozinha para pegar um copo de água. Retorno para o quarto, sentando-me na cama. Abro todos os potes de remédios que peguei e analisando cada um. Peguei cerca de cinco comprimidos de cada potinho e engoli, tomando varias goladas de água em seguida. Me deito, abraçando o travesseiro, odorando o perfume de Zachary que ainda se fazia presente. Em poucas horas, com certeza estaria com o meu anjo.
- Boa noite meu amor. Se quiser, venha me buscar essa noite. Mesmo se você não vier, eu estou indo até você. No fim, estou cumprindo minha promessa que te fiz há alguns anos, que seria dar minha vida a você. Eu te amo Zacky. – Fecho meus olhos, esperando o sono chegar, e quando ele vier, tenho certeza que será um dos melhores sonhos da minha vida.
FIM
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