Un Amore Per Me
1 Questo è strano
Notas iniciais
Ainda passava pela sua cabeça se não estaria louca, se teria perdido completamente a noção e a sanidade. Como pôde inventar uma coisa dessas? Como se colocara nessa situação tão constrangedora? Batucava nervosamente os dedos ao volante e quase rasgava o lábio tamanho a força com a qual o mordia.
Ah, meu Deus. Ah. Meu. Deus. Não dá mais tempo de ir embora, dá?
Teria girado a chave na ignição se a porta da casa não se abrisse naquele instante. Droga, agora é que não daria mesmo para ir embora.
Tato caminha tranquilamente pela pequena trilha de cascalho que separava a entrada da rua. Girava a chave no indicador e assobiava tranquilamente. Romena não pôde deixar de desejar que ele houvesse penteado os cabelos. Os fios castanho-escuros desengrenhados lhe davam um ar mais jovial que o necessário, evidenciavam fortemente sua posição de estudante, e isso não era algo que ela ambicionasse muito no momento.
— Não te fiz esperar muito, espero. — Ele se desculpou despreocupado enquanto se acomodava no banco ao seu lado e ajustava o cinto de segurança. — Michael fez um drama gigantesco essa manhã porque eu havia acabado com o leite e eu tive que sair para comprar mais, isso me atrasou um pouco para fazer as malas. — Ele dá de ombros jovialmente.
Jovem. A definição gritava em sua mente. Ela tinha que encontrar alguém com tamanha cara de bebê? Sua mãe pensará que ela sofre crise da meia idade precoce. Romena relanceia os olhos para a mochila solitária que Tato jogara no banco traseiro assim que entrara no carro. Não parecia configurar um conjunto de malas muito trabalhoso de ser organizado, mas ela opta por ignorar o pensamento, assim como todas as dúvidas que embaralham sua mente e engata o carro, olhando para o para brisa, o retrovisor, ou qualquer coisa que não seja o jovem, ah minha nossa, e universitário garoto ao seu lado.
Tato se distrai perdendo o olhar pela janela aberta. O clima está bom, ele gosta de dias ensolarados e frescos. Porém nem o belo e brilhante sol consegue dissipar seu desconforto. Romena e seus olhos atentos parecem avaliá-lo a todo instante, negativamente críticos. Ele sabe que, como professora, é um hábito dela prestar atenção aos detalhes, no entanto não diminui suas inseguranças. É claro que ele não tem plena e total certeza do que está fazendo, ainda se sente um pouco um garoto de programa, mas ele precisa que ao menos ela siga firme e em frente com isso. O dinheiro lhe é extremamente necessário e ela não pode mudar de ideia.
— Dia incrível, não? — Ele tenta desenvolver um diálogo e volta a encará-la.
Romena mantém seus olhos castanhos fixamente presos à frente e as duas mãos firmes ao volante. Tato percebe seu desconforto.
— Na verdade eu não gosto muito de sol. Prefiro dias nublados. — Ela responde sem desviar o olhar.
Se ele fosse sua criação de homem ideal concordaria com ela. Em seus sonhos ela e seu belo dinamarquês tomariam chás e leriam clássicos em frente a belas lareiras em chalés perdidos em meio a florestas temperadas.
— Dias nublados não dão praia. — Ele brincou mais tranquilo, era melhor quando ela falava.
— Eu não gosto de praia.- Completou Romena. — Isso me lembra que eu preciso te informar algumas coisas sobre mim. Minha mãe me conhece bastante e se ela notar que você não me conhece muito bem vai perceber a farsa.
— Se ela te conhece tanto, como não sabe que você estava mentindo?
Tardiamente, quando ela o encara um tanto irritadiça, é que Tato percebe ter feito a pergunta errada.
— Não nos vemos há muito tempo, e é sempre fácil mentir ao telefone.
Foram quatro anos sem visitar sua família e três mentindo para sua mãe que possuía um namorado por quem estava muito apaixonada e não queria se separar. Invenções de dificuldades no trabalho, gatos doentes e longos resfriados também a ajudaram a retardar uma visita em potencial.
— É, não para minha mãe. Ela sempre percebe quando estou em dificuldades pelo tom da minha voz. — Ele conta de forma descontraída.
— Isso acontece com muita frequência? Digo, você passar por dificuldades? — Romena pergunta curiosa. Apesar de já deduzir que o garoto sofra de desorganização crônica.
— Ultimamente, mais do que eu consiga administrar.
Tato volta a olhar pela janela e Romena se pergunta quão chato deve ser para a mãe dele ficar se preocupando a distância, sem poder fazer muito para ajudar. Mais ou menos como sua própria mãe deve ter se sentido.
— Mas então, eu sou formada em Letras, como você já sabe, especializada em italiano. Moro em um apartamento pequeno próximo à universidade. Amo ler, odeio atividades físicas, sou uma excelente cozinheira. Tenho vinte e cinco anos e meu gato morreu ano passado.
Romena reflete sobre o que mais poderia dizer, mas se sente encabulada em revelar algo mais íntimo.
— Ahn, certo. O que mais? — Tato pergunta enquanto tenta gravar as informações.
— Não sei. — Ela responde constrangida. — Acho que é só isso.
— Não pode ser só isso! — Ele se volta para ela incrédulo. — Ah, vamos! Eu preciso saber mais. Se sua mãe é perceptiva ela vai notar de cara que somos completos estranhos se eu só souber essas poucas descrições de Tinder.
— Não somos completos estranhos! — Romena rebate na defensiva. — Eu te dou aulas há três semestres.
Para ela era estranhamente assustador pensar que estava levando um desconhecido para a casa de campo dos seus país. E Tato não era exatamente um desconhecido, ela sabia seu sobrenome (Castilho), sabia que seu nome na verdade era Tadeu, que ele tinha vinte e um anos, cursava biologia e, às vezes, usava uma mesma camiseta a semana inteira.
— Ah, claro. E isso já nos torna almas gêmeas. — Ele revira os olhos divertido. — Pelo que você me contou sua mãe acha que estamos perdidamente apaixonados e, sinceramente, não sei se eu poderia me apaixonar por uma garota que eu sequer sei qual é a comida favorita.
— Macarrão. E não precisamos parecer tão apaixonados. Eu vou dar um pé na sua bunda assim que voltarmos.
— Isso soa encantador, docinho. — Ele brinca realmente se divertindo. A tensão entre eles ter se dissipado, mesmo que momentaneamente, já o deixa muito aliviado.
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