Un Amore Per Me

5 Il genero degli dei


Tato cantarolava o refrão de mais um passageiro, porém extremamente viciante, hit do verão que tocava na rádio local. Romena preferiria desligar o som, não gostava de dirigir com barulho, mas a música distraía Tato, fazendo com ele parasse de falar um pouco. Às vezes ele chegava a ser uma metralhadora humana de palavras, isso a desconcertava, era energia demais.

Nervosa ela batuca os dedos ao volante no ritmo da música, isso parecia relaxá-la parcialmente, no entanto um outro lado seu, o sensato — provavelmente — gritava para que ela desse a ré no carro e saísse correndo.

Tato sequer notara que eles já haviam adentrado à velha trilha que levava a antiga casa. O barulho do carro sobre o cascalho era reconfortante e lhe recordava muitas memórias, ao mesmo tempo em que parecia anunciar sua sentença.

Romena desviu sua atenção para o rapaz recostado no banco ao seu lado, sua cabeça pendia para trás e seus cílios e alguns pelos da barba, que começava a crescer, brilhavam sob a luz do sol, ela se surpreendeu que fossem louros, não havia reparado antes.

Estacionando o carro em frente à grande casa, Romena solta um longo suspiro. Definitivamente não dá mais para voltar atrás. Mesmo quando o carro range ao ser desengatado Tato continua imóvel em sua posição. Ele caíra no sono.

Romena destrava o cinto e está prestes a acordá-lo quando sua mãe sai eufórica de dentro da residência, exclamando seu nome tão alto que chega a espantar alguns passarinhos que estavam pousados nas árvores ao redor e a despertar Tato, alarmado.

— Mãe! — Romena a cumprimenta, constrangida, sustentado um sorriso amarelo.

— Ah, meus queridos, mil perdões! Eu não vi que você estava dormindo. — Dona Charlotte se desculpa com Tato assim que ambos saem do carro, este ainda esfregando os olhos e se espreguiçando.

— Não, imagina. Não foi incômodo algum, eu precisaria acordar de um jeito ou de outro. — Ele sorri exalando simpatia e Romena percebe que sua mãe o aprova na hora. Céus.

— Tato esta é minha mãe, Charlotte Myrtle. Mãe este é Tadeu, meu namorado. — Romena gesticula negligentemente de um para o outro.

— Noivo. — Tato a corrige. Ainda sorrindo radiante.

As bochechas dele nunca doem? Se pergunta Romena.

— Mesmo que, no momento, eu ainda não tenha conseguido providenciar um anel. — Ele se desculpa com sua mãe de forma jovialmente encabulada, ou seja, encantadora.

Romena relanceia os olhos para a própria mão e se xinga mentalmente por não ter pensado nisso.

— Tato ainda está na faculdade, anéis de noivado não são nossas prioridades no momento. — Dando de ombros, Romena caminha até o porta-malas.

— Pode me ajudar com as minhas malas… querido? — Ela testa a expressão e ela não sai divertida e descontraída como nas ocasiões em que ele a usou. Na voz de Romena parece brega e antiquada, encalhada como um casamento de trinta anos.

— Claro, querida. Como você quiser. — Ela percebe que Tato segura o riso. Idiota. Se ele estiver querendo rir dela vai pagar muito caro.

— Oh, vocês chegaram muito cedo. Só esperávamos que chegassem amanhã. Seu pai e Rômulo poderiam ajudar, mas saíram para pescar hoje cedo. — Sua mãe lhe explica enquanto Tato descarrega o porta-malas.

— Não paramos para descansar. Tato veio dirigindo durante a noite.

— Ah, mas que cavalheiro. — Sua mãe comenta orgulhosa. — Diferente de você, que sequer me deu um abraço ou me deixou cumprimentar o rapaz, já chegou dando ordens e…

Antes que a mãe possa continuar criticando-a, Romena se aproxima dela e a abraça apertado.

— Quanto tempo, minha menina. Estava morrendo de saudades. Se você não fosse tão teimosa, não faria uma coisa dessa com sua mãe.

Romena encerra o abraço quando sua mãe começa a resmungar, nunca podem ser só flores, com dona Charlotte sempre há espinhos.

— Agora você, Tato. Posso te chamar de Tato?

— É claro!

— Ah, que sorriso bonito. Eu já lhe disse que ele tem um sorriso bonito?- Charlotte se dirige a Romena como se ela fosse a responsável pelo belo sorriso dele.

Romena fica sem graça enquanto ele ri e se aproxima sem receio de sua mãe, curvando-se para abraçá-la.

Sua mãe parece pequena e frágil perto dele, se ambas possuem quase a mesma altura, será que ela também fica tão mignon ao seu lado? Antes não parara para reparar em como ele era alto, notara que era meio desengonçado, mas nunca atrelara isso à altura.

— Veja a expressão dela. — Dona Charlotte confabula com Tato. — Sempre foi ciumenta…

Ao perceber que estão falando dela, ainda tirando uma com sua cara! Romena sente o rosto aquecer, irritada.

— Eu não disse? Olhe como está nervosa. — Brinca Dona Charlotte, gargalhando melodiosamente e sendo acompanhada por Tato.

— Vocês vão ficar aí tirando uma com a minha cara ou a gente já pode entrar? — Romena resmunga carrancuda.

Rindo, Tato pega suas malas enquanto ajeita a própria mochila no ombro. Romena ainda não consegue acreditar que ele só trouxe isso, deve ter apenas trocas de cueca e nada mais.

— Ah, meu amor, você fez um belo trabalho. Ele é uma gracinha! — Ao pegar seu braço sua mãe comenta no que para ela seria um sussurro, mas que faz Tato corar sem graça quando Romena vira o pescoço para observá-lo caminhado atrás delas.

— Mãe, — Romena ralha baixinho. — Ele pode ouvi-la.

— Eu sei. — Sua mãe responde atrevida. — Mas não acho que o fará mal saber disso.

** ** **

— Eu acho que sua mãe gostou de mim. — Tato comenta divertido enquanto desamarra os cadarços de seus tênis All Star.

— Ah, com certeza ela gostou. Até demais, na minha opinião. — Romena responde irônica, retirando os pequenos brincos de pérola e apoiando-os na cômoda.

— Achei ela muito simpática. — Ele diz lutando para tirar as meias dos pés suados.

— É recíproco.

Romena enrola os cabelos em um coque e caminha até a janela na intenção de puxar as cortinas. Faz muito calor e ela já começa a se sentir incomodada.

— A casa é muito bonita. — Tato elogia enquanto a observa fechar as cortinas leves e claras, surpreendendo-se que elas sejam capazes de diminuir a luminosidade, como fazem.

— Obrigada. Não crescemos aqui, mas vinhamos muito aos verões e ela guarda memórias incríveis.— Romena observa por um instante o bem cuidado jardim de sua mãe antes de fechar a cortina por completo.

Ao se virar novamente para Tato, Romena fica perdida por alguns instantes. Vê-lo sentado em sua cama, na única cama do quarto, é algo muito estranho e errado. Pelo amor, ela lhe dá aulas!

Tato também parece ficar desconfortável antes de dizer:

— Eu posso dormir no chão, se te deixa mais confortável.

Romena, novamente, é pega de surpresa com sua gentileza e cuidado.

— Não, de forma alguma. A cama é grande, bem espaçosa, não tem precisão de você dormir no chão.

Eles se encaram encabulados por cerca de dois segundos. Romena não sabe mais o que dizer, ou se deve dizer alguma coisa. Tato não sente muita vontade em insistir de dormir no chão, então fica quieto, observando-a apenas.

— Er, é… bem, eu vou… vou ao toilet. — Romena declara apressada antes de pegar sua valise e caminhar rapidamente em direção ao banheiro.

Tato encara a porta fechada e se pergunta em que tipo de encrenca está se metendo, solta o tronco, deitando-se na cama e percebe que não liga muito, mesmo sabendo que possivelmente é uma das grandes.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.