Umbra

7 Quem te convidou?


–E você? Tem nome?- Ícelo perguntou enquanto andávamos pela floresta.

–Ahmset.

–Nome legal... Qual a origem?

–... -fiquei em silencio por alguns instantes, mas finalmente- Eu não sei.

–Como assim "não sabe" ?-ele parou, agora estava me encarando.

–Simplesmente não sei, minha vida é uma mentira por inteiro, nem sei se é meu verdadeiro nome — lembrei de coisas que Kaayo costumava dizer como "Nunca confie em ninguém"- mas isso não é importante... Ìcelo... esse nome é familiar.

Ele me olhava tranquilamente, só deu um sorriso de malicia e disse:

–Sim, nome do guardião responsável pelos pesadelos.

–Você acredita?- perguntei exaltado.

–A pergunta é... você acredita?- ele fitava meus olhos, tinha um olhar um tanto quanto penetrante, parecia olhar dentro de minha alma.

–Acho que sim...- respondi fitando o chão.

Ficamos por um tempo jogando conversa fora, quando me dei conta estávamos indo para o chalé.

–É aqui que você mora? — ele perguntou.

–Sim...- disse abrindo a porta- Bem Vindo ao meu "lar".

As coisas corriam bem, estávamos tomando café, como dois amigos ainda não tinha anoitecido, mas o céu prometia uma tempestade, a temperatura estava caindo cada vez mais, não pude resistir a fogueira, pedi licença a ele e fui buscar a lenha que tinha ficado do lado de fora. Ascendi o fogo e ficamos lá em um silencio constrangedor. Era estranho, alguma coisa nele era familiar, algo nele me "empolgava", parecia que já o conhecia, então resolvi perguntar.

–Posso te fazer uma pergunta...? -perguntei. Ele inclinou um pouco para frente e fez que sim com a cabeça. -Já nos vimos antes?

–Creio que já te respondi isso.- ele se recostou e soltou um sorriso -Acredite alguém como você não é tão fácil de esquecer.

Como já imaginado eu corei, ele começou a rir.

–Por favor, para.- implorei, eu esta realmente envergonhado, mas ele não parou- Para. Para. PARA!- gritei, a fogueira acabou e as luzes começaram a piscar, ele parou e começou a me fitar- Me desculpe, juro que não quis gritar nem nada... essas coisas andam acontecendo ultimamente.

Ele ficou quieto, parecia mudo, ficou me olhando por algum tempo, daria tudo para saber o que estava passando por sua cabeça. Por algum tempo o silencio permaneceu, até que a campainha tocou. Fui atender,era um cara mais alto que eu, moreno, usava um terno e óculos escuros. Ícelo só olhou para direção da porta e se encolheu no sofá.

–Com licença, conhece o sujeito?- disse apontando para uma foto onde julgo ser Ícelo só que mais jovem e feliz.

–Nunca o vi...- disse fechando lentamente a porta- mas com sorte o encontrarão antes do amanhecer...- disse fechando ainda mais a maldita.

O homem botou o pé para impedir que a porta fechasse e disse:

–Tem certeza que não o viu?- disse aumentando o tom de voz.

A esse ponto eu já estava com minha faca de caça preparada.

–Hm... Jurei que tinha visto vocês dois na floresta- ele disse- Adeus então.

Forcei um "sorriso" e fechei a porta o mais rápido que pude. Olhei para Ícelo que parecia relaxado.

–Quem é esse cara? — peguntei apontando a faca pra ele.

–Calma donzela, ele já foi- zombou.- eu devo "favores" a ele.

–Espera.... Você não é nenhum tipo de garoto de programa né?

–Claro que não, idiota. -disse me jogando uma almofada. -Mas voltando, a algum tempo eu pedi um favores pra ele.

–Você não acha que....

–Eles vão volta? Acho. — Ícelo disse completando minha frase, a essa altura seu tom zombador havia desaparecido e seu olhar vago fitava o horizonte- Temos que nos armar.

Notas finais
Amores e amoras, tá um pouco pequeno por falta de inspiração :c/ vi