Uma Última Vez
1 Already Gone
Remember all the things we wanted. Now all our memories, they're haunted. We were always meant to say goodbye [...] I want you to know, that it doesn't matter where we take this road, but someone's gotta go. And I want you to know, you couldn't have loved me better, but I want you to move on. So I'm already gone.
Em meio ao caos que restou com o fim da grande guerra, poucos momentos de alegria eram tão genuínos como os almoços da família Weasley. Todos possuíam alguma cicatriz, algum sintoma que os seguiria pela vida, porém durante uma tarde quente de Domingo tudo era deixado pra trás.
Começou com uma simples iniciativa de Fleur Weasley, que em uma tentativa de consolar e ajudar a sogra, decidiu passar algumas semanas na Toca para que Molly não tivesse preocupações e pudesse passar pelo luto em paz. Se é que isso seria possível... Bill comentou a ideia com os irmãos que decidiram fazer o mesmo, cada um em sua casa, sozinhos, digerindo tudo que haviam vivido e tudo que haviam perdido.
Contudo não é por muito tempo que se aguenta viver remoendo o passado, e o trio de heróis foi o primeiro a aderir a ideia e passar mais tempo na Toca para se distrair dos eventos traumáticos da guerra, aos poucos Charlie e Percy também o fizeram. E uma nova tradição surgiu: todo fim de semana os Weasley se reunião para celebrar a vida, os bons momentos e esquecer o passado.
Victoire não se lembrava de uma época em que essa tradição não existisse, desde que conseguia se lembrar ela recebia visitas dos tios e tias nos fins de semana, todos se reuniam e comiam, dançavam, bebiam, era divertido e ela adorava! Diferente dos primos, Victoire e seus irmãos haviam crescido na casa dos avós, já que Bill e Fleur haviam decido ajudar Molly e Arthur a terem uma vida mais confortável e se mudaram de vez para Toca durante a gravidez de Dominique.
Foi em uma tarde de celebração que a primeira neta de Molly conheceu outra pessoa que tinha cicatrizes de guerra. Uma conhecida iria vir para o almoço e sua avó havia contado, com certa animação, que ela traria uma criança para Victoire brincar, o que alegrou a neta já que a maioria crianças em tardes como aquela eram sempre mais novas que ela. James tinha apenas 3 anos, Molly II também e sua irmã mais nova tinha 2 anos na época, enquanto Victoire já iria fazer 8 e se sentia um tanto entediada em meio as conversas de adulto dos tios.
A senhora vestia roupas elegantes em cores escuras, tinha uma postura que lembrou Victoire de sua avó francesa, suas tias e como todas agiam de uma forma diferente da sua avó e tias inglesas. A principio a garota achou que a senhora seria uma Veela, anos mais tarde Victoire descobriria a verdadeira história daquela bruxa e como ela havia sido criada para ser uma dama e naturalmente nunca havia se esquecido de seus ensinamentos.
Atrás da senhora, um rapaz um pouco mais alto que Victoire se encontrava segurando timidamente as roupas da mulher. O menino tinha lindos olhos castanhos e cabelo escuro, como o da senhora, mas este rapidamente mudou para uma cor ruiva assim que Molly se aproximou dos dois. Victoire achou aquilo incrível e seu interesse no possível amigo apenas aumentou.
“Vic querida, venha aqui” Chamou sua avó desviando sua atenção do menino e a colocando frente a frente com as visitas “Essa é a mais velha, filha do Bill” indicou sua avó a senhora que agora sorria de forma amigável para a garota.
“Olá Victoire” disse ela se abaixando para ficar próxima a sua altura “É um prazer conhece-la, meu nome é Andromeda e este aqui” disse ela puxando pela mão delicadamente o menino, que havia mudado a cor de seu cabelo para loiro agora “este é Teddy, diga oi” disse ela agora olhando para o menino.
“Oi” disse ele baixinho, desviando o olhar de Victoire para a mesa dos adultos “Posso ir dar oi pro padrinho?” Perguntou ele a ignorando.
“Claro, pode ir”
E assim o menino mudou novamente a cor do cabelo para rosa e correu na direção de um dos tios de Victoire, Harry. Que assim que o viu se abaixou e o pegou no colo rindo e chamando a atenção de seus outros tio, todos pareciam conhecer o menino, ele abraçou o adulto tentando esconder a timidez. Victoire achou aquilo fofo e naquele momento decidiu que queria ser amiga de Teddy.
“Está pronta?” Perguntou a voz de seu pai batendo na porta do quarto.
“Sim, já vou descer!” Respondeu Victoire ainda se encarando no espelho. O cabelo estava um pouco bagunçado, havia decidido não usar maquiagem e escolhido a única roupa preta que tinha. Um simples vestido que ia até um pouco abaixo dos joelhos e quase não tinha detalhes além dos relacionados a costura do tecido. Com um ultimo suspiro, ela saiu do quarto e desceu as escadas.
Na sala seu pai vestia um conjunto de calça e camisa social pretos, que não combinavam com o que ele geralmente usava. Sua mãe também usava um vestido preto, porém com um casaco por cima e havia se arrumado um pouco mais, com o cabelo preso e uma maquiagem simples. Dominique e Louis estavam sentados lado a lado, também de preto. Nenhum deles demonstrava vontade de sair de casa, mas todos sabiam que era algo necessário.
Após aparatarem, a primeira coisa que Victoire fez foi procura-lo. Em meio as diversas pessoas no local: aurores, pessoas que lutaram na guerra, ex alunos, familiares e amigos. A loira o avistou próximo ao caixão. Teddy, assim como todos ali, usava preto, até mesmo o cabelo, que normalmente tinha uma cor vibrante como azul, rosa ou laranja-Weasley (como ele chamava), agora tinha uma aparência natural, igual a da mulher na foto ao seu lado.
A passos rápidos e furando a fila de despedida que às pessoas faziam até o caixão, Victoire se aproximou do amigo e o abraçou com toda sua força. Ela só podia imaginar como Teddy estaria se sentindo com a morte da avó. Aquela que o havia criado como um filho, sua família de sangue mais próxima.
Três dias antes Victoire e Teddy estavam rindo próximos ao lago, nos jardins de Hogwarts, estavam descansando após uma manhã estudando na biblioteca e relembraram um “acidente” que James Sirius havia causado durante o almoço, o Potter mais velho mal havia começado o primeiro ano e já estava atormentando a vida do zelador Filch e da Diretora, que não parecia surpresa com o comportamento dele.
O momento durou pouco, uma pequena Alice Longbottom correu até eles, vestindo seu uniforme amarelo e preto, com um bilhete na mão: a senha para a sala da Diretora. Ela havia solicitado que Teddy a procurasse com urgência, o que preocupou a dupla.
É claro que Victoire seguiu Teddy pelos corredores, mas não foi com ele até a sala, o esperou na entrada nervosa, achando que algo havia dado muito errado. A avó de Teddy havia ficado doente durante o verão, aquele era o primeiro ano em que Andromeda Tonks não seria a professora de Transfiguração e ao mesmo tempo que isso deu certo liberdade ao neto, também o deixou apreensivo.
O horário do jantar chegou e Teddy não voltou. Confusa, Victoria estava prestes a subir para perguntar o que havia acontecido, mas Minerva foi mais rápida e encontrou uma de suas melhores alunas ali, desesperada por explicações e com um semblante triste a Diretora a informou:
“O sr. Lupin teve que se retirar do castelo acompanhado por seu padrinho, sua avó faleceu e ele, sei que vocês eram próximas, sinto muito senhorita Weasley”
Victoire não havia visto Teddy desde então, seu pai a havia avisado sobre o dia do funeral e pedido a diretora que liberasse a filha para acompanha-lo. Isso havia acontecido a duas semanas e ela ansiava pelo momento em que veria Teddy desde então.
Os braços de Teddy a rodearam e Victoire pode sentir as lagrimas do amigo na manga de sua roupa, o choro silencioso partiu seu coração. Mas ela não podia fazer nada, a morte era algo irreversível até no mundo da magia e a cerimonia mal tinha começado. Tudo que Victoire poderia fazer seria ficar ao lado dele e secar suas lagrimas.
Quando o horário previamente combinado chegou todos se sentaram em frente ao caixão e as homenagens começaram. A primeira pessoa a falar foi Narcisa Malfoy, irmã da avó de Teddy, que mesmo em um momento de tristeza manteve a mesma postura elegante que Victoire havia aprendido a admirar em Andromeda.
Por fim, Teddy se levantou, com os olhos vermelhos, a pele pálida e a voz fraca, Victoire nunca o havia visto daquela forma. Naquele momento ela desejava apenas poder faze-lo sorri e tirar sua dor. Enquanto o amigo segurava as lagrimas e dizia sua despedida, Victoire prometeu silenciosamente que faria qualquer coisa para ajudar Teddy a não sofrer mais do que ele já estava sofrendo naquele momento.
Notas finais
Por favor se gostaram da fanfic e do capítulo não se esqueçam de comentar, agradeço pela atenção e espero que você gostem tanto dessa história quanto eu gostei de escreve-la.
Fale com o autor