Uma vida para poucas palavras
18 Tempos escuros
Ambientes lúgubres deixavam o mais novo para baixo por dias. Rafael podia dizer que há quatro dias não conseguia ver o namorado dar um de seus sorrisos brilhantes. Talvez se devesse ao fato da reunião familiar ainda estar na mente de ambos.
Ele mesmo se sentia pressionado ao lembrar da festa em que foram obrigados a participar. Rafael chegou a conclusão de que deveriam ter permanecido em casa, naquela noite. Assistindo algum filme meloso, abraçados e comendo alguma porcaria achocolatada.
Encarou o namorado deitado na cama, que parecia dormir. Um suspiro escapou, sem seu consentimento. Era peso demais sobre os ombros de ambos.
Não era uma festa. Aquilo era um velório. E o que fora enterrado era a relação do mais novo, já desestabilizada, com os pais. O preconceito ainda estava implantado naquela sociedade fútil e nem mesmo as relações de sangue impediram que o namorado passasse por aquela frustração.
Deitou-se ao lado de Gabriel, puxando-o para seus braços, enquanto cobria ambos. Era cedo para dormirem, sabia disso, mas o acalento era a única coisa que ia, pouco a pouco, reestabelecer seu namorado.
— Eu te amo muito. — O silêncio seguiu-se por diversos minutos, até Gabriel finalmente se pronunciar.
— Fique comigo.
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