Uma vida feliz para Arlequina?

17 Capítulo 17 – Verdade perigosa


Notas iniciais
Deixo novos agradecimentos a Clarice e Felipe, que sempre têm sido de vital importância para fic. ♥ E tristemente informo que a fic está na reta final. Vou sentir saudades.

Capítulo 17 – Verdade perigosa

Harley chorou sem conseguir se controlar por alguns minutos, enquanto era confortada no abraço do Coringa, que percebeu de imediato que havia algo errado. Podia sentir a temperatura alterada quando a testa de Harley encostou em seu peito. Ela se afastou um pouco para olhar os bebês, queria vê-los, encarar aqueles dois pares de olhos azuis. Continuavam como se lembrava. A olharam com estranheza por um momento, depois olharam na direção do pai que sorria para os dois, depois para Harley de novo. O coração dela estremeceu dolorosamente ao temer que as duas crianças chorassem por não reconhecê-la, mas de novo não aconteceu.

— Não digam que não lembram da mamãe... – ela disse baixinho, finalmente conseguindo sorrir quando os dois bebês riram para ela.

Viu as mãos do Coringa apoiarem os bebês junto com ela, não devia fazer esforço naquelas condições. Olhou para cima e o príncipe palhaço a encarava.

— Eles estão aqui, Harley.

Sorriu para seu Pudinzinho, por um momento esquecendo qualquer raiva que estivesse sentindo, fechou os olhos quando seus lábios se encontraram e ficaram assim por um bom tempo. Sabia que Pâmela devia estar olhando aquilo com desaprovação, ela não tinha meia gota de confiança em qualquer reconciliação dos dois, mas por hora Harley ignorou aquele pensamente. Quando se afastaram, ele tocou sua testa com uma das mãos.

— Tá com febre.

— Vou ficar bem.

Ela se virou para a Hera sorrindo.

— Você quer segurar eles, Pam?

Pam não soube o que responder, apenas abriu um enorme sorriso e secou as próprias lágrimas, recebendo com cuidado os dois bebês de Harley. Ambos vestiam roupinhas verdes idênticas, dificultando bastante saber quem era quem, mas ela era perfeitamente capaz de identificá-los, ainda que tivessem crescido e mudado um pouco nos últimos doze meses.

— A tia Pam sentiu tanta saudade – ela murmurou beijando os dois – Vamos pra casa quando tudo isso acabar.

— Não fico feliz em interromper, mas acho prudente tirarmos os dois daqui o quanto antes – o Batman falou.

— Ele tem razão – Pam opinou.

— Harley, vá com eles.

— Mas eu quero ficar.

— Eu tenho que acabar com isso, você se feriu muito, precisa de repouso. Vá pra casa com a Venenosa. Meus homens vão recolocar os berços no nosso quarto, fique lá com os dois. Depois que isso acabar vamos apresentá-los a Bud e Lou.

— Deixa eu ficar, Pudinzinho... – ela reclamou fazendo bico.

— Harley, você parece bem por causa da adrenalina e dos remédios de Pam. Quando se acalmar vai lembrar que mal pode ficar de pé.

Pam e Selina acomodavam os bebês no carro quando todos se alertaram ao som de tiros. Selina entrou no carro, tentando proteger os dois bebês com o corpo. Pam fechou a porta, enquanto o Coringa abraçava Harley entre ele e o carro e o Batman procurava a origem dos disparos. O homem morcego pretendia colocar Harley no carro e dirigir para longe, mas era tarde demais. Os quatro pneus estavam furados.

— Ah, não! Ninguém... Vai mexer com meus bebês!! – Harley disse, se afastando do Coringa, sacando o revólver e pegando o taco encostado no carro de Selina, cambaleando um pouco até se firmar de novo.

— Harley, não! – Pam se aproximou tocando sua testa e seu pescoço – Ainda tem febre e está fraca. E se o ferimento abrir de novo?

— Pela primeira vez na vida concordo com a Venenosa em alguma coisa. Vá pra casa.

— Vocês tão loucos, é? Os quatro pneus já eram!

— Há outros carros, Harley...

A conversa foi interrompida por novos tiros que quase acertaram os pés dos três.

— Qual é a palavra que só tem três letras, mas acaba com tudo? – Ouviram a voz de Charada de um alto falante.

— Por que sair correndo? Vejo que palhaços não morrem facilmente, Arlequina. Mas isso não é tão ruim. Temos mais gente para brincar.

A voz fantasmagórica do Espantalho se espalhou pela rua deserta e aquilo só não foi mais assustador porque já estava amanhecendo. Ouviram Charada rir e perceberam que ele vinha do lado oposto. O Coringa pegou o telefone e com uma única tecla acionou um dos números de emergência.

— Jonny, todo mundo protegendo o carro aqui.

— Entendido, senhor.

De repente uma névoa tomou o lugar, típico do Espantalho, e só se pode ver alguma coisa claramente de novo quando a Hera Venenosa já estava em combate com ele e Harley batia em Charada com o taco de Baseball. O Coringa se virou para o Batman com um enorme sorriso metálico e psicótico, infligindo um golpe contra o morcego, que se esquivou.

— Por que? – Perguntou sem alterar sua expressão séria.

— Por que sim, BATSY!!! — Exclamou antes de rir como um louco, tirando sua bengala sabe-se lá de onde e investindo novamente contra o homem morcego.

— Sua mulher está ferida e lutando! Devia ser normal ao menos uma vez na vida e ajudá-la!

O Coringa apenas riu histericamente e continuou lutando com o Batman. Do outro lado da rua Hera e o Espantalho se encaravam como se estivessem congelados. Ele esperava o efeito de seu gás derrubar a Hera, ela lutava mentalmente contras as visões de Harley e os bebês mortos pelo Coringa.

— Minha resistência a venenos é enorme, seu espantalho de jardim!! – Ela gritou sacando sua arma e atirando no adversário.

O Espantalho apenas se esquivou e riu. O ar se encheu com uma fumaça verde azulada quando Hera atirou um de seus mais novos e fortes venenos contra ele, mas quando pode vê-lo de novo confirmou suas suspeitas, nada havia acontecido e os olhos fantasmagóricos a fitavam com satisfação vendo-a ficar perdida sobre o que fazer. Apontou a arma na direção do carro, vendo o pânico de Pâmela crescer, mas tiros vindos do alto, que quase acertaram os pés do Espantalho, o fizeram olhar para cima por um instante, indiferente como se apenas olhasse o céu da manhã. Deu alguns tiros de volta, depois desistiu e voltou a combater a Hera Venenosa. Do outro lado Harley acertava golpes com o taco em Charada, que hora se esquivava, hora ria, hora gritava de dor por ser atingido.

— O QUE ESTÃO PENSANDO?!! – Harley gritava com ele como louca enquanto tentava acertá-lo — NINGUÉM VAI MACHUCAR MEUS BEBÊS!! A MAMÃE NÃO VAI DEIXAR!! HUSH LITTLE BABY, DONT’ SAY A WORD!! MOMMA’S GONNA KILL FOR YOU THE WHOLE DAWN WOLRD!! – Ela começou a cantar de repente enquanto continuava agredindo Charada.

O vilão havia pegado seu revólver para tentar acertá-la, mas sem sucesso uma vez que Harley estava de fato numa perfeita demonstração de loucura e se mexia tão rápido que ele não conseguia mirar, apenas se esquivar para não ser atingido. Após mais alguns minutos irritantes ouvindo Harley cantar, ela cantava muito mal, e errar vários tiros, Charada levou um golpe na cabeça, caindo no chão segurando o local dolorido e não levantando mais.

— PAM!! TÔ INDO TE AJUDAR!! – Harley gritou.

A palhacinha acertou o braço do Espantalho, anulando a tentativa simultânea dele e de Pam de tentarem enforcar um ao outro e permitindo que a Hera colocasse os pés no chão novamente.

— Eu vou matar um dos dois – o Espantalho dizia como se fizesse unidunitê apontando a arma do Coringa para Harley e vice-versa – Ele vai enlouquecer ainda mais e procurar outra rainha. Ou ela vai enlouquecer e se transformar numa princesa palhaça do crime ainda mais perigosa. Posso incluir aquelas crianças no pacote também – ele falava sério, mas se divertindo ao ver a dor nos olhos das duas mulheres – E acho que poderia cortar uma árvore pra fazer uma grande fogueira pra queimar Gotham – ele se referiu à Pam.

O ódio queimou nos olhos azuis de Harley, que rosnou de raiva, e se estivesse em melhores condições físicas teria partido sem pensar duas vezes para cima do Espantalho até os escritos de seu taco de baseball ficarem marcados nele. A raiva de Pam também cresceu, especialmente ao ver o estado alterado de Harley, e também sentiu medo. Ela estava se esforçando muito mais do que seu corpo permitia, em breve poderia ter problemas, e tinah certeza que ela só não estava sentindo dor porque ainda estava sob efeito do tranquilizante. Quando acabasse até mesmo a dor poderia matá-la se fosse muito intensa.

— NINGUÉM MEXE COM MEUS SOBRINHOS E COM MINHA MELHOR AMIGA E IRMÃ!! – A Hera gritou.

As duas criminosas começaram a atirar na direção do inimigo, que por sua vez fez o mesmo. Os tiros voavam e ricocheteavam em volta, indo para direções aleatórias. O Batman observou a cena com preocupação, olhando de Harley, Pam e Espantalho para o carro onde Selina tentava acalmar os dois bebês e protegê-los com o próprio corpo caso um dos tiros atravessasse o vidro ou metal. Acertou um golpe no Coringa, vendo-o rir como um louco e parar de lutar para apenas rir mais e mais. Deixou-o rindo sozinho e correu para proteger a janela de trás do carro, sendo acertado por alguns disparos no mesmo instante. De qual arma as balas tinham saído ele não sabia dizer, mas agachou-se ainda protegendo a janela e segurou um dos locais atingidos em seu ombro, por sorte havia sido de raspão. O Coringa finalmente parou de rir e pegou sua arma roxa, disparando na direção do Espantalho, o ódio em seus olhos azuis havia tomado o lugar do sorriso insano.

— O que é que nem se poder ver, mas quando se revela pode causar muita dor? – Charada perguntou para si mesmo, puxando um relógio de dentro de suas roupas.

Um artefato tão pequeno, mas que podia destruir tudo. Para um homem enlouquecer era preciso apenas um dia ruim, e o homem jogado no chão estava prestes a descobrir isso.