Local ????, data ????, Arquipélago Desuriano

Em um bosque abandonado, onde poucos ousavam adentrar, a vida sem razão era protegida por alguém que, de um grande poder, tinha em seu corpo a portar; os próximos temiam sua presença e os distantes comentavam em sua ausência.

Ninguém tinha coragem de ali entrar, pois o medo era tão forte que nem mesmo as belezas daquele lugar conseguiam expulsá-lo. Mas um dia, uma ingênua criança ali foi desbravar, tendo apenas uma calda de raposa para zelar. Foi adentrando a mata como quem fosse à caçar, porém, ela foi mais a fundo, até no meio do bosque se encontrar. Lá ela viu um ser que poucos tinham coragem de topar.

Era uma figura alta, de pele pálida, com um vestido bonito e uma sombrinha clara; seus olhos eram púrpuras e sua postura nobre. Parecia uma rainha, mas era a criatura que todos fogem, era o ser que protegia aquele lugar, uma besta que poucos tinham coragem de imaginar.

O ser a viu e um sorriso foi a em seu rosto estender, rindo do ocorrido levantando para a ver, sua passada era calma enquanto a ingênua isarokai não conseguia perceber. A pequena a viu e ao invés de tremer de medo, preferiu apenas admirar aquela guardiã se aproximar.

"Você não era para estar aqui, não? Vejo que se encontra perdida, pequenina, o que lhe fez vir tão a fundo nesse lugar por todos abdicado?" A criatura falava com jucosidade, uma voz carregando uma sutil maldade, porém, a raposinha não foi a recuar, como se não soubesse o que estava a encarar.

"Eu vim aqui ver o lugar bonito." Uma fala doce, sem malícia, mas forte como uma pancada, tirando um pouco da emoção daquela figura ocultada.

"Um lugar bonito...? Sabe que este bosque tem perigos e vem você aqui, desarmada? Ou tem atrás de ti um guarda?" A suspeita tomou conta da protetora, que agora encarava o redor com grande seriedade; os animais sentiam sua intenção e se calavam para não atrapalhar a sua missão.

A pequena riu da preocupação da grande mulher alva tampando o rosto por educação "Não tenho guardas, nem tenho como portar armas, sou apenas uma pequena kitsune que por estas terras vaga, vim aqui pois me disseram que tinha um lugar bonito, que era protegido. Você seria quem ele protege?"

A jovem o temível ser confrontava, trazendo desconforto para aquela situação, mesmo podendo enxergar toda a floresta, não havia nada que a pudesse cometer uma lesão. A criatura estava surpresa, não sabia nem o que falar daquele pequeno ser, como poderia uma criatura tão diminuta ter tanta bravura.

"Sabe, pequena, sou uma criatura antiga, que vive neste lugar antes mesmo de tua espécie saber andar em duas patas, vi Deuses lutarem entre si na terra, pude contemplar a queda dos monstros e a ascensão dos Yakuns, cheguei a ver a primeira guerra dos mortais e o primeiro acordo de paz. Mas ainda assim, com isso tudo em minha visão, ninguém jamais chegou em mim como você, tudo por conta de que você quer ver um lugar bonito?"

A timidez da raposa veio a lhe fazer corar, ela não sabia quase nada daquela criatura que em sua frente estava a comentar, com um sorriso de vergonha foi a concordar, pois não sabia o que dizer para a situação ali a calmaria retornar. Por um momento a entidade riu da situação, vendo que a garotinha não ia se retratar.

" Grande graça e ousadia, andas sem ter família por terras que pouco compreende, você tem muita ousadia, mas ainda pouca sabedoria, sabe, pequena essa vida monótona vendo e contemplando é algo que me agrada, mas só dela viver não me concede mais aquela graça. Como teve coragem de vir aqui, vou te oferecer uma proposta." O sorriso do ser se ocultava por seu adereço, mostrando a pompa de uma nobreza que não residia naquele lugar, a andarilha encarou aquilo com sutileza e com um ar de franqueza foi direto ao ponto falar.

"Uma proposta? Mas eu não vim a incomodar. Só quero ver as flores que nascem nesse lugar. Pois dizem que elas são as mais bonitas que no arquipélago podem brotar, não quero poder, tampouco algo que eu não possa pagar. Sou jovem, mas não sou tola para minha cova cavar." A guardiã, novamente abismada pelo jeito que ela estava a se portar, bateu palmas vendo que a jovem era uma figura única por todo aquele lugar.

"Que graça! Nunca me diverti desta forma, nunca pensei em ouvir tais palavras, ser julgada antes mesmo de agir. Não sou como seus similares que tendem a tirar proveito dos fracos, pois minha força é tamanha que não é necessário agir para provar. Mas vou ser direta ao caso, quero mais alguém para me acompanhar, estou cansada deste encanto solitário, pois aprendi muito e a ninguém posso ensinar."

As orelhas da kitsune subiram, como se o interesse agora elevado a tivesse guiado para o manjar. Ele aproximou-se da protetora e, cobrindo a testa, foi a cumprimentar: "Se é apenas isso que quer trocar, meu tempo e vontade posso dar, não tenho dotes e nem virtudes para isso lhe pagar." A entidade a tocou nas orelhas e forte na cabeça foi a afagar

"Não preciso de riqueza, então vamos aqui, no lugar bonito que você viajou para contemplar. Espero que goste, pois depois de 1.000 anos você será a única que vai poder observá-lo"

Então elas foram para um ponto no bosque a que nenhum humanoide e espírito civilizado conseguiu chegar, um lugar de grande encanto que nem pinturas poderiam aos pés se comparar. Ali se tinha as mais belas aves, insetos e flores, pareciam colocados, como um jardim elaborado, com tudo em seu devido lugar.

A jovem estava maravilhada, vendo que os mitos eram reais sobre aquele lugar; seus olhos lacrimejaram vendo que seus pés machucados conseguiram levá-la até aquele lugar. A criatura se sentou ao lado de uma rocha enquanto aquele belo jardim no bosque estava a fintar.

"Sabe, minha cara aprendiz, com tantos seres à nossa volta, seria difícil imaginar que um dia isso estaria aqui com uma vida tão curta para estas belas criaturas." A pequena raposa olhou para sua nova mestra e ao seu lado foi a se sentar, observando até o pequeno córrego que separava ao meio aquele lugar.

" Seja das milenares árvores até os pássaros de plumagens coloridas que viajam por este mundo em busca de seu próprio lar, é fascinante visar isso, mesmo que não entendamos direito este curto círculo em que estes seres residem."

As palavras ficavam estranhas, mas ainda dava para compreender, ela via as borboletas em grandes volumes com cores vibrantes se aproximando de suas mãos, a guardiã as deixava em seus dedos pousar, e logo em seguida foi a soprá-las para voltarem a sua missão. Ela se levantou com um sorriso, segurando a mão de sua pequena e nova que aprendia a lição

"Quem sabe um dia tu vais entender melhor que eu sobre eles, quem sabe descubra o seu verdadeiro ser com isso, minha pequena graça."


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