Notas iniciais
ps: a ideia da mitologia tem total credito a rick riorda, pois, como todos sabem isso é uma fanfic, porem eu não marquei percy jasckson porque não achei certo, afinal, a historia e os personagens são diferentes. mas, como sempre mitologia vai ser um titulo de rick riordan

Ah, véspera de natal. A melhor época do ano certo? Errado.

Acontece que antes de incendiar o natal, eu já estava tendo um péssimo dia.

Eu cresci em um orfanato no Brooklyn, pois meus pais tinham morrido em um acidente de carro em Vancouver, o que deixava a minha vida meio vaga. Quer dizer, eu fazia muita coisa. Mas minha vida nunca fora tão agitada quanto o dia do acidente.

Como eu disse, era véspera de natal. Todos no orfanato faziam alguma coisa, penduravam suas meias perto da lareira, colocavam os enfeites na arvore, faziam cookies em forma de pinheiro, embrulhavam presentes... Coisas do tipo. E o que eu fazia? Eu dormia. Não, na verdade, não. Eu bem que queria, mas ficara de castigo por ter “causado” um incêndio na escola, na minha defesa eu apenas queria queimar o bolinho da garota, na aula de culinária. Não era culpa minha se o cabelo dela tocou fogo nas cortinas, disparou o alarme de incêndio e encharcou toda a sala. Ou era? Ah, agora não importa mais. Eu estava suspensa. Então, meu castigo foi arrumar o sótão. – não parece grande coisa – você deve estar pensando. Acontece que você nunca viu o sótão do orfanato. Tente imaginar o seguinte: em um orfanato que há mais ou menos 60 crianças e, suponha, que essas crianças compram e depois não querem determinados brinquedos, roupas ou tralhas em geral. Então eles resolvem juntar tudo isso em vários sacos e jogar no sótão. Adicione isso a uma menina que levou uma bronca na escola. No que isso resulta? Em um belo castigo.

Arrumação não combinava comigo, afinal eu era a pessoa mais desorganizada do mundo. Er, ta bom, não é pra tanto.

A minha alergia à poeira começou assim que coloquei o pé na madeira rachada. E uma sequencia de espirros de seguiu.

Comecei pela caixa que tinha escrito “roupas”. Se você está pesando que só porque se trata de um orfanato não vai ter muitas roupas, está totalmente enganado. Acontece que a mama Teresa -que é como nossa mãe- era dona de uma grande empresa de sei-lá-o-que-roupas no México, e, apesar de ter se mudado para cá, ela mantinha contato.

Beleza, comecei tirando todas as roupas da caixa e colocando no chão. Separei as que estavam rasgadas das que estavam apenas sujas. Coloquei as sujas na maquina de lavar e coloquei as rasgadas no lixo.

Passei quase o resto da tarde espanando, varrendo, passando pano, selecionando livros, limpando os moveis e, por fim, tirando a roupa da secadora.

O piso estava limpo, as estantes espanadas, e a roupa levada e seca.

Antes de descer as escadas dei uma ultimas olhada, nossa, eu podia até ver o meu reflexo no chão. O que não era uma boa ideia, já que eu estava parecendo o mostro do lago ness, fora do lado ness. Não, espera, o mostro do lago ness parece uma serpente... Eu parecia um monstro!

Desci orgulhosa, não porque havia feito um trabalho, mas sim, porque nenhuma pessoa na historia havia limpado aquele sótão. Exceto, eu.

Pensei que assim que me vissem, falariam: “caramba, você limpou aquele porão?” ou “Jessica, sou seu fã numero 1” ou um simples “ quer ajuda para descer as sacolas?”. Ao invés disso fui surpreendida por um balão de água jogado na minha cara.

Andy – pensei.

– na mosca! –disse Andy.

– quinta. – falei – é a quinta vez essa semana. Se você não parar eu vou começar a me vingar.

– veja pelo lado bom, você não precisa mais tomar banho.

– é mesmo? Hmmm... sabe o que isso me lembra? O monstro do sótão.

O monstro do sótão foi uma desculpa que a mama Teresa inventou para os pequenos não subirem no sótão.

– ele estava lá –continuei – ele perguntou como as crianças estavam, principalmente você –fiz sinal de negativo com a cabeça, estalando a língua- eu disse que estava mal. Ele disse que ia pegar todas as crianças de noite, mas eu disse que não. Mas se alguém desobedecer... Nem queira saber o que vai acontecer com ela.

– é mentira. – disse ele.

–ah é? Então fala isso pra ele.

Deu um chute na parede atrás de mim e graças ao pedreiro que não tinha a concertado, a escada caiu fazendo barulho de porta enferrujada.

– eu começaria a correr. –falei.

Como ele tinha apenas cinco anos, era fácil enganar ele. Ele começou a correr e gritar coisas do tipo “eu não sou saboroso” ou um simples “AAAAAAAAAAHHH”.

– Bobão. –falei, assim que ele já tinha sumido.

– Jessica – falou mama Teresa – já são 8 horas da noite, vá tomar banho.

O ponto alto do dia não foi tomar banho. Foi tomar banho em uma banheira quente. Passei mais ou menos uma hora para tirar o nó do meu cabelo, mas quando tirei relaxei o resto do tempo na banheira. Quente.

Quando sai do banheiro coloquei minha velha calça surrada, meus velhos all stars, e um moletom preto escrito “aê, é natal!”. Enfiei um gorro verde no bolso da calça para quando meus cabelos secassem.

Oba – pensei – agora só faltam alguns minutos para começarmos a cantar estúpidas musicas natalinas perto da lareira, colocar a estrela do topo, comer, deixar leite quente e cookies e fingir esperar o papai Noel, começar a tirar fotos e beber chocolate quente. yupi! Eu mal podia esperar.(sqn)

Eu só queria estar com a minha família, a de verdade. Não que eu não adorasse tudo isso, mas eu não tinha fotos, lembranças ou explicações. A única coisa que eu tinha era um velho amuleto de bronze com um dragão soltando fogo esculpido no centro. Era realmente velho, mas ainda brilhava e tinha um significado, ainda não sabia qual, mas tinha.

Assim que me virei alguém atrás de mim, tentou pular nas minhas costas em uma tentativa falha de abraço, mas acabou passando direto e caído no chão porque assim que pulou eu havia me abaixado para amarrar os cadarços.

– feliz quase natal. – falou Chloe, massageando a cabeça.

Era quase uma tradição, minha e dela, falar “feliz quase natal” toda hora, na véspera do natal, até 00:00h.

– eu falei que era uma má ideia – falou uma voz masculina atrás de mim, assim que ela se levantou.

–oi pra você também Brad. –falei.

Ele estava encostado na porta comendo uma maçã. E deu um sorriso torto. Cara, como ele era sexy.

De todos do orfanato, Brad Johnson e Chloe Evans eram os que eu mais gostava. O Brad tinha 16 anos, era alto, loiro dos olhos azuis, era engraçado e totalmente sedutor, alem de tocar muito bem qualquer instrumento, menos flauta. Que ele era um desastre. A Chloe tinha 7 anos, tinha cabelos cacheados e cor de mel e olhos azuis cristal (que eram como azuis muito claros, como se fossem gelo). Eu tinha uma ligação muito forte com eles, já os conhecia há muito tempo. Quando tinha apenas 7 anos, após a morte dos meus pais, cheguei no orfanato ao mesmo tempo que Brad, que tinha 9. alguns já chegaram a achar que éramos irmãos, mas eu duvidava, enquanto o Brad tinha cabelos loiros e a Chloe cor de mel, os meus eram um castanho muito escuro. Provavelmente preto. Até os nossos olhos azuis eram de tom variados, o da Chloe era mais claro, os do Brad eram medis e os meus eram de um azul intenso. A única coisa que tínhamos em comum eram algumas sardas salpicadas no nariz e nas bochechas.

–que horas são? –perguntei.

– 8:45.

– vamos logo. –falou Chloe, me puxando pelo braço. –eu quero um lugar perto da lareira.

–iupi! –falou Brad, sem ânimo.

Assim que descemos as escadas pegamos alguns travesseiros e nos sentamos no chão.

– a cerimônia começou – brincou Brad.

Todo ano antes do natal, nos sentávamos na sala e contávamos como era a nossa vida antes de vir para cá. Mas eram muitas pessoas, e cada uma falava sobre a sua vida, era legal, mas muito demorado.

Exceto eu, que não fazia ideia de como era a minha vida ante de parar no orfanato, todos tinham uma historia pra contar. Até mesmo Brad.

– meus pais achavam que eu ia acabar com todo o dinheiro deles, então eles me mandaram pra cá. –ele começou.

Algumas pessoas começaram a rir. Mas depois começaram a contar coisas engraçadas que tinham passado, piadas, até falar de filmes.

Alguns minutos depois mama Teresa serviu os pratos e as pessoas começaram a se servir.

A noite começara a melhorar, se não fosse por uma visita inconveniente.

A campainha tocou, mas a mama Teresa se reteve em atender. Por um minuto puder ver ela pálida e tremendo. A tensão se espalhou pelo ar. Todos ficaram em silencio.

–é o papai Noel! –gritou Andy.

–não acho que seja o papai Noel. –falei.

– você não sabe de nada.

– mama, o que foi? –perguntou Chloe.

–Bradley, leve seus irmãos lá pra cima. – respondeu tensa.

–m-mas... –gaguejou Brad.

– isso é uma ordem – ela disse, em voz grossa.

–vocês ouviram – ele gritou.

Todos corremos em direção as escadas.

–o sótão. – gritou novamente.

Corremos em direção ao sótão. Brad abaixou as escadas e começamos a subir.

–eu não entro ai. –disse Andy, parando no meio do caminho.

–porque? –perguntou Brad.

– a Jessica disse que o monstro do sótão tá lá em cima.

Brad me fuzilou com os olhos.

–Não tem nem um monstro lá. Não é mesmo Jessica?

–olha... –ele pisou no meu pé. Com força. –ai! Ta, não tem.

–jura? –perguntou Andy.

–juro.

Enfim conseguimos fazer ele subir. Ficamos todos em silencio, tentando ouvir a conversa. Que era mais ou menos assim:

“garota: cadê eles?”

“mama: eles não estão aqui.”

“garota: Teresa, você é uma péssima mentirosa. Eu só vou perguntar mais uma vez. Onde eles estão?”

“mama: eu não sei do que você está falando.”

Houve-se um minuto de silencio. Depois alguém foi atirado contra a parede. E que, pelo gritou, era mama.

A garota abaixou as escadas e começou a subir. Ela parou no ultimo degrau e deu um chute na porta que fez ela parar do outro lado da parede.

Quando a poeira abaixou e a minha visão voltou ao normal, pude perceber que a garota que estava em pé, bem na minha frente.

A garota aparentava uns 16, 17 anos. Ela era incrivelmente linda, os cabelos eram pretos, como os meus, com longos cachos. Seus olhos eram iguais aos de Chloe e estava com bastante lápis preto. Destacando ainda mais. Suas roupas eram estranhas, parecia roupas de esquiados de trenó. Tudo bem que estava nevando, mas não precisava desse exagero todo.

–ora, ora, ora, vejam quem esta aqui. –disse ela esfregando as mãos.

–Carly Fergunson. – disse Brad.

–Johnson. – falou ela, com nojo.

–vocês se conhecem? –perguntei.

–ah, sim meu bem, não é todo dia que se conhece um filho de Thor. Não é mesmo?

– um o que? –perguntou Chloe.

Carly parou de encarar Brad e voltou a atenção para Chloe.

– ah, Chloe. Você ainda não sabe, mas logo saberá. Quando se juntar a mim.

– ela não vai a lugar nem um. – retrucou Brad.

– é claro que vai. Ela pertence ao meu reino não é?

– do que diabos vocês estão falando. –olhei pra Chloe. –você sabia disso?

Ela balançou a cabeça negativamente.

– você não contou a elas não é? –perguntou Carly.

–contou o que? –perguntei.

–isso. –ela apontou para o meu amuleto. – você ainda não sabe o que significa não é?

Fiz que não com a cabeça.

Ela deu uma risada satisfeita. E olhou para Brad.

–não quer ter as honras.

Brad fez cara feia e fechou a mão com força. Tanta força que pude ver a ponta de seus dedos ficarem brancas

– bem, –disse Carly. – então parece que eu vou ter que contá-las.

Ela olhou paras as pessoas atrás de mim. Eu nem havia percebido que ainda estavam alia até ela olhar.

–mas é uma conversa particular.

Os outros não fizeram questão. Saíram correndo, tropeçando, escada abaixo.

Cara, como eu queria ter a sorte deles.

Ela apontou com o dedo indicador para uma cadeira e na mesma hora a cadeira de arrastou para perto dela. Ela se sentou e começou:

– há muito tempo... Quantos anos você tem?

– 14 – falei.

–... 14 anos para ser exata, uma elfa conseguiu... Er, como eu posso dizer?... Ela conseguiu chamar atenção de loki, o deus do fogo. – ela olhou pra mim, esperando alguma reação. – serio? Nada? Essa elfa teve dois filhos, com loki. Um dos filhos era John. – ela continuou me encarando. – a outra era uma garota... Nada? – ela revirou os olhos. – pelo amor de Odin Jessica, ela é sua mãe!

–minha mãe é uma elfa? – perguntei.

–era. Bem, tempo depois você nasceu. Pode se dizer que você viveu muito bem, na floresta. Aprendeu a caçar, manusear arco e flecha... blá blá blá. Mas de qualquer forma, você era filha de loki. Eles iam te encontrar.

– o que aconteceu depois? –perguntei.

– bem, eles a encontraram. Os gigantes de gelo. Sua mãe levou você para uma cabana, longe dali. Eu não sei muito bem o que aconteceu depois, mas sua mãe começou a ficar muito doente. Algum tempo depois, os gigantes encontraram sua nova localização e mataram sua mãe. Me disseram que você, ou começou chorar como um bebe, ou fugiu. Eu acredito que foram os dois. Quando sua família, ou seja, seu irmão veio procurar você, você já tinha fugido. Já estava longe. Você seria um alvo fácil para qualquer monstro. Daí os deuses apagaram sua memória.

– e como eu vim parar aqui?

–calma! Eu ainda não acabei. Não se pode nem fazer uma pausa. –ela reclamou.

–você ficou vagando sozinha por ai, sem saber quem era ou para onde ir. – ela fez uma pausa e começou a rir. – às vezes eu fico imaginando come essa cena foi engraçada. Tá, mas aí, com a ajuda do maioral aqui. – ela apontou com a cabeça para Brad. –você encontrou esse... Orfanato aqui.

– e esse tal de John. O que aconteceu com ele?

– eu sei lá. Ele é seu irmão.

– é, mas caso não se lembre, eu não me lembro de nada.

Ela deu de ombros.

– resumindo. Os gigantes de gelo não iam nem um pouco com a minha cara e queriam me matar. — perguntei.

– exato.

– algo mais? – perguntei.

– não.

– então o que esse amuleto tem haver com isso?

– isso é coisa de viking. Todos tem um. É uma forma de proteção antiga sei lá.

Me senti tonta. Eu conhecia aqueles nomes, Loki, Odin, Thor... Mas aquilo era mitologia demais pra ser vida real.

Mas a sua amiguinha aqui. –ela apontou para Chloe. – não é semideusa. Mas também não é humana. Está na hora de se despedir Chloe.

– Carly! – interrompeu Brad. – você não pode machuca-la. É contra as leis antigas.

– eu não posso machucar a Jessica. Mas a Chloe é do meu mundo. Ela é uma de mim.

– e quem você é? – perguntou Chloe.

Ela olhou pra mim e deu um sorriso assustador.

– eu sou uma giganta do gelo.

Duas coisas passaram pela minha cabeça naquele momento. 1) isso era muito bizarro. Com certeza não era verdade. 2) se fosse verdade, eu já estava morta.

– se você está duvidado de mim – falou Carly. Como se lesse minha mente. – pergunte ao Johnson. Mas a Chloe vai comigo.

– vamos. – Carly pegou Chloe pelo braço. Mas Chloe puxou com tanta força que seu braço ficou vermelho.

–NÃO! — gritou Chloe.

– tudo bem. Então vai ser por mal.

Os olhos de Carly ficaram mais claros do que já eram. De repente o sótão começou a ficar frio. Muito frio.

Carly se concentrou e fechou os olhos.

O sótão já estava começando a congelar. Literalmente. As paredes estavam ficando brancas e se cobrindo por uma camada fina de gelo.

Olhei nervosa para Chloe, que apertava minha mão com força.

O chão começou a tremer. Por um instante pude ouvir as crianças lá de baixo gritando e correndo em direção a rua.

No momento em que o chão começou a rachar, o sótão já estava todo coberto de gelo.De baixo do chão começaram a sair criaturas de gelo. Gigantes.

–CORRAM! – gritou Brad, me voltando à realidade.

Puxei Chloe pelo braço e corri em direção as estantes de livros. Onde ficamos abaixadas. Olhando pelos espaços entre um livro e outro.

Chloe estava suando. Apesar de estar menos de 5 graus. Minha boca já estava roxa, eu estava tremendo se não fosse pelo moletom, já teria congelado. Mas ela parecia em perfeita condição.

Tinham em torno de mais ou menos cinco gigantes de gelo vindo em nossa direção.

Um deles derrubou a estante e puxou Chloe pela perna.

– NÃO! -gritei.

Procurei alguma coisa ao meu redor. De preferência pesada. Mas só achei um isqueiro. Eu sabia que um isqueiro não seria capaz de destruir cinco gigantes de gelo. Mas era melhor do que nada.

Assim que o acendi, a minha mão pegou fogo. Isso chamou atenção dos gigantes. Minha mão não doía, mas era assustador.

Comecei a gritar e balançar a mão. Mas o fogo só a seguia.

A temperatura começou a esquentar. Alguns gigantes começaram a derreter. Mas depois outros começaram a aparecer novamente. Tinha que ser mais fogo. Eu não sabia como eu estava fazendo aquilo. Mas se eu conseguisse aumentar a temperatura...

– o que diabos está acontecendo? – gritei para Brad.

– depois eu explico. – ele pegou uma cadeira e jogou em Carly, que caiu no chão.

– tudo bem, vocês escolheram o jeito difícil. –disse Carly.

Ela ergueu as mãos e os gigantes pararam. Chloe caiu no chão com força quando o gigante que a segurava a soltou. Um dos gigantes apareceu atrás de mim e segurou minhas mãos, me imobilizando, enquanto outro fazia a mesma coisa com Brad.

Carly ergueu Chloe do chão. Segurando-a pelo braço. Carly apertou as bochechas de Chloe e virou a cabeça dela em nossa direção.

– é a sua ultima chance de dizer adeus. – Carly disse.

Uma lagrima escorreu pela bochecha de Chloe, passando pela mão de Carly e virando uma pedrinha de gelo.

– eu vou te achar. –prometi.

– jura? –perguntou Chloe.

–juro.

Antes que eu pudesse tomar alguma iniciativa, Carly, Chloe e os gigantes de gelo desapareceram, deixando para trás apenas uma névoa fria.

Olhei para Brad que caiu com impacto no chão.

– O QUE FOI AQUILO? – gritei. – PORQUE VOCE NUNCA ME CONTOU?

– eu... – ele começou. Mas interrompeu e tapou a minha boca com a mão. – corre.

– o que?

–corre! –ele repetiu.

Ele começou a correr as escadas comigo atrás. Tropecei em alguns degraus que ainda estavam molhados.

Assim que chegamos ao andar de baixo, meti a cara nas costas de Brad, que havia parado no meio do caminho, como se fosse um poste. Havia gigantes de gelo espalhados por todo o orfanato. Por sorte as crianças e a mama Teresa haviam conseguido fugir.

Os gigantes não prestavam atenção em nós. Talvez não tivessem nos notado.

– pega suas coisas e me encontra na cozinha. –sussurrou Brad, ao meu lado.

Abri a minha cômoda e joguei tudo o que vi pela frente em minha mochila. Eu não tinha muita coisa, então a mochila não ficou muito pesada.

Assim que me virei de costas me deparei com uma coisa: os gigantes estavam congelando a casa. A parede ia seguindo uma camada fina de gelo, a mesma que estava no sótão, em todos os quartos até a sala.

Desci as escadas em silencio, me escondendo entre as paredes. E segui em direção à cozinha.

– porque demorou tanto? – perguntou Brad, assim que me viu.

– estava tentando não ser congelada. – respondi.

Brad estava agachado perto da janela da cozinha. E fez um gesto para que eu o imitasse.

–o que você estava fazendo? – perguntei.

–tentando bolar um plano.

– o que esses gigantes do gelo querem?

– não são gigantes do gelo. São criaturas do gelo.

– que diferença faz?

– gigantes do gelo são bem pior. Mas respondendo sua pergunta: eles querem nos matar.

– ah, bom saber.

Alguns segundos depois uma voz gritou, atrás de nós:

– eles estão aqui!

De repende todas as criaturas de gelo olharam pra nós. Furiosos. Todos vieram em nossa direção.

– tudo bem esse é o fim. –falei.

–psst. – disse Brad. –eu tenho um plano.

Ele me entregou uma garrafinha térmica azul. Parecia uma garrafa térmica normal. Mas eu sabia muito bem o que continha nela.

– ESPEREM! –gritei. –antes de nos matarem, eu queria beber um pouco de água, por favor.

As criaturas se entreolharam, mas deram de ombro.

Fingi beber a água e depois derramei toda no chão. Criando uma enorme poça no centro da sala.

–ah, não. Como eu sou desastrada. – fingi.

– caramba, o que é aquilo? – gritou Brad, apontando para o outro lado.

Enquanto as criaturas estavam ocupadas, pulamos sobre a mesa e corremos em direção à porta.

Olhei mais uma vez para a poça que estava no centro da sala. Álcool.

Por fim acendi o isqueiro e joguei em cima da poça.

Uma explosão fez o orfanato romper em chamas. Eu não queria fazer isso, mas foi o único jeito.

Brad jogou a mochila nas costas, agarrou o meu pulso e começou a me arrastar em direção a floresta.

– dá pra me explicar o que está acontecendo. –falei sem fôlego.

– os gigantes que a Carly falou estão vingo atrás da gente. Era por isso que eu não queria contar ainda. Quando você sabe quem realmente é, é como um aviso para eles.

Começamos a entrar mais ainda na floresta. Uma imensidão de arvores se espalhava ao meu redor. Eu não sabia para ode estávamos indo, mas ele parecia bem decidido.

Ele parou e eu tropecei em seu pé.

– quando vamos chegar? –perguntei.

– chegamos.

Olhei em volta. Alem da floresta não tinha nada. Nada.

– você só pode estar brincando. – falei.

Antes que ele pudesse responder, atrás de mim, comecei a ouvir passos e vozes. Me virei e dei de cara com duas meninas, provavelmente irmãs.

Eles me ignoraram e correram em direção ao Brad.

– qual é, Anne! – falou uma delas. – você me empurrou.

– cala a boca Kylie, eu cheguei primeiro. – falou Anne. –sou eu que vou falar.

– mas eu nasci primeiro, eu tenho o direito de dar o aviso.

– somos gêmeas. – reclamou Anne.

– mas eu nasci cinco minutos.

–nasceu nada.

–nasci sim.

–são suas irmãs. –falei, em um tom que ele pudesse me ouvir.

– meias irmãs –corrigiu ele – Jessica, essas são Kylie e Anne Gray. Também são filhas de Thor.

–prazer. –responderam ambas.

As duas com certeza eram gêmeas, mas com algumas diferenças, ambas tinham cabelos cor de mel, e olhos verdes. Mas, alem das roupas, a única diferença era que Anne tinha o cabelo na altura do ombro, ondulados e kylie tinha cabelos longos, também ondulados. Quase iguais aos meus, só que mais claros e perfeitamente penteados.

– essa é a garota? – perguntou Kylie.

–não. –respondeu Anne. – é um garoto não está vendo?

– olhe...

–tudo bem! –interrompi. –eu não sei do que vocês estão falando, mas posso assegura-las que sou uma garota.

–ah, oi bob! –disse Anne.

–bob? Brad, eu acho que elas são surdas.

– eu acho que elas não estão falando de você. – disse Brad.

Me virei e percebi que elas não estavam falando de mim. Estavam falando com um joelho. Um joelho! Não era uma pessoa, um monstro... Tinha um joelho na minha cara!

Levantei a vista e percebi que se tratava de um gigante. Se eu não tivesse passado por situações ainda mais estranhas naquele dia, eu teria gritado entrado em pânico e saído correndo pelo meio da rua gritando “ahhhh, tem um gigante na minha frente e eu não estou ficando maluca!”.

O gigante, de todos, não era tão assustador. Tinha em torno de 3 ou 4 metros de altura. Dentes amarelos, e o cabelo era raspado e espetado em um moicano para cima fazendo ele parecer um tipo de gigante punk. Isso era estranho, porem o que mais me surpreendeu, foi a camisa. Era de um tom azul bebe, tamanho GGG e tinha escrito “eu amo marshmallows” e do lado esquerdo pendia-se um crachá enorme que eu consegui ler “oi! Meu nome é bob”.

–Bob, o gigante? –falei.

Esse era o tipo de momento que eu não sabia se ria ou gritava. Então, eu juntei os dois e ficou mais ou menos assim:

–AAAAAAAHHH! HAHAHÁ. AAAAAAAAHHHH! HAHAHÁ.

As gêmeas pareceram se divertir com a minha reação e começaram a rir.

– qual é o problema de vocês? –gritei. –isso aqui é um gigante.

– meu nome é bob. – falou bob, um pouco ofendido.

–ah, claro me desculpe. É BOB-O GIGANTE!

– Jessica – disse Kylie. – esse é bob. O protetor de midgard.

– mid-o-que?

– midgard. –completou Brad. –é onde vivemos. A maioria de lá é adolescente, e não têm adultos, ou seja... Quer um adulto responsável, ligue 0800-BOB.

Anne se deu conta de algo e deu um sorriso torto.

– Brad, é melhor levarmos a Jessica para a república, rápido, se ela for... Você sabe... For ela, precisamos avisá-la depressa.

–ei! –reclamou Kylie. – eu que ia dar o recado.

– já era.

– tá bom, vamos logo. –disse Brad.

O caminho da tal “replublica” era perto, na verdade, mas acabou sendo irritante, porque bob ficou murmurando para se mesmo, sem parar: “ bob adulto responsável, bob adulto responsável.” O que eu não concordava muito.

Minutos depois, chegamos á uma caverna, era bem grande. Grande ao ponto de bob poder entrar.

Brad pegou uma tocha e começou a andar mais perto das paredes. Procurando, com a outra mão, algo entre elas.

–achei! –disse ele.

Ele tirou o amuleto, que eu acabara de perceber, e encaixou em um buraco de mesmo tamanho em uma das paredes da caverna. Ele girou até se ouvir um “click”.

A parede tremeu e uns segundos depois, começou a afundar, revelando o que tinha do outro lado.

– isso é impossível. –falei, de boca aberta.

O outro lado da parede era simplesmente indescritível. No inicio, tinha uma placa que dizia “bem vindo(a) a midgard” e logo em baixo, “se você não for um anão, elfo, dragão, ou um viking, dê o fora”

Midgard lembrava lentamente um campus. Era enorme. Ocupava a floresta toda. Tinha algumas casas de arvores espalhadas, e um caminho de pedras levava a uma grande... construção? Tá, eu não sabia o que era aquilo.

– aquela é a república “YGG”. Nos usamos para... – ele parou para pensar um pouco. –nós moramos lá.

– você sabia desse lugar? – perguntei.

– fiquei sabendo mês passado. Eu ia te contar mas, eu ainda não sabia como: “oi Jessica, como você está? Ah, acabei de descobrir que sou um semideus e a Chloe uma giganta do gelo, e também descobri que tem uma republica secreta, onde moram seres místicos, quer me acompanhar nessa aventura?”

–é, não seria muito legal. –falei.

Olhei novamente para a república, caminhando em sua direção, em cima da porta, que era de madeira, estilo castelo antigo, estava escrito “YGG” e algumas letras apagadas.

–“YGG”? – Perguntei.

– antigamente era yggdrasil, a arvore da vida nórdica. Mas com o tempo foi se apagando, e as pessoas começaram a chamar, simplesmente, de “YGG”.

–hmmm... me lembra Hogwarts.

– o que?

–Harry Potter.

– ah, esqueci que você gostava.

A republica era enorme, se Brad não estivesse me guiando, com certeza, eu teria me perdido.

Eu queria explorar mais, era tão grande! Os quartos, a sala com a enorme arvore de natal toda enfeitada... mas as gêmeas disseram que tínhamos que nos apressar. O pessoal todo estava no refeitório.

Assim que chegamos lá, as únicas palavras que conseguiram sair da minha boca foram:

–uau!

O refeitório simplesmente incrível, com todas as letras, também era enorme. Tinha em torno de 100 mesas, cada uma com umas 20 cadeiras, o que dava o total de... ah, esquece! Eu nunca fui boa em matemática mesmo. Cada mesa era ocupada por um determinado deus. Claro que não chegavam a ser 100 deus, mas haviam alguns que chegavam a usar 3 mesas. Sem falar que não haviam apenas semideuses, também tinham elfos, anões e bob.

Antes de me sentar um garoto veio em minha direção. Parou na minha frente, estendeu a mão e falou:

–você deve ser a Jessica. Eu sou o Joseph

Não se tinha muitas palavras para descrever Joseph, ele era lindo. Tinha cabelo e olhos castanhos, era alto, tinha um sorriso brilhante, fazendo as vezes, ele jogar o cabelo para trás. Tornando-o ainda mais irresistível.

Brad balançou a mão enfrente a minha cara.

–ih, morreu.

Joseph tocou o meu amuleto e o estudou por uns instantes.

–venha Jéssica, –ele disse, passando o braço por cima do meu ombro. –vamos ver o seu passado.

Ele me dirigiu ao topo do refeitório. em cima dos degraus, onde as pessoas se serviam de comida.

Ele parou do meu lado e assoviou para conseguir a atenção de todos. O que deu certo.

– essa é Jessica... Jessica...

–keylen. –completei.

–Jessica keylen. Jessica keylen?

–é.

–Jessica keylen? –gritou um menino, nos fundos.

Estiquei o pescoço para ver de onde o som vinha.

O garoto se levantou e se aproximou de mim, pensativo. Ele usava roupas pretas, uma calça e um moletom folgado e surrado. E não pude deixar de notar as duas adagas que ele prendia nas costas. Ele se aproximou mais e tocou meu rosto.

– Jessica?

– algum problema com meu nome? –perguntei.

O garoto sorriu e me ergueu no ar, rindo.

–caramba, pensei que nunca ia te encontrar. –ele disse.

–hmmm... te conheço?

–John. John keylen. Seu irmão.

Se fosse só por aparência, eu concordaria, ele tinha cabelos castanhos, bagunçados, olhos azuis, e sardas. Tinha um sorriso torto e a mesmaa expressão divertida. Mas, um irmão? Qual é? Eu acho que eu me lembraria disso.

–eu acho que não.

Ele pareceu um pouco ofendido.

–aaaaaaahhh. –falei

–você lembra?

–não. Só queria fazer você se sentir melhor.

Mas ai uma coisa passou pela minha cabeça. John. A historia da Carly. Ela falou que eu tinha uma irmão, que se chamava John. E agora eu não podia negar.

–espere. Eu acho que sei. Mais ou menos. Tipo, eu sei que você é meu irmão, mas eu não me lembro de você.

De repente ele se animou um pouco.

–claro, porque eu não pensei nisso. – disse ele, estalando os dedos.

Ele pegou uma panela, e colocou no fogo. Abriu um pote e derramou o pó que tinha dentro. Ele se virou para mim, arrancou o amuleto do meu pescoço e jogou na panela.

–porque você fez isso? –perguntei.

–relaxe.

Por um instante, a água na panela, que antes não existia, começou a borbulhar. O amuleto começou a brilhar. Cada vez mais. E mais. Aquilo me deixou cega, mas quando minha visão clareou. Um monte de imagens veio a minha cabeça.

A medida que as imagens passavam, as lembranças iam passando. Era como ver a minha vida diante dos meus olhos. Literalmente. As imagens passavam rápido, mas isso não importava. Eu estava me lembrando. Tudo que eu via era uma versão com imagens de tudo que a Carly falou.

Assim que as imagens acabaram olhei para John. Que estava de braços cruzados.

– o que eu disse?

– John! – dei um abraço apertado nele. – eu senti tanto a sua falta. –dei de ombros. –só não sabia.

Quando o amuleto fez um “plenc” de cair na panela, vazia, eu me dei conta de que todos olhavam para mim.

–Jessica, — disse Joseph. – pelo que vi. Foi você que quebrou a conexão entre os mundos.

– o que?

– você despertou a ira dos gigantes. – ele continuou. – você é a filha de loki que separou o mundo dos vikings com os deuses.

–hã?

– quando sua mãe morreu, loki a levou, secretamente, para asgard. Quando os deuses ficaram sabendo, eles ficaram furiosos com loki. Filhos de deus não eram permitidos em asgard. Mas os gigantes a encontraram. Eles quase destruíram asgard, eles quebraram a ponte de heimdal, que unia os nove mundos. Tudo isso por sua causa.

–você está me culpando? Cara, eu tinha seis anos.

– eu não estou te culpando.é que, segundo a lei antiga, a filha de loki que destruísse a conexão dos mundos, iria nos salvar.

– Jessica, — continuou John. –você vai nos salvar.

Pronto. Foi isso, não bastava eu ter passado o dia mais estranho da minha vida, conhecendo criaturas de gelo, incendiando um orfanato, conhecendo o bob. Tinha que ser essas as palavras a me deixar tonta.

“você vai nos salvar” o que? Eu mal sabia da conta de mim mesma, e eu tinha que salvar um exercito de vikings? Isso era de mais para mim.

Minha visão começou a ficar turva, meu corpo começou a tremer e pesar. Se não fosse por John e Brad, que vieram correndo e me seguraram, eu teria caído. Meu pescoço começou a pesar para o lado e comecei a perder a noção do que estava acontecendo. Consegui ouvir Joseph gritar por água.

Não consegui ver muito do que aconteceu depois. Minhas pálpebras começaram a pesar, tudo ficou embasado. Me lembro de ter ouvido o relógio bater 00:00. depois disso não vi mais nada.

Era natal. Feliz natal Chloe, pensei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.