Uma valsa em 221B Baker Street
1 It's been written in the scars on our hearts
Notas iniciais
– Sherlock, o que significa isso? O que você está fazendo?
O detetive apenas encolheu os ombros.
– Não é óbvio, John? Dançando uma valsa.
Quando John acordou naquela manhã, o dia parecia normal como qualquer outro: ele se banhou, tomou o café da manhã (Sherlock já — ou ainda? — estava acordado) e foi para o trabalho. Por causa de uma mudança de turnos, John veio mais cedo para casa...
E chegou a tempo de ver Sherlock rodopiando como... como... Ele não sabia definir o quê. Ainda assim, foi uma grande surpresa. Talvez ele devesse imaginar: viver com Sherlock Holmes, o único detetive consultor do mundo e a maior rainha do drama de todos os tempos, era ser surpreendido a cada momento.
John tirou e pendurou seu casaco, arregaçou as mangas de sua camisa e esfregou uma mão na outra.
– Ensine-me.
Sherlock congelou no lugar.
– O quê?
– Não me faça repetir.
– Por que quer aprender, John? Não tem nenhuma utilidade pra você.
– Quero me casar um dia, Sherlock, e eu não sei dançar. O que as pessoas pensarão? Se contar a elas que você sabe e mesmo assim não me ensinou...
O detetive encarou o outro por alguns segundos, desconfiado, antes de suspirar e assentir.
– Tudo bem, John. Por favor, tire os seus sapatos e espere no centro da sala.
John franziu o cenho.
– Por que não posso continuar com meus sapatos?
– Você vai esmagar meus dedos em cada pisão, dói menos sem eles. — Sherlock percebeu a expressão ferida de John e tentou suavizar. — Não fique chateado, é normal que isto aconteça com os novatos.
John assentiu. Sherlock caminhou até o aparelho de som e colocou outra valsa. Voltando à sala, ele parou em frente a John.
– Antes de qualquer coisa, você precisa entender: o homem lidera a dança. Se eu tropeçar, perder o tempo, pisar nos seus pés (e as mulheres usam salto, então isso vai doer muito) ou até mesmo cair, a culpa é inteiramente sua. Fui claro?
– Sim — Respondeu John com ansiedade.
– Muito bem, vamos começar. John, curve-se e beije minha mão.
– De jeito nenhum! — Murmurou John, analisando o rosto de Sherlock.
O outro se mantinha sério: não era brincadeira.
– Você aprenderá à moda antiga, John, uma lição completa.
O doutor levantou uma sobrancelha, irônico.
– E ganharei um beijo quando terminarmos?
– Se se comportar como um cavalheiro, sim.
Um arrepio passou pelo corpo de John. Como assim? Sherlock estava realmente concordando em beijá-lo se ele fosse um aprendiz dedicado?
O detetive aguardou até que John finalmente curvou-se e beijou sua mão.
– Tente ser mais delicado da próxima vez. Tome a mão como se fosse feita de porcelana e quebrasse só de se olhar para ela. — Sherlock envolveu uma das mãos de John com seus longos dedos e mostrou como o doutor deveria fazer. — O beijo: abaixe sua cabeça e espere por alguns segundos antes de roçar seus lábios levemente contra a pele.
O sangue de John ferveu quando sentiu a boca de Sherlock tocar sua mão. Cristo! O que estava acontecendo com ele?
– Devemos seguir em frente. Circunde minha cintura com um dos seus braços e envolva a mão que beijou, colocando-a no nível do ombro do parceiro mais baixo. Não! Não! Não! Não sou um colega qualquer do exército, John, pelo amor de Deus! Eu sou a dama aqui, trate-me como uma rainha!
Aquilo se tornava cada vez mais difícil para John: Sherlock era alto e muito belo. Sua mente não conseguia parar de pensar sobre os dois rodopiando em um grande salão de baile...
– Com mais delicadeza, John.
– Eu sou um soldado e um médico, Sherlock! Não consigo ser mais delicado.
– Sim, você pode e deve ser. Tente ser gentil como é com seus pacientes e as pessoas em geral.
Após onze tentativas, John finalmente acertou o modo de envolver o parceiro.
– Este é o modo exato, John. Agora, a dança. Aperte gentilmente, mas com firmeza minha cintura. Sim, sim. Mova seu pé direito... Não desse jeito! Você não é um robô! Com graça e leveza.
Ficava pior para John se concentrar. Sherlock estava muito próximo e o calor de seu corpo fazia com que o doutor sentisse estranhos nós dentro de seu peito.
– ... Agora, o esquerdo. Sim, deste jeito. Tente abrir as pernas um pouco mais... Abriu demais. Tente novamente... Perfeito! — Sherlock sorriu com orgulho. — Você é realmente um bom aprendiz. Podemos ir para a parte do beijo?
O coração de John batia na garganta agora. Sherlock estava brincando, certo?
– Mantendo o aperto firme e gentil, incline meu tronco ao redor de meu quadril. Não, você está inclinando ao redor de minha cintura: ambos perderemos o equilíbrio. Tente de novo.
John obedeceu: Sherlock finalmente estava inclinado em posição perfeita. Céus, o médico estava morrendo por um beijo!
– Pegue seu prêmio, John. Você merece.
O soldado avançou lentamente, hipnotizado pela visão da face e dos lábios de Sherlock: tão próximos, somente para ele...
– Meninos! O que vocês estão fazendo?
John afastou-se rapidamente, corando até as orelhas.
– Estava ensinando John a dançar, Sra. Hudson. — respondeu Sherlock em um tom neutro.
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Quatro anos depois, John dançava com outra pessoa em seu próprio casamento: sua amada esposa, Mary.
John esforçou-se para fazer tudo corretamente:
* Inclinou-se e beijou a mão de Mary com a delicadeza certa;
* Envolveu a cintura dela com a pressão apropriada;
* Eles rodopiaram com graça pelo salão. Então, inclinou-se com charme e recebeu seu merecido beijo.
Aquilo foi perfeito, mas não tão prazeroso como deveria ser.
Quando John viu seu melhor amigo indo embora da sua festa de casamento, ele finalmente entendeu o porquê.
Não era Sherlock em seus braços e nunca mais seria.
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