Notas iniciais
*Lumus* Primeiro capítulo õ/ Enjoy xxD

I — King's Cross

Eu estava no carro junto com a minha mãe, pensando em maneiras de conseguir fugir daquele inferno chamado vida. Você deve estar se perguntando "por que?", pois bem, eu lhe responderei: minhas notas estão baixas, — ainda não sei como não fui expulsa daquele colégio — meus pais estão se separando, briguei com todos os meus amigos e ainda por cima, a única pessoa que me entendia de verdade — o meu avô — morreu.

Bom, deixe-me apresentar formalmente: meu nome é Jullie, Jullie Wettears, tenho catorze anos, cabelos escuros e na altura dos ombros, olhos verdes, sou muito baixa para a minha idade e magrela também. Basicamente, é isso.

– Mãe, por que eu tenho que ir? — perguntei enquanto mexia no celular. — Eu podia muito bem ter ficado em casa.

– Não tem ninguém em casa Jullie, e eu não quero que você fique sozinha — respondeu minha mãe.

– Ninguém vai me sequestrar, eu sei me cuidar — falei baixinho, para que ela não escutasse.

– Se você quer saber, eu ouvi — disse ela.

Murmurei um "hum" e peguei meus fones de ouvido. Escolhi minha música favorita, coloquei no volume máximo e me desliguei do mundo.

Por que eu tenho que ir?– pensei — Eu não iria morrer se tivesse ficado em casa, hunf.

– Jullie — falou minha mãe, como se tivesse lido os meus pensamentos. — Eu não quero o seu mal, apenas entenda isso. E outra, ir uma vez ou outra passear com a sua mãe não mata ninguém.

Fiquei quieta, mas depois reuni toda a coragem que tinha e falei:

– Mãe — comecei. — Você nunca me entende. Eu não tenho mais amigos, o vô morreu, você não sabe como isso dói em mim. Eu não quero ir para essa droga de King's Cross para depois ir passear com você; a única coisa que eu queria agora era que você me entendesse. Só isso...

Quando me dei conta eu havia derramado milhões de lágrimas. As enxuguei e olhei para minha mãe.

– Jullie, não é só você que está sofrendo filha, mas a vida continua...– falou ela.

– Hum — foi a única coisa que consegui dizer naquele momento.

Nós tínhamos acabado de chegar à estação, eu abri a porta do carro e fui em direção às escadas. Minha mãe veio logo atrás.

– Desculpa Jullie — ela disse enquanto me abraçava forte. — Eu não aguento mais também. Sabe, esse negócio do seu pai está me deixando estressada. E eu sempre tenho que me passar por forte, é muita coisa pra mim.

– Desculpa mãe, por tudo... O que eu disse, sabe? Foi da boca pra fora — falei com a voz embargada. — Eu te amo.

– Eu também, muito.

Ela se "desgrudou" de mim, me deu um beijo estalado na testa e depois entrou na King's Cross, e eu fui em seguida.

O lugar era gigante, tinha uns vidrinhos em cima que deixavam a luz passar, e no meio ficavam as linhas férreas, tinha também um relógio pendurado bem no meio da estação, onde marcavam exatamente 10:48am. Não estava muito cheio para aquele horário.

– Jullie, espera aqui nesse banco que vou pegar nossa passagem.

– Tá bom — falei e minha voz ainda estava estranha por causa do choro.

Me sentei no banco, ao lado de um senhor. Ele usava uma camisa azul claro com uns detalhes em branco e uma calça jeans aparentemente velha. Seus cabelos eram negros e ele tinha barba, mas esta era branca.

– Bom dia — disse ele.

– Bom dia — respondi.

– Você não podia fazer um favor para mim? — perguntou o senhor.

– Hã, posso, eu acho, depende — falei me enrolando toda, afinal, desde cedo nossos pais nos ensinam a não conversar com estranhos.

– Eu não vou te machucar — falou ele. — Sabe, é só um favor.

– Tá bom então — eu estava começando a ficar com um baita medo.

– Sabe a plataforma 9 e 10? — assenti. — Então, no meio delas tem uma parede, e eu vi umas pessoas passarem, meio que atravessarem essa parede. Você não poderia tentar? Só pra eu ver se não estou ficando caduco, sabe? É a idade.

– Tudo bem — ri por causa do nervosismo e depois me levantei.

Aquele homem deveria ser louco. Pessoas atravessando paredes? Me conta outra! Mas... E se... fosse verdade?

Não, Jullie, não deve ser verdade– pensei.

Com aquela incerteza no peito, eu decidi ir tentar atravessar a parede, afinal, eu não perderia nada com aquilo (a única coisa que ganharia seria um galo na cabeça!).

Aproximei-me da plataforma 9 e vi. Minha boca caiu no mesmo instante.

Uma criança e dois adultos atravessaram correndo uma parede, aparentemente sólida... Aparentemente...

– Meus deuses — exclamei.

Fui mais perto e decidi tentar eu mesma. Dei uns passos para trás e sai correndo. Fechei os olhos esperando um baita trombo, mas não. Quando os abri novamente, eu estava em um outro lugar, um lugar quase idêntico à estação em que eu estava a segundos atrás, a única diferença era que estava lotado. Andei um pouco para frente e pude ver uma placa escrito "Plataforma 9 3/4" e também um trem gigantesco. Assim que olhei a parte da frente do trem, quase desmaiei.

Em letras prateadas, haviam três palavras gravadas ali, e que na hora não sabia, mas elas mudariam minha vida.

Olhei de novo para ver se não tinha visto errado, mas lá estavam as então três palavras, que anunciavam:

"Expresso de Hogwarts".

Notas finais
Finalzinho clichê, mas... Espero que tenham gostado. Eu já estava acabando o capítulo e apaguei ele sem querer e tive que reescrever tudo de novo :( Enfim, ficou pequeno, mas o próximo vai ser grande. *Nox*