Uma seleção mágica

14 Capítulo 14 - Ren


Notas iniciais
Oi gente!!!!!!!!! Me perdoem, por favor, pela minha ausência. Entre as férias viajando e o computador quebrado, tá difícil atualizar aqui. Mas la vamos nós. Mais um cap...

Lily

Estar com o Ahren era fácil. Estar com algumas selecionadas não era tanto assim. Johanna ainda era minha surpresa. Tão extrovertida e uma boa amiga. Algumas meninas também eram gentis e simpáticas. Mas algumas levavam muito a serio isso de competição, mesmo sendo Ahren a escolher. E a pergunta que nunca deixava completamente minha cabeça: quem enviou os bilhetes?

Eles tinham parado de chegar. Mas era uma dúvida que me assombrava a noite. Que me fazia ter cuidado ao virar cada esquina.

Mas a mágica não é algo que se esconde. Ela teima em aparecer, mesmo que eu tome cuidado. Passei a ficar sempre atenta. Vigilância constante, meu pai tinha dito. Tio Rony uma vez disse que eles aprenderam isso com um velho professor deles.

Hoje de manhã, quando fui ao salão das mulheres, mudei o percurso. Encontrei um corredor vazio, exceto por uma janela. Ao olhar através dela, vi Ahren conversando com um dos selecionados da Eadlyn. A essa altura a princesa já havia eliminado mais da metade dos rapazes. Restavam 19 garotos.

Eu notava as opiniões da família real sobre os selecionados e selecionadas. Mas notava também que eles apenas a aconselhavam.Ela escolheria seu rei sozinha. Ahren havia conversado a sós com boa parte dos selecionados, mas Eadlyn apenas aparecia para o chá ou uma aula. Acho que nossa menor quantidade ajudava a nos conhecerem mais rápido. Ahren e Luke, o selecionado, entraram de novo no castelo.

Quando eu ia prosseguir meu caminho, eu vi. Foi rápido. E no sol forte de Angeles outra pessoa nem repararia. Nem dava pra reconhecer a forma. Mas eu não sou qualquer pessoa. Sou uma bruxa e vi. Um brilho prateado. Um patrono. Parece que não sou mesmo a única bruxa aqui.

Ren

As semanas da seleção parecem correr e ao mesmo tempo se arrastar. Minhas selecionadas se revelavam mais reais a cada dia. Qualidades, defeitos, manias. Eu tinha minhas queridas, as mais especiais. Mas devia seguir o ritmo da Lyn, então aqui estava eu conversando com o Luke.

– Que você pensa em fazer fora do palácio?

– Sabe, alteza, eu sempre admirei o jornalismo. Penso em fazer isso a muito tempo. Caso a princesa não me escolha, sei o que fazer pra ser feliz.

– Interessante.

Era bom ver alguém que não se vangloriava dizendo que seria modelo ou ator, nem choramingava com a possibilidade de não ser escolhido. Por incrível que pareça, existia um bom número desses.

Conversamos um pouco mais sobre suas aspirações e entramos. Achei ter sentido um movimento e olhei para trás. Não encontrei ninguém, mas quando e separei de Luke, topei com Johanna.

– Alteza. — me cumprimentou.

– Senhorita Johanna. Uma surpresa encontra-la fora do salão das mulheres. Minha irmã disse que a senhorita é a alma de lá.

– Ora alteza. Sua irmã é muito gentil. Mas quando ela está lá, ela e sua mãe fazem todos se admirarem. Quão belas e inteligentes são essas mulheres da família real.

– Muito obrigado pela sua gentileza — o que quer dizer, em bom português, puxação de saco — Minha mãe e irmã são mesmo especiais.

Ao chegarmos a porta do salão, ela se demorou um pouco. Como se esperasse que eu a chamasse pra sair. Mas eu já tinha sido muito príncipe essa manhã. Reunião de orçamento, comitê de relações internacionais (o qual Lily amaria) e conversa com o Luke. Nada foi desagradável, mas eu precisava de um almoço antes de mais obrigações reais.

Pensar em Lily me fez lembrar que ainda não tinha arrumado um sinal pra gente. Era uma coisa boba, mas que tinha tanto significado com ela. Ela foi a única que notou. E tantas vezes a única que eu queria ver. Mas eu tinha que esperar a Lyn. E amor a primeira vista é loucura. Tenho que escolher bem minha esposa.

Lily

Corri pelo castelo em busca de alguma pista. A essa altura o patrono já encontrou seu destinatário. E não era eu. Óbvio.

Não encontrando nada, fui para o salão pensar no que fazer. Meu pai tinha pedido que o comunicasse de qualquer coisa. Então peguei papel e caneta e fui para um sofá escrever. Se tinha um bruxo no castelo, melhor em código do que em tinta invisível.

"Papai. Quanta saudades de casa. Apareceu um animal semelhante ao seu cervo aqui perto. Lindo e até tinha uma cor parecida. Me fez lembrar de todos aí. Espero que esta carta encontre todos bem. Diga a mamãe que não sei o que fazer, sobre o Ahren. Me mandem conselhos válidos em breve. Vou parar de escrever porque tenho muito que estudar. Amo todos vocês, Lily."

Achei que ficou bom e pedi que uma criada mandasse pelo serviço postal.

O resto da tarde passou sem surpresas até eu receber um bilhete confuso.

"Senhorita Lilian, mão no nariz."

Saí aos risos.

– Por que você tá rindo? Foi o melhor que pude fazer.

Era sempre muito bom ver o Ahren. Por vários motivos. Ele era aquela pessoa perfeita e imperfeita. Lindo, inteligente, simpático, carismático, confuso, perfeccionista ao extremo, facilmente irritável.

Era engraçado ver uma pessoa tão normal embaixo da coroa. E também era bom ver alguém tão real num lugar surreal. Pelo que vi no cinema, Angeles não chegava perto da Capital dos Jogos Vorazes, mas faziam coisas bem bizarras aqui. Alguns reis de visita pediam as criadas mil cobertores laranjas, ou jarras de suco de limão com rosas. Pois é. Estranho. Lea e Mona me contavam.

Mas isso só tornava o nosso príncipe perfeito/imperfeito o melhor possível. Eu e as meninas éramos unânimes quanto a isso.

– Esse sinal é ridículo.

– Sugira um, senhorita sabe-tudo.

– Hmn... que tal estalar os dedos?

– Mas faz barulho, Lily. Nem um pouco discreto. — reparei no "Lily", reparei sim.

– Mas poderia ser só a mímica do estalar, príncipe Ren. — ele me olhou admirado. Eu já tinha ouvido a família e os amigos o chamando assim.

– Assim será, milady.

Saímos aos risos para qualquer lugar. Amávamos o cinema, o jardim, o telhado. Não importava o lugar.

Notas finais
E aí? Recomendações, please... E comentários, compartilhamentos... enfim... façam ler...