Uma segunda chance

35 Capítulo 35 - Rosnado


Notas iniciais
Olá, pessoas ^^ Sei que faz um bom tempo que não venho por aqui, mas fiquei entretida escrevendo minha história original (A história de nós dois - disponível para leitura no Nyah) que virou meu xodó. Mas não me esqueci dessa, é claro. Estava com saudades do meu tio Peter. E aqui está um capítulo fresquinho. Espero que gostem.

Apesar de todo o cuidado que John e os outros tinham agora com Peter, ele não apresentou muitas melhoras.

Ele tinha problemas para dormir, não gostava de ficar sozinho e frequentemente se fechava em seu mundinho e conversava com seus álteres que só ele e Lydia viam.

John voltou para o serviço a contragosto, e por isso Peter ficava na casa de Chris enquanto ele estava no trabalho, mas isso era complicado porque nem todos os álteres de Peter gostavam de Chris e passavam boa parte do tempo em que estavam no controle ofendendo e provocando o caçador.

Chris obviamente tentou obter respostas ao aproveitar o contato com os álteres e perguntou sobre o ataque que Peter sofrera, mas todos pareciam assustados demais para falar.

Ele parou de perguntar depois que um dos álteres começou a chorar copiosamente e Lydia olhava o lobisomem como se tivesse visto um fantasma.

– O que foi? – o caçador perguntou para a adolescente que tremia e apontava para Peter que chorava e repetia que não falaria nada.

– Por favor, me digam que não sou só eu que está vendo essa pessoa morta e em estado de putrefação do lado dele – ela comentou.

E foi assim que eles descobriram que Martin ainda era, infelizmente, uma presença constante na vida de Peter e dos álteres.

Gregory mesmo não tendo sua licença, passou a visitar Peter todas as noites, e ele já não parecia tão fechado.

Com o passar dos dias e com a dieta hipercalórica que a mãe de Adam fazia questão de proporcionar, Peter ganhou um pouco de peso.

E aos poucos John com o apoio de todos, ele pareceu melhorar um pouco.

E por isso não demorou muito para que John o forçasse a retomar sua vida.

Ele passou a levar Peter para todos os lugares.

Levava-o à delegacia quando tinha que ir fora do seu horário, e normalmente lá o pequeno Pete se entretinha desenhando em sua mesa. Levava-o ao cinema onde Pi, se divertia com as roupas e ia assistir aos jogos de Lacrosse da escola, que Júnior adorava colocar defeitos.

A única com quem John não tinha muito contato era Laura. Não que eles estivessem brigados por conta do que acontecera a Peter, mas ela parecia cansada nas poucas vezes que aparecia.

Era sábado e John estava de folga e decidiu fazer compras com Peter.

Eles não tinham saído para caminhar ainda, então seria como matar dois coelhos com uma cajadada só.

Foram de carro até lá, já que andariam por um bom tempo e apesar de ter se recuperado relativamente rápido da perda de peso, a barriga de Peter estava enorme e ele se cansava fácil.

Eles estacionaram o carro, e Peter suspirou quando viu a quantidade enorme de carros ali.

– Não é tão ruim assim – John tentou animá-lo e Peter revirou os olhos – Se você não quiser ir, eu posso ir com um dos meninos – ele se referia aos álteres assim agora.

– Eu quero ficar no carro – Pi reclamou – Nem a fim de carregar sacolas – ela cruzou os braços e fez uma careta.

– Não quer achar um gatinho? – Júnior perguntou debochado, provocando-a.

– Só vai ter velho aí nesse horário e quem gosta de velho é museu – ela respondeu no mesmo tom e ele fechou o rosto e rosnou.

– Eu vou ganhar doce? – Pete perguntou ao se soltar do cinto e indo para o lado de Peter.

– Claro – ele respondeu para o menino – Eu vou – ele falou para John – Não quero ouvir esses dois brigando no carro.

E eles saíram do carro.

John de mãos dados com Peter que dava a mão para o álter que só ele via.

O supermercado estava lotado.

Realmente lotado.

Mas o bom era que as pessoas pareciam já não se importar tanto com Peter e eles puderam fazer boa parte das compras em paz.

Estava tranquilo o suficiente para que se separassem.

John foi pegar alguns produtos que estavam faltando da enorme lista que os adolescentes deixaram na última vez que foram visitar o pai, enquanto Peter foi dar uma volta na parte de Blu-rays para ver se tinha alguma novidade para o pequeno Pete, eles não aguentavam mais ver Muppets.

– Sentiu isso? – o pequeno Pete perguntou temeroso e se agarrou ao seu braço.

E ele realmente tinha sentido uma sensação estranha.

Tinha uma ameaça ali, mas tinha tanta gente que ele não conseguia saber de onde exatamente vinha.

O alfa se divertia ao ver sua presa olhando para os lados assustada.

Era hora de colocar seu plano em prática.

Peter demorou um tempo até perceber que todas as tevês do supermercado passavam o mesmo vídeo. E ele só percebeu quando Pete o puxou pela camiseta e apontou para uma delas.

E ele congelou quando se viu na tela muito mais jovem.

Só que não era ele, era Pi.

Ele olhou para os lados e algumas pessoas começavam a se dar conta de que, para todos os efeitos, era ele no vídeo e cochichavam.

– Eu tentei te avisar e você não acreditou em mim. Temos que ir embora antes que ele nos mate. Espero que depois desse vídeo você acredite em mim – ela falou com os olhos marejados para a câmera e abraçou a criança que estava em seu colo.

Peter reconheceria o pequeno Charlie em qualquer lugar.

Ele viu Pi dar um pulo ao se assustar quando alguém bateu na porta, e em seguida colocar o pequeno no cadeirão e abrir a porta.

Era Martin.

Assim que a porta fechou, ele a puxou e tentou beijá-la, e quando ela negou, ele se enfureceu.

Ela a prensou e socou na parede várias vezes, em seguida jogou-a na cama esganando-a e a estuprou.

Era brutal. E ele não se lembrava de nada disso.

Mas estava ali, e todos no supermercado viam e ouviam seus berros de socorro que eram ignorados pelo seu irmão.

Ele olhou para os lados e viu pessoas que tapavam os olhos de seus filhos pequenos, outras que o olhavam com pena, alguns com nojo.

Era demais.

Ele correu para fora do supermercado.

O alfa sorriu. Tudo estava indo de acordo com o plano.

John estava andando pelo corredor e assoviava calmamente quando um barulho estranho começou a soar pelo supermercado.

A princípio ele achou que se tratasse de alguma propaganda estranha, mas achou a voz conhecida. Não sabia dizer de quem era, mas tinha a impressão de conhecer a pessoa.

Por isso, ele começou a prestar atenção no que a pessoa dizia, e reconheceu. Era a Pi.

E saiu correndo para onde tinha deixado o Peter. Algo devia ter acontecido que fez Pi assumir o comando. Algo devia estar errado.

Quando ele chegou à seção de Blu-rays o vídeo ainda passava. Os funcionários não conseguiam desligar, mas nem sinal de Peter.

Até ele ver uma correria na entrada do supermercado.

Estava sendo fácil demais.

Ele se afastou da multidão e agora andava praticamente sozinho pelo estacionamento.

Ele estava pesado com aquela barriga e mesmo com pressa, não era ágil. Era uma presa fácil.

Com uma pequena corrida, ele o alcançou.

Sua expressão de terror quando ele o jogou contra um carro fez o seu dia.

– Sentiu minha falta? – o alfa perguntou.

Ele ainda tentou correr, mas o alfa era mais forte, mais ágil.

Ele não tinha chances.

John correu o mais rápido que pôde, mas não era fácil correr contra a multidão de pessoas que corriam para dentro do supermercado.

Com um pouco de trabalho, ele conseguiu sair, e de longe pôde ver o homem que claramente atacava Peter.

– Parado aí – ele falou quando chegou relativamente perto dos dois.

Ele tinha o agressor na mira.

Quando o agressor se virou rosnando e com os olhos vermelhos, John deu um passo para trás. Era careca e forte. Era um alfa. E era quem tinha atacado Peter meses antes.

Ele não teve nem tempo de reagir quando a fera largou de Peter e pulou em sua direção mordendo-o.

Sentiu as presas lhe rasgando a carne.

Ele sabia que iria morrer. O corte era muito fundo e deveria estar sangrando bastante, mas não doía tanto quanto ele imaginava.

Peter sentiu uma angústia tremenda quando viu o marido no chão. Era tanto sangue.

Ele queria acudi-lo, ajuda-lo. Mas não estava sozinho, e o alfa fez questão de lembra-lo disso.

E logo ele se viu prensado novamente no capô do carro.

– Agora você é meu – o alfa disse sorrindo.

Estava fraco e não conseguiu impedir o alfa de tomar o que ele achava ser seu por direito agora.

Sentiu as garras rasgando suas roupas, arranhando sua barriga sem cuidado algum.

Por que ele teria cuidado com um filhote que não era dele?

E a única coisa que conseguia fazer era chorar.

Ele se sentia tão vazio.

Tudo que ele tinha encontrado e conquistado, todas as pessoas com quem tinha contato seriam mortas ou ele simplesmente nunca mais as veria se o alfa decidisse ir para outro lugar, outro território.

Ele gritou quando o outro levantou suas pernas e meteu de uma só vez.

Doía.

Era como se estivesse sendo cortado ao meio.

Algo feria seus ouvidos. Eram seus próprios berros agoniados.

Mover-se era algo extremamente difícil.

Seu corpo parecia não reagir por sua vontade.

Com muito custo ele conseguiu pegar a arma que tinha caído um pouco longe quando o alfa o atacou.

Ela era tão pesada.

Mas quando ele ouviu os gritos de Peter, aquilo lhe deu forças.

Se ele ia morrer, aquele alfa filho da puta ia com ele.

Com muito custo, ele mirou e rezou para que não errasse e atingisse o marido.

Ele atirou.

Ele viu seu alvo caindo e sorriu.

Agora ele poderia morrer em paz.

Peter podia sentir o sangue escorrendo por suas pernas. A dor em sua barriga era tremenda.

E quando o alfa o puxou para marca-lo, ele tentou escapar, por mais que soubesse que não conseguiria.

E isso só irritou.

Ele puxou a cabeça de Peter pelos cabelos, deixando exposto seu pescoço e cravou seus dentes sem dó.

E assim que o fez, Peter ouviu um tiro e sentiu seu rosto coberto de sangue.

Sentiu o corpo pesado em cima de si e o afastou. Estava difícil de respirar.

Quando ele empurrou o corpo do alfa, ele viu. Ele tinha um buraco enorme na cabeça.

E foi quando ele ouviu os seguranças finalmente se aproximando, as pessoas que olhavam de dentro do supermercado, os barulhos de sirene.

Suas pernas cederam quando não aguentaram o peso do seu corpo.

Ele estava com dor, tanta dor.

Tentou puxar o que lhe restava das calças e logo um segurança se aproximou e lhe deu seu casaco para que se cobrisse.

Perguntou-lhe se estava bem. Mas ele nem respondeu.

É claro que não estava bem.

John tinha sido atacado, e ele queria vê-lo. Só assim ficaria bem.

E foi o que fez.

Ele não conseguia levantar, mas se arrastou até onde o marido estava e verificou sua ferida. Estava horrível.

Colocou as mãos em cima e fez pressão. Queria dar uma chance ao marido até a ajuda chegar.

– Socorro – ele falou chorando, quando o marido sequer abriu os olhos – Socorro – ele falou mais alto e nenhum segurança se aproximava dos dois.

A ambulância já tinha sido chamada, mas pelo estado do xerife, eles não tinham esperanças que ele sobrevivesse. E ninguém tinha coragem de falar isso para o homem grávido que tinha acabado de ser vítima de toda aquela violência.

– Socorro – ele gritou até os paramédicos chegarem.

Chris estava em casa preparando o almoço com os adolescentes quando Derek virou bruscamente a cabeça ao ouvir um barulho. Ele não teve tempo de falar nada quando ele e os outros lobisomens saíram correndo na mesma direção.

Bufando, ele largou tudo lá. Allison já o esperava na porta com sua sacola de armas.

O que ele não esperava é que os adolescentes o levassem ao hospital.

E quando ele chegou lá viu todos desanimados e Melissa explicou o que acontecera.

Mas naquela hora todos os noticiários já mostravam os vídeos de segurança do supermercado com suas reportagens.

Assim que Peter acordou depois de ter sido atendido, não houve médico que o fizesse ficar no seu quarto se recuperando.

Ele foi direto para o de John na UTI.

Não era horário de visita e até hoje ninguém sabe como um homem naquele estágio de gravidez e tendo acabado de ter sofrido um ataque violento daqueles conseguiu passar despercebido e entrar na UTI sem ser detectado.

Quando chegaram para verificar o estado de John, ele estava simplesmente sentado ao lado do seu leito.

E assim ele ficou por vários dias e só foi embora quando seu corpo ficou exausto o suficiente para que sua família o levasse sem muito protesto após dopá-lo.

Deaton ajudou a levá-lo para casa e acomodá-lo. Ele estava desnutrido por quase não comer, e literalmente exausto por passar todo o tempo no hospital.

Quando acordou, não ficou nem um pouco feliz em saber que estava preso no quarto por cinza da montanha.

Ele gritou e esperneou argumentando que precisava voltar para quando John acordasse, mas ninguém o ouvia.

John estava em coma desde o ataque e tudo indicava que seu corpo tinha rejeitado a mordida. E era hora dele se conformar.

Sem opção, ele deitou na cama. Queria morrer.

Quando ele acordou, seus ouvidos doeram.

Tudo parecia alto demais.

Abriu seus olhos e as coisas pareciam diferentes.

Ele se levantou e estalou seu corpo. Sentia-se ótimo.

Olhou seu flanco e não tinha nem sinal da mordida.

Sorriu quando se deu conta do que isso queria dizer.

Ele era um deles agora.

Mas onde estava Peter?

Ele apurou seus sentidos e sabia que o marido não estava lá.

Era como se ele soubesse que a outra parte dele estava longe.

Rosnou quando teve a sensação de que ele não estava bem.

E aquilo o angustiou de tal forma que o fez mudar.

Ele precisava acha-lo. Precisava protegê-lo.

Ele rosnou mais uma vez e pulou pela janela e nem se deu conta de que estava no quinto andar.

O clima na casa era péssimo.

Quando as coisas começavam a andar, vinha alguma coisa e derrubava tudo de novo.

Derek estava triste pelo pai, mas precisava ser forte pelo namorado. Stiles só tinha a John e estava inconsolável com a possibilidade de sua morte.

Não estava em condições melhores que Peter, e só tinha voltado para casa depois de também ser sedado. Mas era mais fácil controlar um humano do que um lobisomem nesse aspecto.

Derek sentiu uma presença se aproximando rapidamente da casa e rosnou, colocando os outros a postos.

Mas eles ficaram sem ação quando a figura se apresentou.

Estava diferente, mas eles conseguiam reconhece-lo. Era John.

Quando Chris apareceu no corredor, e se colocou entre John e onde ele sentia que estava Peter, John rosnou.

E não foi um rosnado qualquer. Todos puderam ver o seu corpo arqueado como se fosse atacar a qualquer momento e suas presas enormes que prometiam uma morte dolorosa a qualquer um que se colocasse em seu caminho.

Sabiamente, Chris saiu de sua frente e o deixou passar. Pegou suas armas em seguida. Não queria atacar o xerife, mas se ele colocasse alguém ali em perigo, ele não teria escolha.

John subiu as escadas pulando vários degraus e rosnou quando não conseguiu entrar no quarto.

Ele não entendia.

A porta estava aberta, e Peter estava logo ali do outro lado dormindo.

Ele queria ver como ele estava, queria sentir o filhote deles.

Ele tentou de novo e não conseguiu.

E aquilo o irritou.

Ele rosnou alto, acordando Peter.

Tentou de novo e nada.

Sua raiava aumentou tanto, que ele socou o espaço.

Ele viu o marido se assustando e se encolhendo na cama.

Era ele. Ele não o tinha reconhecido? Ele não queria assustá-lo.

Ele socou uma, duas e quantas vezes foi necessário.

Sentia aquela barreira ficando mais fraca a cada golpe.

Por fim, ele conseguiu entrar.

Foi até o marido, mas ele se encolheu e estava chorando.

– Não chore – ele falou e reparou que sua voz estava mais grossa. Ele procurou se acalmar – Não chore. Não gosto de te ver chorando – ele tentou de novo e sua voz parecia mais normal.

Peter o olhou e parecia incerto. John levantou uma mão e acariciou o rosto do outro que segurou sua mão.

Ele colou sua outra mão na cintura do mais novo e o puxou para um beijo.

– Está tudo bem? – Chris perguntou da porta.

John se afastou de Peter e rosnou para o caçador que ousava atrapalhar a reunião dos dois se transformando novamente.

Seus olhos estavam vermelhos.

Fim do cap. 35

Notas finais
E aí, gostaram? Estavam com saudades?