Uma segunda chance

2 Capítulo 2 - A dor de um filhote


Notas iniciais
Humm...draminha básico é sempre bom para desobstruir o canal lacrimal :)

Os ânimos ainda não haviam se acalmado.

Como o xerife parecia à beira de um surto e Stiles temia por sua saúde, acharam melhor chamar Melissa, a mãe de Scott, para servir de intermediadora e explicar a situação de um jeito mais sutil, já que aparentemente se transformar num lobisomem e falar “Sim, lobisomens existem”, como Scott fizera minutos antes era uma péssima ideia.

Os jovens subiram e estavam, no momento, acampados no quarto de Stiles, numa tentativa de afastar Derek de toda gritaria. O que era inútil, já que até mesmo os humanos presentes conseguiam ouvir com clareza o que se passava lá embaixo.

— Então deixa ver se eu entendi — disse o xerife —, todas aquelas mortes foram culpa sua porque aparentemente você surtou depois de passar seis anos em estado catatônico — houve uma pausa, na qual julgavam que Peter consentia —, e agora você acha que vou deixar você sair daqui com aquela criança? — gritou o xerife, claramente alterado.

— E você parece achar que vai poder me impedir. — Retrucou Peter.

— Vamos, acalmem-se. — Pedia Melissa aos dois.

Isaac e os outros já tinham tentado de tudo. Conversar, desenhar, fazer origamis. Mas aparentemente nada chamava a atenção de Derek, que mantinha a expressão fechada, lembrando e muito sua versão adulta. O máximo que tinham conseguido era vestir uma camiseta do Stiles na criança, que nele mais parecia uma enorme camisola.

Ele olhava na direção da porta, com os olhos sem foco, claramente prestando atenção na conversa que se desenrolava no outro ambiente. Estava tão entretido que só percebeu que Allison se aproximou quando a garota tocou seu ombro.

Derek deu um pulo tão grande que teria sido extremamente engraçado se ele não ostentasse uma expressão tão aterrorizada. Parecia petrificado ao olhar para Allison, e quando ela fez menção de tocá-lo de novo, ele se esquivou e levantou o braço numa tentativa clara de se proteger. Lydia achou estranho e tentou se aproximar também. Ele recuou tanto, que quase caiu da cama. Os adolescentes observavam-no com uma curiosidade mórbida.

Não aguentando mais a situação, Jackson pegou Derek no colo, tirando-o de perto das garotas.

— Qual é o problema de vocês? Não veem que ele está assustado? — ralhou Jackson, segurando-o contra o peito, numa atitude protetora.

Derek parecia confortável no seu colo, mas o olhava curioso. Jackson, corando diante dos olhos claros, pigarreou e colocou Derek sentado na cadeira do micro bem longe das meninas.

— Eu acabo de explicar que sou um lobisomem e você me aponta uma arma! Sério? — riu Peter, levantando da cadeira numa clara provocação.

— Pelo amor de Deus, John! Abaixe essa arma. — Pediu Melissa.

— Não. De jeito nenhum. Estamos aqui há um bom tempo e a única coisa que descobri é que meu filho vem mentindo nos últimos meses, e que esse homem vem aterrorizando todo mundo matando a torto e a direito. Sabe-se lá se até a garota Argent não foi culpada no lugar dele. — Retrucou o xerife, alterado.

Tais palavras tiveram um efeito imediato em Peter, e antes que o xerife pudesse esquivar Peter o atacou.

Do quarto, a única coisa que ouviram foi um tropeço e o grito de Melissa.

— O que você fez?! — gritou Melissa.

— Ele estava pedindo. — Defendeu-se Peter, também gritando.

Os jovens arregalaram os olhos e gelaram. Stiles ficou pálido e correu para fora do quarto.

Derek saiu logo atrás, antes que alguém pudesse segurá-lo. Ele deu um pulo e se transformou em lobo no ar, caindo no chão logo em seguida, ao se embolar na camiseta de Stiles. Mas rapidamente se remexeu e conseguiu sair pela gola.

Quando Stiles chegou ao final da escada, correu em direção a seu pai, mas estancou no meio do caminho com uma expressão horrorizada quando viu o sangue no colarinho e a expressão meio débil dele.

Sentiu um peso no peito e uma dificuldade absurda de respirar.

— Calma, respira Stiles! Ele não está morto, ele vai ficar bem. — Disse Melissa, acalmando-o.

Em instantes, Stiles pôde enfim voltar a respirar. Sem pensar duas vezes ele diminuiu a distância entre ele e Peter e lhe deu um forte empurrão.

— Encosta no meu pai de novo e eu te mato, entendeu bem? Coloco acônito no seu café, arranco seu pelo pra fazer um capacho novo, entendeu? — gritou Stiles no rosto de Peter, que se divertia, olhando algo no chão.

— Só cansei de ficar batendo boca à toa e passei minhas lembranças pra ele. Daqui uns dez minutos ele vai estar novo em folha. — Disse displicentemente sem nem ao menos olhar o garoto, tentando acalmar o adolescente transtornado — Eu juro! — Completou, levantando as mãos com as garras ensanguentadas e encarar Stiles, ao perceber que o garoto não recuara.

Stiles pareceu aceitar a justificativa e se acalmou um pouco. Mas então percebeu o peso na ponta de seu All Star. Ele, sem pensar sacodiu o pé com força. Seus movimentos foram seguidos de um ganido.

Quando olhou pra baixo, ele viu o filhote de lobo balançando a cabeça, um pouco tonto. O filhote deu uns passinhos meio em falso, mas logo se recuperou e correu a abocanhar agora a bainha da calça de Stiles, rosnando. Stiles sacodiu a perna de novo, fazendo com que Derek cambaleasse e caísse sentado.

— O que ele está fazendo?! — perguntou ao olhar o filhote que agora estava na frente de Peter, em posição de ataque com a frente agachada e a traseira levantada, rosnando e mostrando os dentes.

— A mesma coisa que você estava fazendo agora pouco, Stiles. Ele só é mais fofo. — Disse Peter, pegando o filhote no colo. Com o contato com o tio, Derek relaxou o suficiente para se transformar de novo, não perdendo tempo em se aninhar no peito dele, passando os braços em seu pescoço possessivamente enquanto continuava a olhar com cara feia para Stiles.

O jovem revirou os olhos e foi checar seu pai, que parecia um pouco melhor e menos pálido. Scott foi até a cozinha e remexeu nos armários até encontrar um kit de primeiros socorros para sua mãe poder ajudar o xerife.

Isaac se aproximou, sem graça, com a camiseta que Derek estava usando, oferecendo-a para Peter, que o encarou com os olhos estreitos por alguns segundos, aparentemente analisando alguma coisa, mas depois aceitou a camiseta com um pequeno sorriso fazendo Isaac corar.

Um silêncio constrangedor se instalou até que o xerife voltasse ao normal.

E todos o viram enxugando algumas lágrimas que escaparam. Ele tinha um ar cansado.

— Isso foi... intenso. — Comentou, passando as mãos no cabelo. Peter respondeu com um sorriso triste — Como você pretende fazer isso dar certo? — perguntou, indicando a criança em seu colo.

— Você não pode estar falando sério. Ele é maluco! —Reclamou Scott. — Foi ele quem me mordeu, mãe. Isso deve contar como agressão à menores, não? — tentou incitar os outros adolescentes, que ficaram calados. — Não precisamos dele. O Derek poderia ficar com a gente, não é? — perguntou pra mãe, esperançoso.

— Não saberíamos criar um lobisomem, Scott. Deve ter inúmeras diferenças de comportamento de uma criança comum. Fora que nós não poderíamos arcar com mais um morador na casa. — Disse, sem graça.

— Ele poderia bancar — disse Stiles, apontando para Peter —, é podre de rico.

—Sabe, eu realmente não me sinto à vontade esfregando isso na cara de todo mundo. Acho um tanto quanto desnecessário. — Comentou Peter, fazendo movimentos circulares nas costas do sobrinho, que travava uma batalha para ficar acordado.

— Ele tem um Camaro! — Retrucou Scott, apontando para Derek, que perdera a batalha e agora cochilava com a cabeça no ombro do tio com a boca aberta.

— Eu disse que eu achava desnecessário, não que ele achava também. — Explicou Peter, entediado. — Eu devia ter mordido o Stiles. — Resmungou em voz baixa, só para os lobisomens que deram uma risadinha. Scott parecia ofendido.

— Por que ao invés de discutir, vocês não perguntam pra ele. — Sugeriu Isaac, com uma voz tímida, inconscientemente se aproximando dos dois.

— Em que mundo vocês vivem, hein? Será que sou a única que não sabe como isso aconteceu? Vocês não acham um pouco estranho o fato de um adulto ir dormir com vinte e tantos anos e acordar com quatro? — perguntou Lydia, perplexa. — O que interessa com quem ele vai morar?! A gente devia se focar em como fazê-lo voltar ao normal.

Peter acordou delicadamente o garoto que dormia em seu ombro, que resmungou escondendo o rosto em seu pescoço, antes de colocá-lo sentado na mesa, de frente pra ele e para os outros adultos.

Derek deu um bocejo enorme e depois esfregou os olhos e olhava o tio com uma cara emburrada.

— Não faça caretas. Se bater um vento seu rosto pode ficar assim pra sempre. — Comentou Peter, com uma voz despreocupada, fazendo Derek arregalar os olhos — Eu estou só brincando. — Confessou, fazendo o menino sorrir — Bom, eu quero que preste atenção agora, ok? Quero te apresentar uma pessoa. Esse é o meu bom amigo John e ele é o xerife— disse, puxando o xerife segurando-o pelos ombros —, você deve ter ouvido ele lá de cima porque ele obviamente adora o som da própria voz — resmungou num tom baixo somente audível para os lobisomens —, ele é bem legal e quer bater um papo com você. Então, seja bonzinho e não morda. — Completou se afastando.

— Eu sou o xerife Stilinski e você está seguro aqui. — Frisou para a criança, que o encarava com seus enormes olhos claros com uma expressão curiosa. — Você sabe o seu nome?

— Sim. — Respondeu Derek no ato, balançando suas pernas pra frente e para trás.

Todos, instintivamente, deram um passo à frente na tentativa de ouvir o restante da resposta que nunca veio.

— Derek, seja bonzinho e responda direito. — Pediu Peter, escondendo um sorriso.

— Mas eu respondi. Ele perguntou se eu sabia seu nome e eu disse sim. Ele não perguntou mais nada. — Explicou o garoto para o tio com uma expressão confusa, fazendo o xerife passar as mãos no rosto cansado.

— Qual é o seu nome? — perguntou Stiles, tomando a frente.

— Meu nome é Derek Peter Hale. — Respondeu prontamente com um sorriso.

— Você se chama Peter também? Alguém sabia disso? — perguntou Stiles para os outros. — Só eu não sabia disso?

— Foco, Stiles! — Falou Scott, apontando na direção do garoto.

— Ah é. Bom, você sabe onde você está agora? — o garoto fez que não com a cabeça. — Conhece alguém que está aqui na sala? — Derek faz que sim com a cabeça e aponta para Peter e Isaac.

— Você se lembra do Isaac, então? — inquiriu Scott. Derek faz que não com a cabeça. — Você pode, por favor, ajudar? Não dá pra entender o que ele quer dizer. — Ele pediu para Peter, que revirou os olhos.

— Ele cheira como a Laura — Derek tenta explicar —, por isso que eu segui o rastro.

— Ele quer dizer que Isaac cheira como um membro bem próximo da alcateia, assim como a Laura. Cheira como família, entenderam? Mesmo não sabendo o nome dele, ele conseguiu reconhecer a ligação entre eles. — Explicou Peter, antes que alguém pudesse perguntar.

— E você chegou nele como? Cheirou alguma roupa ou algo assim? — perguntou Jackson brincando. Porém, o sorriso morreu quando o garoto assentiu com a cabeça.

Então Derek contou como acordou num galpão sujo e ficou com medo. Como quando procurou algum membro da família e achou o cheiro de Isaac numas roupas guardadas dentro de um trem, que estava nesse galpão. Como seguiu seu rastro até a escola onde tinham pessoas malvadas que ficavam puxando seus pés e teimavam em apertá-lo. Como finalmente encontrou o rastro, mas quando pulou no colo dele percebeu que não era Laura, por que Laura não tinha cabelos loiros cacheados e nem falava grosso. Daí, ele explicou também como depois o garoto que falava demais o pegou no colo e saiu correndo, e como era divertido pular nos bancos, e que quando chegaram encontraram uma velhinha que fedia e que se chamava Sra. Hoffman, e que quando entraram, o senhor Xerife achou que ele era um cachorro e que o garoto o tinha roubado de alguém.

— Você não lembra como ficou desse tamanho, então? — disse Allison. — Como voltou a ter quatro anos?

— Eu tenho cinco, e não quatro. — Retrucou Derek, se afastando da garota curiosa que se aproximava da mesa.

— O que ela quer dizer, querido, é se você se lembra de alguma coisa antes de acordar naquele lugar estranho. — Disse Melissa, com uma mão no braço de Peter — O que você estava fazendo antes?

Derek olhava pra ela e para o tio confuso, e abaixou a cabeça, embaraçado.

— A mamãe me deixou de castigo no meu quarto por ter mordido o moço que traz as cartas, de novo. Eu disse que só estava brincando, mas ela não ouviu, e me mandou ficar lá sozinho e pensar no que tinha feito — confessou tristonho —, mas eu já pensei. Eu juro! — Disse, levantando a mão direita. — A gente já pode voltar pra casa agora?

Todos os presentes parecem sem graça e sem ação. Derek percebeu algo estranho quando ninguém lhe olhava diretamente.

— Será que vocês podem me dar um minuto com ele? — pediu Peter, numa voz cansada.

— Você acha que é uma boa ideia contar isso pra ele agora? Ele não é muito pequeno? — perguntou o xerife, incerto.

— Aproveita e conta como você matou a irmã dele. — Resmungou Scott, num tom baixo só para os lobisomens.

Assim que ouviu o que Scott disse, Derek virou na sua direção com a uma expressão de dor evidente, e Scott se sentiu mal por ter falado algo assim na presença da criança.

— Eu acho melhor você sair daqui, McCall. Se não tem algo de útil pra falar, então cale a boca. — Disse Jackson, arrastando o outro lobisomem para o outro ambiente, sem nenhuma delicadeza, sendo seguido de Lydia e Allison.

— Você machucou a Laura! — Derek disse para Peter, antes de começar a chorar. — Eu quero ver a minha irmã. — Soluçou o garoto.

— Calma, eu vou explicar tudo. — Pediu Peter, com uma expressão angustiada, tentando se aproximar do garoto que se afastava.

— O que Scott falou, afinal? Ele estava bem até agora. — Perguntou Stiles para Isaac, que observava Derek para que ele não caísse da mesa.

— Ele contou da Laura. — Respondeu em voz baixa, com uma expressão fechada.

Stiles ficou horrorizado com a atitude do amigo e não pensou duas vezes em ir atrás dele.

— O que estava pensando, seu idiota? — esbravejou, empurrando Scott que discutia com Jackson. — Eu sei que você não é a pessoa mais inteligente do planeta, mas não te passou pela cabeça que soltar algo assim pra uma criança desse tamanho sem o mínimo de tato poderia ser um tanto traumático? — completou, segurando-o contra a parede. — Ele não perdeu um sapato, seu lobisomem burro, perdeu a família inteira — explicou triste, como só quem já perdeu alguém da família poderia entender.

Em seguida, ele se afastou e voltou para a cozinha, passando a mão pelos cabelos.

Aparentemente, nada que Peter ou os outros falavam entrava pelos ouvidos de Derek, que se rebelava mais e mais, chegando até a ficar com sua aparência meio animalesca, não hesitando em arranhar Peter com suas pequenas garras.

Não sabendo mais o que fazer, Peter se adiantou e enterrou as unhas no pescoço de Derek, que retorna a aparência normal soltando um ganido.

Todos presenciaram a mudança nos dois últimos membros da família Hale. Os dois agora estavam com as testas encostadas e Derek não parecia mais querer atacar o tio, e só chorava muito, chegando a soluçar. Peter tentava acalmá-lo, fazendo movimentos circulares nas têmporas do pequeno. E não percebeu quando o sobrinho fincou suas pequenas garras em sua nuca.

O pai de Stiles inconscientemente colocou a mão na arma ao ver que Peter tirara as mãos do rosto do sobrinho e tinha as mãos, ao lado seu corpo, fechadas em punhos.

Peter parecia transtornado com o que o sobrinho lhe mostrara, mas tentava esconder do garoto, que percebeu seu incômodo e começou a chorar mais ainda.

Ele se afastou um pouco, sem saber como reagir, passando a mão nos cabelos, enxugando os olhos e respirando fundo.

— O que aconteceu? O que ele te mostrou? — inquiriu John, temeroso.

— Aparentemente ele ainda tem todas as memórias dele, e quando eu mostrei as minhas, ele conseguiu acessar algumas relacionadas. Eu já sabia delas, mas vê-las com detalhes me deixou um pouco... nervoso — explicou, olhando de novo para Derek, que começou a chorar mais ainda.

— Eu acho que já chega! Isso já está virando sessão de tortura. — Resmungou Melissa, indo pegar um copo de água com açúcar para a criança.

Isaac, não aguentando mais, foi tentar acalmar Derek, mas em vão. Melissa ofereceu o copo, mas Derek não conseguiu beber ficando cada vez mais nervoso e acabou por vomitar no chão da cozinha, chamando atenção dos que estavam na outra sala.

— Não foi sua culpa, Derek. — Disse Peter, ao se aproximar do sobrinho, que estava agarrado em Isaac. — Não vou mentir e falar que não estou um pouco bravo — continuou, pegando o copo da mão de Melissa e oferecendo ao pequeno que bebeu tudo—, mas vai passar — prometeu —, e vamos dar um jeito em tudo, ok? Eu vou dar um jeito e vou fazer dar certo. Mas pra isso, precisamos deixar algumas coisas pra lá e começar de novo, você está me entendendo filhote? — Derek fez que sim, com a cabeça, ainda soluçando. — Então suba com Isaac e tente descansar um pouco, ok? — sugeriu, dando um cheiro no pescoço de Derek, que o cheirou de volta e em seguida, voltando para os braços de Isaac, abraçando seu pescoço entre os soluços.

Stiles fez sinal para que Isaac o seguisse de volta ao seu quarto, e todos os adolescentes seguiram também. Isaac tentou colocar Derek na cama, mas isso fez com que o pequeno se agitasse ainda mais.

Lydia sugeriu que eles tentassem dar um banho quente nele, já que isso costumava acalmar crianças pequenas, fazendo com que os outros jovens a olhassem surpresos.

— Eu li em algum lugar. — Defendeu-se. — Vocês deveriam tentar de vez em quando. — Resmungou enquanto olhava suas unhas.

Allison cutucou Scott, apontando para lado que Stiles está. Quando Scott olhou na direção do amigo, percebe que ele estava com os olhos cheios de lágrimas olhando na direção de Isaac e Derek. Sem saber o que fazer, ele cutucou o amigo.

— Você está bem? — pergunta, chamando atenção de Stiles, que enxugou os olhos rapidamente quando uma lágrima teimou em escorrer.

— Claro — respondeu automaticamente —, eu acho melhor ir preparar o banho pra eles. — Disse, correndo na direção do banheiro.

Não demorou muito para que ele chamasse Isaac e lhe entregasse uma toalha felpuda.

— Eu vou procurar uma camiseta limpa pra ele, mas lá dentro já está tudo ok.

O garoto de cabelos cacheados agradeceu, levando Derek consigo ao ir em direção ao chuveiro.

Stiles não perdeu tempo em cavoucar seu guarda-roupa em busca de uma camiseta menor que ficasse um pouco melhor no garoto.

— Eu realmente me sinto muito mal com o que eu falei. Não tinha o direito de falar algo assim perto de uma criança desse tamanho. Eu só estava com raiva do Peter e o que ele pudesse fazer com o Derek.— Explicou-se Scott, sem encarar o amigo.

— Eu sei — respondeu Stiles, sem se virar —, foi mal ter te chamado de idiota — disse em voz baixa —, pelo menos na sua frente. — Completou, virando-se para o amigo e oferecendo um pequeno sorriso.

— Mas você estava certo. Eu fui um idiota. — Admitiu Scott, encarando a todos agora — Não me importei agora a pouco, e quer saber? Nem antes. Eu nunca me dei ao trabalho sequer de dar os meus pêsames por ele ter achado a irmã morta, nem me preocupei como ele se sentiria tendo que matar o último membro da sua família, só me preocupei comigo e como eu não poderia voltar a ser humano. — Desabafou, sentando na cadeira do micro. Allison não hesitou em abraçar o namorado.

Nesse momento, Isaac saiu do banheiro com Derek enrolado na toalha, olhando para Scott. Aparentemente ouvira tudo do banheiro, o que significava que o pequeno também escutara.

— Eu achei essa outra aqui. É a menor que eu tenho. — Stiles entregou uma camiseta do Batman para Isaac, que vestiu em Derek rapidamente, sentando na cama, ao seu lado.

Stiles, sem pensar, passou a mão pelos cabelos úmidos do garoto que ainda fungava vez ou outra.

Depois que Isaac entregou a toalha para Stiles, Derek não hesitou em se aninhar em seu colo, abraçando-o pelo peito e encostando a cabeça em seu peito. Parecia mais tranquilo ao ouvir os batimentos cardíacos de Isaac. E logo fechou os olhos, caindo num sono pesado.