Uma segunda chance
32 Capítulo 32 - Tocaia
Notas iniciais
John chegou a casa e viu Peter na cozinha, parecia entretido com o prato que preparava. Ele olhou para trás quando ouviu o barulho, e cumprimentou rapidamente o marido, e voltou sua atenção para o que estava fazendo.
O xerife, por sua vez, ainda estava esbaforido de ter ido correndo para casa, depois de receber a ligação de Adam avisando sobre o caçador maluco que saiu arrastando o lobisomem depois de quase atirar no policial.
–O que houve na casa do Adam? Ele me ligou falando que o Argent entrou lá com uma arma e saiu te arrastando de lá.
–Só o Argent sendo o Argent. Nada demais – ele respondeu e John teve certeza de que havia um problema ali — A mãe dele está mais calma? – ele mudou de assunto.
–Mãe? Acho que sim. Parece que eles conversaram, e ele ainda tomou um esporro da velha.
John o abraçou por trás, apoiando a cabeça em seu ombro, mas o soltou quando percebeu Peter ficando tenso com o seu toque. Ele se sentiu mal por tê-lo tratado mal nos últimos dias.
Ele se afastou, e ficou ao lado do outro, invadindo sua bolha pessoal.
–Seu jantar logo estará pronto. Dá tempo de tomar um banho, se quiser.
John se chegou nele de novo, tentando não assustá-lo dessa vez e segurou suas mãos, fazendo soltar a faca que estava segurando. Ele beijou o pescoço do mais novo, e o virou.
Ele suspirou quando viu que o outro não o encarava nos olhos. Ele segurou o rosto do outro entre as mãos e o beijou ternamente, abraçando-o em seguida.
–Você vai comer comigo? – John perguntou.
Peter se aninhou em seu peito, curtindo o carinho que recebia do outro, que passava as mãos em suas costas.
–Você quer a minha companhia? – ele perguntou incerto.
John o afastou, encarando-o. E viu o resultado do gelo que deu no outro nos últimos dias. Sentia-se envergonhado.
–Eu fui um idiota nesses últimos dias e eu sinto muito. É lógico que eu quero sua companhia.
Peter o olhou aliviado, e John se sentiu pior ainda ao perceber isso. Como pudera ser tão insensível nesses últimos dias? Sabia que o marido era uma das pessoas mais carentes que ele já conhecera e tinha inúmeros problemas, mas mesmo assim isso não o parou de ignorá-lo numa crise de raiva. Ele se sentiu péssimo.
–Depois do susto que você me deu ficando exausto daquele jeito, eu quero você grudado em mim sempre – ele confessou ao fechar os olhos e abraçar ainda mais o mais novo.
Ele abriu os olhos quando sentiu os lábios do mais novo colado aos seus.
Ficou surpreso, pois dificilmente Peter iniciava qualquer coisa entre os dois. Foi um beijo terno, sem malícia.
Sem pensar, John levou a mão até o rosto do lobisomem, que se encolheu. O xerife encostou a palma da mão no rosto do mais novo, numa singela carícia. E sorriu vendo que o mais novo relaxou com o contato.
John sorriu ao perceber que não havia diferenças entre o Peter com a aparência humana e o lobo. Ele se derretia com carinhos nas duas formas.
Ele foi deslizando seu polegar pelo rosto do outro, acariciando-o. Quando passou o polegar pelos lábios do outro, delineando o seu desenho perfeito, o mais novo gemeu baixo e corou diante do olhar intenso que ele lhe dava.
Peter realmente não tinha ideia de como mexia com ele. Suas reações eram extremamente sensuais para os olhos de John.
Ele tomou os lábios do mais novo num beijo nem um pouco casto como o anterior. Ele estava com saudades, fazia tempos que nem sequer chegavam perto um do outro, o que era ridículo considerando que estavam casados.
Correu suas mãos pelos cabelos do outro, e o sentiu praticamente derreter. Ele estava totalmente entregue as sensações, e isso fez com que John sorrisse. Não tinha sido o único a sentir saudades.
Ele sentiu as mãos do lobisomem subindo e descendo por suas costas, e por fim brigando com seu cós, tentando puxar a camisa de dentro.
Ele largou a boca do mais novo e atacou o seu pescoço, que o mais novo inconscientemente oferecia.
Quando o mais novo gemeu depois de uma mordiscada, ele sentiu suas calças apertarem consideravelmente.
–Eu quero você – ele sussurrou no ouvido do lobisomem, que tremeu.
–Eu quero você também – ele respondeu com o rosto todo corado.
John praticamente arrastou o outro, que ria da sua reação, escada acima em direção ao chuveiro. Nenhum dos dois notou a figura na janela que observava os dois com seus olhos vermelhos.
Talvez aquele fosse seu dia de sorte. Ele seguia o beta há meses. Desde o pequeno encontro entre os dois, ele não conseguiu ficar longe.
Ele fechou os olhos e procurou se concentrar nos barulhos que vinham do andar de cima. Os gemidos que faziam sua pele se arrepiar. Tão diferente do encontro dos dois.
Ele queria aquilo. Ouvir aqueles gemidos só para ele. Sentir aquele corpo gostoso novamente. Rosnou baixo quando sentiu o desconforto com a roupa novamente. Ele então abriu o zíper e começou a massagear o seu membro. Mal podia esperar pelo dia em que teria aquele beta a sua mercê.
Poderia invadir a casa e matar o humano. Mas qual seria a graça nisso? Ele riu quando lembrou como Kali sempre ralhava com ele por brincar com a comida. Era a mais pura verdade.
Mas ele não podia evitar. O beta era muito interessante. De fato, era a pessoa mais interessante que ele conhecera até o momento. Era simplesmente fascinante ver todos os seus ângulos, todas as suas personalidades. Ele deu um sorriso malvado.
E pensar que tudo não tinha passado de uma incrível coincidência. Eles queriam o pequeno alfa Hale, Derek. Mas quem resistiria a um beta dando sopa em pleno cio?
Ah, e como ele gritara e chorara enquanto ele o quebrava. Pena que a polícia chegou tão rápido ao local. Ele queria ter aproveitado mais.
Talvez tenha sido isso que o fez acompanha-lo de longe por tanto tempo. Era difícil, já que o caçador estava sempre de olho. Ele teve que ser discreto, por mais que odiasse isso.
E qual não foi a sua surpresa quando descobriu as outras faces do beta? Quatro num pacote só, e uma alfa de brinde.
E ele nem precisou fazer mais nada, foi só acompanhar o desenrolar da coisa toda. O beta piorava a olhos vistos e eles nem sequer percebiam. Talvez ele estivesse melhor com ele, afinal.
Eles não tinham ideia da confusão que era a cabeça dele. Não tinham ideia dos segredos que um álter guardava do outro e principalmente do que todos guardavam do próprio beta.
Depois que percebeu que o outro via o seu algoz em alucinações, ele tirou a sua casquinha. E não precisou de muita coisa para que convencesse o mais novo de que não era ele, e sim o seu irmão. E ninguém sequer se tocou que ele estava ali. Era mais fácil culpar um morto e uma pessoa mentalmente instável do que cogitar uma invasão.
–Estúpidos – ele pensou, rindo.
Mas estava quase terminando. Em poucos dias ele colocaria seu plano em prática. O beta não saberia sequer o que o acertou e seria dele. Até lá, ele brincaria mais um pouco.
Estava quase lá, quando ouviu um barulho vindo da estrada. Eram carros e aqueles adolescentes irritantes.
Ficou tenso quando viu que o caçador estava com eles.
Praguejou e guardou seu membro ainda duro nas calças. Já estava longe quando eles chegaram à Mansão.
John beijava o ombro do mais novo enquanto posicionava seu membro em sua entrada. Sentiu o outro ficar tenso antes mesmo de sequer colocar a cabeça. Ele mordiscou o pescoço do mais novo, e tentou alcançar o seu membro para ajuda-lo a relaxar, mas era meio difícil até mesmo na posição de concha que estavam. Ele não tinha notado, mas a barriga do mais novo estava enorme, e limitava as posições dos dois.
Não querendo machucar o outro, depois de tanto tempo sem nada entre os dois, ele achou melhor tentar algo mais fácil, que não necessitasse de tantas preparações, como na primeira vez dos dois. Ele se posicionou melhor e meteu de uma única vez, segurando o quadril do mais novo, que gemeu alto. Era quente, e úmido. Era perfeito. Estava no céu.
–Eu te amo – ele disse no ouvido do lobisomem, enquanto se movimentava lentamente, enquanto segurava o quadril do mais novo.
–Eu também te amo – Peter respondeu, colocando sua mão em cima da de John, entrelaçando seus dedos.
Logo os movimentos dos dois ficaram mais rápidos, mais urgentes. Mas John parou quando viu o outro levantando a cabeça, ficando atento a algum barulho.
–O que foi? – John perguntou preocupado e logo em seguida ouviu barulho de carros chegando.
–Ah, eu não acredito – resmungou Peter, saindo dos braços do marido e levantando sem nenhuma cerimônia – Sinto muito – ele falou, se abaixando na cama e dando um beijo em John, que o encarava confuso – As crianças estão na porta – ele explicou.
–E daí? Elas têm a chave. Volte para cá – John falou manhoso, tentando convencer o outro.
–Elas estão com o Argent – Peter falou, com uma cara feia, ao pegar uma roupa na gaveta e se vestir rapidamente.
–Não precisa correr – John lhe chamou atenção quando viu o outro saindo correndo. Suspirando, ele levantou para se vestir.
Vestiu-se rapidamente e quando desceu viu que todos estavam já dentro da casa, exceto uma pessoa. Correu quando viu Peter impedindo a entrada de alguém, e segurou a porta antes que ele a batesse na cara do caçador. Ele tinha a guarda dos seus enteados, e não era uma boa ideia arrumar briga à toa. Abraçou o lobisomem que parecia querer voar no pescoço do outro, fazendo-o relaxar.
–O Isaac fez isso e queria trazer – Chris falou sem graça, mostrando as travessas que ele segurava, depois que um silêncio constrangedor tinha se instalado ali entre os três – É lasanha. Ele disse que era o seu preferido.
–E é o favorito dele mesmo. Entre – John respondeu quando viu que o marido não tinha a mínima intenção de responder – Eu vou arrumar a mesa.
Ele foi até a cozinha, onde os adolescentes estavam preparando as coisas e colocou as assadeiras no balcão.
–O que foi? – quando viu que os lobisomens arregalaram os olhos ao mesmo tempo.
Eles não tiveram tempo para responder, Peter entrou na cozinha e parecia estar fazendo um gesto obsceno para o caçador.
John suspirou. Aquela seria uma noite bem longa.
Ao contrário de todas as refeições que a alcateia fez que eram barulhentas e cheias de conversas paralelas e risadas, essa era simplesmente repleta de um silêncio constrangedor.
John não estava aguentando mais aquele clima chato e estava curioso pelos olhares furtivos que os adolescentes lançavam para o caçador e para Peter.
–Ok – ele disse ao largar seu talher no canto do prato, chamando atenção de todos – Qual diabos é a relação de vocês dois? – ele perguntou e todos pareciam sequer respirar. E ele podia jurar que o caçador e o seu marido tinham até empalidecido diante de toda atenção.
–Não sei do que está falando – respondeu o Peter, enfiando o garfo na massa com um pouco mais de violência do que era necessário.
–Ele é meu filho – comentou o caçador logo em seguida, fazendo o policial e todos os demais arregalarem os olhos.
–E você não me fala? – John perguntou para o marido.
–Ele é maluco. Não leve em consideração o que ele fala – Peter deu de ombros, como se fosse não tivesse importância nenhuma.
–E só o que tem para dizer? – John insistiu.
Peter fechou os olhos e suspirou. Abriu-os novamente e falou:
–A lasanha está uma delícia. O molho é pronto ou foi você quem fez, Isa?
–Mais um? Estava tentando fazer o quê? Repovoar o mundo com a sua prole?! – comentou Derek, olhando confuso para os dois. Seu pai, que era seu tio, era na verdade seu irmão também?
–Olha aí a merda que você está fazendo – Peter reclamou para o caçador, que sorriu – Ele não é meu pai, não somos irmãos de sangue – o lobisomem tentou explicar para Derek.
–Só de criação – completou o caçador logo em seguida, ganhando um olhar enviesado do lobisomem.
–Então era você mesmo no vídeo? – John perguntou estreitando os olhos, fazendo Peter e Chris o encararem.
–Você conseguiu assistir e não me falou nada? – Peter perguntou sentido.
–Você se esqueceu de comentar que tem um pai que por acaso já invadiu a minha casa atrás de você – retrucou John, e se arrependeu quando viu o lobisomem abaixar a cabeça, visivelmente magoado.
–Eu não tenho um. Ele fez questão de deixar isso claro – Peter respondeu – Ele só está aqui para aliviar sua consciência pesada. Daqui a cinco minutos ele vai mudar de ideia e negar tudo – ele falou sério, encarando o marido – Com licença – ele disse com um sorriso falso e polido ao se levantar e sair.
Os adolescentes viram o lobisomem sair e ficaram sem graça. Isaac pediu licença e saiu logo em seguida.
Ele foi atrás do pai, que estava sentado na varanda da frente da casa.
–Pai? – ele chamou, quando se aproximou do lobisomem.
Peter virou e o olhou. Sorriu quando o viu e bateu no lugar ao seu lado, indicando para o garoto se sentar.
–Desculpa por ter estragado o seu jantar. Foi uma ideia idiota ter vindo – Isaac falou, com a voz baixa, se sentindo culpado.
–Gostei de ver você. E da lasanha – Peter falou, com um sorriso maroto — Estava uma delícia – comentou, passando a mão na barriga, o que chamou atenção do filhote ao seu lado.
–Está tudo bem? – o mais novo perguntou, colocando a mão na barriga do outro – Nossa. É dura – ele se espantou – O que foi isso?! – ele puxou a mão quando sentiu alguma coisa empurrando a sua mão.
Peter riu da sua expressão horrorizada.
–É só sua irmãzinha se mexendo – ele falou, acalmando o garoto.
Ele viu o filhote mexendo as mãos e com o rosto corado. Parecia sem graça quando balbuciou alguma coisa que Peter não conseguiu entender.
–Não entendi – ele falou, achando graça do garoto.
–Posso ver? – Isaac falou claramente ao apontar para sua barriga.
–Claro – ele sorriu e levantou um pouco a camiseta um pouco sem graça.
Isaac se aproximou e ficou analisando-o de perto.
–Pode ficar de pé? Não consigo ver direito – o filhote perguntou, e ajudou Peter a se levantar.
Tomou um susto quando o garoto levantou sua blusa quase inteira e ficou analisando-o. Sabia que não tinha nenhuma malícia na atitude, mas sentia seu rosto corando. Não estava acostumado a sair exibindo seu corpo à torto e à direito. Sentia-se exposto.
–Dá para ouvir – o garoto falou maravilhado ao encostar o ouvido na barriga.
–O que dá para ouvir? – perguntou Derek, ao aparecer na porta da Mansão.
–A bebê – respondeu Isaac sorrindo de uma orelha à outra.
–Sério? Quero ouvir também – falou Stiles, atropelando o namorado e indo de encontro aos dois.
Peter viu o restante dos adolescentes se aproximando e cercando-o.
–Ela parece estar fazendo a festa – comentou Stiles sorrindo também.
–Você está gigante! Tem certeza que só tem um bebê aí dentro? – falou Jackson ao ver o tamanho da barriga do lobisomem – Ouch – reclamou quando um tapa da namorada.
–Ignore-o – Lydia falou, revirando os olhos – Mas acho que você devia comer um pouquinho mais, Peter.
–Ele vai explodir assim – comentou Jackson, já se afastando da namorada – Ouch – ele reclamou quando Derek lhe deu um tapa na nuca.
Scott riu dele e ganhou um tapa também.
–Eu concordo. Dá pra contar suas costelas – comentou Allison, indicando as costelas do lobisomem. Ele realmente estava bem magro.
–Não tenho tido muita fome ultimamente – ele falou meio sem graça, e Stiles o olhou. Sabia que ele não tinha comido com ele e seu pai nos últimos dias, e pelo que tudo indicava nem sozinho. Derek percebeu a tristeza do namorado.
–Imagina se tivesse – comentou Jackson, distraindo os adolescentes – Já pensou em malhar? – ele perguntou ao se afastar de Derek e da namorada – É sério. Excesso de gordura não é legal. A não ser que o xerife curta um gordinho – falou pensativo, fazendo todos rirem – Três contra um é injusto – chiou quando viu os três lobisomens circulando-o – Faz alguma coisa, Peter – pediu quando conseguiu se desvencilhar de Isaac que pulou nele, jogando-o no chão.
–Não posso – respondeu Peter, sentando-se nas escadas que davam acesso à varanda – Estou cansado.
–Cansado?!
–Sou só um gordinho sedentário, Jackson. Eu me canso fácil – ele falou com um sorriso no rosto.
–Mas é um gordinho muito fofo – falou Lydia puxando sua cabeça para o seu colo, o que ele aceitou de bom grado.
Aquilo estava indo de mal a pior. Seu marido tinha se retirado com raiva da mesa, assim como seu filho e enteados. Só restara ele e o caçador, e John já não tinha tanta certeza se aquilo tinha sido uma boa ideia, já que provavelmente ele dormiria no sofá. Mas se estava no inferno, era melhor aproveitar e abraçar o capeta.
–Você diz que é pai dele, ele nega. Claramente estou perdendo alguma coisa aí – ele falou, quebrando o silêncio entre os dois.
–Eu o conheço praticamente desde que nasceu. E o ensinei a andar, a falar e a aprontar. Ele era um garoto divertido, vivia rindo – ele falou antes de levar o garfo à boca. Mastigou e engoliu – Mas um dia ele parou e mudou. Ele cresceu e passou a fazer coisas horríveis – ele explicou.
–Duvido – retrucou John, despreocupado.
–Você não tem ideia do que eu vi – retrucou o caçador, num tom mais alto.
–Não me refiro a isso. Só acho que não foi ele quem fez – falou John calmamente – Você sabe que ele tem múltiplas personalidades? – ele perguntou.
–Allison comentou algo assim, mas não creio que s – ele começou, mas foi interrompido.
–Ele realmente tem várias personalidades. Eu já vi. Por que você acha que ele está fazendo terapia?! Ele não te disse? Como que você aceitou ficar com os garotos sem nem saber o que estava se passando?!
–Ele me disse que estava mal e que estava pensando em procurar ajuda, antes que chegasse a um ponto onde não teria mais volta. Eu achei que ele estava falando em tentar suicídio. Não seria a primeira vez – o caçador falou, parecendo perturbado.
–Acho que ele puxou a habilidade de comunicação de você – comentou John com um sorrisinho maldoso – E o que pretende fazer agora?
–Estar aqui – o caçador respondeu sinceramente.
–Quer recuperar o tempo perdido? Fazer as pazes? Ganhar o troféu de pai do ano? – ele perguntou.
–Algo assim – ele respondeu incomodado com tantas perguntas.
–Só estou checando. Afinal, essa nossa conversa tem que valer a pena porque eu provavelmente vou dormir no sofá por alguns dias – falou John fazendo careta — Por isso que você tentou atirar no Adam? Estava tentando ser um pai exemplar?
–Confesso que talvez eu tenha me excedido um pouco, por mais que aquele moleque merecesse – Argent falou meio sem graça, afinal eles não estavam fazendo nada demais quando ele invadiu a casa do policial. A não ser que você considere comer pudim algo ruim – Te incomoda?
–Não, para falar a verdade eu gostaria de já ter feito isso. Mas se fizer, aí que é nunca vou parar de dormir no sofá – ele explicou – Quer mais lasanha?
–Claro – aceitou com um sorriso, aquilo estava fácil demais – Obrigado – agradeceu.
–Não por isso – respondeu o outro automaticamente – Bom, deixa ver se eu entendi direito. Não queremos mal entendidos, não é mesmo? – ele falou e Chris ficou em alerta. Aí estava a bomba que ele esperou – Você por um motivo que não sei, e sinceramente não me importo, casou-se com outra mulher que não era irmã dele, teve uma filha e esqueceu-se dele e dos seus outros filhos – o caçador consentiu e ele continuou – Você deve ter prometido que cuidaria dele ou sei lá o quê, já que vira e mexe você aparecia para checar como estavam e querendo conversar – ele continuou seu raciocínio, lembrando-se de quando o caçador invadiu sua casa a pontapés – Mas aí uma hora você cansou e pulou fora. E agora vem aqui querendo brincar de família feliz?! Você sequer sabia dos álteres! Como você pode ter convivido com ele e nunca ter notado? Se eu não soubesse que foi aquele irmão doente dele que abusou dele praticamente a vida inteira, você seria meu principal suspeito agora – John ralhou com o caçador, que o encara com uma expressão de horror no rosto.
–Irmão?! – ele repetiu e parecia não conseguir assimilar a informação.
John suspirou vendo a reação do caçador. Ele parecia genuinamente surpreso, enojado e horrorizado com a possibilidade.
–Isso não importa agora. Você não pode simplesmente aparecer aqui um dia querendo entrar na vida dele novamente, e depois mudar de ideia porque deu muito trabalho. Ele já tem problemas demais, não precisa de mais um – John foi resoluto – Então se vai fazer isso, vai fazer direito ou não vai fazer – ele falou olhando nos olhos do caçador, que desviou o olhar.
Quando eles chegaram à varanda, os adolescentes estavam todos empoleirados perto de Peter, tocando-o de alguma forma, o que era bem estranho, já que eles estavam na escada.
O lobisomem grávido lutava para não pegar no sono, e era uma tarefa difícil levando em consideração que faziam carinho em seus cabelos, mãos e pés. Ele estava totalmente relaxado como há tempos não ficava.
–Allison, nós já vamos indo. Chame os outros. Espero vocês no carro – Chris falou para a filha – Boa noite – ele falou para todos ao sair andando. Parecia meio contrariado.
Ela se despediu de John e deu um beijo no rosto de Peter, que estava bocejando abraçado ao marido. Ela começou a andar, mas voltou parecendo meio sem graça.
–Uma pena que vocês não se dão bem. Seria legal ter você como irmão mais velho – ela falou rapidamente para Peter e saiu correndo para o carro.
Os adolescentes se despediram em seguida e aproveitaram para ir embora também. Stiles falou que cuidava da louça ao ver que Peter parecia pregado.
John subiu com ele, que queria dormir de imediato. Com dificuldade ele conseguiu convencê-lo a tomar um banho de banheira com a água bem quente para não despertar muito. Mas difícil mesmo foi conseguir com que ele escovasse os dentes.
Depois dessa batalha, ele finalmente conseguiu leva-lo para cama. Mas Peter pegou no sono enquanto ele pegava uma roupa para ele vestir.
John sorriu ao arruma-lo numa posição mais confortável e se deitou também.
Não demorou muito para que o lobisomem o abraçasse como fazia todas as noites.
–Lamento que tenha se irritado hoje – John falou enquanto brincava com os cabelos do outro – Mas eu precisava saber as intenções dele antes que ele chegasse demais.
–Não deixa ele me machucar, John – Peter balbuciou choramingando e se não estivesse um silêncio absoluto no quarto, John nunca o teria escutado.
–Como assim? – ele perguntou alarmado, mas o lobisomem parecia dormir ainda.
–Ele me abandonou – ele respondeu – Não quero ficar sozinho — e uma lágrima escorreu de um dos olhos.
–Ninguém vai te abandonar – John prometeu. Ele faria questão de seguir os passos do caçador e se certificar disso – Eu sempre estarei aqui – ele completou e percebeu que o lobisomem finalmente relaxara. Tinha caído num sono profundo.
O dia amanheceu e Adam acordou com o barulho na porta.
–Mas que merda – ele praguejou quando olhou no relógio e viu que eram quinze para as seis da manhã – Se for uma testemunha de Jeová, vai engolir a bíblia – resmungou ao se levantar – Já vai, já vai – gritou quando a pessoa começou a tocar a campainha tipo cigarra de sua casa. Ele detestava aquele barulho, ainda mais naquele horário – Eu sou ateu – ele falou ao abrir a porta, sem sequer olhar quem estava do outro lado.
–Não duvido – o caçador respondeu, fazendo-o arregalar seus olhos ainda sujos de remela.
–Ele não está aqui. Eu juro – ele disse já levantando as mãos.
–Eu sei. Eu vim aqui me desculpar por ontem – Argent falou com a voz serena – E pedir um favor também – completou, dando a entender que aquilo, na verdade, era uma ordem.
–Favor? Por que eu faria favor para você?! – Adam ficou indignado com a cara de pau do caçador.
–Porque estou pedindo com jeitinho – ele tirou a arma e apontou no meio dos olhos do policial.
–Oh – ele engoliu em seco. Aquele cara era totalmente maluco.
–Eu gostaria de ler as anotações que ele te devolveu ontem – ele falou, pressionando a arma com mais força em sua testa – Por favor – pediu, estreitando os olhos e com um sorriso forçado.
Fim do cap. 32
Fale com o autor