Uma segunda chance
28 Capítulo 28 - Senti sua falta
Notas iniciais
Stiles e Derek correram para a casa do outro lado da rua.
E Derek riu quando Stiles bateu a porta e a trancou, quase batendo a cabeça na porta no processo.
–Onde paramos? — Stiles perguntou com um sorriso safado, antes de atacar seus lábios. Ele olhou no relógio. Tinham tempo suficiente até o seu pai chegar do trabalho.
O beijo começou intenso, e em segundos se tornou desesperado.
Stiles estava ensandecido com o cheiro que emanava do mais novo, e ele só reagia e toda sua razão tinha ido para o espaço.
Sem perceber, ele tinha o outro encurralado na parede.
Roupas foram descartadas com uma rapidez absurda. E logo ele tinha o mais novo com as pernas enlaçadas na sua cintura.
Ele o penetrou. E gemeu alto quando sentiu aquelas paredes quentes o apertando. O cheiro se intensificava cada vez mais, e ele só precisou ouvir um gemido do mais novo para quase gozar. Finalmente ele se mexeu, e o outro gemeu novamente e cravou as unhas em suas costas ao começar a rebolar e acompanhá-lo. Ele podia sentir os filetes de sangue escorrendo por suas costas enquanto os corpos dos dois se movimentavam naquele ritmo frenético.
Ele continuou as estocadas, e sentiu o corpo do outro tremer, assim como algo úmido em seu estômago. O outro tinha gozado. E tomando conhecimento desse fato, ele também gozou.
Não aguentando mais o peso do outro, Stiles escorregou com os dois para o chão.
–Isso foi... — ele não sabia o que dizer – Rápido — completou, ao olhar no relógio. Não tinha passado nem cinco minutos que eles chegaram.
O outro, reparando o olhar triste dele, se aproximou e começou a beijar seu pescoço.
–Quer segundo tempo? – Stiles perguntou e riu quando o outro concordou com a cabeça.
Ele tentou se afastar e levantar, mas parou quando o outro rosnou.
–Calma, lobinho. Só pensei em levar a brincadeira para o quarto. Minhas pernas estão meio doloridas e uma cama viria a calhar — ele disse, encarando Derek, que tinha os olhos semicerrados.
Ele suspirou aliviado quando o lobo se levantou, mas não pôde deixar de soltar um gritinho afeminado quando o lobo o levantou como se ele não pesasse nada, e o jogou nos ombros como a um saco de batatas.
O lobo subiu as escadas correndo, abriu a porta de seu quarto e jogou Stiles na cama, atacando seu pescoço em seguida.
–Eu deveria ficar assustado com esse comportamento Neandertal, mas devo admitir que estou gostando — ele conseguiu falar antes de gemer — Mas é sério, não está cansado? — ele perguntou, e Derek levou sua mão até o seu pênis, que estava em ponto de bala — Acho que não.
Derek desceu e começou a beijar o corpo do outro inteiro.
–Nem todo mundo tem estamina de lobisomem, sabe? Owwwwwwwwwwwwww — ele gemeu quando o mais novo praticamente engoliu seu membro de uma só vez — Ai, caramba.
Ver a cabeça do outro subindo e descendo enquanto o chupava era uma das coisas mais eróticas que já tinha visto.
E ele era muito bom nisso. Será que já tinha feito aquilo? Sentiu uma raiva tremenda quando cogitou a ideia de alguém já ter feito isso com ele, e instintivamente segurou o cabelo do mais novo com força, enquanto literalmente fodia sua boca. Derek Hale era dele, e de mais ninguém.
O outro, longe de reclamar, aprovou a mudança de comportamento, e chupava com mais vontade enquanto massageava seus testículos.
Stiles gemeu quando sentiu um dedo em sua entrada, e largou os cabelos do outro torcendo suas mãos no lençol.
Seus gemidos só aumentaram quando ele sentiu a boca do outro lambendo toda a extensão do seu membro, que a essa altura já estava mais do que duro, seus testículos e provocando sua entrada. E ele se sentiu uma vadia quando rebolou ao sentir a língua invadindo-o.
Seu rosto corou quando ele gozou novamente quando o lobisomem começou a estocá-lo enquanto o provocava com seus beijos gregos. Queria ter durado mais.
E quase gozou pela terceira vez quando viu Derek, lamber um dedo que tinha o seu sêmen e prová-lo. Ele viu o garoto sorrindo, enquanto subia para beijá-lo e sentiu a mão dele lambuzando seu ânus com sua própria essência.
Ele tinha uma boa ideia do que o garoto pretendia antes mesmo dele se posicionar entre suas pernas, ainda beijando-o. Ele se preparou para a dor que provavelmente sentiria, mas ficou surpreso quando sentiu o outro completamente dentro de si e nenhum desconforto.
Ele gemeu profundamente quando sentiu o outro se movendo. No começo foram movimentos lentos, mas quando deu um grito ao ter sua próstata atingida, o outro aumentou o ritmo, e aquilo virou uma tortura.
Derek segurava uma de suas pernas, para conseguir um melhor ângulo e atingia o alvo sem piedade. Ele gemia e gritava sem o menor pudor, e duvidava que tivesse coragem de olhar algum dos outros lobisomens nos olhos nos próximos dias.
Ele sentia um calor subindo com os movimentos que não cessavam. Era uma verdadeira tortura. E quando o outro começou a estocá-lo, ele não aguentou e gozou pela terceira vez. Sentiu o corpo do outro tremer quando ele gozou dentro dele.
O corpo do mais novo caiu em cima do seu, ambos esgotados depois das últimas atividades. Apesar de todo peso e suor, aquilo era confortável e íntimo. Ele abraçou o menor e os dois pegaram quase que imediatamente no sono.
As horas passaram voando e John chegou. Peter tinha feito o jantar.
John reparou que mais uma vez, os adolescentes pareciam concentrar seus esforços em deixar seu filho sem graça. E ele decidiu intervir. O tom vermelho que adornava o rosto de seu filho já não parecia mais tão saudável.
–Desembucha, Stiles. O que você aprontou hoje?
O xerife ficou surpreso quando o filho conseguiu ficar ainda mais vermelho. Ele olhou para os demais, e nenhum parecia muito à vontade para falar alguma coisa. Até mesmo Peter parecia estranhamente interessado em sua salada de legumes.
Todos voltaram a comer, mas quando Jackson tossiu algo parecido com “Pornô gay ao vivo”, John largou os talheres e fitou seu filho que negava com a cabeça.
–Eu não fiz nada – falou Stiles, levantando suas mãos, e os adolescentes não puderam evitar umas risadinhas diante da situação absurda. Derek continuou a comer seu brócolis. Parecia totalmente alheio à situação.
–Isso só me faz ter certeza de que você fez alguma – respondeu o xerife com cara de poucos amigos.
Peter olhou feio para Jackson, antes de colocar a mão em cima da de John e sorrir em sua direção.
–Não foi nada demais. Eles só estavam namorando, e se comportaram – Peter falou num tom calmo.
–É, mas só depois que você jogou água nos dois – comentou Isaac rindo.
John olhou feio na direção de Isaac, que parou de rir na hora.
–Isso é verdade? – perguntou John num tom contido.
Os adolescentes presentes instintivamente seguraram seus pratos, numa tentativa de evitar que ele ou Peter os arremessassem durante a briga que parecia começar ali.
–Sim, mas já falei. Não foi nada demais. E além do que, depois que eles foram para a sua casa, todos fomos poupados da aula de educação sexual prática ao vivo.
Até mesmo Jackson, que adorava ver o circo pegar fogo, achou que dar excesso de detalhes assim foi uma má ideia.
–Definitivamente uma má ideia – pensou ao ver o rosto do xerife vermelho, ao olhar para Peter.
–Eu acho que entendi errado. Eles estavam aqui, se agarrando e você os mandou para a minha casa? O que para eles é o mesmo que dar um aval para fazerem sexo? – John perguntou ao passar as mãos pelo rosto.
Peter pareceu pensar um pouco.
–Sim – ele respondeu e voltou a comer.
John respirou fundo, tentando se acalmar.
–Você está louco? O que você tem na cabeça? – perguntou com o rosto vermelho.
–Os dois são novos, mas são responsáveis – falou, fazendo John rir desdenhosamente — E é melhor estarmos cientes do que eles estão fazendo e onde estão, do que os dois ficarem se escondendo por aí – ele argumentou.
–Responsáveis? – ele parece pensativo – Vocês usaram camisinha? – ele perguntou pra os dois, fazendo Stiles engasgar com a comida. Derek ainda parecia alheio à conversa.
Peter olhava para os dois com uma expressão chocada. Jackson e Lydia balançavam a cabeça, nem um pouco impressionados com a idiotice dos dois. Scott, que estava sentado do lado do amigo, deu uns tapinhas em suas costas, para que Stiles conseguisse respirar normalmente.
John sorriu triunfante para Peter.
–Posso conversar com você lá em cima? – ele pediu, e subiu as escadas.
Peter fechou os olhos e suspirou. Quando abriu, ele tirou o guardanapo do colo e jogou na mesa. E falou antes de subir atrás de John:
–Não acredito que fez isso – ralhou com Derek, que revirou os olhos para ele.
Todos na mesa de jantar conseguiam ouvir claramente os dois discutindo no andar de cima.
–Isso foi completamente irresponsável da sua parte, Peter. Como você pode deixar dois adolescentes, sendo que um deles estava no cio, sem supervisão? – John perguntou irritado.
–Não é minha culpa. Você sabe tão bem quanto eu que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde – Peter tentou se justificar.
–Mas você é pai dele, não é só mais o tio. Você tem que decidir, ou você é o tio legal, ou é pai. Os dois não dá, Peter. Ele precisa de limites! – o outro explodiu.
–Eu dou limites! Eu não sei por que agiram assim. Eu expliquei tudo sobre cio para o Derek, eu até desenhei! O que mais eu poderia fazer? – Peter perguntou, jogando as mãos para o alto.
–Você deveria ter ficado lá com eles – John respondeu cansado.
–Ficado lá? Você queria o quê? Que eu ficasse guiando os dois? – o lobisomem se irritou — É, mais aqui, mais ali, isso... agora coloca a camisinha – ele falou com um tom agudo e sarcástico, fazendo John rir.
–Você tem razão – ele suspirou e o puxou para um abraço – A culpa foi dos dois. Eles sabiam o que aconteceria com Derek no cio.
–Eu não esperava algo assim do Derek – Peter relaxou em seus braços.
–Bom, mas não é problema nosso.
–Claro que é. Eles são menores de idade – disse, se afastando do mais velho e olhando em seus olhos.
–Se eles são grandes o suficiente para fazer alguma coisa, então são grandes o suficiente para arcar com as consequências – John foi categórico – Nós já temos o casamento para ajeitar e um bebê a caminho, Peter. Não precisamos de mais problemas.
–Não é assim tão simples. Eles vão precisar de ajuda, John – argumentou Peter, preocupado.
–Que pensassem nisso antes, Peter – ralhou John. Estava irritado de ver o outro tão preocupado por conta da situação.
Aparentemente aquilo foi a coisa errada a dizer, pois a expressão do outro se transformou completamente. Ele parecia lívido.
–Não vou virar as costas para os dois – disse resoluto – Não gostei quando fizeram isso comigo, e não vou fazer o mesmo com ninguém – ele disse entredentes, com o rosto vermelho e respirando fundo. Sem esperar pelo outro, ele desceu.
John passou as mãos nos cabelos e respirou fundo antes de segui-lo.
Ele se sentou novamente à mesa e voltou a comer seu jantar, que naquela altura já estava para lá de frio.
–E como fica tudo? – perguntou Stiles, com um fio de voz.
–Você está de castigo até o fim da sua vida – ele respondeu – E das próximas também – ele completou após pensar um pouco.
O resto do jantar foi tenso. Muito tenso.
E esse clima continuou pelos próximos dias.
John deu entrada nos proclamas do casamento e ele e Peter passavam o tempo livre discutindo onde iriam morar e como fariam. Ele notou que o lobisomem parecia estar bastante estressado e cansado.
Não conseguiam chegar a um consenso de onde poderiam morar. A casa de John era inviável já que Stiles não deixaria que mudassem absolutamente nada que fora de sua mãe. A casa de Peter era pequena para todos e mais duas crianças a caminho. Por fim, John sugeriu que eles fossem para a Mansão, já que lá teria espaço suficiente para todo mundo, mas Peter pareceu empalidecer quando ele falou isso. Isaac e os outros que estavam na mesa e acompanhavam a conversa gostaram muito da ideia de ir pra lá. Peter ainda tentou argumentar que lá era perigoso, mas todos disseram que lá estariam juntos e os dois filhotes teriam espaço suficiente para correr e aprontar, sem chamar atenção da vizinhança, e eles poderiam instalar todos os itens de segurança que fossem necessários. Ele não teve como argumentar contra isso.
Lydia tomou a frente, falando que mudaria algumas coisas na mobília, deixando a casa à prova de crianças pequenas, assim como fecharia o porão para as crianças grandes. Isaac mostrou a língua para ela. Todos riram.
Peter sentiu uma pontada no abdômen do lado direito. John percebeu e passou a mão na barriga dele, e percebe que ela estava bem dura.
No dia seguinte na escola, Stiles estava babando em cima de Derek de novo. Desde o dia que falaram do possível bebê, ele não deixava o lado do namorado, que não parecia se importar nem um pouco.
Quando Derek foi dar uma mordida no sanduíche que tinha comprado, ele tirou da mão do garoto falando que aquilo não era comida saudável.
Derek rosnou.
–Não adianta rosnar. Isso não é saudável para o bebê – Stiles falou.
Derek revirou os olhos e pegou de novo o sanduíche. Stiles o tirou de novo.
–Eu estou com fome, Stiles. Se você mexer na minha comida de novo, rasgarei sua garganta com os meus dentes — Derek disse entredentes.
Stiles ficou triste.
–Você deveria se preocupar mais com o bebê – Scott disse.
–Não tem bebê nenhum – Derek resmungou, deixando Stiles horrorizado.
–Você fez alguma coisa, não foi? – Stiles perguntou horrorizado.
–Fiz – concordou solenemente.
Ele fez sinal para que todos se aproximassem e ele não precisasse repetir.
–Eu dei o cu – ele falou claramente – Não há a menor possibilidade de termos concebido uma criança, Stiles – ele explicou, quando viu que a ficha parecia não ter caído e eles ainda pareciam confusos – A não ser que você considere um bolo fecal como filho. Nesse caso, nasceu há algumas horas e está desbravando o mundo pelo esgoto.
Dito isso, ele pegou o sanduíche da mão de Stiles, que o olhava chocado, e saiu andando. Um coitado que estava em seu caminho enquanto ele passava foi empurrado para o chão sem a menor cerimônia.
Todos ficaram horrorizados com o comportamento do garoto.
–Não olhem pra mim. Esse tipo de comportamento é resultado do convívio dele com o Jackson — Stiles disse. Jackson parecia orgulhoso.
Stiles olhou uma vez na direção que Derek foi e depois de pensar um pouco, decidiu ir atrás dele.
–O que vai fazer? – Scott perguntou quando viu o amigo levantar.
–Nada – ele respondeu e todos os lobisomens perceberam a mentira.
Ele estava procurando Derek pela escola, quando uma mão o puxou para dentro de uma sala.
–Você demorou – ele ouviu antes que começassem a tirar sua roupa.
–Você poderia ter falado isso dias atrás e acabado com o meu sofrimento.
–Não é minha culpa se você foi tão afoito que não percebeu que lugar exatamente comeu – ele retrucou, tirando suas próprias roupas.
–E a gente pode fazer do outro jeito agora? — Stiles perguntou antes de atacar seus lábios.
–Isso depende. Você tem camisinha? Porque não usá-la seria extremamente irresponsável – Derek respondeu, fazendo o outro rir.
Stiles tirou um pacote com umas dez do bolso.
–Deve dar para o começo – o lobisomem respondeu antes de dar de ombros.
John e Peter estavam na sala de espera do consultório, e o xerife estava incomodado com a mulher elefante que ficava fuzilando Peter com o olhar. Contando provavelmente ninguém acreditaria, mas ela estava olhando-o fixamente pelos últimos vinte minutos. E aquilo o estava tirando do sério.
Ele tomou um susto quando sentiu a mão do outro em cima da sua.
–Ignore-a – pediu Peter, fazendo carinho em sua mão. E como mágica, ele se distraiu da visão horrenda da mulher elefante e relaxou com o carinho do homem lindo ao seu lado.
–Indecentes! – bufou a mulher, olhando os dois com uma careta.
John deliberadamente colocou o braço nos ombros do mais novo, enquanto olhava a mulher, e sentiu o outro relaxar contra o seu corpo. Quando ela fez uma cara mais feia ainda, ele deu um beijo no rosto do lobisomem e uma piscadinha para ela, que saiu da sala de espera apressada, arrastando o filho pequeno. John riu da reação dela.
–Isso foi extremamente infantil – Peter comentou, despreocupado. John mostrou a língua para ele.
–Podem entrar. A doutora Janice vai atende-los – disse a secretária.
Os dois levantaram e John pegou sua mão. Peter sorriu. Era bom não estar sozinho.
Quando os dois entraram, a médica tomou um susto quando viu John e foi abraçá-lo. John ficou meio sem jeito e a abraçou de volta. Quando eles se separam, ela deu um tapa no braço dele.
–Já não era sem tempo, hein? Achei que nunca fosse conhecê-lo – ela disse antes de ir até Peter e lhe dar um abraço de urso e beijar seu rosto. Ele sorriu para ela. Parecia confortável em sua presença – E como está meu paciente preferido? Está se sentindo melhor? – ela perguntou e ele deu de ombros. Ela deu um tapinha no ombro dele e foi para sua mesa – Sentem-se, por favor. Você trouxe os resultados dos exames que pedi? – ela perguntou e Peter entregou uma pasta que ele nem sequer notara que ele carregava.
Ela começou a analisar os exames, e John percebeu que Peter estava tenso ao seu lado. A médica abaixou os exames, levantou e aferiu a pressão dele e deu um sorriso forçado e eles continuaram com a consulta.
–Pode ir se trocar, meu querido. Vamos ver o âmago do seu ser – ela brincou.
John apertou sua mão e lhe deu um sorriso antes dele ir. Depois que ele voltou, a médica o pesou.
–Como ele está? – John não aguentou e perguntou.
–Engordou um pouco além do esperado – ela respondeu concentrada – Pode se deitar, Peter.
Ela ligou a aparelhagem, enquanto ele ficava na posição necessária e John se sentiu como um peixe fora d’água, vendo o outro na maca enquanto a médica fazia o exame de toque no colo do útero. Logo depois ela trocou as luvas e com o transdutor, começou a fazer o ultrassom com o Doppler e John não entendeu absolutamente nada do que via. Ele tentou identificar as imagens, mas tudo que via era um grande borrão cinza.
Ela fez todas as medições possíveis e quando chegou ao coração, John conseguiu ouvir pela primeira vez o batimento cardíaco do bebê. Aquele som rápido e ritmado. E ele viu Peter sorrindo com os olhos fechados, parecendo aliviado.
–Quer uma foto atualizada para o álbum? – ela perguntou para Peter que assentiu e ela imprimiu uma foto para ele. E John se perguntou o quanto ele perdeu. Ele nem sequer tinha ideia de que Peter estava montando um álbum da bebê.
Ele esticou o pescoço e conseguiu ver o rosto de perfil de sua filha. E se sentiu o mais completo idiota por tê-la ignorado esse tempo todo. Era pequena e parecia cinza por causa do monitor, mas para ele, naquele momento ela era a criança mais linda do mundo. Ela até parecia ter o seu nariz.
–Aqui, pai babão – a médica lhe entregou uma cópia da foto, e ele não pôde deixar de sorrir de uma orelha à outra.
Ele ajudou Peter a limpar o gel de sua barriga e notou o quão grande ela estava. Não tinha reparado até então, com todas as roupas enormes que ele usava. Ele estava lindo.
–Vamos só aferir sua pressão de novo, tudo bem? – a médica falou, quando Peter estava se levantando.
John reparou que o mais novo parecia apreensivo, então, aquilo não era rotineiro.
–Alguma coisa errada? – ele perguntou, preocupado com o mais novo.
Ela viu o resultado e anotou os dados em sua prancheta.
–Eu queria justamente conversar sobre isso – ela disse, voltando para sua mesa.
Ele ajudou Peter a se vestir rapidamente e os dois voltaram para a sala. Quando sentaram, perceberam que ela estava séria demais.
–Bom, não vou fazer rodeios. Eu quero que você fique de repouso absoluto, Peter. Os resultados dos seus exames estão um pouco alterados e sua pressão está muito alta em comparação ao começo da gravidez. Juntando isso ao fato de que você engordou além do esperado num curto espaço de tempo e o histórico de problemas que teve na gestação anterior pode ser um indicativo de pré-eclâmpsia. E...
Peter não conseguiu mais prestar atenção no que ela dizia e só concordava mecanicamente. Não importava o que ela dizia. Ele sabia a verdade. O bebê estava em risco e era sua culpa. Mais uma vez ele tinha sido um pai horrível.
John estava preocupado. Desde a consulta, o outro não abrira a boca e se limitava a olhar a janela do carro.
–Não é o fim do mundo. Muita gente passa por isso – John tentou argumentar – E você é um lobisomem, vocês não ficam doentes, ficam?
–Nós também não costumamos voltar dos mortos – Peter comentou desanimado. John estava feliz, pelo menos ele respondera, mesmo que não positivamente.
–Talvez seja só estresse. Talvez se você se estressar menos, melhore – falou, e Peter deu um sorriso triste – Eu entendo. É mais fácil falar do que fazer. Mas estou aqui agora e vou ajudar. Pode deixar que eu lido com Stiles e com Derek e com as coisas do casamento – ele falou ansioso — A única coisa que você vai ter que fazer, é deitar e relaxar – completou, e ficou preocupado quando Peter fechou os olhos e não respondeu.
Os dois chegaram em casa, e os adolescentes estranharam a expressão séria dos dois.
Isaac empurrou Derek para frente dos dois. E quando viu que o alfa não tinha a menor intenção de falar alguma coisa, ele alfinetou:
–Não quer contar nada, não?
Derek revirou os olhos, exasperado.
–É impossível eu estar grávido, pois nós fizemos sexo anal – ele fala mecanicamente.
Peter olhou para ele, fechou os olhos e respirou fundo. John ficou puto.
John se distraiu de sua ira quando viu o mais novo começar a subir as escadas.
–Você precisa descansar, Peter – ele chiou com o outro.
–Só vou tomar um banho para relaxar e já vou deitar – respondeu num fio de voz.
John suspirou quando o outro sumiu de vista e começou a dar um sermão nos dois, por fazerem todo mundo se estressar à toa.
–Isso acabou agora. Chega de estresse inútil, e isso Sr. Derek, inclui omissões de qualquer espécie – ele frisa para o garoto que não parece nem um pouco interessado na conversa – E sem mais brigas na escola. Chega de suspensões e de voltar com roupas rasgadas para casa – ele falou para Isaac, que não gostou de ter sua orelha puxada por um estranho – E chega de ficar colocando lenha na fogueira – falou, olhando para Jackson, que se ofendeu.
–Aconteceu alguma coisa na consulta? – Scott perguntou preocupado.
John suspirou e começou a contar tudo que a médica disse.
Peter estava no chuveiro ouvindo John dizer o que médica lhes informou. Podia ouvir todos fazendo planos para que ele pudesse descansar e relaxar. Mas ele sabia que relaxar seria a última coisa que conseguiria fazer.
A água caía sobre seu rosto e ombros, mas ele não fazia nenhum movimento para se mexer. Ele sabia que sua respiração estava mais curta e tentou se acalmar apertando as mãos em punhos. Suas garras saíram sem que ele percebesse e furaram suas palmas, e o sangue escorreu delas para o ralo junto com a água. Ele queria ser como o sangue e poder fugir dali. Ir para algum lugar onde pudesse seguir o conselho de John e relaxar. Mas sabia que não conseguiria. Não tinha lugar para o qual ele pudesse fugir.
Ele sentiu uma mão gelada segurando seus punhos com força, fazendo-os abrir. E sentiu seus olhos arderem. Podia sentir a respiração em seu pescoço, e frio que vinha do corpo que estava grudado ao seu. Era tarde demais.
A pessoa o girou, ficando frente a frente com ele e se aproximou intimamente de seu rosto. Ele fechou os olhos com força e começou a chorar. Não queria vê-lo.
–Senti sua falta – Martin disse antes de começar a passar suas mãos gélidas pelo seu corpo e beijar seu pescoço.
Peter podia sentir o cheiro de carne podre que o outro exalava e as lágrimas não paravam de escorrer por seu rosto.
–Peter! – John o chamou pela quinta vez, o puxou para fora do Box e o abraçou – Vai ficar tudo bem – ele beijou seu rosto e o outro pareceu finalmente acordar e chorar com mais fervor ainda, chegando a soluçar — Calma. Estou aqui. Tudo vai ficar bem – ele falou, tentando acalmar o mais novo que ainda estava abraçado com ele. John estava ficando preocupado. Peter parecia desesperado – Aconteceu alguma coisa a mais?
Peter levantou os olhos e viu o irmão com um sorrisinho sacana, colocando o dedo na boca, sinalizando para que ele não falasse nada.
–Estou com medo – ele finalmente admitiu num tom baixíssimo, e escondeu o rosto no pescoço de John quando viu a expressão de raiva no irmão antes dele sumir – Por favor, não me deixe sozinho – ele implorou chorando e John não pôde deixar de abraça-lo mais forte.
Fim do cap. 28
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