Uma segunda chance
25 Capítulo 25 - Quarto mês
Notas iniciais
Peter estava se sentindo sufocado pelos cuidados de John. Desde a visita à Deaton, John o babava o tempo inteiro, chegando ao cúmulo de até cortar a carne em seu prato na hora das refeições. E isso estava deixando-o irritado.
Num jantar, ele reclamou com John, perguntando se ele não queria mastigar por ele também. Arrependeu-se amargamente quando viu a expressão triste de John.
–Desculpa, isso foi completamente desnecessário – disse Peter.
–Não tem problema – John falou.
–Tem sim. Você está tentando ajudar, e eu estou com quatro pedras na mão o tempo todo – justificou Peter.
Peter abraçou John que estava servindo o jantar ao seu lado.
–Vocês ainda não fizeram as pazes? – John perguntou preocupado.
–Como alguém consegue ficar brigado com alguém que divide o mesmo corpo? – Stiles perguntou sem pensar.
Jackson deu um tapa na nuca de Stiles, o que fez com que os outros rissem.
–Obrigado – agradeceu Isaac, que estava sentado longe demais do outro.
–Disponha – ele respondeu para Isaac.
Quando Peter não respondeu e afundou o rosto na sua barriga, John falou:
–Vocês são teimosos demais. Até quando vão ficar brigando?
–Ela quem começou – disse Peter com uma voz triste – Ela não tinha que me bater só porque não fui embora quando ela mandou. Eu só queria me certificar se ela estava bem.
–Talvez ela quisesse se certificar que você ficasse bem também.
–Tanto faz – falou chateado.
Os adolescentes trocaram olhares com John.
John tentou animá-lo.
–Eu estava pensando se você não queria dar uma volta. A gente fica aqui sempre, e rodeado desses pestinhas — ele falou e os adolescentes chiaram ofendidos.
Peter soltou da cintura do outro e o olhou.
–Sair? – perguntou.
–É, sair. Cinema, dançar. Algo assim.
–Em público? — ele perguntou com o rosto vermelho.
–É, Peter – John riu – Não estou com vontade de sair por ai com um saco de supermercado na cabeça.
–Aposto que ia ficar sexy – retrucou Peter com um sorrisinho sacana. O silêncio reinou na cozinha até que todos começaram a rir – Isso foi tão inapropriado. Eu sinto muito, não sei de onde veio – ele disse com o rosto pegando fogo.
–Não sinta. Eu ia ficar mesmo – falou John modestamente fazendo-o relaxar.
–Falta de modéstia é o seu único defeito, Sr. Stilinski – comentou Lydia.
–Se não fosse isso, eu seria perfeito – comentou ao se sentar ao lado de Peter que ria. Ele parecia mais animado.
Depois do jantar, eles foram ao cinema. Não tinham nenhum filme de preferência, só queriam curtir a companhia um do outro.
Quando chegaram lá, John estacionou o carro e foi comprar as entradas enquanto Peter foi até o balcão de guloseimas.
Ele estranhou quando a caixa perguntou se Peter tinha gostado mesmo do filme, já que tinha ido assistir no dia anterior com o outro rapaz. Quando ela percebeu que John parecia meio confuso, tentou despistar. Mas acabou confirmando quando John respondeu que como Peter e Adam falaram tão bem do filme, ele decidiu vir assistir também.
John respirou fundo quando ao encontro de Peter no balcão. Mas não pôde evitar rir quando viu o quão animado o outro ficava diante de doces e deu graças a Deus pela distração. Peter andava muito desanimado, tinha pesadelos com os ataques, mas não conseguia ver quem era. Laura se negava a falar quem era, e os dois brigavam feito cão e gato desde então. Era bom poder descontrair e esquecer-se dos problemas pelo menos por um breve período.
Após o cinema, eles voltaram pra casa, tomaram um banho e foram dormir no quarto da frente para não acordar os filhotes que dormiam no outro quarto. Peter acordou gritando no meio da noite, depois de um pesadelo. Naquela noite, John não conseguiu mais dormir. E passou o restante da noite brincando de colorir com o pequeno Pete.
No dia seguinte, Peter tinha uma nova consulta onde tentaria saber o sexo do bebê e pegar o resultado do teste de paternidade. Ele combinou de se encontrar com John, mas este só concordou com a cabeça, não prestando atenção, pois estava extremamente cansado da noite anterior.
Isaac brigou na escola de novo quando um dos veteranos se meteu com ele no treino de Lacrosse. Foi suspenso novamente. Desse jeito, seria bem difícil que passasse de ano quase não assistindo às aulas, já que essa já era sua quinta suspensão em menos de três meses.
–Quando eu vou poder ir para a escola também? — Derek perguntou para Laura, que decidiu dar o ar da graça, quando Peter dormiu – Está um saco ficar aqui com vocês dois que estão sempre com essas caras horríveis.
–Insensível – ela deu-lhe uma cotovelada e voltou a assistir tevê. Peter ouviu os dois. Laura o viu encolhido perto deles, mas sem se pronunciar. Ela já não aguentava mais aquele mal estar entre eles.
Quando deu o horário, Peter foi para a consulta e ficou esperando John. Esperou uma hora, duas, três horas. Todos já tinham sido atendidos e nem sinal de John, que não atendia sequer o celular. Suspirando, ele ligou para casa para avisar que demoraria a chegar.
–Oi, sou eu. Só estou ligando para avisar que vou demorar – disse Peter meio desanimado.
–Sem problemas. Estou indo ao cinema com o pessoal. Quer que eu avise o xerife? Ele está aqui – perguntou Isaac, olhando para John, que roncava no sofá.
–Ele está aí? – Peter perguntou com a voz fraca.
–Roncando e babando no sofá – respondeu Isaac, fazendo uma careta.
–Não, não precisa. Divirta-se – disse Peter arrasado, antes de desligar.
No cinema, Derek se separou do grupo e foi ao banheiro. Lá, dois marmanjos o encurralaram para tentar algo. O que eles, obviamente, não sabiam era da audição aguçada de Jackson e Isaac. Eles ouviram tudo e antes que eles pudessem pensar em fazer alguma coisa, os dois entraram com cara de poucos amigos e o tiraram de lá. Derek saiu normalmente, nem um pouco abalado com o ocorrido e foi comprar pipoca, enquanto Isaac e Jackson comentavam com os outros, o que ocorrera momentos antes. E ficou surpreso, quando estava voltando, e viu Stiles voando em cima dos caras do banheiro.
–O que diabos ele está fazendo? – ele perguntou, comendo um punhado de pipoca.
–Ciúmes – respondeu Lydia, fazendo careta ao ver o amigo ser atingido em cheio por um soco.
Stiles até conseguiu dar uns socos, mas tomou a pior. Seus oponentes eram muito maiores que ele.
Quando Isaac e Jackson conseguiram separá-lo e Scott enxotou os dois marmanjos, Allison foi pegar gelo pra ele, e acharam estranho que o Derek parecesse meio indiferente ao acontecido.
–Alô? – Peter disse ao atender seu celular. Ele estava parado na frente de seu carro, que tinha sido vandalizado novamente. Os vidros estavam quebrados e tinham pichado “PUTA” na lateral do lado do motorista.
–Decidi ligar hoje, não porque eu estava curioso para saber se é menino ou menina, mas porque você não conseguiria dormir sem ouvir minha voz de novo – disse Adam, tentando fazer uma voz sexy no telefone.
Peter riu.
–Claro que não. Confesse, você quem queria ouvir minha voz – respondeu Peter.
–Sonhe o quanto quiser, Hale, mas a fila andou. Mas e aí, conseguiu ver o sexo? – retrucou Adam.
–É uma menina – disse Peter, e teve que afastar o telefone do ouvido quando ouviu o outro comemorando.
–É uma menina, mãe – gritou Adam para a mãe – Ela disse que vai começar a fazer uma manta rosa – contou Adam – Só faça uma cara feliz quando receber, beleza? Ela tem catarata e é péssima fazendo tricô. Então, depois eu compro uma decente pra repor a abominação que ela vai te dar, e ela nem vai perceber – falou em tom conspiratório, fazendo o outro rir.
–Tenho certeza que vou adorar a que ela fizer – falou Peter.
–E quanto ao outro teste? – perguntou Adam, mais sério.
–É do John – respondeu Peter, com um sorriso. Ele estava realmente aliviado.
–Que maravilha, hein? Meus parabéns para vocês dois. Aposto que o John ficou muito feliz com a notícia.
–É, ficou – Peter mentiu. John sequer sabia que ele tinha o resultado em mãos.
–Bom, vou te deixar em paz. Amanhã a gente conversa mais. Tenho que me arrumar para o meu encontro — falou Adam – Amanhã te conto os detalhes sórdidos – completou, fazendo o outro rir.
–Ok. Divirta-se – disse, antes de se despedir e desligar.
Ele então tentou ligar em casa, mas ninguém atendeu. Isaac e os outros já deveriam estar dentro do cinema naquela hora. Tentou ligar no celular de John, mas ele não atendeu. Andou até o ponto de taxi, mas não tinha nenhum. Sem opção, ele suspirou e começou a andar o longo caminho para casa.
Demorou mais de uma hora andando e quando chegou já estava de noite. Ele viu sua casa toda apagada e foi até a de John. Queria mostrar os exames, mesmo que o outro tivesse lhe dado um cano. Cansado, ele foi bater à porta. E estranhou quando viu que a porta estava aberta.
Ele entrou e percebeu que John estava na mesa de jantar, do lado de uma garrafa de Uísque.
–Oi – ele cumprimentou, ao deixar os exames em cima da mesa e andar na direção de John, mas parou quando viu a cara horrível do outro para ele.
John entornou um copo inteiro num gole só, batendo-o na mesa depois. Peter olhou para a garrafa e notou que estava quase no fim. Não reparou quando o outro se aproximou, tampouco que estava falando com ele.
–Eu perguntei: ONDE VOCÊ ESTAVA ATÉ ESSA HORA?
Peter começou a ficar nervoso e a gaguejar.
–Com quem esse merda acha que está falando, Peter? Deixa eu ir lá e mostrar quem está no topo da cadeia alimentar aqui – disse Laura, alterada.
–Não, Laura. Por favor. Ele está alterado, não está vendo? Ele não é assim – ele disse para ela, não deixando que ela tomasse conta da situação. No que ele perdeu tempo discutindo com ela, não reparou que o outro o segurava pelo braço.
–Por favor, se acalme, John. Você bebeu demais e não está falando coisa com coisa – ele tentou acalmá-lo, mas isso só o enfureceu mais ainda.
–Eu notei algumas coisas estranhas nos últimos meses, mas fui deixando de lado porque achei que você ia se abrir comigo a respeito. Eu aturei suas outras personalidades bizarras e até sua sobrinha chata, porque eu te amo e achava que você se abriria comigo. Mas aí, para minha surpresa, você foi procurar outro – ele falou, claramente alterado.
Peter no começo não entendeu, e ficou confuso ao que John se referia.
–Eu o vi te trazendo aquele dia de noite de carro, e te perguntei a respeito. Você disse que foi só uma carona. Mas no outro dia, lá estavam vocês dois juntos de novo, batendo papo. Mas aí eu pensei: é só mais uma coincidência. Mas achei melhor ficar de olho em vocês. E para minha surpresa, eu vi a mesma cena quase todos os dias. Quando vocês não estavam lá, iam para a casa dele fazer sabe-se lá o quê.
Peter suspirou aliviado e sorriu. John ficou puto.
–Somos só amigos – contou Peter.
John fez uma cara de amargurado e se aproximou do outro, prensando-o na parede.
–Não é justo. Eu tive toda a paciência do mundo, nunca exigi nada. Se vocês fossem só amigos, você teria comentado comigo. Não ficaria fazendo segredo.
–Eu não estava fazendo nada errado – falou Peter, fechando os olhos.
John começou a cheirar seu pescoço e a passar a mão pelo corpo do mais novo.
Laura estava ensandecida com a situação, mas Pi a segurava e a mantinha lá porque queria ver o circo pegar fogo.
Peter estava tremendo já. John se afastou um pouco e viu o estado do outro.
–Todas as vezes que você chegou tarde porque ele lhe deu carona, todos os almoços secretos e visitas não mencionadas, Peter. Nada disso existiu? Eu estou imaginando, é isso? Até a moça do cinema reconheceu você do dia anterior – ele falou, e Peter o olhou envergonhado – Suponho que isso também não tenha acontecido, certo? Não, não aconteceu. Porque você é a pessoa perfeita e nunca, nunca me trairia com aquele inútil – ele falou no ouvido de Peter, prestando atenção na respiração do outro — Há quanto tempo vocês estão me traindo? – perguntou, olhando nos olhos do lobisomem.
Peter olhou assustado para John, que interpretou mal a reação. Ele ficou enfurecido e começou a esmurrar a parede bem ao lado da cabeça de Peter, que se encolheu. Ele pegou o outro pelo braço e começou a sacudir.
–Como eu fui idiota! Acreditando que você era essa flor de candura, injustiçado pelo mundo. O Deaton me avisou, o Argent também e eu não quis dar ouvidos. Até as revistas tem os mínimos detalhes do seu passado sórdido e negro. Mas não, o trouxa aqui quis acreditar que você valia alguma coisa. Que realmente existia alguma coisa entre a gente, algo que valesse a pena – ele falou, chorando, sacudindo o mais novo com violência – E para quê? Para você me usar de muleta e pular na cama do primeiro vagabundo que se aproximou quando eu dei as costas – ele gritava no rosto de Peter, que chorava.
–Eu não fiz nada, só cheguei esse horário porque furaram os meus pneus de novo, e eu não consegui carona e nem taxi. Eu tentei ligar no seu celular, John – ele tentava fazer com que o outro acreditasse nele, desesperadamente.
–Pare de mentir! – John gritou, histérico.
Pi começou a rir do sofrimento de Peter, e Laura começou a chorar quando percebeu o quanto as palavras do outro estavam ferindo Peter.
–Eu juro, eu juro! – ele disse desesperado – Eu fiquei esperando você durante muito tempo para fazer o exame e pegar o resultado do teste. Mas você não apareceu. Eu te liguei dezenas de vezes, mas você não me atendeu. Pode checar. Eu fiquei lá o tempo todo – ele disse em meio a soluços.
–Está mentindo. Eu me lembraria de algo assim – vociferou John, empurrando o outro na parede, segurando-o pelo pescoço.
Peter virou o rosto em reflexo, quando o outro tentou beijá-lo e os soluços se intensificaram de tanto chorar. John se irritou com a negação e puxou o rosto do outro com força, segurando sua mandíbula.
–Você não passa de uma vadia – disse John, chorando de raiva, antes de dar um beijo violento, fazendo os olhos do outro se arregalar e ficarem fora de foco.
Peter empurrou John com força.
–Não! — ele gritou, enquanto o outro parava do outro lado da sala.
Quando John levantou, ele se deu conta do que falou, fez e do que ele deve ter dado a entender que faria para o outro, e ficou horrorizado. Seus olhos ficaram cheios de lágrimas e se aproximou de Peter, que estava encolhido e tremendo do outro lado.
–Me desculpa, me desculpa. Eu perdi a cabeça. Eu estava morrendo de ciúmes só de pensar em vocês dois juntos. Só de pensar em você com qualquer pessoa, já me deixa puto. Mas mesmo achando que você pisou na bola, eu não tinha o direito de falar assim com você assim, nem de dizer o que eu disse. E eu exagerei prendendo você assim. Não queria que achasse que eu faria algo ruim. Eu nunca faria algo assim. Eu não estava pensando. Foi tudo da boca para fora – ele disse, alterado e chorando.
Ele parou na frente de Peter e viu o estado do outro. Reparou que a respiração dele estava curta, e percebeu que o mais novo estava tendo um ataque de pânico.
–Peter? – ele chamou, fazendo o lobisomem o encarar. Ele pôde ver os olhos de Peter ficar fora de foco.
Peter começou a hiperventilar. John começou a se desesperar quando Peter parou de responder. Sem saber o que fazer, ele o abraçou.
Peter começou a relembrar algumas coisas do seu passado. As mesmas lembranças dos seus pesadelos. Ele sendo arrastado para o meio da floresta quando era pequeno, forçado a fazer atos impróprios para uma criança tão pequena. Lembrou-se da dor, e do terror. Da sensação de culpa, quando o mais velho falava que ele merecia. Que todo lobinho malvado e sujo como ele merecia aquilo. E que no fundo, mesmo sabendo que aquilo era merecido, ele gostava também porque não passava de uma vadia. Quando ele viu o mais velho se aproximando para continuar com suas atividades, ele finalmente reconheceu o rosto. Era Martin.
John viu o terror tomar conta do rosto do outro, quando este se afastou. John não conseguiu pegá-lo antes que ele saísse correndo porta afora.
–Está doendo muito? – Derek perguntou, se aproximando e examinando o rosto de Stiles que estava cheio de hematomas. Não se contendo, ele tocou no olho do outro, que estava quase fechado.
–O que você acha, gênio? – Stiles respondeu sem a menor paciência.
Derek inclinou a cabeça para o lado claramente confuso. Não tinha ideia, nunca se machucara daquele jeito por tanto tempo. Sempre se curara com rapidez, mal dava pra sentir a dor.
Ele tocou no rosto de Stiles.
–Você quer parar de fazer isso?! Dói – Stiles reclamou, se afastando do lobisomem.
–O que você fez foi idiota – Derek comentou – Fofo, mas idiota.
–E você é um Mané mal agradecido – disse Stiles, rosnando para Derek.
–Por que eu deveria estar agradecido? Você está todo estourado — Derek perguntou com os olhos arregalados.
–Eu só estava te defendendo, seu ingrato – resmungou Stiles, realmente irritado do outro não estar agradecido.
Derek parou um minuto, e depois começou a rir de quase chorar.
–Deu bobeira, foi? – perguntou Stiles mal-humorado.
Derek sabia que os caras no banheiro só reagiram ao seu cio que estava começando, e que Stiles, sem saber, marcando seu território ao defendê-lo, afastando os outros. Ele só estava em negação ainda.
–Obrigado por ter se estropiado todo por minha causa – ele disse, e deu um beijo no rosto do outro, que finalmente relaxou.
O celular de Stiles tocou. Era John. Peter tinha sumido.
Os adolescentes se separam e começaram uma busca pela cidade. Todos os lobisomens estavam transformados e uivando tentando chamar Peter.
Horas tinham passado, e nenhum deles tinha tido algum sucesso. John já estava fora de si, e quase surtou quando Adam apareceu por lá.
–O que você está fazendo aqui? – ele perguntou com hostilidade.
–Eu liguei de manhã, e ele não respondeu – ele respondeu.
E mesmo com toda situação, John não pôde deixar de se irritar.
–Que história é essa de ficar ligando para ele? – ele foi pra cima do outro, mas Jackson o segurou, já que toda ajuda era bem-vinda.
Adam o ignorou, passou por todos e entrou na Mansão, que todos já tinham verificado. Ele foi até a cozinha, procurando e parecia procurar por alguma porta.
–O que está procurando? – perguntou Isaac, curioso. Não tinha ideia de quem aquele cara era.
–Peter – Adam respondeu, olhando Isaac de cima abaixo. Aquele devia ser o filho mais velho. Peter falava muito dele. Adam sorriu para o garoto.
–Nós já procuramos aqui – disse Isaac, seguindo o rapaz pela cozinha. Os dois seguiram até parar na frente de uma porta menor, que passaria despercebida por qualquer um, já que tinha sido pintada da mesma cor que a parede.
–Olharam aqui? – Adam perguntou, Isaac fez que não com a cabeça.
Adam tentou abrir a porta que levava à dispensa, mas parecia trancada. Como não havia uma chave do lado de fora, ele deu um chute na porta, abrindo-a.
E lá dentro, estava Peter dormindo encolhido num canto.
–Pi? – ele chamou, surpreendendo a todos, já que nunca tiveram contato com esse álter.
Ela abriu os olhos e sorriu cansada quando viu Adam.
–Com fome? Eu trouxe o lanche que você gosta – ofereceu Adam. Os dois pareciam à vontade um com o outro.
–Oh, você me mima demais – ela respondeu, revirando os olhos.
Os outros só acompanhavam enquanto ele lhe dava a mão e a garota aceitava como se mais ninguém estivesse ali. Ele a ajudou a levantar e ela encarou a todos. Aproximou-se de Isaac, passou a mão em seus cachos e sorriu.
–Você é igualzinho a ele – ela falou sorrindo. Isaac arregalou os olhos quando ouviu a voz suave dela – E o meu lanche? Estou faminta — ela voltou sua atenção para Adam.
Eles foram para cozinha que Lydia mobiliara no mês anterior, mas que ainda estava com todos os plásticos.
Liberaram tudo para que Pi pudesse comer. Esperaram pacientemente ela lavar o rosto e as mãos, e se sentar à enorme mesa da cozinha.
–Onde está o Peter? – John perguntou, não gostando nenhum pouco do jeito dela.
–No inferno – ela respondeu despreocupada ao dar uma mordida no sanduíche.
–O QUÊ? – John se alterou.
Ela riu com a reação dele.
Adam fez uma cara feia para ela, que revirou os olhos.
–Foi culpa dele. Eu e o Júnior só estávamos tentando animá-lo depois da confusão com o velhote aí – ela se justificou, jogando a culpa no outro, como todo adolescente que nunca assume o que faz.
–Confusão? – estranhou Adam. Tudo estava bem com os dois, não estava? Eles até tiveram ótimas notícias no dia anterior.
–É. Ele acha que você e o Peter tem um tórrido caso amoroso e pirou na batatinha ontem depois de ter dado o bolo nele — ela contou em tom conspiratório — Velho maluco – xingou rindo.
Todos olharam para John, que teve a decência de parecer envergonhado.
–A coisa esquentou, e ele se lembrou de tudo. E decidiu revisitar os lugares para ter certeza. O que foi bem estúpido em minha opinião. Aí ficou tudo zoado – ela explicou, não explicando absolutamente nada.
–O que quer dizer? O que diabos vocês fizeram com ele? – perguntou John.
–Eu? Eu não fiz nada. Já você jogou o cara na parede e só faltou chamar de lagartixa – retrucou Pi, dando um gole na sua Sprite.
Isaac rosnou para o xerife. Pi riu.
–Ai, que fofo – ela disse colocando a mão na boca – Viu que bonitinho ele defendendo o pai? – ela perguntou para Adam, que concordou sorrindo.
Isaac corou com a atenção dos dois.
–Meu Deus, você parece filho dele mesmo. É até meio jeca quando recebe um elogio – ela riu e bateu palmas.
–Pi, pare de enrolar – reclamou Adam, tentando parar de sorrir. Mas era difícil, já que ele achava a mesma coisa.
Ela olhou para Adam e suspirou.
–Tá, tá. Ele surtou, tá bom? – ela disse, meio sem graça — Não achei que ele ficar desse jeito. Queria que ele descobrisse, porque eu queria que ele sofresse, queria que visse um pouquinho só do que passamos no lugar dele. Não achei que ele ia ficar desesperado quando se lembrasse de tudo que o Martin fez – ela falou num tom arrependido.
–Martin?! Foi o meu tio Martin que atacou Peter quando ele era pequeno?! – Derek perguntou enojado. E os outros pareceram nauseados quando se deram conta do que eles estavam falando.
–Não – ela negou — Foi o seu tio Martin que atacou Peter durante a vida inteira dele. Ele era um verdadeiro filho da puta.
Derek tentava absorver o que tinha ouvido, mas tinha dificuldades em acreditar. Ele olhava para ela chocado e Stiles segurou sua mão, para apoiá-lo.
–Mas eles eram tão ligados – ele pensou alto — Martin o amava – ele disse por fim.
–É, amava até doer – ela concordou, despreocupada.
–Peter se lembrou. Já ouvimos isso. Mas onde ele está? Como ele está? – perguntou Lydia.
–Ah, é – Pi falou, tentando lembrar onde estava — Ele já falou como é onde ficamos? – ela perguntou — É tipo, uma cópia daqui – ela explicou, gesticulando quando ninguém respondeu — Estávamos na casa nova, mas isso mudou. Tudo mudou. Voltamos para a Mansão — ela falou, fazendo uma careta.
–Ficou zoado – Adam repetiu, entendendo finalmente o que ela quis dizer.
–Exato. Você é inteligente e bonito. Além de uma boa foda. É tipo o pacote inteiro – ela sorriu para ele, que riu. Alguns engasgaram quando ouviram tais palavras saindo da boca de Peter. Era estranho, mesmo sabendo que não tinha sido ele que falara.
Ela suspirou, parecia estar ficando cansada.
–Ele estava inconsolável. Parecia o Pete. Já te falei do Pete? – ela perguntou para Adam — Ele é fofo demais! Enfim, como a outra não conseguia pensar em nada, eu decidi animá-lo um pouco.
–Ele disse que você o odeia – comentou Scott.
–Eu odiava. Até ver como ele é parecido com o Pete. Ele ficou arrasado quando comentamos do garoto. A gente achou que ele ficaria feliz quando soubesse que o vingamos, mas ele surtou — ela disse, jogando as mãos para o alto.
–O que disseram sobre o Charlie? – Derek rosnou para ela, puxando-a pelo colarinho. Sabia que aquele assunto era o calcanhar de Aquiles do tio – Martin fez alguma coisa com ele também? Já não bastava atacar o irmão, ele atacou o sobrinho também?
–Não, claro que não. Ele era meio doente, mas não era tão doente assim – ela o defendeu — Mas também não era muito brilhante. Digo, ele matou o garoto sem querer, confessou e sugeriu fazer outro, como se ele fosse uma roupa qualquer sem importância.
Derek soltou a roupa da outra, chocado.
–Matou? – ele repetiu.
–É, garoto. Quer que eu desenhe? – ela disse, arrumando a roupa que tinha ficado amarrotada.
–Você mencionou vingança – perguntou Allison, séria.
–Ah, é. Eu e o Junior matamos o filho da puta afogado na banheira. Nunca esquecerei a expressão de surpresa dele – ela respondeu com um sorrisinho malvado — Nem eu e nem ninguém – comentou, meio sem graça.
–O que quer dizer? – perguntou Stiles, confuso.
–Nós o matamos aqui. Mas lá a casa nunca pegou fogo – ela disse.
–Então ele ainda está na banheira?! – Stiles ficou horrorizado.
–Estava – ela respondeu fazendo uma careta.
–Estava? Não está mais?– perguntou Scott, na dúvida.
–Ele meio que saiu de lá – ela respondeu hesitante.
Fim do cap. 25
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