Uma segunda chance

12 Capítulo 12- Não é o que parece


Notas iniciais
Mais um micro capítulo :)Imprescindível para explicar um pouquinho mais sobre a situação de Peter e as mudanças em Derek, que agora entrou na famosa 'idade da chatice'.

Quando Derek voltou com Isaac e Jackson na manhã do dia seguinte para casa, já que os outros dois tinham que ir pra escola, ele correu na frente ao descer do carro.

Estava com saudades do tio. Afinal, era o primeiro dia que dormia longe do tio nos últimos meses. Não que ele não tenha gostado de dormir na casa de Jackson. Jackson agora era da alcateia, era família, mas não era a mesma coisa. Peter era seu tio, e agora seu pai, e não parecia bem no dia anterior. Por ele, nem sequer teriam saído do seu lado, mas ninguém levava uma criança de dez anos em consideração, por mais que tal criança tivesse na verdade vinte e três.

Não demorou muito para a casa ser invadida pelos adolescentes. Era dia de irem com o Camaro, e isso significava saírem no tapa para ver quem dirigiria.

Jackson, apesar de ter adorado ter sua casa inclusa como território da alcateia, estava também preocupado com Peter. Por isso, quando entrou já saiu gritando por ele. Só parou quando viu que Derek estava parado, olhando fixamente a cozinha. Estranhou a atitude do garoto até que olhou na mesma direção.

Isaac entrou logo depois e ficou chocado com a cena.

–Vocês vão demorar muito? A gente tem prova hoje. Os outros já estão esperando no carro, Jackson – resmungou Allison, aparentando estar com muita pressa.

Mas ela se calou diante da cena que presenciou. Jackson finalmente recuperou o movimento de parte do corpo e cobriu os olhos de Derek.

–Ei, vou poder dirigir, não é Isaac? — perguntou Stiles, entrando na casa pulando – Ai, caramba! – exclamou quando viu o que todos olhavam fixamente.

Chris Argent estava na cozinha, sem camisa e só de calça jeans, segurando um copo de água com uma mão e na outra uma espátula. Ele parecia estar preparando o café quando eles chegaram.

Os olhos de Isaac brilharam amarelos e ele rosnou para o caçador, que deu um passo para trás, levantando as mãos em sinal de rendição. O garoto de cabelos cacheados bufou e subiu as escadas pulando vários degraus.

Ao chegar no quarto, Isaac viu Peter dormindo tranquilamente. E ele teria sorrido em qualquer outro dia, mas só de pensar no que os dois poderiam ter feito na cama onde eles todos dormiam, o sangue lhe subia à cabeça.

Ele abriu as janelas com tudo, fazendo Peter resmungar cobrindo o rosto. Quando viu que o outro não tinha a mínima intenção de levantar, sacudiu-o sem nenhuma gentileza arrancando as cobertas.

Peter acordou e estava se sentindo péssimo. Ainda estava com frio e alguém puxou as cobertas. Ele abriu os olhos e viu que Isaac o olhava estranho. Ficou confuso. Tentou se mexer e confortá-lo, mas seu corpo doía e não pôde conter um gemido, e instintivamente encolheu o corpo todo.

–Levanta logo. Seu namoradinho está te esperando lá embaixo com o café da manhã – sibilou Isaac, fazendo-o arregalar os olhos – Eu acho que você tem muita coisa para explicar. – rosnou, saindo do quarto e batendo a porta.

Peter sentou na cama, olhando para a porta sem entender nada. Balançou a cabeça e foi em direção ao banheiro. Precisaria de um banho para acordar e enfrentar adolescentes problemáticos logo de manhã.

–Isso quer dizer que você vai morar aqui? – perguntou Derek para Chris que ainda estava cozinhando, deixando-o vermelho – Eu não vou ter que te chamar de pai, não é? Peter é o meu pai – continuou, olhando feio para o caçador — Eu posso te chamar de Zé? – sugeriu inocentemente — Você tem cara de Zé – afirmou, com um sorrisinho malvado.

Chris passou as mãos no rosto aparentando cansaço.

–Vocês não deveriam estar na escola? – tentou desviar a atenção dos adolescentes, que agora estavam todos sentados ao balcão.

–Queremos saber o que está acontecendo aqui – respondeu Jackson, olhando feio para o caçador.

–Eu não vou mais para a escola. Estudo em casa – comentou Derek – Então, se vier para cá, teremos bastante tempo para conversar – ele sorriu – Eu adoro conversar – ele riu, fazendo os adolescentes o olharem atônitos.

Peter, que estava descendo as escadas, ficou pálido quando viu o caçador sem camisa totalmente à vontade em sua cozinha na frente de seus filhos e do resto da alcateia.

Ele devia ter ficado um tempo considerável parado, pois quando se deu conta, Chris estava rindo para ele e todos o encaravam.

–Não, não foi sonho. Era eu cuidando de você a noite toda – provocou Chris, com um sorrisinho debochado. Peter tinha uma expressão horrorizada estampada no rosto — Confesso que era mais engraçado há trinta anos; você era bem mais leve. Pelo menos consegui um bom material de chantagem — Chris mostrou o celular, para os adolescentes, com um vídeo de Peter ronronando enquanto Chris fazia carinho em seus cabelos — Quem diria que você é tão meigo. Isso vai tão contra a imagem de psicopata que você tenta vender.

–Então vocês não transaram? – perguntou Allison, sem rodeios.

A expressão de nojo de Peter foi tão grande, que antes mesmo dele se pronunciar, eles já sabiam a resposta.

–Ewwwwwwwwwwwwww – finalmente ele consegue falar.

–Isso quer dizer que você não vai fazer de mim uma pessoa honesta? – perguntou o caçador, com a mão no peito, fingindo estar ofendido. Os adolescentes relaxaram um pouco, rindo.

–Vá se ferrar – falou Peter, sentando-se também junto à bancada, procurando ficar o mais longe do caçador quanto fosse possível, o que era impossível já que o único lugar vago era o mais próximo ao caçador.

Sem cerimônia alguma, Chris puxou seu rosto e verificou que seus olhos voltaram ao azul habitual. Peter puxou a cabeça, rosnando. Não era um filhote indefeso, e eles não eram amigos.

–Coma – ordenou o caçador ao colocar um prato na sua frente. Peter virou o rosto, ignorando-o. Chris revirou os olhos diante à atitude imatura do outro – Bom, já que vocês estão aqui, eu vou embora. Estou morrendo de sono – disse, indo até o sofá e pegando sua camiseta que deixara lá no dia anterior — Ficar de babá na minha idade é muito desgastante – comentou maldosamente. Peter levantou as duas mãos, fazendo gestos obscenos como resposta enquanto ele vestia a camiseta.

–Nós só viemos deixar o Derek. Temos prova hoje – falou Lydia.

–E já estamos atrasados – lembrou Allison, fazendo-os levantar.

Chris, que já estava na porta, virou incrédulo para os adolescentes.

–Esqueçam a escola hoje. Vocês vão ficar com ele – disse autoritário, apontando para Peter.

–Não tem necessidade de faltarem na escola. Além do que eu já estou melhor e vou para a Mansão ficar uns dias lá – disse Peter, despreocupado começando a beliscar o prato que o outro deixara na sua frente.

–Você só pode estar brincando – reclamou o caçador – Se esconder no meio do mato, sem nenhum vizinho ou testemunha, enquanto está atraindo toda a população de lobisomens desimpedidos é pedir pra não andar no dia seguinte – argumenta rudemente.

–Não é bem assim – Peter se ofendeu. Ele sabia que estava corado. Podia sentir as bochechas pegando fogo. Ele se encolheu, estava sentindo cócegas perto da orelha.

Isaac deu um tapa em Scott. O outro estava com um comportamento estranho, e estava muito próximo de Peter, chegando até a brincar com o cabelo do mais velho.

–É isso a que me refiro — Chris disse, apontando para Scott, que parecia confuso.

–Isso não prova nada. Scott é um anormal – Jackson retruca, fazendo alguns rirem.

Chris consente pensativo. Scott parecia ofendido.

–Não é uma boa ideia ele ficar sozinho – opina, passando as mãos no rosto.

–Eu vou estar aqui com ele – retrucou Derek, abraçando Peter.

Chris sorriu ao ver o carinho do garoto pelo tio. Nesse ponto ele e Laura eram muito parecidos.

–Você não pode ficar, Allison? Só enquanto eu descanso um pouco – pediu para a filha.

–Eu não preciso de babá – reclamou Peter, irritado. Seus olhos brilhavam azuis.

–Por isso eu pedi tantas vezes para que conversássemos – o caçador diz, voltando até a bancada. Ele apoiou as duas mãos na bancada e projetou o corpo para frente – Você adotou o meu filho legalmente, portanto você é responsável por ele – ele começou a falar num tom contido e foi aumentando o tom com cada palavra que proferia – Eu não gosto nem um pouco disso, Hale. Mas eu não tenho muita escolha, não é? Exceto ter certeza de que você cuide bem dele. E isso inclui mantê-lo seguro, e para manter Derek seguro, você precisa estar seguro e ser responsável. E se esconder no mato durante duas semanas e deixar uma criança para trás enquanto tem uma alcateia de alfas solta pela cidade está longe de ser responsável – ele terminou gritando.

–Como você é estressado – respondeu Peter, com uma calma absurda. Lydia colocou a mão na boca para não rir. Stiles podia jurar que viu uma veia saltar na têmpora do caçador.

Peter viu o brilho da pulseira de Lydia pelo canto do olho e se distraiu totalmente da discussão.

–Vocês ainda acham que ele está bem o suficiente para ficar sozinho? – Chris perguntou para os adolescentes enquanto apontava para Peter.

Quando ninguém respondeu, ele balançou a cabeça e andou até o lobisomem suspirando. Ele colocou a mão em sua testa e teve a impressão de que sua temperatura estava subindo novamente.

–Esqueçam a escola, ok? Só fiquem com ele – falou, indo embora e não dando chances para que retrucassem.

–Ele parece meio quente mesmo – disse Isaac – Vocês vão, eu fico aqui com ele.

–Você não pode faltar – reclamou Stiles.

–Você pode levar o Camaro, se quiser – Isaac deu de ombros.

–Não seja idiota. Eu tenho carro, não preciso do seu para ir pra escola – resmungou Stiles – O seu é bem mais legal, é claro. Mas o meu ponto é que hoje é prova do Harris. E ele odeia a gente. A gente podia deixar ele lá em casa enquanto fazemos a prova. Meu pai está de folga e ele é o xerife. Ele estará seguro lá – sugeriu o garoto, ansioso para ir embora.

–Ele tem razão – Lydia concordou despreocupada, mas Derek percebeu que ela tentava esconder um sorrisinho.

Isaac pareceu se convencer. Ele levantou Peter, que gemeu de dor. Passou o braço do outro pelos seus ombros e o ajudou a andar até a casa do xerife.

Chegando lá, Derek tocou a campainha. E não demorou muito para que John abrisse.

–Bom dia, Sr. Xerife – cumprimentou Derek, passando por John e invadindo a casa sem o menor pudor.

–O que ele tem? – perguntou John alarmado com o estado do amigo, que seguia um passarinho que cantava com os olhos.

–Só está um pouco indisposto. O senhor se incomoda de dar uma olhada nele por algumas horas? – perguntou Isaac, empurrando Peter para seus braços. Stiles buzinava, chamando-o – Valeu, Sr. Stilinski – agradeceu, correndo e entrando no carro.

Assim que o jovem entrou, Stiles partiu cantando pneu. Jackson o seguiu, fazendo o mesmo.

John olhou para Peter, que o abraçava pela cintura apoiando sua cabeça em seu peito, e o abraçou de volta. Não queria largá-lo.

–Estou cansado, John. Posso dormir no seu sofá? – perguntou o lobisomem, olhando o xerife. Ele reparou em suas piscadas longas. Parecia um esforço absurdo para o outro manter-se acordado.

–Claro – respondeu John, levando o amigo para dentro.

Fim do cap. 12

Notas finais
Ta-rã! No próximo capítulo vem finalmente a parte que eu mais esperei para escrever...HUAhuhuaha